A madeira está entre os materiais mais antigos e familiares da arquitetura. Contudo, seu uso contemporâneo levanta questões complexas sobre impacto ambiental, disponibilidade de recursos, procedência de materiais e circularidade em relação às economias locais. Ao mesmo tempo, os avanços no design computacional, na usinagem CNC e na fabricação robótica também estão reconfigurando a maneira como a madeira é projetada e montada, abrindo novas possibilidades para a inovação estrutural e a expressão formal, ao mesmo tempo em que redefinem o equilíbrio entre automação, força de trabalho e eficiência.
As informações de um projeto de arquitetura não se limitam aos softwares CAD ou BIM. Briefings, PDFs de desenhos, contratos, orçamentos, relatórios de obra, arquivos de aprovação e especificações técnicas costumam ser os documentos que as equipes abrem, revisam, enviam e confirmam diariamente.
Quando esses arquivos ficam dispersos em e-mails, aplicativos de mensagem, cópias digitalizadas e diferentes dispositivos, erros de versão, atrasos em aprovações e perda de informações podem acontecer facilmente. Para arquitetos/as e pequenos escritórios, isso não apenas desacelera a comunicação, como também compromete a precisão do projeto, a confiança do cliente e os prazos de entrega.
O conceito de museu historicamente suscita reflexões sobre identidade, representação e estruturas institucionais. Atualmente, os museus são concebidos como espaços cada vez mais complexos, que combinam áreas de exposição com outras funções culturais e educativas, estimulando o engajamento cívico, a experimentação artística e a responsabilidade arquivística. Ao longo deste ano, inúmeros projetos de museus foram anunciados e avançaram em várias regiões do mundo, com cronogramas de conclusão que se estendem, em sua maioria, de 2026 a 2030. A essa variedade soma-se a ampla gama de conceitos desenvolvidos no campo das ideias, propostas e especulações. É nesse território que se insere esta seleção de projetos enviados pela comunidade de leitores do ArchDaily: propostas cujos desenhos expandem os limites da nossa imaginação.
Parte da arquitetura regional mais inovadora do mundo nunca chega às manchetes simplesmente porque ninguém está contando a sua história. No sexto episódio do podcast Room For Dreams, gravado ao vivo na Milan Design Week 2026 em parceria com a INDX|GLOBAL, a host Claire Brodka, do designboom, analisa detalhadamente esse gargalo ao lado dos/as arquitetos/as Niroop Reddy, Sujit Nair e Aman Aggarwal. O debate investiga como a falta histórica de narrativas na arquitetura acabou obscurecendo uma grande revolução de design em curso no subcontinente indiano.
O bambu é frequentemente elogiado antes mesmo de ser compreendido. De crescimento rápido, ele carrega uma longa história de culturas construtivas e parece oferecer à arquitetura uma linguagem ecológica imediata. Em fotografias, sua lógica parece quase autoexplicativa: leve, natural, renovável e já alinhado a um futuro mais sustentável. No entanto, essa aparente clareza é justamente o que torna o bambu difícil de discutir com precisão. Uma vez transformado em símbolo de responsabilidade ambiental, o material em si corre o risco de desaparecer por trás da imagem que projeta.
Este é o risco do renascimento contemporâneo do bambu. Ele pode ser facilmente idealizado como um substituto ecológico para materiais industriais, uma atmosfera regional ou uma alternativa mais suave às linguagens rígidas do aço e do concreto. Em cada um desses casos, o bambu é admirado antes que suas condições reais sejam compreendidas. A questão fundamental não é se o bambu é sustentável em um sentido genérico, mas sim que tipo de cultura arquitetônica ele exige: quais formas de conhecimento, manutenção, regulamentação, mão de obra e tempo são necessárias para que sua sustentabilidade se concretize.
Arquitetura e água pertencem a naturezas opostas. Enquanto uma delimita e contém, a outra insiste em se espalhar, e é dessa tensão entre o sólido e o líquido que surgem os centros aquáticos. Nesses edifícios, a presença da água transforma tudo ao seu redor. A luz se fragmenta em reflexos instáveis, os sons adquirem uma reverberação particular, a temperatura e a umidade passam a definir a atmosfera dos espaços, enquanto materiais e sistemas construtivos são permanentemente postos à prova. Mas sua singularidade não é apenas técnica.
