A pandemia do Covid-19 aprofundou a crise dos centros urbanos, especialmente daqueles que, como o Rio de Janeiro, têm sua vitalidade associada às atividades comerciais e de serviços.
A determinação de períodos de lockdown e o estabelecimento das práticas de trabalho remoto diminuíram de forma substancial a circulação de pessoas, que alimentavam uma série de atividades, especialmente os bares e restaurantes, o pequeno comércio e os estabelecimentos culturais.
https://www.archdaily.com.br/pt/966549/reviver-centro-uma-nova-perspectiva-para-o-centro-do-rio-de-janeiroPedro Duarte e Naiara Amorim
Mirante do Gavião Amazon Lodge / Atelier O'Reilly. Foto: Jean Dallazem
A arquitetura de povos originários manifesta uma profunda relação com o contexto no qual está inserida, de modo que os materiais encontrados no local são trabalhados e testados empiricamente até se desvendarem técnicas de construção e modos de habitar que melhor satisfazem os sentidos de abrigo e simbólico de uma comunidade. Na Amazônia, não é diferente. Com diversos povos habitando o seu território - seja na terra ou nas águas -, foram tecidas muitas sabedorias construtivas que são buscadas por arquitetos que trabalham nessas regiões. Assim, conjuntamente, há uma troca de conhecimentos que se embasam em culturas ancestrais para trazer novas alternativas arquitetônicas para a região.
Biblioteca de Muyinga. Imagem Cortesia de BC Architects
Em seu ensaio clássico de 1983 Por um regionalismo crítico: seis pontos para uma arquitetura de resistência, Kenneth Frampton discutiu uma abordagem alternativa para a arquitetura definida pelo clima, topografia e tectônica como uma forma de resistência à placidez da arquitetura moderna e a ornamentação gratuita do pós-modernismo. Uma atitude arquitetônica, o Regionalismo Crítico propôs uma arquitetura que abraçasse as influências globais, embora firmemente enraizada em seu contexto. O seguinte artigo explora o valor e a contribuição das ideias de Frampton para a arquitetura contemporânea.
O clima mudou e ficamos às voltas com as consequências: altas temperaturas, inundações, secas e muito mais. À medida que o mundo muda (ou tenta mudar) para maneiras de mitigar a crise, a arquitetura e a indústria da construção encontram-se em uma posição particularmente importante, cujas escolhas podem criar um impacto real. Algumas dessas opções podem incluir produtos inovadores que oferecem soluções reais para problemas complexos, como o resfriamento das temperaturas em cidades altamente densas.
https://www.archdaily.com.br/pt/966773/tinta-branca-pode-resfriar-nossas-cidades-do-aquecimento-globalDaniela Porto
Imagen: javarman. Shibam, provincia de Hadramaut, Yemen. El método de construcción de los edificios es con tierra cruda. Image via Shutterstock
A participação da construção civil na atual crise climática é preocupante: entre a produção de materiais, a execução e a operação dos edifícios, o setor é um dos maiores emissores de gases de efeito estufa. Ao mesmo tempo, as populações urbanas estão crescendo a taxas históricas e constatamos que na construção das grandes cidades, importantes consumidoras de energia, parece que a redução do impacto da disciplina vem de pequenas iniciativas de comunidades e indivíduos e não de grandes ações políticas e profissionais.
A história nos mostra diversas técnicas e materiais locais que conseguiram ser sustentáveis ao longo do tempo. O uso eficiente de recursos que não precisam ser transformados por grandes etapas de processamento industrial e que eliminam a necessidade de longos deslocamentos. Em alguns casos, ao final da vida útil, podem até ser devolvidos ao meio ambiente como o adobe e a madeira.
Após mais de seis anos fechada para reforma, a renovada Neue Nationalgalerie de Mies van der Rohe em Berlim foi finalmente reinaugurada no dia 22 de agosto de 2021.
A iniciativa Architecture 2030 está convocando profissionais de arquitetura, engenharia, planejamento urbano e do setor da construção em todo o mundo a projetar todos os novos projetos, reformas, intervenções paisagísticas, desenhos urbanos e infraestruturas para serem carbono zero a partir de agora.
