É raro um bairro histórico receber novos edifícios. No entanto, foi exatamente o que aconteceu em meio às elegantes e ornamentadas estruturas de Frederiksberg Allé, em Copenhague. A histórica avenida foi inspirada na arquitetura parisiense e conta com diversos edifícios notáveis por seus detalhes arquitetônicos complexos.
No dia 16 de abril, foi realizada em Guangzhou, na China, a cerimônia de início das obras daquele que será o maior estádio de futebol do mundo. O aspecto mais controverso do projeto não foi o seu custo de US$ 1,7 bilhão, mas sim o seu audacioso formato de flor de lótus, que gerou fortes críticas da comunidade de arquitetura local, embora tenha sido elogiado pelo público em geral.
https://www.archdaily.com.br/pt/1126157/antecipando-o-futuro-da-arquitetura-esportiva-com-10-estadios-recem-construidos-pelo-mundoMilly Mo
the city of Homs in Syria. Image 由 Shutterstock/ By Fly_and_Dive
Em um mundo assolado pela guerra e pela destruição, surgem novas perspectivas para a reconstrução das cidades do futuro. As novas tecnologias oferecem oportunidades para projetar ambientes construídos mais qualificados e melhores experiências urbanas. Embora o mundo já tenha testemunhado tentativas fracassadas de reconstrução pós-guerra, o conceito de regeneração urbana no século XXI está intrinsecamente ligado à cultura, à integração e ao desenvolvimento sustentável.
Como se sabe, a tecnologia é um divisor de águas neste século. Ela já transformou a maneira como projetamos e construímos e, com o avanço da inteligência artificial, esse impacto é ainda maior. Se a inteligência artificial é capaz de transformar nosso ambiente de vida atual, ela também pode recuperar o ambiente que perdemos.
Logos corporativos dos seis coletivos de arquitetura, extraídos de https://arquitecturascolectivas.net/, http://www.recetasurbanas.net, http://zuloark.com, http://www.boamistura.com, http://www.eeestudio.es, https://enormestudio.es e https://assemblestudio.co.uk/. Imagem via Revista rita_
Este artigo de Alberto Bravo de Laguna Socorro foi publicado originalmente na edição número 12 da revista rita_ com o título "Transgressão, experimentación y comunicabilidad de lo gráfico en arquitecturas colectivas. Índices de una expresión gráfica implicada".
https://www.archdaily.com.br/pt/1127235/transgressao-experimentacao-e-comunicabilidade-do-grafico-em-arquiteturas-coletivasAlberto Bravo de Laguna Socorro
Museu Soumaya / FR-EE / Fernando Romero Enterprise. Imagem
O recurso da realidade virtual não é uma novidade; contudo, sua adoção tem sido gradual em diferentes organizações. No mundo da arquitetura e da cultura, é cada vez mais comum ter acesso a tours virtuais que proporcionam uma visão muito mais ampla dos espaços e — no caso da arte — de sua relação com as obras expostas. Diversos esforços têm sido realizados para impulsionar este mapeamento espacial, encurtando as distâncias entre cidades, países e continentes, como é o caso do projeto Google Arts & Culture, que conta com uma biblioteca de 4.500 espaços que podem ser visitados virtualmente.
Por causa do coronavírus, as universidades em todo o mundo estão fechadas e as aulas, agora, são oferecidas por videoconferência. Isso não é excessivamente dramático, pois esse arranjo temporário eclipsará após a contenção dos casos e as aulas serão retomadas. No entanto, os impactos no meio universitário e no tecido urbano exigirão reformas imediatas no ensino superior, que moldarão o programa de estudos em arquitetura dos próximos anos.
https://www.archdaily.com.br/pt/939579/como-o-coronavirus-transformara-o-modo-como-ensinamos-arquiteturaZaheer Allam, Gaetan Siew and Felix Fokoua
Nos países onde a arquitetura se adapta às estações do ano, os projetos devem responder de modo a serem habitáveis tanto nas altas temperaturas do verão quanto no frio do inverno. Para a sorte dos países tropicais, como a Colômbia, a temperatura local não depende das estações, mas sim de sua implantação geográfica em relação à altitude sobre o nível do mar. Por essa razão, não é indispensável vedar ou isolar o interior dos projetos; pelo contrário, o manejo adequado da ventilação constante permite arquiteturas mais permeáveis e integradas ao contexto.