Soporte oculto para vigas - CBH. Image Cortesía de Simpson Strong Tie
No campo da arquitetura, a madeira foi um dos primeiros materiais utilizados pelos seres humanos na construção, evoluindo e enfrentando diversos desafios ao longo dos anos. Desde a incorporação de novas tecnologias nos processos de produção industrial até técnicas e materiais ancestrais reinterpretados de forma contemporânea, a construção em madeira continua despertando interesse entre profissionais de arquitetura e design. Para além de sua versatilidade, resistência, aparência e sustentabilidade, a madeira laminada cruzada, conhecida como CLT, apresenta um cenário promissor para o futuro da indústria.
Kiaura Collection™ projetada por Aaron DeJule para a KI. Imagem cortesia de KI Furniture
Durante décadas, profissionais aceitaram uma realidade desconfortável: horas passadas em uma mesa de trabalho frequentemente resultam em dores nas costas, inquietação constante e uma fadiga mental progressiva. Embora os assentos ergonômicos convencionais tenham buscado melhorar o conforto por meio de mecanismos ajustáveis, eles, em grande parte, continuaram a pressupor que o sentar-se de forma eficaz depende da manutenção de uma postura estável. A crescente compreensão da relação entre movimento, bem-estar físico e desempenho cognitivo sugere uma abordagem diferente, na qual o movimento se torna parte integrante da experiência de sentar-se, em vez de algo a ser minimizado.
A arquitetura frequentemente recorre à história de um lugar, traduzindo narrativas locais em formas, materiais e experiências espaciais contemporâneas. Localizado na estância termal de Bad Orb, perto de Frankfurt, o ALEA RESORT HIDEAWAY segue essa premissa, inspirando-se no histórico de extração de sal da região.
Projetado pelo escritório PLAJER + FRANZ, o projeto de hospitalidade de 5.200 m² faz referência à geometria dos cristais de sal por meio de sua linguagem arquitetônica, ao mesmo tempo em que utiliza soluções de iluminação da OLEV para moldar a atmosfera de seus espaços internos. Nesta entrevista, o arquiteto Alexander Plajer discute a relação do projeto com seu contexto, o processo de concepção e o papel da iluminação.
Como um direito humano fundamental, a inclusão exige que todas as pessoas — independentemente de sua origem, habilidades ou circunstâncias — sejam reconhecidas e respeitadas, com igual acesso aos mesmos recursos e oportunidades. Para muitas pessoas com deficiência e seus cuidadores e cuidadoras, os banheiros acessíveis ainda deixam de oferecer o que há de mais essencial: um local seguro, privado e digno para a troca assistida. Embora muitas instalações cumpram as normas de acessibilidade da ADA e do ICC, os layouts de banheiros convencionais frequentemente não acomodam usuários e usuárias que necessitam de mais espaço, tempo e apoio de assistência. Essa lacuna tem contribuído para a crescente adoção de trocadores para adultos, instalações que expandem a acessibilidade para além dos requisitos convencionais de banheiros e respondem a necessidades que os equipamentos padrão não conseguem atender.
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Sob as superfícies, atrás das estruturas ou mesmo entre as instalações, inúmeros sistemas de fixação e elementos adesivos compõem as conexões necessárias em fachadas, acabamentos e fechamentos de nossos edifícios. À medida que o passar do tempo evidencia a idade das construções e as tendências se modificam em ritmo acelerado, a atualização dos edifícios exige atenção ao seu desgaste, manutenção e melhoria de desempenho. Independentemente de suas metodologias de instalação, tecnologias ou ferramentas, os sistemas de fachadas ventiladas continuam transformando, hoje, a maneira de abordar o projeto e a estética dos edifícios.
A ascensão acelerada de uma estética homogeneizada e globalizada está forçando criadores e criadoras a confrontar uma realidade crítica: as tendências de design transcendem a geografia sem esforço, mas a identidade local acaba pagando o preço. O quinto episódio do podcast Room For Dreams investiga diretamente se um mercado sem fronteiras está apagando silenciosamente a diversidade do design. Gravado ao vivo na Milan Design Week 2026, em parceria com a INDX|GLOBAL, a apresentadora Claire Broadka, do designboom, conversa com Sachi Gupta, Shilpi Sonar, Krithika Subrahmanian e Sumit Dhawan para mapear a realidade dos/as profissionais criativos/as sem fronteiras.
Horários estendidos, prazos impossíveis, pressão para fazer networking — os setores imobiliário e de design podem tornar desafiador para pais e mães que trabalham encontrar tempo suficiente no dia a dia. À medida que muitas empresas começam a repensar suas normas e políticas, temos a oportunidade de refletir e considerar quando, onde, como e até mesmo por que trabalhamos.
