Dado que os arquitetos da modernidade estavam em busca da pureza da forma, é razoável supor que a imagem desta arquitetura moderna seja quase inevitavelmente representada em branco no imaginário coletivo. Livre de decorações supérfluas, a arquitetura moderna passou a ser associada ao uso predominante de superfícies brancas para destacar a composição volumétrica. Combinada com o conceito de "verdade material" articulado pela primeira vez pelo crítico vitoriano John Ruskin, a arquitetura em cores brancas é frequentemente entendida como direta, clara e franca.
1 De Haro / Perkins&Will. Imagem cortesia de Quebec Wood Export Bureau
Profissionais de arquitetura sempre adaptaram seus projetos aos principais indicadores da construção de sua época. Após décadas de foco na eficiência energética, o carbono incorporado está se tornando rapidamente o principal indicador para a próxima geração de edifícios. No entanto, a maioria de nós está apenas começando a compreender o trabalho da análise de ciclo de vida (ACV), fundamental para avaliar os impactos ambientais dos produtos de construção antes, durante e após a construção.
No competitivo mundo dos restaurantes — especialmente em um momento no qual os influenciadores estão ganhando cada vez mais controle sobre a esfera da alta gastronomia — criar uma experiência memorável de refeição é crucial para atrair e reter clientes. Enquanto fatores como qualidade da comida e serviço desempenham papéis cruciais para fazer com que os clientes voltem ao restaurante de sua escolha, o impacto que os interiores podem ter na longevidade do estabelecimento não deve ser negligenciado. Entre os vários elementos que contribuem para uma atmosfera memorável, a cor se destaca.
Transcender a ideia de um tempo progressivo, linear e ocidental. Criar estratégias de contorno, atravessar limites e escapar das impossibilidades colocadas pelo mundo. Atenta à “política de movimento e movimentos políticos entrelaçados nas expressões artísticas,” a 35ª Bienal de Artes de São Paulo - coreografias do impossívelapresenta, através da intervenção espacial e de sua lista de participantes, modos de se relacionar que expandem os aspectos culturais e sociais que demarcam o sentido – aparentemente insuperável – da crise que enfrentamos como sociedade.
Para se aprofundar em como as questões espacial, territorial e arquitetônica se colocam na próxima edição de uma das maiores e mais importantes exposições de arte do mundo, conversamos com o coletivo de curadores* formado por Diane Lima, Grada Kilomba, Hélio Menezes e Manuel Borja-Villel.
O que é a cidade? E o contrário de mata. O contrário de natureza. A cidade é um território artificializado, humanizado. A cidade é um território arquitetado exclusivamente para os humanos. Os humanos excluíram todas as possibilidades de outras vidas na cidade. Qualquer outra vida que tenta existir na cidade é destruída. Se existe, é graças à força do orgânico, não porque os humanos queiram.
Fui criado numa casa de chão batido, onde andava descalço. As galinhas e os outros animais conviviam conosco dentro de casa. Quando uma galinha estercava na casa de chão batido, a parte úmida do esterco, das fezes da galinha, era absorvida pela terra. Tirávamos a parte sólida e jogávamos no quintal para servir de adubo. Para o povo da cidade, isso é um horror. Pisar as fezes da galinha? Impossível! Tem que ter uma cerâmica bem lisinha para poder enxergar qualquer outra vida, qualquer outro vivente que estiver ali, para poder desinfetar e matar qualquer microrganismo. Matar até o que não se vê. Para andar descalço, é preciso desinfetar o chão: a cerâmica foi criada porque os humanos não podem pisar a terra. Os calçados foram criados porque os humanos não podem pisar a terra. Porque a terra é o anseio original.
https://www.archdaily.com.br/pt/1004170/cidades-e-cosmofobiaAntônio Bispo dos Santos
À medida que reconhecem a crescente importância da inovação no cenário empresarial de hoje, os escritórios de arquitetura estão passando por uma transformação. Empresas de diversas indústrias também começaram a valorizar o impacto do design na resolução de desafios, graças ao sucesso de startups focadas neste âmbito, como o Airbnb. Tradicionalmente confinados ao desenho de estruturas físicas, os escritórios de arquitetura estão ampliando seu escopo e abraçando a pesquisa e a inovação como elementos integrais de seu processo de projeto. Com a criação de divisões de pesquisa e inovação, esses escritórios não apenas aprimoram suas próprias práticas, mas também oferecem sua expertise para lidar com as necessidades em constante evolução de nossa era — desde avanços humanos e tecnológicos até inovação estratégica.
