Pesquisadores apontam que "proto-estufas" surgiram por conta da vontade do Imperador romano Tibério (42 a.C. a 37 dC) de comer pepinos todos os dias do ano. Como no inverno era impossível cultivar o vegetal na Ilha de Capri, seus jardineiros desenvolveram camas montadas sobre rodas que se moviam para o sol e nos dias de inverno eram postas sob uma cobertura translúcida feita de Selenita (uma variedade de gipsita bem cristalizada e com aparência vítrea). Mas a produção de estufas em grande escala tornou-se mesmo possível após a Revolução Industrial e com a disponibilidade de folhas de vidro produzidas em massa. Desde então, elas têm sido utilizadas para cultivar alimentos e flores, conformando um microclima adequado às espécies vegetais mesmo em locais com climas severos. Mas em alguns casos, essas condições internas também podem ser interessantes para os espaços de vida. A recente premiação de Lacaton & Vassal reacendeu esse assunto. Como é possível criar estufas que possam ser boas para humanos e plantas?
Juntamente com as preocupações com as questões relacionadas nosso ambiente, surgem movimentos, novas palavras, conceitos e termos relacionados ao seu enfrentamento, que nos obrigam a ficarmos sempre atualizados. A própria palavra sustentabilidade enfrentou alguma resistência até ser incorporada no vocabulário e utilizada largamente nos mais diversos contextos. Atualmente se fala muito sobre Economia Circular, Resiliência, 4 Rs, mineração urbana, entre outros. Além disso, há movimentos que são incorporados de outros meios, evidenciando a transversalidade de tais questões. Um deles é o dos Materiais a 0 km, que têm figurado em manifestos e alguns projetos, ainda que timidamente, nos últimos tempos.
Muitos arquitetos e arquitetas são conscientes da importância de se levar em conta todos os sentidos humanos quando projetam seus espaços e edifícios. Ao abordar a percepção espacial do usuário como o resultado de uma somatória de diferentes sensações, a qual não pode ser reduzida a mera experiência visual do espaço, arquitetas e arquitetos são capazes de projetar edifícios e espaços cada vez mais inclusivos e acessíveis. Felizmente, ao longo das últimas décadas testemunhamos na arquitetura um enorme salto em relação a construção de espaços e edifícios mais acessíveis e acolhedores, principalmente em se tratando de pessoas com algum nível de restrição motora, porém, ainda estamos devendo muito em relação aos usuários com limitações cognitivas ou que passaram por algum tipo de experiência traumática.
A cura de pessoas com traumas não é nada simples e tampouco há um tratamento específico que possa servir à todos os pacientes. Nestes casos, a recuperação é uma longa jornada e que exige muito esforço do indivíduo, de tudo e todos ao seu redor. Muitas vezes, as vítimas de trauma são aconselhadas a passar mais tempo ao ar livre, em contato direto com a natureza. Mas e os espaços interiores? Considerando que atualmente a maioria de nós costuma passar praticamente 90% do tempo em espaços fechados, é imprescindível que a arquitetura destes ambientes de cura também seja concebida para promover a eficácia dos processos terapêuticos. Embora a primeira imagem que nos vem à mente seja um espaço com iluminação e ventilação natural abundante, materiais naturais e cores neutras, será mesmo que estes espaços contribuem para os processos de cura?
Se alguém tentasse te vender uma casa virtual, qual seria a sua primeira reação? Isso mesmo—uma casa virtual, um arquivo digital de uma casa. Você compraria uma casa que jamais poderia habitar pela simples razão de que esta casa jamais seria construída? Apenas uma imagem, um vídeo que você poderia assistir quantas vezes quiser. É disso que se trata quando falamos da comercialização de arquitetura digital NFT, a sigla para Tokens Não Fungíveis—um conceito que parece ter tomado o mundo de assalto da noite para o dia. Caso você tenha dormido no ponto, esta é a infinitésima ‘grande discussão’ do momento no mundo da arquitetura. Em uma profissão que procura constantemente redefinir o seu significado, a chegada dos NFTs promete grandes mudanças para o futuro da arquitetura, sendo a transformação de ambientes virtuais em mercadoria a mais grave delas.
Usado desde a era romana massivamente em construções das mais diversas escalas, é quase impossível pensar em uma edificação que não tenha ao menos um elemento em concreto. De fato, trata-se do material de construção mais utilizado no mundo, por sua versatilidade, resistência, facilidade de manuseio, valor acessível, estética, entre outros fatores. Ao mesmo tempo, sua manufatura também é um dos principais poluidores na atmosfera, sobretudo pelo fato de a indústria de cimento emitir por volta de 8% de todas as emissões mundiais de dióxido de carbono (CO2).
