Quem caminha durante o verão em uma cidade como Boston sabe que se gasta um tempo considerável traçando rotas que ofereçam sombra. No entanto, não posso usar isso como minha única desculpa para a falta de foco. Sendo realista, estou com a atenção dispersa. As manchetes turbulentas sobre a eleição presidencial nos EUA, a iminência de uma conferência climática da ONU sem precedentes e a expressão “década de ação decisiva” pesam muito sobre os meus ombros. Embora seja fácil se deixar levar pelos acontecimentos atuais, nós que dispomos de soluções precisamos manter o foco.
Uma expressão japonesa talvez útil a se lembrar é “kotsu kotsu”, que significa essencialmente desacelerar, focar na tarefa em mãos e realizá-la bem. As temperaturas estão atingindo níveis recordes, as pessoas estão sofrendo. Como apontou uma carta recente da COP da ONU, “tempo perdido significa a perda de vidas, de meios de subsistência e do planeta”. Resfriar nossas cidades e comunidades tornou-se mais importante do que nunca.
Em uma era em que passamos grande parte do tempo em espaços fechados, a arquitetura contemporânea oferece uma abordagem inovadora: dissolver as barreiras entre o interior e o exterior. Essa fusão, hoje uma característica marcante de muitos projetos atuais, reflete um desejo crescente de viver em sintonia com a natureza, promovendo uma harmonia que transcende as paredes e restaura a conexão humana com o entorno natural. Grandes aberturas que emolduram as paisagens e o uso de princípios do design biofílico diluem os limites entre o interior e o exterior, criando espaços flexíveis e banhados de luz, nos quais a natureza é incorporada ao espaço arquitetônico. Essa integração surge de decisões de projeto meticulosas, viabilizadas por avanços tecnológicos como vidros de alto desempenho e sistemas inteligentes, que permitem essa conexão sem sacrificar o conforto nem a eficiência energética.
Do planejamento à construção, a arquitetura vai muito além de projetar edifícios. Com a participação de diversos agentes multidisciplinares e um fluxo contínuo de imagens, plantas e arquivos, qualquer projeto envolve também a gestão de grandes volumes de informação. Como os/as arquitetos/as costumam lidar com prazos apertados – precisando concluir um determinado número de edificações em um período específico –, os dados devem ser gerenciados de forma produtiva e eficiente. No entanto, à medida que os projetos de construção e seus métodos de entrega se tornam cada vez mais complexos, gerenciar essas informações virou um desafio sem precedentes. Somando-se a isso, a pandemia de COVID-19 impôs o trabalho remoto aos escritórios de arquitetura, impactando a forma e o local a partir dos quais os/as colaboradores/as acessam as informações. Portanto, para garantir uma entrega de projeto eficaz, o grande desafio reside em gerenciar com sucesso as informações do projeto.
Como impulsionar a produtividade por meio da tecnologia na era digital? Recentemente, a XKool Technology, líder em aplicações de inteligência artificial para o setor da arquitetura, realizou o lançamento de um novo produto, o "Plan Deep", dando início a uma nova etapa na evolução das capacidades tecnológicas na arquitetura.
Este artigo apresenta informações sobre os recém-lançados produtos de design inteligente da XKool, bem como sobre o próximo tutorial do DigitalFUTURES, que será apresentado pela empresa em 8 de janeiro de 2022. Convidamos você a vivenciar de perto essa colaboração entre arquitetura e tecnologia.
O reuso adaptativo é um aspecto fundamental para garantir uma existência sustentável. Os edifícios concentram uma enorme quantidade de energia incorporada, de modo que, quanto mais pudermos adaptá-los e reaproveitá-los, melhor. Além disso, eles funcionam como repositórios de memórias e histórias coletivas que, à medida que os modificamos, se sobrepõem em camadas de maneiras novas e interessantes. Este vídeo investiga o tema por meio do estudo de caso do “The Plant”, uma incubadora de alimentos em Chicago instalada em uma antiga fábrica de processamento de carne suína. A localização e a infraestrutura existente do edifício fizeram dele o candidato ideal para essa nova finalidade. Nesse sentido, John Edel, fundador do The Plant, empenhou-se em evidenciar a história do edifício e honrar seu patrimônio ao longo de todo o processo de adaptação.
O despertar do Antropoceno colocou a ideia do reuso adaptativo em evidência, consolidando-o como o ápice da regeneração e revitalização urbana. A prática aproveita edifícios existentes de valor histórico e cultural, ressignificando-os para torná-los funcionais. Trata-se, essencialmente, de uma forma de salvamento arquitetônico — um meio sustentável e viável de reconstrução.