Reunimos uma série de projetos de diferentes programas — comercial, de saúde, cultural, educacional e residencial — nos quais diferentes técnicas construtivas controlam a permeabilidade, os fluxos de ar, a privacidade ou a filtragem da luz solar. A seguir, você pode explorá-los.
A terra é um elemento que vem sendo utilizado para construir desde tempos imemoráveis. Seu baixo impacto ambiental e a variedade de técnicas existentes para trabalhá-la permitiram a transcendência de seu uso em projetos de arquitetura em todo o mundo. Seja na taipa, em paredes de terra batida, paredes erguidas com sistemas de barro ou estruturas em adobe, diversos projetos contemporâneos reelaboram e reinterpretam estes métodos tradicionais para dar forma a seus espaços.
Até onde chega os antigos registros escritos da história da humanidade, a “pré-história” pode ser estabelecida em um período de tempo que vai de 35.000 a.C. até 3000 a.C. no caso do Oriente Médio e até 2000 a.C. na Europa Ocidental. Segundo o que foi possível observar, os construtores de outrora detinham um profundo conhecimento à respeito das condições ambientais e das necessidades físicas do ser humano em sua busca por abrigo. Inicialmente organizados em grupos ou tribos, humanos utilizavam estruturas construídas com pele e ossos de animais para se proteger da chuva e do sol, do frio e do calor assim como das ameaças do mundo exterior. Milhares de anos se passaram e as cabanas primitivas evoluíram para se tornarem estruturas complexas construídas em paredes de tijolos ou com solo compactado, assumindo formas geométricas pontuadas por aberturas responsáveis pela ventilação e iluminação natural dos espaços interiores.
Ao longo dos próximos meses, você poderá acompanhar aqui no ArchDaily uma série de pequenos artigos sobre a história da humanidade em busca de abrigo e como o habitat primitivo evoluiu para se transformar na arquitetura como a conhecemos hoje. Durante esta primeira semana, dedicaremos um pouco do nosso tempo para refletir sobre as estruturas das primeiras civilizações conhecidas pela humanidade: as Aldeias Neolíticas, a Mesopotâmia e o Antigo Egito.
Este artigo de Alejandro Campos Uribe foi publicado originalmente na edição 9 da revista rita_ com o título "Como desenhar a arquitetura de Aldo van Eyck. Cinco desenhos da casa da família Van Eyck em Loenen".
A obrigação de permanecer em nossas casas - ditada pelos governos em relação à pandemia de COVID-19 - e, em alguns casos, o medo de sair para fora, fez com que, nos últimos tempos, o espaço doméstico tenha sido valorizado e se tornado palco das ações / reações e características mais evidentes do ser humano no contexto de um sistema capitalista e machista.
Abrigo Temporário no Nepal / Charles Lai + Takehiko Suzuki. Cortesia de Charles Lai, Takehiko Suzuki
Terremotos, pandemias, conflitos e desastres ambientais são alguns dos eventos que têm desafiado arquitetos, urbanistas, designers e engenheiros a encontrar formas de desenvolver estruturas e infraestruturas de maneira rápida, prática, eficiente e adequada tanto à situação como ao local em que serão implementadas. Na busca por materiais que estejam disponíveis e cumpram as exigências para cada tipo de situação, aqueles considerados “alternativos”, ou não usuais – ao menos no contexto dos abrigos emergenciais –, se apresentam como possibilidades para experimentação e posterior aplicação em estruturas de emergência. Ao abordarmos edificações temporárias, contêiners e lonas tensionadas sempre nos vêm à cabeça. Mas há materiais de grande disponibilidade e com boas características físicas que podem cumprir funções emergenciais.