Infraestudio é uma prática de arquitetura e arte radicada em Havana, Cuba, que tem se mantido obcecada pela ficção desde a sua fundação em 2016. Fernando Martirena, Anadis González, entre outros membros e colaboradores, trabalham com o narrativo e o discursivo em diferentes frentes: do projeto de edifícios, a pesquisas, exposições, textos e ativismo. Isso lhes permite operar discretamente em uma cidade singular, mostrando como é fazer arquitetura contemporânea em Cuba.
Por esses motivos, o Infraestudio foi selecionado pelo ArchDaily como uma das melhores novas práticas de arquitetura de 2023. Eles preocupam-se em criar uma arquitetura que se esconde na paisagem, mostrando o vazio como representação de uma ideia, não pensando em formas, mas em estratégias, e construindo com o mínimo necessário.
Nos últimos anos, o foco em materiais sustentáveis, alinhados à agenda ecológica e de baixo carbono se intensificou na indústria da arquitetura. Em meio a esse interesse, a arquitetura derivada do cânhamo está gradualmente ganhando força e escala global. Materiais à base de cânhamo surgiram como uma alternativa favorável aos industrializados tradicionais, apresentando uma infinidade de benefícios que poderiam revolucionar a indústria da construção. Apesar de sua grande promessa, vários obstáculos impedem a adoção generalizada do cânhamo, inibindo seu potencial transformador na indústria da construção.
O ano era 1969. Lina Bo Bardi vagava pelo bairro paulistano do Bixiga, que na época mais parecia uma zona de guerra. As clareiras e pilhas de escombros eram resultado de uma urbanização violenta que cortava a região sob a forma do complexo viário leste-oeste de São Paulo.
Nesse contexto, Lina recolhia objetos pessoais encontrados nos entulhos, catava o que havia de mais sórdido, como Zé Celso, diretor e criador do Teatro Oficina, afirmou em entrevista. Essa operação tinha um motivo, compor o cenário da peça Na selva das cidades, desenhado pela própria arquiteta. Nela, conformava-se um palco em forma de ringue de boxe materializado pelos entulhos das demolições ocorridas no entorno do teatro. Uma peça dividida em 11 rounds no qual em cada um deles destrói-se uma instituição até destruir o próprio ringue. No final, os atores retiram o até o piso do teatro e chegam na terra.
Questões ambientais se colocam como o grande tema para a arquitetura há alguns anos. A iminente escassez de recursos naturais e a conscientização acerca dos danos ambientais da indústria construtiva têm forçado o campo profissional a posicionar-se e desenvolver soluções que mitiguem o impacto da área de atuação no planeta. O desenvolvimento de novas tecnologias que possibilitam materiais mais sustentáveis é fundamental, mas esse incentivo pode (e deve) partir do ponto inicial da prática arquitetônica: o projeto.
No seu livro Curadoria: o poder da seleção no mundo do excesso, Michael Bhaskar define curadoria como "usar atos de seleção e organização (mas também refinar, reduzir, exibir, simplificar, apresentar e explicar) para agregar valor." Originário da palavra latina "curare", que significa "cuidar", o papel do curador em dissecar nossa compreensão do mundo ao nosso redor não pode ser negligenciado. Ao longo do tempo, à medida que a definição se transforma, a prática da curadoria continua a evoluir, desempenhando o papel de cuidadora de nosso ambiente construído.
Bem-estar, combate ao sedentarismo, saúde mental e, até mesmo, inclusão social. Ao ser palco de práticas esportivas e culturais, os ginásios possuem um relevante papel para a sociedade. Pensar este espaço de forma adequada para receber esportistas e a comunidade de forma confortável, ao mesmo tempo que se busca por um diálogo com o entorno e uma identidade própria, é papel do arquiteto por trás do projeto.
