Os ruídos –especialmente aqueles que não podemos controlar– afetam profundamente tanto a saúde física quanto a mental. Sejam provenientes da rua, da vizinhança do andar de cima ou do cômodo ao lado, pesquisas sugerem que eles podem aumentar o estresse, reduzir a produtividade, interferir na comunicação e contribuir para o desenvolvimento de problemas como a hipertensão arterial. Em última análise, a qualidade acústica define a experiência de uso e (literalmente) dá o tom para o restante do interior. A má notícia é que a maioria dos materiais de construção convencionais utilizados hoje na arquitetura moderna –concreto, vidro, alvenaria– possui superfícies extremamente duras e propriedades acústicas limitadas, o que faz o som reverberar várias vezes e força as pessoas a elevarem a voz para se fazerem entender. Somado ao crescimento da densidade urbana e à adoção de layouts de uso misto nos projetos, tudo isso resulta em ambientes de vida e trabalho cada vez mais barulhentos, desconfortáveis e dispersivos.
Living Breakwaters, Staten Island, Nova York. Imagem cortesia de SCRAPE
“A supertempestade Sandy em 2012 foi um alerta para Nova York e fez a cidade perceber que precisava se preparar melhor para as mudanças climáticas”, disse Adrian Smith, vice-presidente da ASLA e líder da equipe de projetos de capital de Staten Island com a NYC Parks. Devido às tempestades de Sandy, “várias pessoas em Staten Island morreram e milhões foram perdidos em danos materiais”.
No 10º aniversário de Sandy, Smith, junto com Pippa Brashear, diretora da SCAPE, e Donna Walcavage, diretora da Stantec, explicaram como projetar com a natureza pode levar a comunidades costeiras mais resilientes. Durante a Semana do Clima de Nova York, elas conduziram centenas de pessoas por dois projetos on-line interconectados no extremo sudoeste da ilha: Living Breakwaters e seu companheiro em terra — o Tottenville Shoreline Protection Project.
O Estudio Reynals, sediado em Mendoza, na Argentina, surgiu em 2018, fundado por Laia e Cristina Reynals, duas profissionais da arquitetura e do design, sócias e irmãs.
Composição realizada pelo autor. Da esquerda para direita: edifício do Congresso Nacional (Marcel Gautherot/La Boite Verte) e Lusail Stadium (Sorin Furcoi/Al Jazeera), ambos em fase de construção
Sessenta e dois anos separam a inauguração de Brasília e a abertura da 22º edição da Copa do Mundo de futebol masculino da FIFA, sediada em 2022, no Qatar. Claro, não só o lugar no tempo e espaço diferenciam estas duas ocasiões históricas: acrescentemos o contexto geopolítico, o caráter, os atores e os interesses envoltos a cada uma. O que sobra, então, como conectivo entre ambas? Para além do fato de que o emirado agora possui a sua própria cidade-modelo (Lusail), erguida no ermo da península, sob a cartilha das últimas tendências urbanas e tecnológicas – à semelhança do vanguardismo do Distrito Federal do Brasil à época da sua construção, em certa medida –, o elo inextricável entre as duas cerimônias está nos canteiros que materializaram as arquiteturas a comportá-las.
https://www.archdaily.com.br/pt/991506/supressao-de-direitos-no-canteiro-de-obra-paralelos-entre-brasilia-e-qatarJoão G. Santos
Como parte de um novo conceito que propõe uma experiência de turismo e descanso em um edifício art déco, em setembro deste ano abriu suas portas Campos Polanco, um espaço que se ergue em frente ao Jardín de la República del Líbano, ao lado do Bosque de Chapultepec, na Cidade do México. Trata-se de um conjunto de 12 suítes projetadas para executivos e nômades digitais que buscam se afastar dos hotéis de rede para mergulhar na cultura local em uma das áreas mais exclusivas da cidade.
