Muito se fala sobre os perigos que a humanidade como um todo irá enfrentar com os efeitos da crise climática. Enchentes mais intensas, secas prolongadas, verões mais quentes e invernos congelantes são algumas das consequências imediatas que já podemos sentir.
A causa para tais catástrofes locais é um problema global e histórico: a emissão crescente e sistemática de gases de efeito estufa (GEE) por atividades antrópicas desde a revolução industrial. Estes gases intensificam o efeito estufa de nossa atmosfera, um fenômeno natural que garante a existência de vida no planeta. O efeito estufa acentuado desequilibra ciclos naturais, colocando em risco agora não mais apenas nosso futuro, mas já o nosso presente.
https://www.archdaily.com.br/pt/998493/o-que-e-compensacao-de-carbonoGabriela Ribas e Fernando Paraíso
Na Espanha, a implementação de cozinhas integradas em residências tem se tornado cada vez mais comum na arquitetura contemporânea. Embora existam várias configurações e desenhos que são aplicados de acordo com os costumes e culturas das sociedades, como vimos na Argentina ou no Uruguai, a essência de conceber o espaço da cozinha como um aglutinador de atividades e um lugar de encontro entre seus habitantes e visitantes é uma fator comum. Isso tem levado os arquitetos a buscarem layouts, tecnologias e materiais capazes de proporcionar funcionalidade, amplitude e flexibilidade às residências.
Todos estamos familiarizados com o enredo de um filme que se passa em uma cidade ainda em pé em uma era pós-apocalíptica. As ruas estão vazias, exceto por alguns sobreviventes que perambulam sem rumo, procurando sinais de vida. Os edifícios começam a desmoronar e as estruturas a enferrujar após anos de negligência, trens, ônibus e outros meios de transporte ficam abandonados e as ervas daninhas crescem nas rachaduras das calçadas e ruas. A cena parece assustadora porque não podemos imaginar nosso ambiente físico em estado de deterioração. Parece impossível que nossos ambientes construídos, onde vivemos e trabalhamos, de repente se tornem ruínas. A cidade para de vibrar.
Flexibilidade e espaços abertos são temas que surgem no projeto de casas contemporâneas. Em busca de ambientes facilmente adaptáveis, para atender às necessidades em constante mudança dos proprietários, espaços multifuncionais e soluções de armazenamento criativas são mais do que bem-vindas. Para apresentar novas inspirações, selecionamos dez projetos que apresentam bancadas que integram diferentes programas e podem cumprir mais de uma função na residência.
Acoustic Divider Vario / Création Baumann. Image Courtesy of Création Baumann
Além de seu destaque no mundo da moda, os tecidos também podem ser uma parte essencial das possibilidades criativas de um design de interiores. Ao melhorar o apelo estético de um espaço, esses materiais versáteis - feitos de fibras ou fios que foram entrelaçados, tricotados ou unidos - também fornecem funcionalidades ao espaço. Como parte de uma estratégia arquitetônica holística, esses elementos naturais e sintéticos são essenciais para projetar estofados para móveis, cortinas, divisórias e revestir paredes. As mais recentes inovações de design vêm explorando propriedades que levam o uso de tecidos um passo adiante. Mergulhando no catálogo de tecidos do Architonic, analisamos diferentes produtos com propriedades acústicas, à prova de fogo e repelentes.
Projeto por Form4Arquitetura investigando as oportunidades de interação participativa não solicitada no espaço, como dança de rua, algo que poderia ser replicado no Metaverso se sua qualidade espacial tivesse profundidade semelhante. Imagem Cortesia de Form4 Architecture
Para os arquitetos, um dos aspectos mais cativantes da IA e do Metaverso é o placemaking. Como criamos lugares atraentes que trazem as pessoas para este novo mundo e permitem que elas aproveitem sua experiência nele, fazendo com que retornem assim que a novidade passar? Quanto deste mundo digital precisa se conectar com nossos ambientes físicos do dia a dia para que pareça significativo e como essas cidades, vilas e bairros artificiais ganham vida?
De 2000 a 2007, ensinei teoria do lugar no ciberespaço com Yehuda E. Kalay, Ph.D. na Universidade da Califórnia, Berkeley. Uma parte central deste curso foi transmitir aos alunos o fato de que os ingredientes os quais constituem um lugar não estão apenas nas mãos de arquitetos e designers.
