Palacio de Puruchuco. Image Cortesía de Norma León Lescano
O Peru é um país que conta com um extenso, rico e transcendente patrimônio arqueológico. Lamentavelmente, o passar dos anos trouxe consigo uma acentuada deterioração. Os autores Norma León Lescano, Yann Barnet e Alvaro Racchumi expõem, por meio de seu artigo “Captura de datos 3D para virtualizar el patrimonio cultural”, o método que utilizaram para obter em três dimensões uma réplica do Palácio de Puruchuco. Desse modo, busca-se fornecer as informações necessárias que sirvam de guia para promover o processo de virtualização do maravilhoso patrimônio cultural, proporcionando maior alcance, valorização e conservação do mesmo.
Ao longo dos anos, os banheiros foram vistos como espaços puramente funcionais, estritamente programados para a higiene e a privacidade. Tornando-se cada vez menores e mais práticos, o box de chuveiro utilitário, que economiza espaço, passou a ser considerado a norma, empurrando a banheira para a obsolescência ou restringindo-a a um luxo adicional para quem dispõe de espaço (e orçamento) extra. Recentemente, contudo, à medida que as mudanças no estilo de vida impulsionadas pela pandemia colocaram o bem-estar como prioridade máxima, a noção do banheiro como um santuário consolidou-se definitivamente. Com isso, os banheiros contemporâneos foram reimaginados, voltando-se para espaços abertos de relaxamento, conforto e recuperação. E as banheiras – com sua inerente natureza meditativa – voltaram ao centro das atenções.
Em uma tarde de domingo quente e nebulosa, os cortiços de concreto de Nairóbi se elevam sobre os barracos (ou “favelas”) da cidade. Homens e mulheres penduram roupas em telhados e varandas — fazendo com que os edifícios pareçam uma colcha de retalhos, um mosaico de tecido.
É um elemento arquitetônico essencial, que costumamos notar imediatamente ao olhar para edifícios novos — o telhado. As coberturas que abrigam os edifícios de nossas cidades apresentam tipologias diversas. Telhados planos são comuns nos centros das grandes metrópoles, coberturas em quatro águas são escolhas populares para residências no mundo todo, e o telhado em duas águas é indiscutivelmente o mais comum de todos, sendo o tipo de cobertura mais frequente nas representações estilizadas de uma casa padrão.
Ainda estamos no alvorecer do Metaverso, a próxima onda da internet. As atuais plataformas de Metaverso mais populares servem como recipientes experimentais para abrigar os sonhos mais ousados de mundos virtuais onde deveríamos libertar a imaginação. No entanto, sob a perspectiva do design espacial, até agora elas têm sido sem graça e comuns. Sem as restrições do mundo físico, como elaborar os projetos urbanos no metaverso? Acredito que os/as planejadores/as do metaverso podem encontrar inspiração em As Cidades Invisíveis, de Italo Calvino, obra na qual o autor revela uma abordagem poética e matemática do "planejamento urbano" em mundos imaginários.
https://www.archdaily.com.br/pt/1134433/o-que-os-as-planejadores-as-do-metaverso-podem-aprender-com-star-as-cidades-invisiveis-star-de-italo-calvinoChloe Sun
A regra se aplica a todas as disciplinas criativas: obras de design verdadeiramente únicas e de alta qualidade são quase sempre o resultado de certas constelações favoráveis. Isso vale tanto para cineastas e profissionais da música quanto para arquitetos/as e designers. Afinal, grandes ideias criativas muitas vezes só podem ser realizadas em equipe, em cooperação com colaboradores/as.
Há dois anos, a jovem cantora, violinista e compositora suíça Chiara Dubey lançou um álbum intitulado 'Constellations'. Um céu estrelado adorna a capa – de modo que, aqui também, trata-se de uma interação especial sob uma boa estrela. Mas como, você deve estar se perguntando, passamos de capas de álbuns para uma empresa de mobiliário?
Já ouviu falar em neuroarquitetura? Como seriam os espaços se os arquitetos projetassem os edifícios baseados nas emoções, na cura e na felicidade do usuário? Hospitais que ajudam na recuperação do paciente, escolas que estimulam a criatividade, ambientes de trabalho que te deixam mais concentrado…
Isso é neuroarquitetura: projetar ambientes eficientes baseados não apenas em parâmetros técnicos de legislação, ergonomia e conforto ambiental, mas também em índices subjetivos como emoção, felicidade e bem-estar.
O estúdio David Pompa, fundado em 2013 e sediado na Cidade do México, é composto por profissionais de design, engenharia e fabricação estabelecidos no México e na Áustria. David Pompa cresceu em ambos os países e estudou design de produto em Londres. Ao longo do tempo, o estúdio tem demonstrado um forte interesse pelos materiais e pelas técnicas tradicionais e, desde a sua fundação, mantém um compromisso com a cultura mexicana, o que se reflete na criação de objetos de design estéticos e acessíveis. Desta vez, apresentam uma nova coleção para a Semana de Design de Milão 2022 na Via Simone Saint Bon, como parte do Fuorisalone de 5 a 12 de junho.