In Out Office / Alfredo Häberli. Imagem cortesia de Andreu World
Profissionais de arquitetura de interiores e de design costumam afirmar que um espaço de escritório bem projetado se traduz em maior produtividade, criatividade e satisfação no trabalho — contudo, o impacto é ainda maior do que a maioria costuma imaginar. Estudos recentes sugerem que o bom design impacta positivamente a cultura da empresa, fomenta o senso de comunidade e cria um ambiente saudável, feliz e motivador. De fato, ele influencia diretamente o recrutamento e a retenção de talentos: “o design do espaço de trabalho aumenta significativamente a atratividade das empresas empregadoras para profissionais em potencial”. Iluminação adequada, um layout flexível e recursos biofílicos são fatores importantes a serem considerados na fase de planejamento. No entanto, para atender plenamente ao conforto e ao bem-estar de quem utiliza o espaço, esses elementos devem ser combinados com um excelente design de mobiliário. Afinal, integrar peças ergonômicas de alta qualidade é uma maneira simples de elevar o ânimo, além de aprimorar a funcionalidade e a estética ao criar ou redecorar o espaço de trabalho.
Plaza Baquedano durante las manifestaciones del 19 de octubre. Image Cortesía de Enzo Giusti / Shuttertstock
Na quarta-feira, 3 de novembro, tiveram início as obras do plano de remodelação da Plaza Baquedano e de seu entorno em Santiago do Chile. Vale destacar que a Plaza Baquedano, conhecida como Plaza Italia e recentemente apelidada de Plaza de la Dignidad, é o ponto de convergência de celebrações e protestos — muitas vezes marcados por forte efervescência social e que, particularmente após o dia 18 de outubro de 2019, deixaram marcas no espaço público. O que o futuro reserva para este local de extrema importância para os acontecimentos sociais e políticos?
Lembro-me bem do momento em que comecei a questionar o tipo de imagens e de arquitetura que consumíamos e discutíamos na universidade, em comparação com o próprio entorno construído da cidade onde vivo (CDMX). Trata-se de um tipo de arquitetura que busca delinear certos princípios estéticos tendenciosos, curados e distribuídos por meio da academia, de plataformas digitais, revistas, livros e incorporadoras imobiliárias, entre outros.
Gira Esprit de linóleo multiplex en color marrón oscuro; interruptor pulsador Gira y base de enchufe SCHUKO en blanco brillante. Image Cortesía de GIRA
Acender ou apagar a luz de um espaço faz parte do cotidiano das pessoas. Essa operação –quase automática para a sociedade– ocorre por meio da ação de um interruptor, definido como um dispositivo responsável por desviar ou interromper o fluxo de corrente elétrica. Considerando que sua presença é necessária no dia a dia, como combinar a estética com a funcionalidade de um interruptor?
Assim como as novas tendências exploram a incorporação de instalações e equipamentos dentro da estratégia de design de interiores, a nova gama de interruptores de luz combina sua funcionalidade com uma diversidade estética alinhada à personalidade de cada espaço. Sua adaptação a diferentes estilos ocorre por meio da composição de três fatores: a escolha de materiais, cores e formatos. Vejamos as opções disponíveis com base no catálogo da GIRA.
Uma pesquisa realizada pelo Science Museum Group a partir da análise de objetos de diferentes períodos da história do Reino Unido mostra como suas cores se transformaram com o passar do tempo, deixando os tons vibrantes para trás e ficando cada dia mais cinzas.
A partir do acervo de objetos do Science Museum Group Collection, em uma pesquisa financiada pelo Creative Industries Policy and Evidence Centre (PEC), Cat Sleeman examinou mais de sete mil fotografias de objetos familiares do cotidiano, de máquinas fotográficas a luminárias e outros objetos domésticos, organizando-os em 21 diferentes categorias de acordo com seu uso. A análise foi feita a partir da contabilização de pixels de cores diferentes, e também abordou a forma dos objetos.
Matthew Hamaker, 2017. Imagem cortesia da School of the Art Institute of Chicago
Desde sua fundação em 1866, o design faz parte da missão de criatividade, experimentação e livre expressão da School of the Art Institute of Chicago (SAIC). Seus programas de Mestrado em Arquitetura e Mestrado em Arquitetura com Ênfase em Arquitetura de Interiores proporcionam as habilidades necessárias para o ingresso nas carreiras de design, a ambição de reinventá-las e os valores para orientar futuras lideranças no setor. Estudantes exploram o futuro de como vivemos, trabalhamos e nos comunicamos, cultivando práticas diversas com impacto na cultura e na vida pública.