As cidades precisam se preparar para uma onda de declínio dos templos religiosos. Enquanto as instituições de fé, ao menos as cristãs, vêm se perguntando "O que Jesus faria?" (WWJD, na sigla em inglês), as administrações municipais precisam induzi-las a fazer outra pergunta: "O que Jane Jacobs faria?" (WWJJD). Esse questionamento pode abrir caminho para um novo modelo de templos verdadeiramente comunitários.
Projeto de Expansão da Union Station. Cortesia da imagem de Grimshaw
As cidades que dependem do uso de carros particulares enfrentam uma variedade de problemas — longas viagens de ida e volta ao trabalho, engarrafamentos intermináveis e aumento da poluição. Embora pareça que os carros são a opção mais confiável para nos levar de um lugar para outro, os urbanistas frequentemente promovem os benefícios do transporte público e o desenvolvimento de comunidades centradas em suas várias formas. Muitas cidades estão crescendo mais rápido do que o inicialmente planejado. Como resultado, as ruas se expandiram, os terrenos estão sendo transformados em enormes estacionamentos e as conexões entre as comunidades estão diminuindo.
Sabe-se que Barragán não era alguém interessado em teorizar sobre sua obra. Na verdade, ele preferia que outros tentassem interpretar seu fazer arquitetônico. No entanto, dentre os poucos textos que escreveu com o objetivo de expor suas ideias profissionais, há um que se mostra bastante interessante.
Igreja da Luz. Foto de hetgallery, via Visualhunt.com
O uso da luz em construções religiosas, enquanto elemento de associação ao divino, perpassa a história da humanidade. Historicamente, uma série de templos, das mais variadas religiões, se utilizaram deste artifício enquanto tentativa de aproximação visual e perceptível do ser humano à uma dimensão sagrada e intangível. A luz costuma ser dotada de uma conotação espiritual e força simbólica significativa, que é capaz de modificar a relação, percepção e experiência das pessoas com os ambientes. Deste modo, ela é um elemento que foi, e ainda é, utilizado pela arquitetura para criar cenários e efeitos em muitos espaços religiosos, especialmente nas igrejas.
Se projetássemos um material de construção ideal, ele se pareceria com o bambu. Ao menos é isso o que afirma Neil Thomas, diretor do atelier one, escritório de engenharia estrutural de Londres. Sua forma tubular, feixes vasculares, velocidade de crescimento e facilidade de manipulação são características que o tornam ideal para a construção. Hoje, ele ganha ainda mais interesse do mercado por ser uma fonte renovável e possuir baixo impacto ambiental em comparação com outros materiais. Além disso, ele é extremamente versátil e pode ser utilizado de diversas formas numa obra. Aqui, elencamos algumas delas.
Alguns autores afirmam que o termo kitsch tem origem alemã e surgiu no vocabulário artístico por volta de 1860 a partir do verbo kitschen/verkitschen (trapacear, vender alguma coisa em lugar de outra). Outros, como Guimaraens & Cavalcanti (1979), afirmam que há também uma origem do termo na língua inglesa, provinda da palavra sketch, que significa esboço. Na segunda metade do século XIX, quando os turistas americanos queriam comprar uma obra de arte a preço barato eles pediam um sketch.
Quando um país se torna conhecido por sua exportação mais famosa, ambos podem passar a ser sinônimos de qualidade. Combinações como o vinho francês, o mármore italiano e a engenharia alemã são exemplos do selo de excelência proporcionado simplesmente pelo berço geográfico de um produto. Embora as exportações mais famosas e apaixonantes de Portugal pudessem ser igualmente a cortiça, o futebol ou os doces conventuais à base de ovos, há muito mais na cultura e na economia portuguesas do que jogadores vaidosos e pastéis de nata.
Se a relação da cultura portuguesa com a cerâmica é conhecida pelos pratos, tigelas e jarros de padrões característicos que milhões de turistas tentam manter intactos na viagem de volta para casa, poucos pagariam a taxa de bagagem extra por 50 m² de revestimentos cerâmicos. No entanto, o clima agradável do país, aliado a uma tradição artesanal e à resistência natural, durabilidade e pigmentação da argila portuguesa, faz com que as fachadas cerâmicas de alta qualidade sejam uma característica marcante da arquitetura portuguesa. Além disso, o material é exportado para o mundo todo, tanto para superfícies externas quanto internas.
Benéfica em climas que sofrem grandes amplitudes térmicas, onde há uma grande diferença entre as temperaturas diurnas e noturnas, a inércia térmica é um importante conceito para levar em consideração na hora de projetar para um melhor conforto térmico. Por se tratar de uma estratégia passiva para controle de temperatura, ela elimina a necessidade de gastos energéticos extras e torna a construção mais sustentável.
