Colocar as cartas na mesa. Em outras palavras, trazer à luz um propósito ou opinião que se mantinha oculto; ou seja, deixar as coisas claras. É o que fazem as cartas de todos esses arquitetos/as peruanos/as ao manifestar, por meio de palavras, seus sentimentos e expectativas diante da nova prefeitura recém-eleita. Após o silêncio do prefeito anterior, não perdemos as esperanças de dialogar por uma Lima bonita.
Não é comum falar amplamente sobre essas ideias na arquitetura, embora tenhamos recorrido a elas mais de uma vez. Diagnóstico, felicidade, reabilitação, vazio, tristeza, medo, saúde, paciente, salvar... palavras que se repetem seguidamente, integrando-se de forma cada vez mais coerente à medida que avançamos na leitura, transformando-se em um discurso que nos convence dessas utopias arquitetônicas. Não se trata de quem está por trás desta proposta, mas sim do que alcançam para a arquitetura e para a sociedade por meio desta união multidisciplinar alcançada a partir de suas diferentes abordagens — seja da filosofia, da escultura ou da ilustração —, todas elas remédios para a alma. No fundo, trata-se de uma crítica com o melhor estado de espírito dos anos 50.
Nesses projetos convergem diálogos de espaço e tempo: a possibilidade de o edifício mudar de lugar, de sua atmosfera evocar outra época. Uma filosofia baseada em curar as cidades por meio do desapego e da felicidade. Nenhum edifício pertence totalmente a um território, nenhum espírito é inerente a uma época em si. Como seus projetos escultóricos, um nasce em Nova York, outro fica no Peru e outro termina no Brasil. Com a feliz estética dos anos 50 que pretendem trazer de volta e viralizar na expressão de suas ilustrações contemporâneas, apresentamos aqui o discurso do DAD e três projetos que põem em prática seus princípios.
Sem mais delongas, pois felizmente eles nos contam tudo em detalhes.
Entre maquetes e mãos, um contato que nunca deve ser perdido. Essa experiência nos provoca silêncio. Parar no tempo para pensar no cuidado ao fazer uma maquete de concreto. Não é preciso dizer muito, pois tudo é dito através dessas expressivas maquetes acompanhadas de um texto pessoal, que transmite com beleza e simplicidade a importância deste processo manual para a prática da arquitetura.
O I Fórum "BARRIO Y NIÑEZ" é uma iniciativa da Coordinadora de la Ciudad (em Construção), no âmbito do Programa Urban95 e do Projeto Fitekantropus, que busca reunir diferentes organizações, instituições, coletivos e pessoas que trabalham com e pela infância, para compartilhar visões, abordagens e metodologias; articular iniciativas, propostas e ações, e sensibilizar a cidadania e os governos locais a respeito do tema.
Temos visto circular por todos os lados estes cartazes pitorescos que não queríamos deixar de destacar neste belo evento, que ressalta o encontro entre as crianças e o bairro, considerando o espaço público como um espaço educativo. Se você perdeu o que já aconteceu, contaremos em uma próxima publicação, pois estamos acompanhando desde o primeiro dia. Mas, por favor, não perca o que vem por aí:
Cidades inundáveis e escassez de água na Amazônia: contradições e problemas que se acentuam ainda mais com as mudanças climáticas. Embora o reassentamento populacional seja uma solução em si, geralmente tende à insustentabilidade, o que acaba gerando um problema ainda mais complexo. Isso se deve à falta de métodos adequados de subsistência e à pouca adaptação da infraestrutura arquitetônica e urbana às particularidades culturais, sociais e ambientais de contextos específicos. Como alcançar a sustentabilidade? CASA [Cidades Auto-Sustentáveis Amazônicas], como o próprio nome indica, é um programa cujo trabalho se concentra em populações amazônicas vulneráveis que buscam ser sustentáveis e se transformar em resilientes a partir de seus próprios processos.
Há pouco tempo, líamos em um dos textos vencedores do Concurso Nacional de Crítica: “Em Chimbote, a cidade que cresceu dando as costas para sua baía, formada pela busca de uma vida economicamente produtiva, não há muito o que fazer, não há muito com o que se divertir. E isso não se deve apenas à escassa oferta de locais para atividades culturais ou de lazer, mas porque na própria rua, no espaço público, não há muito com o que se deparar. Parece difícil que essa situação mude na hora de construir a cidade (…) em uma cidade que se tornou entediante, útil apenas para uma precária produção econômica, na qual a rua é apenas um espaço de trânsito, de ir e vir sem maior emoção (…). Tomara que o tédio não nos tire a capacidade de imaginar novas formas de crescimento para a nossa cidade”. Uma severa e desafiadora crítica ao devir.