Este artigo é o quinto de uma série focada na Arquitetura do Metaverso. O ArchDaily colabora com John Marx, arquiteto, fundador e diretor artístico-chefe da Form4 Architecture, para trazer artigos mensais que buscam explorar o Metaverso, transmitir o potencial desse novo domínio e entender suas limitações.
Os escritores de ficção científica nos inspiram com visões audaciosas e provocativas do futuro. Huxley, Orwell, Assimov e Bradbury são nomes que facilmente vêm à mente. Eles imaginaram grandes avanços tecnológicos e muitas vezes previram mudanças na estrutura social que foram resultado da necessidade humana de abrir a Caixa de Pandora. Grande parte do charme e fascínio da ficção científica está na audácia de algumas dessas previsões. Elas parecem desafiar as leis da natureza e da ciência. Então, mais rápido do que se poderia imaginar, o espectro da inventividade humana faz com que se tornem realidade.
Já pensou na possibilidade de não existirem mais pessoas em situação de rua? Os Estados Unidos pensaram e países como Canadá, Espanha, Portugal, França e Dinamarca seguiram a onda, incluindo a metodologia do Housing First em suas estratégias nacionais para resolver a situação.
A fórmula consiste em fornecer exatamente o que lhes falta: moradia e conexão. Os resultados são consistentes e, para completar, benéficos para os cofres públicos. No Brasil, o Projeto RUAS está testando o modelo e busca recursos para expandi-lo. A ideia da ONG é entender como ele se adapta à nossa realidade e, futuramente, sugeri-lo ao poder público.
As cidades ocupam apenas 3% da superfície do planeta, mas são responsáveis pela maior parte do consumo global de energia e das emissões de carbono. Muitas também são mais vulneráveis às mudanças no clima e aos desastres naturais devido à densidade populacional e à interconexão entre as infraestruturas. Para evitar os piores impactos das mudanças climáticas – incluindo perdas humanas, sociais e econômicas –, sabemos que é fundamental tornar as cidades mais resilientes e preparadas para o clima em transformação. Mas estudos recentes indicam que ainda estamos longe disso.
Da teoria das cores de Le Corbusier às propostas estéticas da Bauhaus, as cores desempenharam um papel essencial ao longo da história arquitetônica. No entanto, estamos no limiar de uma nova era de inovação, na qual o significado, a aplicação e o impacto das cores na arquitetura também estão em transformação. Com isso, novas questões surgem: novos materiais e acabamentos poderiam revolucionar a paleta de cores? Quais as possibilidades de coloração em espaços virtuais? Quais serão as próximas tendências de cor no mundo do design de interiores?
Há uma percepção na sociedade de que o número de pessoas em situação de rua tem crescido no Brasil. Para compreender melhor o tema, o Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua, criado no âmbito do Programa Polos de Cidadania, da Universidade Federal de Minas Gerais, compilou dados de milhares de municípios em uma série histórica que vai de 2012 a 2021. Infelizmente, os dados indicam que esse problema realmente vem se agravando em nosso país.
https://www.archdaily.com.br/pt/1004546/o-que-dizem-os-dados-sobre-a-populacao-de-rua-no-brasilAndré Sette e Anthony Ling
Em seus primórdios, a arquitetura baseava-se exclusivamente na orientação, na luz solar e nos elementos naturais que a influenciavam. Naquela época, não se cogitava a manipulação de fenômenos físicos como a eletricidade. Com o tempo, os avanços científicos, como a descoberta da energia elétrica e suas futuras aplicações nos edifícios, integraram-se ao nosso modo de vida e à maneira como habitamos e vivenciamos os espaços. Hoje em dia, é impensável conceber a arquitetura sem sistemas de ventilação, aquecimento ou simplesmente eletricidade. No entanto, com o acelerado crescimento das cidades nos últimos anos, o aumento da demanda por energia e a crescente sofisticação dos sistemas elétricos, as sobretensões elétricas (aumentos repentinos de tensão) tornaram-se um desafio moderno que precisamos enfrentar.
