
Diante das mudanças advindas da contemporaneidade, cabe aos arquitetos e urbanistas revisitar seus papéis. Na contramão de um planejamento que visa cidades cada vez mais massificadas e indiferenciáveis, é primordial que se estabeleçam práticas de resistência a fim de retomar a cidade para o pedestre. Para serem efetivas, tais práticas devem propor vínculos entre as pessoas que experienciam cotidianamente a cidade e o espaço urbano, e afastar-se de definições técnicas que pressupõem a participação popular de maneira fragmentada. Ao invés de fomentar a paranoia coletiva rumo a muralhas intransponíveis em busca de segurança excessiva, a cidade deve acompanhar a tecnologia na direção da abertura, do open-source, da colaboração e construção coletiva. A rua, além de sua função prática de conexão, deve potencializar vivências: espaço do acaso, reflexão, e, principalmente, apropriação.
O espaço urbano é o cenário onde se desenrolam atividades cotidianas e coletivas, engendradas por meio de fluxos constantes. É impossível (ou pelo menos, incompleto) desconsiderar aspectos históricos, sociais, econômicos e políticos em seu estudo, uma vez que o espaço está, invariavelmente, relacionado a tais questões. Ressalto, ainda, o fato de que a relação sujeito-cidade é sempre intermediada por nossos sentidos, responsáveis por assimilar o mundo exterior por meio da nossa individualidade.






