Adeus Lima Amarela

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Não é nada pessoal com a cor amarela, mas sejamos sinceros: estávamos saturados da monotonia.

Amamos o amarelo, mas não quando ele é usado sem gosto e sob a sombra da corrupção. Gostamos do amarelo tão natural em Lima quanto o da imagem que abre este texto; aquele em tom de terra, o de cada entardecer, o que brilha como o sol. Nos últimos anos, nossa cidade foi forçadamente invadida por essa cor: escadarias amarelas, pontes amarelas, muros amarelos, grades amarelas... talvez demais. E se certas obras não eram amarelas em si, as intenções por trás delas vinham carregadas com um ranço dessa tonalidade.

“Um amarelo pode ser radiante ou agressivo”, como bem diz Eva Heller na psicologia das cores. Por isso, foi inevitável que o radiante se desvanecesse, tornando agressiva a bandeira estética da recente gestão municipal (2015-2018). Seja por sua visão de curto prazo no planejamento urbano, sem noção de espaço público e áreas verdes, seja por seu silêncio incômodo e pela falta de diálogo com a população, por sua desídia e individualismo, entre outras falhas. Definitivamente, o amarelado já não vinha apenas da tinta plástica que identificava suas obras como a marca do Zorro; ele era percebido no ar, a cada gesto ou até mesmo em sua mudez. Tudo se tornou difuso em amarelo, acompanhado da realidade crua em preto e branco, roubando-nos a natureza de possibilidades coloridas.

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Sobre este autor
Cita: Bayona, Delia. "Adeus Lima Amarela" [Adiós Lima Amarilla ] 04 Jul 2026. ArchDaily em Português. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/pt/1117636/adeus-lima-amarela> ISSN 0719-8906

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