Agora, este projeto surge como uma resposta, mostrando outras formas de ver, viver e crescer para esta calorosa cidade do litoral norte do Peru. É uma forma de redescobrir uma emocionante Chimbote colorida, e é o que temos o prazer de apresentar e destacar nesta publicação: o outro lado, as ações de reação diante das críticas ou, justamente, o que um pensamento crítico é capaz de realizar. Além de ser — um respiro — um exemplo replicável de pequenas grandes ações a serem implementadas em cidades de outras partes do país, além de Lima.
Comecemos pelo final. No último sábado, 8 de setembro de 2018, foi realizada a cerimônia de premiação daXVIII Bienal Nacional de Arquitetura e Reconciliação “Repensando o Território”, evento coorganizado pelo Colegio de Arquitectos del Perú - Región La Libertad e pelo Colegio de Arquitectos del Perú. O evento marcou o encerramento de uma série de atividades realizadas ao longo de três dias, com o objetivo de promover um espaço de reflexão e exposição sobre a produção da arquitetura peruana nos últimos dois anos. Estivemos presentes na bienal, sediada na cidade de Trujillo, cuja descentralização, o resgate de valores esquecidos e o repensar do território nos convidam a refletir sobre diversos aspectos que retomaremos adiante; no momento, nosso foco será apresentar os resultados da premiação.
É importante compreender este concurso em seu contexto, pois ele está vinculado, de diversas maneiras, a uma rede de concursos que construirá 15 projetos de Infraestrutura Social para o Bicentenário, estreitando laços entre estudantes ou recém-formados e seus ideais. Continue lendo para saber mais detalhes.
Temos o prazer de convidar para a inauguração deste colóquio, cujo desenvolvimento acompanharemos de perto a partir desta plataforma. Acreditamos na capacidade dos/as estudantes de agitar o debate desde as salas de aula e gerar conhecimentos valiosos para difusão sobre temas atuais, nos quais a arquitetura desempenha um papel importante, nutrindo-se de outras áreas. Nesta segunda-feira, dia 27, às 19h, ocorre o primeiro compromisso inadiável. Imperdível.
O espaço onde será criada esta nova praça é atualmente subutilizado como uma zona de estacionamento público, desperdiçando as favoráveis condições urbanas para pedestres neste ponto cercado por habitações e comércio, localizado estrategicamente na interseção da Calle 3 Sur com a Av. Del Parque Sur. Assim nasce o Concurso Nacional de Ideias: Desenho da Plaza 3 - San Isidro, organizado pelo Colegio de Arquitectos del Perú junto à Municipalidad de San Isidro, com o objetivo de promover o desenvolvimento de um novo espaço público recuperado em benefício da comunidade do distrito, por meio da criação de um espaço de encontro em um ambiente acolhedor para as pessoas. Ao mesmo tempo, espera-se que a proposta de desenho urbano se torne uma referência para futuros concursos semelhantes.
Em Lima, há uma forte tradição de casas-pátio, por isso sempre nos sentimos familiarizados e fascinados por essa tipologia. Identificamos esses pátios como bem contidos e distanciados uns dos outros, onde cada um tem seu próprio momento-espaço na residência.
Quantos estudantes de arquitetura sentam para ouvir as necessidades de uma comunidade para transformá-las em um projeto que será construído durante o semestre acadêmico? Poucos. Embora existam várias disciplinas participativas nas universidades, muitas vezes elas não passam de propostas — brilhantes, por sinal —, mas que não chegam a se materializar; ainda que, claro, nos sirvam de inspiração. Por outro lado, outros projetos que de fato são construídos não necessariamente passaram por um diálogo exaustivo com os habitantes do local da intervenção. Nos últimos anos, os/as estudantes das faculdades de arquitetura do Peru vêm se aproximando cada vez mais da realidade, reconhecendo que o país é um laboratório de experimentação ainda em processo de construção. E este projeto que apresentamos a seguir é o primeiro com tamanha complexidade a ser construído no âmbito de um ateliê universitário.
Quanto mais oculto e distante, mais magia; quanto mais se vislumbra terra, céu e água, mais mistério. Conhecer seus vilarejos é adentrar o Peru profundo, que possui costa, serra e selva. Além do imenso mar, há o deserto costeiro, as elevadas montanhas definidas pela Cordilheira dos Andes, que atravessa o país de norte a sul, e a vasta selva que abriga a nascente do rio Amazonas. E sobre essa paisagem assentam-se construções e populações de culturas milenares. Sendo assim, imaginem quantas atmosferas ainda restam por descobrir nos encontros mais recônditos desta biodiversidade. A variedade de climas é proporcional aos diferentes tipos de vilarejos: povoados de bruxos, fantasmas, perdidos, flutuantes, de línguas antigas ou esquecidas, de músicos, de pedra, de barro, coloridos...
Pela primeira vez, uma equipe de arquitetura peruana ganha o primeiro prêmio no prestigiado concurso EUROPAN, cuja temática nesta sua 14ª edição foi “Cidades Produtivas” (Villes Productives), buscando a conexão entre habitat e produção no âmbito da sustentabilidade. O YDEA é o grupo nacional formado por Sebastián Morales, Johana Salazar, Elaine Sanchez e Diego Morales, que apresentou um projeto de regeneração urbana para o setor de Terres Saint-Lazare nas comunas de Grigny e Ris-Orangis, localizadas ao sul de Paris, na França.