No sentido mais fundamental, podemos dizer que a arquitetura nasce – em sua forma mais elementar – da inerente busca humana por abrigo. A cabana como abrigo construído pelo homem, em sua forma mais primitiva, já existia há muito tempo quando Marc-Antonie Laugier à descreveu em 1755. Laugier teorizou uma alegoria de um homem na natureza e sua necessidade de abrigo, um requisito básico para proteger-se do sol e da chuva. Os troncos de madeira, verticalmente dispostos no terreno, aludem ao papel desempenhado pelas colunas, enquanto os elementos horizontais colocados sobre elas nos fazem pensar na função de uma viga, os galhos, por sua vez, cumprem a função de cobertura inclinada de uma típica “cabana” moderna. Embora o homem tenha vagado pela superfície da Terra por milhares e milhares de anos, por que apenas em meados do século XVIII fomos capazes de teorizar a respeito da gênese da mais elementar das criações humanas?
Air Ocean City, de Raimund Abraham. Imagem cortesia de MIT Press
Há mais de um século, arquitetos e arquitetas abordam o mundo como um projeto por meio de propostas especulativas, em uma tentativa de imaginar o futuro e ressignificar questões globais. A globalização — e a interconectividade cada vez maior — exige ações em escala mundial e convida a uma reflexão sobre as responsabilidades da profissão. É precisamente isso que o livro The World as an Architectural Project alcança: por meio de uma compilação de projetos especulativos em escala global do século passado, a obra defende de forma convincente a agência da arquitetura.
A noção de situação emergencial abrange uma série de cenários contemporâneos que vão desde desastres naturais a situações de extrema pobreza ou isolamento por conflitos sociais e políticos. Em todos os casos, o caráter de suspensão da normalidade e afloramento das mais básicas necessidades para a manutenção de uma qualidade de vida digna se tornam os motes para pensar alternativas de desenho rápidas e eficientes que ofereçam uma resposta a este tipo de situação de urgência.
Em uma residência, o banheiro é certamente o espaço mais íntimo e privado. Ou pelo menos, era! Sinônimo de relaxamento, este ambiente vem sendo cada vez mais explorado por arquitetos e ganhando tamanho destaque e grau de importância projetual. Se a priori, limitava-se simplesmente a ter pia, vaso sanitário e ducha, agora dá lugar a verdadeiras salas de banho, ressignificando seus usos e tornando-se um espaço experiencial. Com isso em mente, a ideia de "caixas" fechadas e com aberturas mínimas, abre-se a novas possibilidades e sobretudo, ao exterior, uma vez que o conceito de natureza integrada é atingido por meio de generosas aberturas que incorporam a paisagem exterior.
Perguntamos aos leitores e leitoras do ArchDaily quais jogos eletrônicos mais os impressionaram em termos de visualização arquitetônica, e por quê. Após coletar centenas de respostas, ficou evidente que não há um único fator decisivo que destaque um jogo, mas um dos elementos fundamentais na experiência de jogo é, sem dúvida, o ambiente construído virtual.
Nos jogos eletrônicos, o papel da arquitetura vai muito além de servir como pano de fundo para cidades virtuais ou renderizações de locais reais. Na verdade, ela constitui um elemento fundamental para a imersão dos jogadores e jogadoras no mundo virtual, tornando a experiência tão tangível quanto o mundo real, porém muito mais emocionante.
(Aviso: os vídeos e imagens deste artigo podem causar convulsões em pessoas com epilepsia fotossensível)
Design With Nature Now revisita o livro homônimo de 1969 de Ian McHarg e faz um balanço das práticas atuais e projetos de resiliência em paisagismo em todo o mundo, como o Parque Nacional de Pantanal de Weishan Lake da AECOM em Shandong, China. Cortesia AECOM
Afastando-se de seu foco inicial e exclusivo em desastres naturais, a arquitetura e o design resilientes enfrentam o desafio muito mais complexo de ajudar os ecossistemas a se regenerarem.
Trinta anos atrás, como estudante de ensino médio no internato Cranbrook, no subúrbio de Detroit, escrevi uma reportagem investigativa baseada em pesquisas sobre a crise ambiental para o jornal estudantil. O incentivo para isso veio de um professor e orientador, David Watson, que levava uma vida dupla como ambientalista radical, escrevendo sob o pseudônimo de George Bradford para o tabloide anarquista Fifth Estate. Sua diatribe, How Deep Is Deep Ecology?, questionava um jargão recorrente do movimento ambientalista radical: os líderes de grupos como o Earth First! frequentemente menosprezavam o valor da vida humana em prol da proteção da natureza.