Quando pensamos em fenômenos migratórios, pensamos em movimento. Pensamos no fluxo de pessoas que se deslocam sobre a superfície da Terra em busca de pastagens mais verdes—de uma vida melhor para suas famílias. Mas a migração também nos faz pensar em conflitos e ameaças, na fome e no desespero em busca por sobrevivência. Historicamente, a guerra tem sido um dos principais motivos pelos quais as pessoas migram, a razão pela qual existem refugiados. A instabilidade, a falta de segurança e perspectiva em países como a Síria, o Iraque e a República da África-Central fizeram que ao longo dos últimos anos milhões de pessoas tivessem que abandonar suas casas, lançando-se em uma desesperada busca por refúgio além das fronteiras de sua terra natal. Somado-se a isso, existe também aqueles que são forçados a migrar para outros países por conta das consequências das mudanças climáticas na Terra—a esse fenômeno nos referimos como “a migração climática”.
O coletivo artístico Space Saloon concluiu recentemente o programa inaugural de Residência Artística em Arte Pública e Ecologia na região de Okoboji, no noroeste de Iowa. A partir da observação das paisagens locais e de seus diversos ecossistemas, a equipe desenvolveu uma série de instalações temporárias, esculturas site-specific e performances multiespécies. Realizado em parceria com a Imagine Iowa Great Lakes e o Iowa Lakeside Lab, o processo resultou em uma série de eventos públicos que propõem novas formas de interação com as ecologias regionais.
Na republicação desta semana da Metropolis, a National Gallery of Victoria, uma instituição na vanguarda do pensamento contemporâneo, examina os campos em constante expansão do design especulativo e crítico na Austrália por meio do trabalho do estúdio Formafantasma.
Em Mendoza, na Argentina, o laboratório de pesquisas em fabricação digital Nodo 39 FabLab criou uma estrutura-bastidor de tecido feita em madeira cortada digitalmente com telas e pontos para facilitar o processo de tecelagem e composição iconográfica dos indígenas da região central do país. No interior do Ceará, Brasil, por meio de uma pesquisa intitulada “Artificies Digitais” da Universidade Federal do Estado, fez-se o uso de ferramentas de fabricação digital, mais especificamente a impressão 3D, para a obtenção de modelos digitais das partes danificadas do retábulo do altar-mor da Igreja Matriz da cidade de Russas, sendo possível a produção de próteses digitais para sua restauração.
Este artigo de Diego Navarro-Mateu, Oriol Carrasco e Ana Cocho-Bermejofoi publicado originalmente com o título "Design reverso para superfícies duplamente regradas: aproximação geométrica e otimização do hypar da Igreja de Nossa Senhora do Vale de Félix Candela" no número 27 da revista Dearq em 01 de julho de 2020 (DOI: https://doi.org/10.18389/dearq27.2020.08). A seguir, propõe-se uma metodologia de engenharia/design reverso baseada em computação evolutiva para encontrar o hiperboloide oculto e primordial que compõe a cobertura da Igreja de Nossa Senhora do Vale (Espanha), legado da obra do arquiteto Félix Candela.
A seguir, o apresentamos como parte de uma colaboração conjunta para contribuir com a difusão de pesquisas, análises e opiniões que a comunidade acadêmica nacional e internacional elabora sobre a arquitetura, os temas urbanos e as áreas afins.
https://www.archdaily.com.br/pt/1130766/design-inverso-para-superficies-duplamente-regradas-na-igreja-de-nuestra-senora-del-valle-de-felix-candelaDiego Navarro-Mateu, Oriol Carrasco y Ana Cocho-Bermejo
Habitação, Tacora. Imagem via Archivo fotográfico Fundación Altiplano
A crise climática, a escassez de recursos e a desigualdade socioespacial são alguns dos desafios enfrentados atualmente pela disciplina arquitetônica e pelo setor da construção. A partir do Altiplano chileno, território marcado pela riqueza de seus tesouros naturais e culturais em contraste com a escassez de recursos naturais do deserto, a Fundação Altiplano nos convida a repensar a restauração patrimonial sob a ótica da sustentabilidade, da conservação comunitária e dos processos participativos. O modelo desenvolvido e implementado junto às próprias comunidades propõe, a partir dos saberes ancestrais e do uso de materiais locais, não apenas algumas respostas, mas também as perguntas fundamentais para enfrentar o cenário conturbado em que nos encontramos.