Eu — ao lado de um pequeno mas resiliente exército de pais e mães que trabalham na região de Chicago — quero desafiar nosso setor a pensar mais alto. Estamos em um momento propício para mudanças, especialmente diante da "Grande Renúncia" e da acirrada disputa por talentos. A pandemia nos mostrou que o tempo é o nosso bem mais precioso e, com isso em mente, acreditamos ser possível construir políticas e práticas inclusivas que atraiam profissionais para o nosso setor. Veja como:
O Concurso Internacional de Design Criativo para a Rota Cênica nº 1 do Parque Nacional da Montanha Wuyi destacará o posicionamento estratégico de transformar a Montanha Wuyi em um destino turístico de classe mundial e no cartão de visitas da província de Fujian, apresentando ao mundo a incomparável beleza natural e cultural do Parque. Impulsionado pela criatividade e pela inovação, o concurso busca propostas globais de melhoria arquitetônica e urbanística para 14 pontos inicialmente selecionados ao longo da Rota Cênica nº 1.
Ao reunir talentos criativos do mundo todo, a premiação visa impulsionar a valorização dos recursos naturais e culturais no Cinturão de Conservação e Desenvolvimento do Entorno do Parque Nacional da Montanha Wuyi, potencializar de forma sistemática o valor dos produtos ecológicos e fazer avançar a construção da civilização ecológica. Dessa forma, busca-se criar rotas cênicas e áreas rurais de nível internacional, consolidando o Grande Círculo Turístico de Wuyi. O concurso é promovido pelo Governo Popular Municipal de Nanping, organizado pelo Escritório do Grupo de Liderança de Nanping para as Obras do Cinturão de Conservação e Desenvolvimento do Entorno do Parque Nacional da Montanha Wuyi, e coorganizado pelo Departamento de Comunicação do Comitê Municipal do PCCh de Nanping, pela Secretaria Municipal de Recursos Naturais de Nanping, pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Nanping, pelo Governo Popular do Distrito de Jianyang, pelo Governo Popular Municipal de Wuyishan, pelo Comitê Administrativo da Nova Área de Wuyi e pela Fujian Wuyi Tourism Group Co., Ltd.
No centro do discurso arquitetônico sobre arquitetura sagrada, as atenções quase sempre se voltam para o monumento. Templos, mesquitas, monastérios e igrejas dominam tanto a história da arquitetura quanto a crítica de projeto e a fotografia, tornando-se os símbolos físicos através dos quais a fé é compreendida. Para milhões de pessoas em peregrinação em toda a Índia, a experiência arquitetônica mais impactante começa muito antes de o santuário surgir no horizonte. Ela se desenrola ao longo de estradas montanhosas, *ghats* (escadarias à beira-rio), ruas sombreadas, acampamentos temporários, sistemas de filas, pontes, postos de água, postos de atendimento médico e inúmeras outras estruturas cotidianas de infraestrutura através das quais a peregrinação de fato ocorre. O trabalho arquitetônico da peregrinação talvez resida menos no santuário em si do que nos ambientes que viabilizam o trajeto de milhões de pessoas até ele.
Vencedor do Primeiro Prêmio: Seeds in Forgotten Soil. Imagem cortesia de Buildner
A Buildner anunciou os resultados da segunda edição do concurso Re-Form: New Life for Old Spaces, uma premiação internacional de ideias que investiga o reuso adaptativo de edifícios existentes de pequena escala. O concurso convidou profissionais de arquitetura e design a proporem transformações de estruturas usadas, abandonadas ou negligenciadas com uma área de projeção aproximada de 250 metros quadrados, localizadas em qualquer lugar do mundo. Sem terreno ou programa definidos, incentivou-se a exploração de alternativas à demolição e à construção nova, por meio de estratégias de reuso fundamentadas em questões sociais e ambientais contemporâneas.
Compreender o gradiente de temperatura em uma edificação é essencial em climas frios ou temperados, onde envoltórias herméticas e isolamento contínuo são utilizados para evitar a perda de calor. No entanto, essa abordagem não é adequada para regiões tropicais como a América Central, onde o clima é marcado por uma alternância constante entre as estações seca e chuvosa, em vez de quatro estações bem definidas. Fatores como a proximidade do mar, a altitude e a topografia local influenciam os microclimas em distâncias curtas, mas a alta umidade continua sendo um desafio comum. Paredes vedadas, herméticas e sem ventilação podem rapidamente se tornar focos de mofo, tornando problemáticas as estratégias térmicas dos climas temperados. Em resposta, profissionais de arquitetura da região desenvolveram abordagens alternativas que acolhem, em vez de resistir, o ambiente externo, permitindo que o fluxo de ar e a evaporação regulem o conforto interno.
