O National Provincial Bank em Plymouth, sudoeste da Inglaterra, concluído em 1959 e projetado pelo departamento de arquitetura do banco, com BC Sherren como arquiteto-chefe. Imagem cortesia de Elain Harwood
O termo “mid-century modern” evoca imagens de um elegante Don Draper, armários esguios de teca e cadeiras escandinavas sofisticadas. Essa é, pelo menos, uma das perspectivas desse movimento de design, uma visão que remete muito mais aos escritórios de Manhattan nos anos 1950 do que a qualquer outra coisa. No entanto, na Grã-Bretanha, esse estilo manifestou-se de forma ligeiramente diferente, expressando-se em escolas, catedrais, habitações e em um festival que definiu a época — tudo isso eloquentemente descrito e ilustrado pela prolífica historiadora da arquitetura Elain Harwood em Mid-Century Britain: Modern Architecture 1938-1963.
No ano de 1970, o escritor Alvin Toffler fez o seguinte alerta: “nas três breves décadas entre o agora e o século XXI, milhões de pessoas comuns, psicologicamente normais, enfrentarão uma colisão abrupta com o futuro”. No livro Choque do Futuro, Toffler descreve uma condição de mal-estar, uma sensação de estresse e desorientação que acometeria os indivíduos em uma sociedade destinada a mudar cada vez mais rápido.
Nada representa melhor essa mudança do que o habitat que o ser humano criou para si. A geração anterior a Toffler conheceu um mundo eminentemente rural, do ser humano preso à terra, nascendo e morrendo em sua comunidade. A geração que está por nascer receberá um mundo já urbanizado, hiperconectado e marcado por uma condição de mobilidade extrema entre cidades e países. Nós, que vivemos hoje, temos o privilégio e a responsabilidade de observar o fenômeno urbano mudando a face do planeta.
O recente agravamento das mudanças climáticas e os decorrentes desastres naturais que cada dia mais frequentemente assolam o nosso planeta, juntamente com a contínua exploração predatória dos recursos naturais e os poucos esforços que têm sido feitos para diminuir a emissão de gases do efeito estufa, levantam uma preocupação crescente sobre o futuro da vida nas cidades. Para além de todos os esforços necessários para minimizarmos o agravamento das mudanças climáticas em curso, se faz iminente que comecemos a pensar e desenvolver estratégias que nos permitam preparar nossas cidades para os inevitáveis desafios que estão chegando, como aumento dos níveis das marés e das inundações por um lado, e a seca e o calor extremo de outro. Pensando nisso, o artigo a seguir nos convida a pensar e refletir como poderíamos construir cidades mais resilientes, permitindo que as mesmas se adaptem e se transformem em resposta aos desafios do futuro.
Em maio, a aec + tech organizou um evento no Clubhouse discutindo como os arquitetos estão aplicando o design generativo em escritórios de arquitetura hoje e no futuro. Cinco palestrantes convidados de renomadas empresas de arquitetura e tecnologia — Zaha Hadid Architects, BIG, Outer Labs, 7fold e RK Architects — participaram da sessão para compartilhar suas experiências e percepções.
A arte de construir um abrigo feito com blocos de gelo é passada de pai para filho entre os inuítes, povos nativos que habitam as regiões mais ao norte do planeta. A planta circular, o túnel de entrada, a saída de ar e os blocos de gelo conformam uma estrutura onde o calor gerado no interior derrete uma camada superficial da neve e veda as frestas, melhorando o isolamento térmico de gelo. Em uma tempestade, um iglu pode ser a diferença entre vida e morte e talvez este seja o exemplo mais icônico e radical do que significa construir com materiais locais, poucas ferramentas e muito conhecimento. Neste caso, o gelo é tudo o que se tem.
Aproveitar os recursos abundantes e a mão de obra local são conceitos chaves para arquiteturas sustentáveis, que muitas vezes são esquecidos em detrimento de soluções replicadas de outros contextos. Com as novas demandas e tecnologias, a globalização dos materiais de construção e das técnicas construtivas, ainda há espaço para os materiais locais? Mais especificamente em relação às construções impressas em 3D, estamos fadados a erigi-las somente em concreto?
Fábrica abandonada de automóveis Packard, em Detroit. Imagem: Albert Duce
Ruínas de construções elegantes ilustram de forma eloquente o pior que pode acontecer a uma cidade após o fim de um ciclo econômico. As famílias abastadas não têm mais dinheiro para manter seus casarões, e mesmo os edifícios da classe média são parcialmente abandonados quando seus donos, desempregados ou em dificuldades, mudam-se em busca de oportunidades noutros lugares.