Questionando o "novo agora", especialmente diante dos novos desafios da Covid-19, cidades de todo o mundo vêm defendendo mudanças estruturais e ações coletivas. A Berlin Questions, uma conferência anual de múltiplos dias que funciona como plataforma para o diálogo transdisciplinar, abordou em sua edição de 2021, “Metropolis: The New Now”, o presente imediato, estabelecendo um espaço de debate. Dedicado a buscar soluções locais para desafios globais, o evento adotou um formato híbrido, realizado em diversos locais de Berlim e também online, refletindo o próprio mundo em que vivemos.
O ArchDaily teve a oportunidade de conversar com a vencedora do Iconic Awards 2021 na categoria Architects of the Year, Dorte Mandrup — arquiteta, fundadora e diretora criativa do escritório Dorte Mandrup Arkitekter — durante o Berlin Questions, para discutir o mais recente projeto do escritório na capital alemã, o Exile Museum, bem como refletir sobre sua carreira e visões.
A histórica cidade de origem romana vem passando por uma intensa transformação, com novos e instigantes edifícios, praças e parques públicos florescendo por toda parte. Desde minha primeira viagem a Zurique em 2014, muita coisa mudou na antiga Turicum.
Graças a uma viagem fascinante organizada pela Visit Zürich e por meu amigo Philipp Heer, pudemos visitar alguns dos pontos mais novos, interessantes e inspiradores da cidade. Deslocando-nos de um lado para o outro, Roc Isern, David Basulto e eu tivemos o privilégio de seguir um itinerário sob medida, com acesso a verdadeiras joias de Zurique e, o que foi talvez ainda mais inspirador de tudo, contato com os/as arquitetos/as por trás dessas estruturas admiráveis.
D Residence. Imagem cortesia de Jemma Chidiac Achitects _ por JPAG.co
A seleção desta semana dos Melhores Projetos Não Construídos destaca residências unifamiliares enviadas pela comunidade do ArchDaily. De refúgios privados futuristas na costa do Havaí a um conceito de micro-habitação nos penhascos rochosos de Montenegro, este artigo explora a arquitetura residencial e apresenta projetos enviados de diversas partes do mundo.
Apresentando uma residência privada isolada situada entre uma montanha e um rio na Pérsia, a reforma interna de uma casa mediterrânea dos anos 1980 e um refúgio florestal minimalista, esta seleção explora a diversidade das residências unifamiliares e como cada projeto responde à topografia do local, ao contexto e às necessidades espaciais de seus moradores. A seleção também inclui casas no Líbano, Irã, Tanzânia, Países Baixos, Costa do Marfim, Kosovo e Vietnã.
Já ouviu falar em agrowaste design ou “design com agroresíduos”? É assim a arquiteta filipina-ganesa Mae-Ling Lokko intitula o seu trabalho, uma pesquisa pioneira sobre o uso dos biomateriais na arquitetura. Junto com a crescente demanda por produção de alimentos e habitação no século XXI, há um fluxo de recursos materiais de crescimento igualmente rápido na forma de subprodutos de agrotóxicos. Isso tem o potencial não apenas de fechar as lacunas do ciclo de vida de produtos, mas também de impulsionar formas de cidadania generativa por meio do upcycling.
Ling procura repensar os ciclos e uso dos produtos na construção civil através da economia circular, ou seja, nada é desperdiçado, tudo pode ser reutilizado, mesmo depois de obsoleto.
“Cosmowomen. Places as constellations” é uma exposição da arquiteta espanhola Izaskun Chinchilla Moreno em cartaz na Galleria Nazionale di Roma. A mostra apresenta os projetos de 65 arquitetas de mais de 20 nacionalidades diferentes formadas na Bartlett School of Architecture de Londres e reflete sobre a inserção da mulher no campo profissional e acadêmico da arquitetura.
No artigo desta semana da Metropolis Magazine, Madeline Burke-Vigeland, arquiteta associada ao American Institute of Architects, credenciada pela LEED e diretora na Gensler, e Benjamin A. Miko, doutor em medicina e professor assistente do Centro Médico da Columbia University exploram juntos como a padronização de soluções técnicas e construtivas poderiam ser a solução que todos precisamos para melhor proteger as pessoas da COVID-19 e de futuras pandemias.