Na Nova Zelândia, 50% dos resíduos em aterros sanitários são provenientes da construção civil e de demolições. A demanda por habitação para os próximos anos e décadas está superando rapidamente a oferta que os métodos atuais de construção são capazes de suprir. Em sua palestra no TED, Ged Finch, estudante de doutorado, expõe os problemas da indústria da construção civil residencial da Nova Zelândia e suas práticas, propondo um modelo de construção que intitula de "descartável". Atualmente, as casas não são feitas para durar muito tempo e, ao longo do período de habitação, é comum que as pessoas fiquem entediadas ou frustradas com elas. Diante disso, a pesquisa de Finch foca em um modelo residencial totalmente reinventado, cujo processo de construção gera resíduo zero. Por meio das tecnologias contemporâneas de fabricação digital, torna-se possível criar uma série de componentes construtivos otimizados e reutilizáveis a partir de materiais naturais de alta durabilidade. No entanto, Finch ressalta que a solução tecnológica é apenas uma parte do processo; o ponto crucial é a real disposição das pessoas em mudar.
Buscando somar ideias e reflexões de profissionais, estudantes e colaboradores(as) no marco da emergência sanitária que estamos atravessando em nível local e global, o Colegio de Arquitectos de la Provincia de Santa Fe convocou os arquitetos e arquitetas a contribuírem com ideias de forma coletiva para solucionar os problemas atuais associados à propagação da COVID-19. Dessa forma, a convocatória apresenta-se como um impulso para a criação de um espaço de construção projetual nutrido pelo pensamento disciplinar que busca oferecer respostas diante da atual crise sanitária, reivindicando e repensando o papel dos arquitetos e arquitetas na sociedade.
Com o objetivo de evidenciar a valiosa produção acadêmica do Uruguai, realizamos uma convocatória aberta convidando leitores e leitoras do país a enviar seus projetos de conclusão de curso.
De um total de 65 propostas, a equipe editorial — integrada por Fabian Dejtiar (Editor-geral do ArchDaily em Espanhol); Mônica Arellano (Editora do ArchDaily México); Santiago Baraya (Editor do ArchDaily Colômbia) e Belén Maiztegui (Editora do ArchDaily na Argentina) — selecionou seis. Destacaram-se as propostas que, por meio de um pensamento crítico, austero e eficiente, responderam às problemáticas, à forma adotada e à sua representação. Valorizamos os projetos que tanto entregaram a melhor arquitetura possível através de um desenho simples, adequado ao seu contexto, ao seu programa e aos seus usuários e usuárias, quanto demonstraram uma atenção significativa à escala humana, à mediação e a novas formas de abordar a arquitetura nas cidades.
Os conceitos de autonomia, colaboração e participação têm ganhado destaque no âmbito da arquitetura e urbanismo em práticas realizadas por comunidades em conjunto com arquitetos, urbanistas e designers. Em um período no qual o número de desastres climáticos tem aumentado significativamente – a quantidade dobrou nos últimos 40 anos segundo relatório divulgado em 2016 pelo CRED (Centre for Research on the Epidemiology of Disasters) –, somado a conflitos e outras tragédias, a demanda por reconstrução de habitações e da infraestrutura nas localidades atingidas têm crescido simultaneamente. Este fator tem demandado um grande esforço colaborativo para a reconstrução arquitetônica e urbana.
Em fevereiro deste ano ministrei uma breve palestra aos nossos alunos da Yale sobre a economia e suas perspectivas de emprego sugerindo que, embora todos os indicadores continuassem fortes e os empregos fossem abundantes, já fazia algum tempo desde a nossa última crise. Tendo vivido vários momentos como estes durante minha carreira, sugeri que eles provavelmente veriam uma recessão em algum momento, mas coloquei em dúvida se algum dia veríamos algo tão sério quanto 2008. Porém...
É muito cedo para apresentar argumentos sutis sobre o futuro enquanto enfrentamos o que, sem dúvida, será uma situação muito mais séria na segunda metade de 2020. Desta forma, aqui estão dez primeiras reflexões sobre como nossa profissão pode ser impactada e potencialmente transformada, como resultado. Escolha dois ou três destes pensamentos como instruções para serem considerados no futuro, depois que a crise passar.