Ellisse, local: Armando Cose, Designer: Philippe Malouin
Comunicar uma ideia utilizando apenas o essencial é um desafio muito maior do que costuma parecer. Dos haicais japoneses às esculturas refinadas de Constantin Brâncuși, muitas expressões artísticas têm buscado condensar o máximo de significado com o mínimo de elementos. Essa economia de forma não é um sinal de escassez, mas de intensidade: cada traço, cada palavra, cada silêncio ganha peso. Há algo de intrinsecamente atraente naquilo que se apresenta de forma simples e bem resolvida, seja um texto que não desperdiça palavras, um/a tenista que se move com gestos intencionais ou uma melodia que é ao mesmo tempo direta e inesperadamente profunda.
Esse mesmo princípio, que transcende diferentes linguagens artísticas, reverbera profundamente no design contemporâneo. Ao serem reduzidos ao essencial, móveis ou objetos cotidianos revelam uma beleza que surge da precisão e transcende sua própria função. Isso fica evidente em HUM, a nova coleção de torneiras desenvolvida pelo designer Philippe Malouin para a QuadroDesign, na qual um simples gesto se transforma em uma linguagem completa.
Fundada em 1997, a gad é uma empresa de design integrado que reúne projeto de arquitetura, consultoria e serviços técnicos de engenharia. Seu portfólio abrange diversas tipologias, incluindo edifícios residenciais, corporativos, hotéis, centros de pesquisa, universidades, espaços comerciais e complexos multiuso, com filiais estabelecidas em Hangzhou, Xangai, Qingdao, Xiamen e Chongqing. Como uma das referências do design nacional com mais de 20 anos de trajetória, a gad busca constantemente a excelência e a inovação em suas práticas, pautando-se por uma filosofia de projeto de caráter humanista. A empresa dedica-se a alcançar o equilíbrio ideal entre impacto social, demandas comerciais e o espírito arquitetônico, indo além do valor iminente do design para influenciar ativamente a renovação e o desenvolvimento urbano e rural.
https://www.archdaily.com.br/pt/1130626/vagas-em-hangzhou-gad-lider-de-projeto-arquiteto-a-lider-arquiteto-a-juniorMilly Mo
Após ler e compilar todas as mensagens recebidas, tanto de profissionais da construção civil quanto de estudantes e pessoas interessadas em arquitetura, chegou a hora de apresentar os principais posicionamentos. Agradecemos imensamente por suas opiniões!
Segundo os planos do executivo, este ano serão construídas mais de 500 escolas no Peru para suprir o déficit de infraestrutura enfrentado pelo setor. São 30 bilhões de soles em investimentos que representam, além disso, um incentivo para a indústria da construção nas diversas regiões do país.
Escola de Design e Meio Ambiente da NUS / Serie Architects + Multiply Architects + Surbana Jurong. Imagem cortesia de Serie Architects + Multiply Architects + Surbana Jurong
Este artigo faz parte da nossa nova seção de Opinião, um espaço para ensaios argumentativos sobre questões críticas que moldam o nosso campo de atuação.
Antes de se tornarem autores e autoras do espaço, estudantes de arquitetura são primeiramente submetidos a ele. Durante anos, trabalham dentro de um edifício que ensina sem se anunciar como um educador. Ele organiza seu esgotamento, sua ambição, sua visibilidade, sua solidão, suas amizades, sua noção de escala e sua relação com o julgamento alheio. Muito antes de um/a estudante conseguir articular uma posição teórica sobre a arquitetura, a escola já lhe ofereceu uma em seu ambiente construído implícito.
Isso não significa sugerir que os edifícios determinem a atuação de arquitetos e arquitetas. A influência é mais lenta e menos direta que isso. O edifício de uma escola de arquitetura opera mais como um currículo oculto: uma disciplina espacial que atua em conjunto com o corpo docente, as ementas, a cultura institucional e a vida estudantil. Ensina por meio do acesso e da obstrução, das adjacências programáticas, da exposição à luz natural e da escala. Produz hábitos de atenção antes mesmo de gerar crenças explícitas.