Mais do que uma tendência, a industrialização é uma necessidade no setor da construção. Nos últimos anos, temos sido testemunhas de sua importância no aumento da produtividade e da velocidade de execução – bem como na redução de desperdícios – em obras de arquitetura. Além de agilizar os processos construtivos, essa produção seriada, mecânica e padronizada aumenta a qualidade e reduz os prazos de entrega. Se as primeiras decisões de um projeto consideram a modulação das diferentes etapas que podem ser industrializadas em parâmetros verticais e horizontais, o resultado é mais eficiente do que se isso for avaliado apenas no momento da execução (quando já não é mais possível reduzir as perdas por meio da modulação). Além disso, ao minimizar resíduos e diminuir o consumo de recursos energéticos e hídricos, também se contribui para uma indústria mais sustentável.
De 5 a 15 de maio, a Praça Real de Barcelona transformou-se em um dos centros de debates sobre arquitetura e cidade do Festival MODEL. A instalação efêmera "Ocupar o Centro com a Palavra", realizada pela Faculdade de Design e Engenharia ELISAVA sob a direção de Roger Paez, em conjunto com Manuela Valtchanova, Albert Fuster e Toni Montes, buscava "gerar condições ideais para que possam ocorrer tanto encontros quanto desacordos - sempre por meio da palavra".
O novo relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas destaca o enorme potencial da natureza para reduzir os riscos das mudanças climáticas e aumentar a resiliência. O contexto político tem se tornado propício para essa abordagem. Em 2021, por exemplo, 137 países se comprometeram, de forma coletiva, a acabar com a perda de florestas e a degradação de paisagens até 2030 como parte da Declaração dos Líderes de Glasgow sobre Florestas e Uso da Terra. Os signatários reafirmaram a importância de todas as florestas para a adaptação aos impactos das mudanças climáticas e para manter saudáveis os serviços ecossistêmicos. Promessas de financiamento se seguiram à declaração, incluindo US$ 19,2 bilhões para proteger e restaurar florestas em todo o mundo.
Cidades com deficiências são aquelas que apresentam espaços e ambientes que impedem ou dificultam o acesso, a participação e a interação do cidadão, independentemente de qualquer perda ou anormalidade relacionada à sua estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatómica. Convido os leitores para que, comigo, mudem o foco da abordagem sobre as deficiências, transferindo para as cidades e os ambientes construídos a incapacidade em atender de maneira digna e eficaz a diversidade das habilidades e capacidades inerentes aos seres humanos.
A década de 1970 marcou diversos aspectos da sociedade que se preservam até hoje; o design de vanguarda, a moda e a música são marcas culturais que permanecem no imaginário coletivo, como é o caso da cena disco. No entanto, quando se trata de uma referência que conjugue esses aspectos e os eleve à sua máxima expressão, é fundamental falar do Studio 54.
Há muito tempo a história das civilizações vem sendo contada e ensinada de forma linear, com um sentido evolutivo, em prol de uma apreensão facilitada por uma didática mais direta. É fato que, muitas vezes, questionou-se esse método de pensar e organizar a forma como os eventos ou manifestações culturais aconteceram no decorrer do tempo, nas diversas partes do mundo, com suas especificidades que, muitas vezes, são deixadas de lado nas grandes narrativas históricas produzidas, sobretudo, no âmbito ocidental e, mais ainda, europeu.
A seleção desta semana dos Melhores Projetos Não Construídos destaca propostas residenciais enviadas pela comunidade do ArchDaily. De uma pequena habitação comunitária em Gana a uma casa de campo aninhada em uma encosta em Portugal, esta seleção de projetos não construídos explora como os/as arquitetos/as respondem a diferentes topografias, culturas e disponibilidade de materiais ao projetar espaços que oferecem mais do que um simples abrigo para seus usuários e usuárias. O artigo também inclui projetos da Índia, Irã, Irlanda, Letônia, Geórgia e Arábia Saudita.
Não são muitos os projetos de arquitetura que exigem a atualização dos mapas de sua região. Por outro lado, também são poucos os projetos concebidos com tamanha sensibilidade quanto o Lighthouse Hotel & Spa, em Büsum, no norte da Alemanha.
O projeto poderia ter tomado um rumo desastroso. Contudo, o/a arquiteto/a local Thomas Ladehoff — em estreita colaboração com o/a hoteleiro/a e parceiro/a criativo/a Jens Sroka — conseguiu conceber um destino de 108 quartos que, por meio de uma inteligente articulação volumétrica e escolha de materiais de construção, respeita tanto a escala quanto a linguagem vernacular de seu entorno. Acima de tudo, a proposta mitiga a obstrução parcial do farol de 110 anos de idade ao lado do qual se situa e do qual herda o nome.