Desocupado, sem uso, o patrimônio degrada-se lentamente. A história das cidades está repleta de exemplos, em todas as épocas e continentes: Roma ao fim da Antiguidade clássica, Veneza no início da Idade Moderna, Paraty após a mudança na Rota do Ouro, Detroit nos dias de hoje.
Plaza Marostica, Véneto, Italia. Imagen de leoks. Image vía Shutterstock
Você já se perguntou por que os tabuleiros de xadrez estão presentes em tantos parques, praças e outros espaços públicos, ou que papel o jogo desempenha no espaço? A realidade é que, ao longo do tempo, tanto os esportes quanto os jogos contribuíram para reduzir a ansiedade e melhorar a saúde mental da população. O xadrez é um dos jogos mais antigos que, com seu caráter intelectual e cultural, permite que qualquer pessoa em qualquer parte do mundo possa jogá-lo, independentemente das barreiras que língua, idade, sexo, habilidade física ou classe social possam impor.
O arquiteto carrega uma enorme responsabilidade ao projetar uma edificação, uma vez que influenciamos no seu estado de espírito através do conforto que a edificação proporciona. E, no caso de um incêndio, a edificação deve estar devidamente preparada para evitar danos aos ocupantes e ao patrimônio. A forma como o incêndio irá evoluir, após se iniciar, dependerá em grande parte dos materiais que constituem a edificação e como a mesma foi projetada. É por isso que há tantas diretrizes que devem ser seguidas durante as etapas projetuais. Mas, além das legislações contra incêndio, há outras como a de conforto térmico, acústica e acessibilidade. Ao especificar um material ou produto para uma parte da edificação, o projetista deve estar muito atento se ele atende às mais distintas demandas, muitas vezes simultaneamente. Um exemplo de material é o dos Painel de metal isolado (Insulated metal panel - IMPs), que apresenta propriedades térmicas superiores, diversas possibilidades de aparência e boa resistência ao fogo.
Há cerca de um ano, a palavra bem-estar tinha um efeito diferente do que hoje. A pandemia da Covid 19 cristalizou a necessidade que todos temos de saúde mental e física, e tivemos de parar para refletir sobre nosso ritmo de vida e o impacto da tecnologia e de tudo que nos cerca nas nossas vidas.
Designers e arquitetos estão olhando para o amanhã precisando pensar em como criar ambientes seguros, funcionais e confortáveis. De plantas baixas mais abertas a materiais que ajudam a mitigar a propagação de doenças, os profissionais estão olhando para o futuro considerando o que nos dá espaço para respirar e viver juntos.
Em um momento de questionamento do "novo agora", especialmente diante dos novos desafios da Covid-19, cidades ao redor do mundo defendem mudanças estruturais e ações coletivas. A Berlin questions, uma conferência anual de vários dias que serve como plataforma para o diálogo transdisciplinar, abordou o presente imediato em sua edição de 2021, intitulada “Metropolis: The New Now”, criando um espaço para debate. Dedicado a soluções locais para desafios globais, o evento adotou um formato híbrido — ocorrendo em diversos locais de Berlim e também online —, assemelhando-se ao mundo em que vivemos.
O ArchDaily teve a oportunidade de conversar com Lesley Lokko, arquiteta, acadêmica e romancista, durante a Berlin Questions, para discutir sua palestra “África como o laboratório para o futuro”, suas visões sobre o futuro do ensino de arquitetura e o futuro das grandes cidades nos âmbitos social, cultural e urbano.
Assunto de muitas discussões técnicas que envolvem normas de acessibilidade, e detalhamento extenso, os gradis metálicos desempenham uma dupla função nos projetos de arquitetura, sendo tanto um elemento de apoio e segurança em uma construção, quanto um elemento de identidade do projeto. Neste artigo exploraremos as diferentes formas desses metais serem vistos e inseridos no projeto.
A Graham Foundation anunciou a concessão de 69 novas bolsas para pessoas de todo o mundo que apoiam projetos de arquitetura. Os projetos subsidiados representam diversas linhas de pesquisa com ideias originais que avançam nossa compreensão do ambiente projetado. Selecionados entre mais de 500 propostas, os projetos financiados incluem exposições, publicações, filmes e performances que promovem estudos acadêmicos rigorosos, estimulam a experimentação e fomentam o discurso crítico na arquitetura. Os projetos inovadores são liderados por profissionais de arquitetura, artes visuais, curadoria, cinema, história e fotografia, tanto consagrados quanto emergentes, entre outras áreas.