A SAIC está atualmente com inscrições abertas para seus dois programas de pós-graduação em Arquitetura, ambos credenciados pelo NAAB e com designação STEM:
Após alguns anos atípicos, a agitação do dia a dia na cidade voltou ao que costumava ser: sair de casa e ir para o escritório, pegar o carro, ônibus ou avião, comer algo rápido em um restaurante, passar em um museu ou livraria para respirar novos ares e, se ainda sobrar energia, ir à academia antes de voltar para casa. Em menos de 24 horas, passamos por diversos edifícios com os mais variados ambientes, mas todos eles têm uma coisa em comum: o banheiro.
Projetar um banheiro pode ser uma das tarefas mais desafiadoras e, ao mesmo tempo, estimulantes para arquitetos/as, pois tanto os seus elementos quanto os metais devem proporcionar uma experiência segura e higiênica para quem o utiliza diariamente. Antes mesmo da COVID-19, já existia uma tendência crescente: o uso de torneiras com sensor infravermelho (sem toque). Como o próprio nome sugere, tratam-se de torneiras acionadas por um sensor que detecta o movimento das mãos — quase como mágica.
Chicago, a cidade dos ventos, a Chi-Town ou a segunda cidade. É um lugar conhecido por muitos nomes, mas para arquitetos e urbanistas, é famoso por sua história, que nos deu alguns dos edifícios mais conhecidos e avanços importantes que ajudaram a moldar outras cidades nos Estados Unidos. Desde seu início, Chicago tem servido como um centro arquitetônico inovador.
O lavabo, um espaço que normalmente é utilizado pelas visitas de uma casa ou comércio, pode ser um dos cartões de visita dos proprietários. Como áreas muito pequenas normalmente são as mais difíceis de inovar num projeto de interiores, reunimos aqui alguns exemplos criativos desse ambiente de uso mais público.
Basta um espaço com lavatório com cuba e metal, para ser chamado de lavabo. Aberto e conectado com outros ambientes ou fechado e com uma bacia sanitária em sua área, ao inovar nos materiais, texturas e cores, podem trazer muita personalidade para a residência ou comércio. Abaixo, confira 15 projetos que podem servir de inspiração.
Do momento em que despretensiosamente começou os estudos de arquitetura, até se apaixonar pela complexidade do campo e pela multiplicidade de suas camadas, Johanna Meyer-Grohbrügge ficou impressionada com a natureza dual da arquitetura; seu aspecto intelectual e resultado físico. Fundadora da Meyer-Grohbrügge em Berlim, a arquiteta e seu estúdio buscam espacializar conteúdos, criar relacionamentos e encontrar soluções para a convivência.
Junto a Toshiko Mori e Gabriela Carrillo, Johanna Meyer-Grohbrügge faz parte do novo documentário Women in Architecture, que estreará no dia 3 de novembro de 2022. O filme, realizado por Sky-Frame em colaboração exclusiva com o ArchDaily e direção de Boris Noir, é um catalisador para o debate e reflexão em torno de um dos temas mais urgentes na arquitetura.
O trabalho nos canteiros de obras é uma etapa fundamental na formação do ambiente construído. A maioria dos arquitetos, designers ou engenheiros já se envolveu com canteiros de obras em um momento ou outro e entende a importância de fazer parte dessa etapa do ponto de vista do desenvolvimento do projeto. Trabalhar em canteiros de obras pode ser uma experiência de aprendizado valiosa e permite que as opiniões de vários especialistas sejam levadas em consideração para moldar um ambiente melhor para todos. Partindo desta ideia, e à medida que nos aprofundamos no tema do ArchDaily, Mulheres na Arquitetura, convidamos nossos usuários durante o mês de outubro a compartilhar sua opinião sobre discriminação de gênero nos canteiros de obras.