Entre senhora e arquiteta, Lina Bo Bardi aparece nas páginas da revista O Cruzeiro, tanto nas colunas femininas por seu risoto à milanesa, como nas matérias sobre cultura como a arquiteta do MASP (Museu de Arte Moderna de São Paulo). Publicada semanalmente pelos Diários Associados de Assis Chateaubriand, O Cruzeiro dispunha de notoriedade e circulação no âmbito nacional e, apesar de direcionada para donas de casa das classes mais altas, apresentava um conteúdo bem amplo, abrangendo matérias de moda, cultura, cinema, política, além de “secções (sic) de aconselhamento feminino”.
A arquiteta Mariam Kamara - fundadora do escritório Atelier Masōmī, sediado em Niamey, no Níger - é contrária à pedagogia do design como a que é amplamente praticada hoje. Para Kamara, moderno não é sinônimo de formas europeias, arquitetura não é apenas para os ocidentais, e o chamado cânone dos grandes edifícios na verdade ignora a maior parte do mundo construído. O escritório de rápido crescimento da arquiteta sediada no Níger influenciou uma série de palestras que ela deu recentemente no MIT, na Columbia University GSAPP, no African Futures Institute em Gana e em Harvard GSD.
Abajo: U. de Talca. Arriba izquierda: Universidad de Valparaíso. Arriba Derecha: Taller de Barrios, GIDPRO (U. del Bío-Bío). Image Cortesía de Rodrigo Lagos Vergara y Macarena Paz Barrientos Díaz
A seguir, nos apresentam alguns dos pontos mais importantes de sua publicação: três ações pedagógicas no Chile que entendem a docência como prática central por meio do exercício acadêmico do projeto.
https://www.archdaily.com.br/pt/1134926/ensino-de-arquitetura-no-chile-1999-2019-potencial-ecologico-e-sentido-politico-coletivoRodrigo Lagos Vergara y Macarena Paz Barrientos Díaz
Assim como hospitais e consultórios médicos, clínicas odontológicas são locais que costumam trazer ansiedade e angústia aos pacientes, reações que podem ser intensificadas em um ambiente pouco amigável e acolhedor. Ambientes brancos e neutros podem trazer consigo a noção de assepsia e higiene, requisitos essenciais para a arquitetura hospitalar. Porém, a falta de elementos mais acolhedores, como o uso de cores e materiais mais quentes, também pode ser responsável por causar certo distanciamento entre os profissionais e os pacientes, além de reforçar os estereótipos atribuídos às clínicas odontológicas.
Um dos grandes teóricos da arquitetura, cidade e natureza faleceu recentemente, dia 17 de março de 2022, aos 85 anos. Nascido em Viena em 4 de outubro de 1936, Christopher Alexander viveu uma longa vida de contribuições e singularidades, com proposições visionárias sobre cidades e, ao mesmo tempo, subversivas ao mainstream da prática arquitetural.
https://www.archdaily.com.br/pt/981171/christopher-alexander-o-legado-de-um-urbanista-visionarioVinicius M. Netto
Agora que os efeitos das mudanças climáticas já são visíveis e indiscutíveis, os consumidores estão mais conscientes do que nunca. De fato, como sugere um estudo das Nações Unidas 2021, 85% revelam que a sustentabilidade desempenha um papel fundamental ao tomar suas decisões de compra, motivando empresas e fabricantes a responderem de acordo. Isso explica a crescente demanda por veículos elétricos e produtos feitos de materiais renováveis ou recicláveis. No entanto, a arquitetura - e especialmente a moradia tradicional - parece estar vários passos atrás em comparação com outras indústrias. Embora existam inúmeros esforços para avançar em direção a um ambiente mais verde, a maneira como a maioria dos edifícios é feita hoje continua desatualizada, criando enormes quantidades de desperdício e contribuindo significativamente para a pegada global de carbono.
A gentrificação é o processo onde os imóveis se tornam mais desejados e, portanto, mais caros. Os preços crescentes afastam os moradores mais antigos, substituindo-os por de renda mais alta. Isso não deve ser confundido com a remoção forçada de cidadãos por meio de desapropriações ou remoções forçadas. Expulsar moradores por decreto oficial é um problema diferente.
https://www.archdaily.com.br/pt/981523/filtragem-a-gentrificacao-ao-contrarioAnthony Ling e Jeff Andrade-Fong
Ela é uma forma arquitetônica onipresente. Uma tipologia que atravessa séculos e fronteiras, um marco em todas as culturas. A tenda. Na sua forma mais simples – é um abrigo, um material colocado sobre uma armação de madeira. É uma linguagem arquitetônica que está intrinsecamente ligada à vida nômade. Yurts, por exemplo, funciona como uma moradia facilmente portátil para os povos cazaque e quirguiz. Ao mesmo tempo, as tendas provaram ser um precedente estilístico popular para os arquitetos, sendo as estruturas leves do arquiteto alemão Frei Paul Otto um exemplo disso. A tenda é uma linguagem arquitetônica complicada – que atravessa a linha entre o temporário e o permanente, e que também funciona como um símbolo de riqueza e um símbolo de escassez.