A Citymakers está trabalhando em parceria com o ArchDaily para publicar uma série de artigos, conversas e entrevistas com diferentes agentes da coprodução urbana que estão por trás do Citymakers Barcelona Lab 2021, programa que retornará a Barcelona entre os dias 8 e 12 de novembro de 2021.
A CityMakers é uma plataforma global de especialistas em boas práticas de coprodução urbana que busca conectar coprodutores de cidades e líderes influentes de diferentes partes do mundo, para que inspirem uns aos outros e impulsionem a transformação de suas cidades.
Nesta edição, Salvador Rueda apresenta seu artigo "Os processos participativos e a resistência à mudança: Implementação das “superquadras” em Barcelona".
O deslocamento implica incerteza, desenraizamento e instabilidade, além da perda da comunidade, privacidade e orientação física e emocional. Atender a essas necessidades por meio de respostas arquitetônicas adequadas pode ajudar as comunidades de refugiados a recuperar o bem-estar social, econômico e ambiental. Neste contexto, as cozinhas comunitárias são projetadas para ajudar a gerar um sentimento de pertencimento e "normalidade" na vida doméstica de seus usuários.
https://www.archdaily.com.br/pt/966291/cozinhas-comunitarias-o-desafio-de-criar-raizes-em-comunidades-de-refugiadosClara Ott
O National Provincial Bank em Plymouth, sudoeste da Inglaterra, concluído em 1959 e projetado pelo departamento de arquitetura do banco, com BC Sherren como arquiteto-chefe. Imagem cortesia de Elain Harwood
O termo “mid-century modern” evoca imagens de um elegante Don Draper, armários esguios de teca e cadeiras escandinavas sofisticadas. Essa é, pelo menos, uma das perspectivas desse movimento de design, uma visão que remete muito mais aos escritórios de Manhattan nos anos 1950 do que a qualquer outra coisa. No entanto, na Grã-Bretanha, esse estilo manifestou-se de forma ligeiramente diferente, expressando-se em escolas, catedrais, habitações e em um festival que definiu a época — tudo isso eloquentemente descrito e ilustrado pela prolífica historiadora da arquitetura Elain Harwood em Mid-Century Britain: Modern Architecture 1938-1963.
No ano de 1970, o escritor Alvin Toffler fez o seguinte alerta: “nas três breves décadas entre o agora e o século XXI, milhões de pessoas comuns, psicologicamente normais, enfrentarão uma colisão abrupta com o futuro”. No livro Choque do Futuro, Toffler descreve uma condição de mal-estar, uma sensação de estresse e desorientação que acometeria os indivíduos em uma sociedade destinada a mudar cada vez mais rápido.
Nada representa melhor essa mudança do que o habitat que o ser humano criou para si. A geração anterior a Toffler conheceu um mundo eminentemente rural, do ser humano preso à terra, nascendo e morrendo em sua comunidade. A geração que está por nascer receberá um mundo já urbanizado, hiperconectado e marcado por uma condição de mobilidade extrema entre cidades e países. Nós, que vivemos hoje, temos o privilégio e a responsabilidade de observar o fenômeno urbano mudando a face do planeta.
O recente agravamento das mudanças climáticas e os decorrentes desastres naturais que cada dia mais frequentemente assolam o nosso planeta, juntamente com a contínua exploração predatória dos recursos naturais e os poucos esforços que têm sido feitos para diminuir a emissão de gases do efeito estufa, levantam uma preocupação crescente sobre o futuro da vida nas cidades. Para além de todos os esforços necessários para minimizarmos o agravamento das mudanças climáticas em curso, se faz iminente que comecemos a pensar e desenvolver estratégias que nos permitam preparar nossas cidades para os inevitáveis desafios que estão chegando, como aumento dos níveis das marés e das inundações por um lado, e a seca e o calor extremo de outro. Pensando nisso, o artigo a seguir nos convida a pensar e refletir como poderíamos construir cidades mais resilientes, permitindo que as mesmas se adaptem e se transformem em resposta aos desafios do futuro.