Arquitetura e moda parecem uma combinação improvável. No entanto, em mais de um aspecto, elas são feitas do mesmo tecido. Antigas tribos nômades viviam em abrigos de tecido e peles de animais — os mesmíssimos materiais usados em suas vestimentas. Dessa forma, roupas e abrigos eram confeccionados pelas mesmas mãos artesãs. Com o tempo, à medida que nossas construções supriram as necessidades básicas de proteção do corpo humano, esses ofícios se elevaram a formas de arte distintas. Hoje, designers como Virgil Abloh, com formação em arquitetura, costuram esses dois campos de volta em desfiles que fazem referência a projetos de Mies van der Rohe, ou em jaquetas adornadas com edifícios tridimensionais acolchoados. Os espaços comerciais de moda também aproximam o espaço e o vestuário, frequentemente de maneira meticulosa e instigante. Este vídeo analisa a história da relação entre arquitetura e moda e visita uma loja em Chicago chamada Notre, com projeto de Norman Kelley.
Passeio de barco no The Lake, na região norte do Central Park. Imagem cortesia de Harry Gillen via Unsplash
À medida que as temperaturas globais sobem sem sinais de desaceleração, os parques do futuro estarão sujeitos a secas, inundações, calor escaldante e nevascas mais intensas, já que o ar mais quente é capaz de reter mais umidade do que o ar frio. (Costuma-se dizer que o mundo do futuro será mais úmido e selvagem justamente por esse motivo.)
Como, então, os parques urbanos podem se fortalecer para as próximas décadas? A Central Park Conservancy, a Yale School of the Environment e a Natural Areas Conservancy uniram forças para transformar o parque mais emblemático de Nova York em um polo de estudos sobre adaptação às mudanças climáticas e possíveis estratégias de mitigação. O Central Park Climate Lab foi anunciado em 12 de janeiro pela organização, e as descobertas obtidas com o programa serão estendidas a outros parques da cidade de Nova York e, futuramente, de todo o país.
Com o V-Ray 5 para SketchUp, Update 2, a Chaos introduziu novas ferramentas inteligentes que facilitam a criação de renderizações incríveis por arquitetos/as e artistas de visualização de arquitetura (arch-viz). É possível aproveitar os modelos e materiais gratuitos disponíveis no Chaos Cosmos, personalizar superfícies com o V-Ray Decal e ajustar a renderização com o LightMix e pós-processamento.
Neste tutorial, Ricardo Ortiz, Especialista de Produto do V-Ray, utiliza uma cena de interior para demonstrar como essas novas e poderosas adições podem acelerar seus processos criativos e adicionar detalhes extras para um fotorrealismo excepcional.
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Catie Newell do Alibi Studio. Imagem cortesia de Stewart Hicks
Edifícios são como corpos com órgãos. Nessas circunstâncias, com um pouco de esforço extra, as edificações podem ser desmontadas em vez de demolidas. O desmonte envolve a remoção cuidadosa de componentes reaproveitáveis, seu armazenamento e a busca por um novo destino para eles. Embora essa solução nem sempre seja possível, ela pode fazer parte de um esforço sustentável que — além de evitar que os materiais parem em aterros sanitários — preserva a história e a memória incorporadas em materiais e fragmentos únicos. Também honra o trabalho humano investido em nosso ambiente. Este vídeo explora o reuso de materiais de construção e o que significa estar cercado por fragmentos carregados de história. O conteúdo também traça o perfil de instituições dedicadas ao desmonte e à distribuição de materiais de construção, bem como de práticas artísticas que reconfiguram nosso ambiente construído existente, incluindo Noah Purifoy e Catie Newell, do Alibi Studio.
A Dra. Steffi Burkhart conhece bem a geração millennial. Ela sabe — ou, pelo menos, tem uma opinião muito bem fundamentada e profundamente pesquisada — como essas pessoas querem viver e trabalhar. Considerando que os/as millennials – comumente identificados/as como as pessoas nascidas entre o início dos anos 1980 e meados dos anos 1990 – em breve dominarão a força de trabalho, compreender suas necessidades e aspirações profissionais e pessoais é uma informação valiosa. Isso é vital para empresas, cidades e países que desejam atrair e empregar de maneira produtiva os melhores talentos dessa geração.
O The Second Studio (anteriormente conhecido como The Midnight Charette) é um podcast explícito sobre design, arquitetura e o cotidiano. Apresentado pelos/as arquitetos/as David Lee e Marina Bourderonnet, o programa recebe diferentes profissionais da área criativa em conversas espontâneas que dão espaço a reflexões aprofundadas e debates pessoais.
Uma variedade de temas é abordada com honestidade e humor: alguns episódios trazem entrevistas, enquanto outros apresentam dicas para colegas de profissão, avaliações de edifícios e outros projetos, ou explorações descontraídas sobre o cotidiano e o design. The Second Studio também está disponível no iTunes, Spotify e YouTube.