Pérgola y Plaza de Acceso diseñada por Solano Benítez. Image Cortesía de BID
Enquanto os muros perimetrais são demolidos, um novo traçado se desenha na antiga pista do ex-aeroparque da cidade de Mendoza. O avanço do novo projeto de refuncionalização, promovido pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e pelo governo da cidade, busca reutilizar o terreno ocioso de 72 hectares para a exploração e o desenvolvimento de uma cidade mais aberta, inclusiva e carbono neutra. Este masterplan foca em estratégias que abordam a sustentabilidade ambiental e climática, a gestão eficiente de energia, água e saneamento, a habitação, a mobilidade e os espaços públicos acessíveis, além da inclusão de grupos vulneráveis e do desenvolvimento social local. O plano contempla a inserção de infraestrutura, parques e áreas verdes, usos comerciais e gastronômicos, um polo tecnológico e de inovação, e o desenvolvimento de novos modelos de habitação unifamiliar e coletiva: "a habitação do futuro".
A apresentação oficial do projeto, diante de autoridades do governo de Mendoza, integrantes do BID, estudantes e demais convidados, foi realizada no próprio terreno do ex-aeroparque. Nesse contexto, o renomado arquiteto paraguaio Solano Benítez foi convidado a participar da construção de uma pérgula de acesso para a "cidade do futuro", que seguisse as diretrizes técnicas do projeto urbano pautado na economia circular, buscando articular o artesanal e o pré-fabricado para "passar de uma construção tradicional, baseada em mecanismos de altíssima energia incorporada, para a reutilização de materiais com menor gasto energético", conforme apontam os arquitetos e urbanistas Felipe Vera e Matías Lince, do BID. Partiendo da exploração das possibilidades construtivas do tijolo — material por excelência da construção paraguaia —, a arquitetura desenvolvida por Benítez foca na promoção de soluções arquitetônicas de forma eficiente e local, priorizando o uso inteligente da matéria.
https://www.archdaily.com.br/pt/1138264/solano-benitez-sobre-a-cidade-do-futuro-em-mendoza-construir-com-a-menor-quantidade-de-materia-e-energiaFabian Dejtiar + Paula Pintos
“O mundo está repleto de aeroportos obsoletos e abandonados. Aeroportos de múltiplos hectares, vazios, em localizações centrais, que precisam ser refuncionalizados. Há cidades que adotaram essa medida de forma muito bem-sucedida: São Francisco, Berlim, Caracas. A grande pergunta é: o que Mendoza fará com o seu grande caso?”. Essas palavras do arquiteto e urbanista Felipe Vera introduzem uma das transformações urbanas mais importantes da Cidade de Mendoza nos últimos tempos. No Ex-Aeroparque, foi apresentado oficialmente, no dia 22 de março, o novo projeto de refuncionalização promovido pelo BID e pelo governo da cidade, que busca reutilizar o terreno vago de 72 hectares para a exploração e o desenvolvimento de três visões: uma cidade mais aberta, inclusiva e carbono neutro.
https://www.archdaily.com.br/pt/1138499/cidade-do-futuro-o-projeto-para-transformar-o-antigo-aeroparque-de-mendozaFabian Dejtiar + Paula Pintos
Que estratégias de projeto ou novas tecnologias podem ser integradas ao projeto arquitetônico sem colocar em risco o meio ambiente? Nos últimos anos, as energias renováveis têm se tornado cada vez mais populares no mundo inteiro, e a energia solar fotovoltaica é uma das muitas que estão crescendo exponencialmente.
Muita coisa aconteceu desde que os países se encontraram em Paris, em 2015, e estabeleceram um acordo para combater as mudanças climáticas. Até aqui, mais de 196 países ratificaram ou se juntaram de alguma maneira ao Acordo Climático de Paris, representando mais de 96% das emissões globais dos gases de efeito estufa. Em paralelo, 57 países – incluindo Estados Unidos, Japão, Canadá, Alemanha e México –, também elaboraram planos de longo prazo para descarbonizar suas economias.
https://www.archdaily.com.br/pt/998221/a-trajetoria-dos-10-maiores-emissores-de-carbono-desde-o-acordo-de-parisJohannes Friedrich, Mengpin Ge e Andrew Pickens
Apaixonar-se é fácil. Quando os olhos se encontram em um showroom lotado, a beleza dos pés esbeltos de um sofá, o tecido macio e as curvas convidativas são como um canto de sereia, cegando você para a verdade. Então, seis ou oito semanas depois, a verdade aparece.