"Trata-se de uma proposta notável devido à compreensão real do local e de suas dificuldades. A proposta se alinha plenamente à temática do concurso (cidades produtivas) ao explorar como as pessoas podem se tornar agentes de seu entorno e produtoras de seus próprios serviços”, comenta o júri.
Além disso, foi a primeira vez que um grupo formado integralmente por profissionais de fora da Europa venceu este certame. O EUROPAN é um concurso bienal de projetos urbanos e um dos prêmios de arquitetura mais prestigiados do panorama emergente europeu, aberto a profissionais de arquitetura e urbanismo com menos de 40 anos. Desde 1971, lideranças municipais de diferentes cidades e comunas europeias propõem seus territórios para o desenvolvimento de propostas urbanas e arquitetônicas inovadoras. A seguir, apresentamos os detalhes do projeto.
Falemos repetidamente sobre o assunto até que realmente o escutemos: a cidade de Lima dá as costas para o rio Rímac, e este nos falou de forma caudalosa no ano passado, com seus transbordamentos e desastres após o fenômeno El Niño. Enquanto isso, surgiram ecos para melhorar a realidade em torno deste importante rio e fazer parte da reconstrução nacional. Assim, o necessário concurso de ideias ‘Parque Fluvial Rímac’, organizado pela incubadora de soluções urbanas Lima Design Network, promoveu diversas formas de salvaguardar os limites entre natureza e apropriação; a urgência de espaço público é iminente. Não será construído – não por enquanto –, mas por meio destas divulgações propomos agitar novamente as águas e con-mover com este tipo de projeto sensível e ideal para a cidade.
Neste sábado, 26 de maio, será inaugurado o pavilhão peruano na Bienal de Veneza 2018, e as huacas de Lima não voltarão a ser vistas com os mesmos olhos – ou não deveriam –, graças à proposta curatorial “En Reserva”, de Marianela Castro de la Borda, Janeth Boza e Javier Lizarzaburu, que conseguem sintetizar 4.000 anos de arquitetura em um espaço de 250 metros quadrados.
Por meio de uma leitura poética, a equipe de curadoria nos conduz a uma Lima milenar e a suas huacas em conflito como uma “cidade-nó” para redescobrir suas infinitas possibilidades como “cidade viva”, que se desenvolve respeitando todas as suas camadas históricas. O objetivo da equipe de curadoria é destacar a existência de 447 huacas em estado de esquecimento e espera na capital peruana e, ao mesmo tempo, revelar seus atributos para se tornarem os espaços públicos tão desejados e necessários para a população de Lima.
Antes de mencionar como e quem destaca internacionalmente este projeto, é importante reconhecer sua relevância no território nacional. Este edifício de salas de aula construído para a Universidade de Piura é um sólido projeto educacional localizado no meio do deserto do norte do país. Diante do ocorrido em 2017 em diferentes partes do Peru em decorrência do devastador fenômeno El Niño – em que o norte foi uma das regiões mais afetadas, com a perda de diversos edifícios mal implantados ou construídos com materiais inadequados –, este edifício permanece de pé, exemplificando como intervir com delicadeza, coerência e respeito neste clima e paisagem, servindo de modelo para a reconstrução nacional. Além disso, representa uma grande contribuição para melhorar a qualidade – e o investimento – nos espaços educativos fora da capital, em prol da descentralização e oferecendo melhor educação e oportunidades para os/as estudantes.
Feito esse panorama interno, podemos passar aos reconhecimentos externos:
A próxima abertura da 16ª Mostra Internacional de Arquitetura da Bienal de Veneza – que acontecerá a partir de 26 de maio – é motivo suficiente para revelar as camadas daquela que será a exposição do pavilhão peruano. A mostra tem curadoria de Marianela Castro, Janeth Boza e Javier Lizarzaburu, que nesta publicação nos revelam novas imagens para nos aproximar de suas visões. Por sua vez, o comissário José Orrego, encarregado da participação peruana desde 2012, destaca o grande entusiasmo despertado pela originalidade da proposta vencedora do concurso nacional, que contou com a participação de 40 projetos.
O foco desta exposição internacional permite visibilizar temas que fazem parte da problemática arquitetônica local, abrindo caminho para que essas reflexões se transformem em propostas que enriquecem a compreensão de nossas cidades. Sob a direção curatorial de Yvonne Farrell e Shelley McNamara, o tema principal da Bienal de Arquitetura de Veneza é “Freespace”, definido como “a capacidade da arquitetura de encontrar generosidade adicional e inesperada em cada projeto”. Descubramos nesta compilação de imagens e ideias o que a equipe de curadoria revela sobre o assunto.