Mas além da sua produção intensiva, tratando-se de um material tão rígido, pesado e composto por cimento, água, pedra e areia, seria possível dar um uso sustentável ao concreto após a demolição, sem destinar os resíduos como entulhos a locais indevidos, ou sobrecarregando os aterros sanitários?
O INCLUSIVE ARCHITECTURAL PRACTICE é um escritório internacional e pioneiro que integra arquitetura, design de interiores, paisagismo e design gráfico. Composto majoritariamente por profissionais de design com experiência acadêmica, profissional e pessoal tanto na China quanto no exterior, a equipe se dedica a criar uma arquitetura inovadora e inclusiva, trazendo transformações voltadas para o futuro nos setores de educação, cultura, pesquisa e desenvolvimento, corporativo e comercial.
https://www.archdaily.com.br/pt/1131065/vagas-em-pequim-heli-architectural-practice-arquiteto-a-de-conceito-arquiteto-a-de-projeto-designer-de-interiores-arquiteto-a-de-detalhamento-de-interioresMilly Mo
Estou no limite. Não emocional ou psicologicamente — embora esse pudesse ser o caso —, mas literal, física, espacial e geograficamente. Enquanto escrevo isto, estou sentado na varanda de um quarto de hotel em Miami Beach, com vista para o Oceano Atlântico. Atrás de mim está todo o estado da Flórida e, na verdade, todo o continente norte-americano. À minha frente: o calçadão, uma faixa estreita de areia e, depois, muita água — e quase nada mais entre aqui e a Mauritânia, uma distância de mais de 7.000 quilômetros (4.400 milhas).
Desde a sua fundação, a Chapman Taylor evoluiu de um escritório baseado em Londres para um grupo internacional que desenvolve projetos globalmente, mantendo um ritmo constante de crescimento e inovação. A filosofia de atuação estabelecida nos anos iniciais foi sendo aprimorada ao longo do tempo, adaptando-se às transformações contemporâneas sem abrir mão de seus padrões tradicionais de excelência. Essa visão permitiu ao escritório expandir continuamente suas operações e superar com sucesso períodos de grande desafio.
https://www.archdaily.com.br/pt/1131017/vagas-em-xangai-plus-pequim-chapman-taylor-arquiteto-a-designer-grafico-a-gerente-de-desenvolvimento-de-negocios-assistente-de-marketingMilly Mo
O historiador, escritor e curador alemão-holandês, Ole Bouman, é hoje uma das figuras mais influentes do mundo da arquitetura. Apesar de nunca ter frequentado uma escola de arquitetura, o outsider e co-curador da 5ª Bi-City Bienal de Arquitetura e Urbanismo de Shenzhen afirmou recentemente que “todos nós podemos fazer arquitetura”. Envolvido até o pescoço no discurso da prática da arquitetura contemporânea, Ole Bouman é diretor e fundador da Design Society de Shenzhen, e um dos responsáveis pela introdução de uma série de novos conceitos no discurso da arquitetura além de ter assumido importantes cargos institucionais relacionados aos profissionais da industria da construção civil ao longo de sua carreira.
Neste tempo, Ole Bouman já foi diretor do Instituto de Arquitetos da Holanda (NAi) e também diretor de criação da 5ª Bienal Bi-City de Arquitetura e Urbanismo de Shenzhen/Hong Kong. Buscando congregar em um só lugar todo o conhecimento adquirido ao longo de sua carreira como historiador, escritor, editor, fotógrafo, curador, conferencista e especialista em projeto de arquitetura, Ole Bouman acaba de lançar uma nova plataforma, um lugar onde “a vida se entrelaça com a história”. Para saber mais sobre o a vida e obra Bouman, e especialmente sobre seu artigo recentemente publicado, “Finding Measure”, acompanhe a seguir a entrevista exclusiva do historiador e curador para o ArchDaily, onde o diretor fundador da Design Society discute o presente e o futuro da arquitetura, abordando o papel do arquiteto e os principais desafios do mundo hoje, além da revolução digital e muitos outros tópicos interessantes.
O estado da Baja California Norte está localizado na região noroeste do país, suas divisões geográficas fazem fronteira com a Califórnia (nos Estados Unidos), Sonora e Baja California Sur (no México). Da mesma forma, junto com a Baja California Sur, eles são os únicos dois estados do México que enfrentam o Oceano Pacífico e o Mar de Cortez a leste e oeste, respectivamente, protegendo algumas das paisagens e costas mais impressionantes de todo o território mexicano.