Não há nada melhor depois de um dia difícil do que se sentar em um sofá confortável. Na verdade, também não há nada melhor depois de um dia tranquilo. Mas, e se aquele sofá pelo qual você se apaixonou não for tão bom de se sentar quando você chegar em casa?
Para evitar as dores do relacionamento (no pescoço e nas costas) e garantir compatibilidade a longo prazo, aqui estão algumas regras para selecionar o sofá certo.
Tornar um ambiente mais prático, facilitar as tarefas diárias, criar unidade no design de interiores, brindar diferentes possibilidades ao espaço sem modificá-lo e agregar beleza. Cumprir com todos esses objetivos não é uma tarefa fácil, mas alguns elementos são fundamentais para isso: armários e estantes.
Por mais trivial que possa parecer o ato de apertar um interruptor e iluminar um ambiente, tivemos que percorrer um longo caminho para ter uma fonte de luz segura e confiável. Estima-se que as primeiras lâmpadas tenham sido inventadas há 70.000 anos, consistindo em pedras escavadas ou conchas, preenchidas com um material absorvente embebido com gordura animal, para ser inflamado. Os egípcios, por sua vez, utilizavam recipientes de cerâmica decorados, cheios de óleo, proporcionando uma chama constante. Já as velas foram popularizadas durante a Idade Média, feitas de sebo (gordura animal) ou cera de abelha, podendo ser queimadas em castiçais simples e lustres. Foi no final do século XIX que Thomas Edison e sua equipe inventaram uma lâmpada incandescente que poderia ser fabricada em massa e que fosse viável economicamente, logo se tornando a forma dominante de iluminação durante grande parte do século XX. Tendo sido uma enorme revolução, hoje em dia temos a ciência de que tais lâmpadas são pouco eficientes, e elas acabaram sendo substituídas por lâmpadas fluorescentes e, mais recentemente, de LED. Mas se já avançamos tanto em tão pouco tempo, o que podemos esperar sobre o futuro da iluminação e, mais especificamente, de que forma nossos interiores serão iluminados em alguns anos ou décadas?
Imagem: National Archives and Records Administration
Em 1906, um forte terremoto atingiu São Francisco, na Califórnia. O choque inicial danificou edifícios em toda a região. Porém, o pior estava por vir, incêndios surgiram em prédios desabados, em alguns casos por canos de gás quebrados.
Nos quatro dias seguintes, uma conflagração varreria mais da metade da cidade, consumindo mais de 4,7 milhas quadradas no centro da cidade, destruindo 28.188 prédios, matando mais de 3.000 pessoas pela contagem oficial e deixando entre 227.000 e 300.000 pessoas desabrigadas (de uma população total de 410.000).
A luz do dia excede sua função de iluminação dos espaço. É uma ferramenta criativa manipulada por arquitetos para imbuir o espaço de um significado metafísico, influenciando os estados emocionais de seus ocupantes. Tendo um efeito fenomenológico na psique humana, a luz e a sombra têm sido usadas para evocar um senso de divindade e espiritualidade no caráter dos edifícios religiosos. A interação entre arquitetura e a luz é poderosa, e molda experiências mais profundas de espiritualidade.
Ao monitorar os resultados da construção de uma praça em Porto Alegre, um dado chama atenção: depois de meninos e meninas brincando, são mulheres que cuidam das crianças as principais frequentadoras do espaço. A história ocorreu em uma região vulnerável da cidade e evidencia uma atividade muitas vezes ignorada pelo planejamento urbano: o cuidado.
O objetivo do monitoramento, no Loteamento Santa Terezinha, era verificar o perfil de frequentadores e sua percepção sobre o espaço e seus equipamentos, recentemente qualificados por uma série de organizações, bem como das rotas escolares em seu entorno. Realizada pelo WRI Brasil em parceria com a Fundação Grupo Volkswagen, a pesquisa mostrou que crianças representam 89% dos frequentadores da praça. E que 4,5 vezes mais mulheres adultas frequentam a praça do que homens – na maioria das vezes, acompanhando os pequenos.
https://www.archdaily.com.br/pt/998144/cidade-das-mulheres-planejamento-ignora-aspectos-cruciais-para-cidades-equitativasAndressa Ribeiro, Ariadne Samios e Paula Manoela dos Santos