Esta semana, David e Marina recebem Sarah Whiting, diretora e professora de arquitetura Josep Lluís Sert na Harvard University Graduate School of Design (GSD), além de cofundadora da WW Architecture, para discutir seu interesse inicial pela arquitetura, a comunicação do valor da arquitetura para o público em geral, a GSD, questões sociais e ambientais na arquitetura, o futuro da prática profissional, movimentos arquitetônicos e muito mais.
https://www.archdaily.com.br/pt/1134710/the-second-studio-podcast-entrevista-com-sarah-whitingThe Second Studio Podcast
Este vídeo investiga a ideia de compreender os edifícios como criaturas não humanas. Embora a premissa possa parecer absurda à primeira vista, o conceito tem uma longa história e desdobramentos práticos potencialmente muito positivos. Edifícios precisam ser cultivados como um jardim; eles demandam manutenção e cuidado. Se assumirmos que possuem vida, a necessidade desse cuidado torna-se mais evidente e intuitiva. Essa metáfora também nos instiga a criar empatia pelas pessoas que conceberam e construíram o edifício, tratando o trabalho humano envolvido em sua construção com admiração e reverência.
A empresa MiQ Media utiliza uma divisória de correntes de alumínio suspensas da Kriskadecor para separar o espaço da recepção de uma passagem movimentada, criando ao mesmo tempo uma identidade de marca marcante. Imagem cortesia de Kriskadecor
A divisão de ambientes é muitas vezes desconsiderada como uma solução sem graça, voltada apenas para o isolamento acústico. No entanto, diversos projetos demonstram como é possível segmentar o espaço de forma artística, agregando cor, caráter e personalidade ao projeto.
Banheiro CYO Metropolitan. Imagem cortesia de Dornbracht
À medida que as cidades se tornam mais densas e a pandemia continua a moldar os padrões de vida e de trabalho, as pessoas passaram a ter plena consciência de que o espaço que habitam influencia profundamente o seu bem-estar físico e mental. Diante disso, o design de interiores residencial passou a focar na promoção da sensibilidade, do conforto e da tranquilidade como uma forma de escapar das incertezas do mundo exterior. Por ser um espaço seguro onde praticamente começamos e terminamos cada dia, o banheiro moderno também se adaptou a essa realidade, assumindo um papel fundamental como um ambiente dedicado ao relaxamento e ao autocuidado. Assim, o que costumava ser uma zona puramente funcional é agora percebido como um refúgio pessoal revigorante e um espaço de convivência flexível que pode até adotar outras funções – de academia a spa privado.
A habitação acessível tornou-se um problema global cada vez mais urgente. Seja no aluguel ou na casa própria, a inacessibilidade à moradia tem aumentado continuamente. Dados do Censo dos EUA ilustram um declínio acentuado na aquisição da casa própria nas últimas décadas. Embora os millennials fossem a geração mais populosa em 2019, a taxa de propriedade imobiliária entre eles era de apenas 47,9%. Em contrapartida, a taxa da Geração X era de 69%, vindo logo atrás da geração silenciosa, com 77,8%. Essa tendência de declínio geracional no acesso à casa própria se reflete em outras partes do mundo, como no Reino Unido, onde as taxas caíram continuamente de 71% em 2003 para 64% em 2018. Grande parte de especialistas aponta a falta de acessibilidade financeira como o principal motivo para essa queda.
Nordic Structures. Imagem cortesia de Quebec Wood Export Bureau
A construção offsite é um setor em rápida expansão na indústria global da construção civil. Com esse crescimento, surgem diversos desafios para todas as partes envolvidas, especialmente para profissionais de arquitetura, que historicamente se mantiveram distantes dos meios e métodos de construção. Os desafios relacionados aos custos têm levado muitos escritórios a buscar entender melhor como otimizar os projetos para os métodos de viabilização offsite. Para ajudar a acelerar a transformação do setor, uma iniciativa cooperativa e de código aberto liderada pelo Quebec Wood Export Bureau vem desenvolvendo um conjunto de ferramentas colaborativas e sem fins lucrativos voltadas a arquitetos e arquitetas. Em www.offsitewood.org, a iniciativa oferece um plug-in gratuito para o Revit, pacotes de conteúdo detalhados e um estimador de carbono incorporado para fases iniciais de projeto integrado ao BIM, chamado Carbon Fixers.
A Boss Design defende que o escritório não é mais um espaço de trabalho baseado na rotina, mas sim um espaço de destino impulsionado por um propósito. Imagem cortesia de Boss Design
As exigências e expectativas em relação ao ambiente de trabalho mudaram drasticamente nos últimos dois anos. O próprio propósito do escritório está sendo reescrito, e seu papel e função, redefinidos. Mark Barrell, Diretor de Design da fabricante global de mobiliário Boss Design, argumenta que o avanço do trabalho híbrido — modelo adotado por 80% dos clientes da Boss — significa que os escritórios devem se transformar em "espaços de destino", ou melhor, em uma série de diferentes espaços de destino.