Um dos grandes desafios das nossas cidades hoje em dia é conciliar dois objetivos prioritários que, por vezes, parecem irreconciliáveis: reduzir a desigualdade e enfrentar os efeitos das mudanças climáticas. Por um lado, nosso planeta está em um momento crítico no qual nenhuma ação deve ser desconsiderada. O crescimento urbano ocorre sempre às custas de áreas verdes, razão pela qual devemos controlar nossos assentamentos. No entanto, também é fato que existem normas ambientais que, além de não serem adequadas para cumprir o fim a que se propõem, geram efeitos discriminatórios contra as populações mais excluídas. É sobre essas populações que costumam recair de maneira mais rigorosa as exigências administrativas em matéria ambiental, bem como as sanções pelo seu descumprimento. Há alguma forma de superar essa aparente dicotomia?
A “Cidade Rainha” do Canadá tornou-se famosa por seu boom imobiliário. Sendo o local mais populoso do país, Toronto é também um dos mercados imobiliários de luxo mais aquecidos do mundo. Polo de artes, negócios e mídia, a cidade situa-se em um planalto inclinado com um sistema singular de ravinas. Embora ostente uma arquitetura incrível e projetos de alto padrão, Toronto corre o risco de uma correção no mercado habitacional. O rápido aumento nos preços dos imóveis, a supervalorização e a construção excessiva têm contribuído para a situação delicada da cidade. Em meio a essas condições instáveis e de incerteza, novos projetos residenciais continuam a ser construídos.
Muito falamos das questões acústicas quando se trata de projetos em desenvolvimento, porém, quando nos deparamos com um projeto já construído, seja um apartamento alugado ou um pequeno comércio, muitas vezes lidamos com ruídos que saem do nosso controle e podem impactar inclusive na saúde física e mental das pessoas. Neste artigo buscamos explorar dicas práticas de como lidar com esses ruídos, buscando amenizá-los e melhorar o convívio e a vivência nos espaços.
Serpentine Gallery Pavilion. Imagem Cortesia de Toyo Ito & Associates, Architects
Analisando a obra construída do arquiteto japonês Toyo Ito (n. 1941)— particularmente alguns de seus projetos mais impressionantes como a Mediateca de Sendai (1995-2001), a Serpentine Gallery de Londres (construída em 2002 em colaboração com Cecil Balmond), o Edifício TOD Omotesando (Tóquio, 2004), a Biblioteca da Universidade de Arte de Tama (Tóquio, 2007) e a Taichung Metropolitan Opera House (2009-16)—é possível observar um altíssimo grau de inovação em suas estruturas e nas organizações espaciais não hierárquicas de seus edifícios. Embora todas esses projetos pareçam ser bastante diferentes entre si, há algo que os une—que é o compromisso do arquiteto em romper com os limites entre o interior e o exterior, dissipando barreiras físicas e integrando seus programas através de um espaço contínuo e fluido. Neste sentido, é possível perceber que o arquiteto, vencedor do Prêmio Pritzker de 2013, busca não apenas construir edifícios, mas explorar e desenvolver continuamente um sistema de espaços integrados em sua arquitetura. Dito isso, é de se imaginar que enquanto ele permaneça sentado em sua prancheta, estaremos sempre a descobrir novos desdobramentos de uma obra em constante processo de evolução.
Versátil não só em relação ao ambiente em que pode ser utilizada, mas também na harmonização com diferentes materiais de construção, a técnica do cimento queimado tem sido muito escolhida pelos arquitetos brasileiros para projetos de casas nos últimos anos.
O resultado, obtido por uma mistura de areia, cimento e água preparada in loco, é uma alternativa de baixo custo que possui boa durabilidade quando se tem uma manutenção adequada e regular. O efeito tem se tornado tão procurado que também é possível encontrar porcelanatos e tintas com textura semelhante.
O estudo de Mogilevich sobre como a administração Lindsay aproveitou a vontade política e popular para construir praças de bolso (pocket parks), defender o fechamento de ruas, introduzir refeições ao ar livre e reduzir a desigualdade socioeconômica racial poderia apontar o caminho a seguir para arquitetos e planejadores modernos. Imagem cortesia de Minnesota Press
Na reedição desta semana do The Architect's Newspaper, a autora Karen Kubey, urbanista especializada em habitação e saúde, questiona se a invenção do espaço público foi "inventada ou acordada". Baseando suas ideias no livro de Mariana Mogilevich, The Invention of Public Space, o artigo questiona se os espaços públicos são um produto de negociação na cidade.