O artigo a seguir, elaborado com base na exposição idealizada pela disciplina Desenho Projetual e desenvolvida pelo Laboratório de Fabricação Digital e Design Paramétrico da Instituição Universitária Colegio Mayor de Antioquia (FABLAB COLMAYOR), mostra a adaptabilidade dos cursos de graduação diante da COVID-19. Como resultado, esta mostra apresenta, por meio de renderização e realidade aumentada, novas possibilidades de aplicação de ferramentas pertinentes tanto ao âmbito acadêmico quanto ao profissional.
https://www.archdaily.com.br/pt/1131049/como-foi-projetada-a-primeira-exposicao-virtual-de-desenhos-de-arquitetura-na-colombiaDiego Agamez, Catherine Preciado y Luis Frey Zapata
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Desenvolvido para Harmony Timber Solutions (https://harmonytimber.com/). Image Cortesia de Steven Emerson
Uma luz incrível, acabamentos brilhando, árvores adultas, saudáveis e figuras humanas devidamente posicionadas parecem ser o kit perfeito para uma boa e tradicional imagem de arquitetura, que nem sempre são tão fidedignas à realidade ou ao contexto. Convencionamos a pensar em renderizações como visões do edifício futuro, pronto e ocupado, que servem para vender ou convencer os clientes sobre um projeto. Mas e se as imagens renderizadas também nos ajudassem a entender a construção, os sistemas e o funcionamento de algumas partes da edificação? Conversamos com dois profissionais que têm desenvolvido imagens que ao mesmo tempo podem ser explicativas e belas.
Nuevos pueblos en Sinaloa. Image Cortesía de Archivo Carlos González Lobo
No dia de hoje, 12 de abril de 2021, foi anunciado o falecimento do arquiteto Carlos González Lobo, expoente da arquitetura social e participativa no México. Formou-se pela Escuela Nacional de Arquitectura em 1963, tornou-se mestre em Arquitetura em 1995 pela Faculdade de Arquitetura da UNAM e, no mesmo ano, recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Escola de Design da Universidade de Rhode Island, além de ter obtido o doutorado em Arquitetura pela UNAM em 2007.
Diante das mudanças advindas da contemporaneidade, cabe aos arquitetos e urbanistas revisitar seus papéis. Na contramão de um planejamento que visa cidades cada vez mais massificadas e indiferenciáveis, é primordial que se estabeleçam práticas de resistência a fim de retomar a cidade para o pedestre. Para serem efetivas, tais práticas devem propor vínculos entre as pessoas que experienciam cotidianamente a cidade e o espaço urbano, e afastar-se de definições técnicas que pressupõem a participação popular de maneira fragmentada. Ao invés de fomentar a paranoia coletiva rumo a muralhas intransponíveis em busca de segurança excessiva, a cidade deve acompanhar a tecnologia na direção da abertura, do open-source, da colaboração e construção coletiva. A rua, além de sua função prática de conexão, deve potencializar vivências: espaço do acaso, reflexão, e, principalmente, apropriação.
https://www.archdaily.com.br/pt/959666/cidade-aberta-estrategias-de-experimentacao-do-espaco-urbanoJúlia Thomé de Oliveira
Após mais de um ano nesta experiência mundial de trabalhar em casa, ainda não encontramos a fórmula perfeita para que a força de trabalho retorne aos respectivos escritórios. Além disso, não apenas a situação do "trabalhar em casa" - Working From Home (WFH) durou mais do que o previsto, mas também se incorporou à maneira como trabalharemos para sempre. À medida que as vacinas são lançadas, os líderes de diversas organizações devem agora considerar seriamente como lidar com o retorno de seus funcionários ao escritório físico.
https://www.archdaily.com.br/pt/1131454/vendo-ser-visto-a-evolucao-do-farol-de-trafalgar-e-sua-influencia-social-na-atualidadeGuillermo A. Blanco Alcón
Vista do Elevado do Anel Rodoviário M30. Fonte: Google Earth
Madri demolirá o elevado da autopista M30, localizado entre os bairros de Puente de Vallecas e Retiro. Esta foi a decisão unânime dos conselheiros do Pleno do Ayuntamiento de Madrid, parlamento municipal cujos membros são eleitos, reunidos no dia 30 de Março passado. Segundo o autor da proposta, o conselheiro e membro do partido Más Madrid, Francisco Pérez Ramos, a decisão é importante, pois o viaduto se transformou “em muro”.
https://www.archdaily.com.br/pt/959658/madri-demolira-elevado-para-dar-lugar-a-parque-e-o-minhocaoMarcos O. Costa
Projetar espaços abaixo do nível do solo é sempre um grande desafio, principalmente nos quesitos de iluminação e ventilação. Entretanto, soluções criativas possibilitam espaços subterrâneos acolhedores e arejados como o uso de painéis perfurados para entrada de luz na Casa K ou, até mesmo, a implementação estratégica de um espelho d’água com fundo de vidro no térreo permitindo que a iluminação natural atinja o subsolo da Casa Jardim do Sol.