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As luminárias pendentes modulares da Archilume incluem a esférica Aura que, configurada em grupo, cria um ponto focal marcante. Imagem cortesia de Archilume
Para arquitetos/as e designers de interiores, a iluminação ajuda a demarcar áreas de um espaço interno, ainda que de forma sutil, por meio do elemento intangível da luz. Como uma alternativa compacta a divisórias e paredes, ela pode subdividir informalmente ambientes integrados em zonas dedicadas a diferentes usos — como a área de um bar no lobby de um hotel, por exemplo, ou o setor da cozinha em uma sala de estar integrada.
A iluminação modular, em particular, atrai designers que buscam delimitar diferentes zonas, por ser altamente flexível. Como pode ser expandida com a adição de novos componentes ou reduzida pela remoção de alguns deles, ela permite que os ambientes sejam facilmente reconfigurados para atender a necessidades em constante mudança.
O Canadá não tem escassez de edifícios tipo flatiron, com exemplos históricos espalhados pelas províncias, de Toronto e Vancouver a Lacombe, em Alberta, e além. O país também goza do status de polo da construção em madeira engenheirada, com Quebec servindo como uma espécie de epicentro desse movimento. No entanto, essas duas frentes — a tipologia dos edifícios flatiron e o uso de madeira engenheirada — nunca haviam sido combinadas antes.
Por mais de um século, uma feira de rua conhecida como "The Blue" foi o coração pulsante de Bermondsey, no sudeste de Londres. No passado, aos sábados, centenas de pessoas se dirigiam ao bairro histórico — uma região cujas raízes remontam ao século XI, quando servia de rota de peregrinação para a Abadia de Bermondsey. Os frequentadores costumavam comprar produtos de mais de 200 barracas conhecidas por vender de tudo. "É possível comprar qualquer coisa no The Blue" era o ditado popular local.
Fazlur Rahman Khan foi pioneiro na engenharia estrutural de edifícios altos. Quando as edificações ultrapassam os sessenta pavimentos de altura, as cargas gravitacionais passam a representar uma proporção menor do peso estrutural em comparação com as forças do vento. Khan desenvolveu o sistema de tubos treliçados para enrijecer os edifícios em grandes alturas sem acrescentar peso significativo. Essa solução estrutural teve o efeito adicional de deslocar a estrutura para o perímetro externo da edificação, integrando-a à sua expressão arquitetônica. No entanto, a aceitação de treliças metálicas aparentes foi um processo lento, semelhante à aceitação de infraestruturas de engenharia — como pontes — enquanto produções estéticas. Este vídeo traça a evolução desse processo desde Eiffel — cujos projetos de pilares se assemelham muito à Hancock Tower — até os dias atuais.
Marta Minujín, Parthenon of Books, Dokumenta 14, Kassel, Alemanha, 2017. Imagem de Anne-Catrin Schultz. Imagem cortesia de Real and Fake in Architecture–Close to the Original, Far from Authenticity?
O termo “fake” (falso) tem sido frequente na mídia no início do século XXI, referindo-se a manchetes e declarações fictícias que são percebidas como reais, influenciando a opinião e a ação pública. Substituindo o termo historicamente mais comum “propaganda”, as chamadas *fake news* visam à desinformação e buscam “prejudicar uma agência, entidade ou pessoa, e/ou obter ganhos financeiros ou políticos, muitas vezes usando manchetes sensacionalistas, desonestas ou totalmente fabricadas”. Rastrear notícias falsas, diferenciar informações “reais” de opiniões pessoais e identificar o engano intencional (ou não) pode ser complicado. Não menos complexo é decifrar a dualidade entre o falso e o real no ambiente construído. Com o intuito de explorar o contexto mais amplo das manifestações do falso na arquitetura e no projeto ambiental, faz-se necessário examinar a definição de falso e seus termos correlatos.
“Sempre me interessei bastante em acompanhar o que está acontecendo na área técnica”, afirma Nick Lawrence, diretor de projetos na A&Q Partnership, em Londres. O arquiteto, que estudou engenharia na graduação, lidera a frente de modelagem de informação da construção (BIM) na A&Q Partnership e conta que seus estudos influenciaram muito seu interesse pela modelagem de dados.
Esse interesse vai além do âmbito pessoal. A adoção da metodologia BIM tem sido fundamental para a A&Q Partnership, que desenvolve grandes projetos comerciais e residenciais compostos por múltiplos edifícios.