CASA PALESTRA. Colagem produzida pela autora a partir de imagens retiradas no livro S, M, L, XL e do site do OMA
Não há dúvidas de que a construção do Pavilhão de Barcelona, de Mies van der Rohe, foi desenhada de modo a reafirmar o movimento moderno. Esse "ícone" do movimento, presente no imaginário arquitetônico, foi construído para ser efêmero. Com o fim da Exposição Internacional o pavilhão foi desmontado, entretanto, foi reconstruído 54 anos depois, o que levantou um debate no campo arquitetônico acerca da veracidade dessa réplica.
Os maiores desafios sociais do mundo refletem-se na maneira como projetamos nossos espaços. A privatização do espaço público, a falta de moradia acessível, o design hostil e a segregação espacial são apenas algumas das causas e manifestações mais comuns da desigualdade urbana que caracteriza as cidades contemporâneas. Embora tenha o potencial de reproduzir essas desigualdades, inscrevendo-as ainda mais no espaço, o design também pode atuar no combate à discriminação, impulsionando a equidade e a inclusão.
Illa Glories / CIERTO ESTUDIO. Image Cortesía de CIERTO ESTUDIO
CIERTO ESTUDIO foi fundado por seis jovens arquitetas em 2014. Desde então, a equipe não parou de crescer e consolidar sua prática profissional em Barcelona. Estas seis arquitetas são: Marta Benedicto, Ivet Gasol, Carlota de Gispert, Anna Llonch, Lucia Millet e Clara Vidal.
O estúdio nasceu da pluralidade, portanto seu pensamento é inevitavelmente diverso e isso se reflete em uma metodologia de trabalho colaborativo, sempre buscando a máxima reivindicação arquitetônica e um caráter próprio.
Em termos legais, o espaço viário pertence aos entes federados e, por isso, é encarado como de natureza pública. Todavia, de acordo com a teoria econômica, os diversos bens produzidos pela sociedade apresentam características distintas.
Pavilhão Studio NYALI / ArchiAfrika na Bienal de Veneza 2021. Imagem cortesia de Studio NYALI
Da Bienal de Arquitetura de Tbilisi à Trienal de Arquitetura de Sharjah, as exposições de arquitetura estão cada vez mais presentes nos calendários culturais do mundo contemporâneo. As novas edições aproveitam o caminho trilhado por mostras do passado — e essas exposições históricas moldaram o discurso arquitetônico que temos hoje. Porém, como nasceram de uma estrutura ocidental, há pouca representatividade africana na história dos palcos arquitetônicos das bienais e trienais, reduzindo uma variedade de culturas a apenas uma, com estilos arquitetônicos distintos reunidos de maneira incoerente.
Galeria de arte na rua Trafalgar; Arquivo histórico regional do Garraf; Reforma de habitação no Walden-7, Habitações Sete Vidas - Montagem com fotografias de projetos dos escritórios mencionados
Estamos passando por tempos de grandes transformações, e temos plena consciência disso. O papel da mulher no campo da arquitetura está assumindo cada vez mais relevância e, diferentemente de outras épocas — sem ir muito longe, no próprio século XX —, a figura feminina já não fica escondida atrás da masculina, como aconteceu com Anne Tyng em relação a Louis Kahn ou com Lilly Reich em relação a Mies van der Rohe, para citar apenas alguns exemplos.
O designer e acadêmico Brook Muller é autor do livro Blue Architecture: Water, Design, and Environmental Futures , que apresenta abordagens inovadoras para o desenho urbano focado na água. Perguntamos a ele como uma abordagem "hidro-lógica" da arquitetura poderia nos permitir projetar cidades que melhorem a sustentabilidade hídrica, além de promover uma distribuição mais equitativa de nosso recurso mais vital.
A arquiteta mexicana Rozana Montiel foi reconhecida com o Prêmio Internacional na décima edição do "Award for Women Architects" atribuído pela ARVHA (Associação de Pesquisa sobre Cidades e Habitação) com o apoio da Région Île-de-France, do Conselho Superior dos Colégios de Arquitetos da França (CNOA), o Pavillon de l'Arsenal e a Prefeitura de Paris.
https://www.archdaily.com.br/pt/992373/rozana-montiel-recebe-o-premio-internacional-para-mulheres-arquitetas-2022ArchDaily Team