A forma como os materiais se moldam na arquitetura e o modo como projetamos. Embora os arquitetos geralmente considerem a origem e a fabricação de materiais, os próprios produtos físicos também se moldam e adaptam à medida que cruzam as linhas geográficas e nacionais. Quando a matéria migra, por sua vez, projeta suas próprias ideias, conta a história de uma arquitetura que transcende a construção e o clima, bem como as fronteiras reais e imaginárias.
Incluir estratégias de sustentabilidade dentro dos projetos arquitetônicos não é uma simples tendência, é uma necessidade. Cada vez mais percebemos a importância de tratarmos com responsabilidade os recursos naturais, assim como entender os fatores climáticos que envolvem o desenho de um projeto.
Dentre diferentes estratégias, ativas ou passivas, a incorporação da energia solar é uma das mais procuradas no âmbito da arquitetura residencial. Além de receber incentivos em diferentes partes do mundo, o uso de sistemas solares lidera a procura dentro das soluções sustentáveis justamente porque os benefícios da sua instalação podem ser vistos em um curto espaço de tempo com uma redução de até 95% dos gastos mensais com energia. Ademais, a vida útil de um painel solar pode chegar até 25 anos, funcionando de forma totalmente autônoma e requerendo apenas uma limpeza básica uma vez por ano.
Depois do atraso de um ano devido à pandemia de Covid-19, as Olimpíadas de Tóquio foram iniciadas na penúltima semana do mês de Julho. Nesta edição três novas modalidades estreiam na maior competição do mundo: o basquete 3x3, o surfe e o skate. Trazendo medalhas para países como Japão, Estados Unidos, Brasil, Austrália, Rússia, Sérvia, China e Letônia, e envolvendo mais um grande número de atletas e nações, esses esportes carregam a cultura urbana em seus movimentos e histórias e são parte importante das relações na cidade.
Frequentemente, quando as pessoas pensam em edifícios, elas costumam imaginar estruturas retangulares - ou, pelo menos, estruturas com plantas ortogonais e ângulos rígidos. Certamente, não edifícios com plantas circulares. A raridade da planta circular vem em parte do fato de que escolhas mal feitas de projeto podem levar a desperdício de espaço e arranjos internos inadequados, especialmente se os móveis e eletrodomésticos forem retangulares. No entanto, planos circulares bem projetados podem ter um efeito dramático, gerando configurações espaciais extraordinárias que atendem a uma variedade de necessidades estéticas e funcionais, enquanto desafiam o processo de especificação de materiais. Abaixo, listamos 18 edifícios com plantas circulares, considerando suas diversas estratégias de projeto.
https://www.archdaily.com.br/pt/966236/como-resolver-plantas-circulares-adequadamenteLilly Cao
Cidades boas para as crianças são cidades boas para todos. São cidades mais humanas, que constroem comunidades mais sustentáveis e fortes. Por isso, mobilidade urbana e primeira infância têm tudo a ver. São intrínsecas, inerentes uma à outra. As crianças e seus cuidadores - sejam pais, avós, tios, primos ou babás - vivem mais a cidade do que muitos adultos em sua rotina diária casa-trabalho. E precisam dela para crescer bem, física e socialmente. As cidades devem ser provocadoras desse desenvolvimento integral e necessário. Sem a participação ativa na vivência dos espaços urbanos ele não acontece como deveria. E produzimos o emparedamento da infância, algo que não faz bem nem às pessoas nem às cidades.
https://www.archdaily.com.br/pt/966173/mobilidade-urbana-e-primeira-infancia-a-transformacao-das-cidadesRoberta Soares / ITDP Brasil
Paris, a cidade que nasceu às margens do Sena, cresceu a partir de uma pequena ilha – a Île de la Cité – para se tornar a vasta metrópole que hoje se estende além de Ménilmontant, o vingtième arrondissement.
A capital francesa tem muito a oferecer. Séculos de história deixaram um legado de estruturas significativas que também serviram de cenário para histórias de amor, guerras e revoluções. Seja para admirar recantos escondidos, marcos icônicos e joias prestes a serem inauguradas, ou para enriquecer sua própria história de vida, você encontrará tudo o que procura nesta cidade.
Esta lista, sem ordem de preferência, busca servir de guia e inspiração para sua próxima viagem a Paris. Se você ama arquitetura, caro/a leitor/a, não precisa procurar mais.