O Second Studio (anteriormente conhecido como The Midnight Charette) é um podcast sem censura sobre design, arquitetura e o cotidiano. Apresentado por David Lee e Marina Bourderonnet, ambos arquitetos, o programa traz diferentes profissionais de criação em conversas espontâneas que abrem espaço para reflexões profundas e debates pessoais.
Uma variedade de temas é abordada com honestidade e humor: alguns episódios trazem entrevistas, enquanto outros oferecem dicas para colegas designers, análises de edifícios e outros projetos, ou reflexões descontraídas sobre a vida cotidiana e o design. O Second Studio também está disponível no iTunes, Spotify e YouTube.
Esta semana, David e Marina recebem Marion Weiss, arquiteta e cofundadora do Weiss/Manfredi. Marion fala sobre seu interesse na infância pelas artes, arquitetura e paisagismo; a fundação de seu escritório e seu processo de projeto; a parceria com clientes em grandes projetos culturais; como a arquitetura pode gerar um impacto social para além de sua implantação física, entre outros assuntos. Aproveite!
https://www.archdaily.com.br/pt/1131135/marion-weiss-voce-poderia-gastar-30-percent-menos-e-com-um-bom-design-fazer-algo-200-percent-melhorThe Second Studio Podcast
O fascínio de Le Corbusier pelo automóvel é evidente nos vários registros fotográficos do arquiteto posando orgulhosamente ao lado de um carro na frente de uma obra. Segundo o arquiteto franco-suíço, para além de permitir uma construção mais eficiente e econômica, a industrialização da arquitetura pode constituir uma base de melhores resultados estéticos, da mesma forma que um chassi de automóvel apoia o design moderno e criativo da respectiva carroceria. Mas, embora os veículos tenham passado por mudanças impressionantes desde a década de 1930, pode-se dizer que a arquitetura demorou muito a adotar os avanços de outras indústrias.
Mas isso está mudando aos poucos. Impulsionada por preocupações em torno da sustentabilidade, o uso de recursos fósseis não renováveis e eficiência, juntamente com a demanda acelerada para construir novos edifícios e infraestruturas mais acessíveis, a indústria da construção tem incorporado inúmeras novas tecnologias, incluindo aquelas adotadas de outras indústrias. Além disso, a madeira têm sido identificada como um material de construção ideal - especialmente ao incorporar produtos inovadores de madeira em massa, como CLT e glulam, métodos e processos de design como BIM e DfMA, ferramentas para visualização como VDC e tecnologias de fabricação como o CNC. Sim, são muitas siglas, mas tentaremos esclarecê-las ao longo deste artigo.
A Bienal de Arquitetura de Mídia 2020 (MAB20) será realizada de forma online de 28 de junho a 2 de julho de 2021. Esta edição do evento desloca o foco da arquitetura de mídia da dimensão meramente estética para o progresso social. Como a arquitetura de mídia pode contribuir para cidades melhores, para a participação cidadã e para ecossistemas sustentáveis? O evento se encerrará com a entrega do Prêmio MAB (Media Architecture Awards), destacando projetos excepcionais nesta interseção emergente entre arquitetura, planejamento urbano, design de interação, arte e informática.
Na quinta-feira, 25 de março, o órgão responsável pelos serviços de auxílio à navegação no espaço aéreo mexicano (SENEAM) anunciou a implementação da primeira fase do Redesenho do Espaço Aéreo da Cidade do México. Entre os benefícios desse redesenho constam a redução dos tempos de voo, dos atrasos operacionais e do consumo de combustível, embora a principal razão da mudança seja a integração do futuro Aeroporto Felipe Ángeles, de Santa Lucía, ao espaço aéreo da capital do país. Desde o primeiro dia, áreas que antes não percebiam o ruído das aeronaves ao pousar no Aeroporto Internacional da Cidade do México (AICM) começaram a notar os efeitos do redesenho. Qual é a dimensão do impacto acústico do redesenho do espaço aéreo para a população da região metropolitana da capital?