Muitas dessas sobretensões são de caráter transitório e representam uma das principais ameaças à integridade dos dispositivos elétricos e eletrônicos, bem como à continuidade da alimentação elétrica nos edifícios em geral. À medida que os equipamentos eletrônicos se tornam cada vez mais sensíveis, os setores residencial, comercial e industrial passam a depender mais de seus sistemas de controle e comunicação, o que os torna mais suscetíveis a sobretensões transitórias. Em resposta a esses eventos, a ABB desenvolveu uma ampla gama de dispositivos de proteção contra surtos (Surge Protective Devices).
https://www.archdaily.com.br/pt/1138420/como-proteger-edificios-contra-o-aumento-de-tensao-eletricaEnrique Tovar
La Fábrica, icônico projeto de Ricardo Bofill, é um testemunho do poder transformador da arquitetura. Localizada nos arredores de Barcelona, essa criação mostra a notável metamorfose de uma fábrica de cimento abandonada em uma impressionante obra-prima arquitetônica.
https://www.archdaily.com.br/pt/1004811/la-fabrica-de-ricardo-bofill-uma-mistura-harmonica-de-passado-e-presenteArchDaily Team
Após uma pausa de três anos, o festival de construção da Hello Wood está de volta para receber estudantes, arquitetos e jovens profissionais de todo o mundo para participar do camp de construção de 10 dias e testar suas habilidades de construção em madeira, além de aprender a participar ativamente do projeto e da construção no próprio local. Pela primeira vez na história do evento, o workshop deste ano acontece em um novo local, uma cratera de uma pedreira de basalto abandonada na montanha Haláp, na Hungria. O workshop também se alinha e apoia o título de Veszprém de Capital Europeia da Cultura de 2023, que também inclui mais de uma centena de outras vilas e cidades em toda a região de Bakony-Balaton. O evento aconteceu entre 6 e 15 de julho, culminando num festival de música de dois dias aberto a todos.
Com sua mistura única de forma, função e sustentabilidade, a arquitetura de bambu se destaca devido às suas geometrias complexas, espacialidade tridimensional e grande dependência da habilidade artesanal. Durante muitos anos, os modelos físicos foram centrais para materializar as visões dos arquitetos e transmitir projetos intricados aos artesãos habilidosos responsáveis pela construção. Agora, estamos no meio de uma mudança de paradigma. A revolução digital está trazendo ferramentas de design assistido por computador e design paramétrico para o primeiro plano, desbloqueando o potencial do bambu de maneiras nunca antes imaginadas. Essa evolução apresenta possibilidades empolgantes e novos desafios tanto para os construtores quanto para os artesãos.
A pergunta crucial agora é: podemos traduzir efetivamente essas inovações em design de ponta para o mundo prático dos artesãos que dão vida a essas visões? Em um recente curso de construção e design de 11 dias no Bamboo U, nos mergulhamos em um mundo onde a tecnologia encontra a tradição, experimentando a mistura inovadora da construção de bambu e tecnologias de realidade aumentada (AR). Guiados pela experiência do Dr. Kristof Crolla e Dr. Garvin Goepel, da Universidade de Hong Kong e da Universidade Chinesa de Hong Kong, embarcamos em uma jornada emocionante para construir não uma, mas duas, encantadoras cúpulas de concha de grade, sob o auxílio de instruções holográficas. Neste artigo, exploramos essa dinâmica interseção entre tradição e tecnologia no mundo da arquitetura de bambu a partir da perspectiva do Bamboo U.
De fato, diante das mudanças climáticas, parece bem razoável voltarmos a valorizar nas construções aspectos como ventilação e iluminação naturais, por exemplo, tal qual se fazia no passado — e, com isto, reduzir o consumo de energia e a produção de gases de efeito estufa.
https://www.archdaily.com.br/pt/1004818/urbanismo-sustentavel-de-volta-para-o-futuroVitor Meira França
Lo-tech Augmented Reality. Image Courtesy of James Corbett
Os softwares de realidade aumentada (RA) têm marcado presença entre as ferramentas profissionais de projeto há algum tempo. Mas o recente lançamento dos óculos Vision Pro da Apple mostra que o setor de dispositivos vestíveis de realidade mista está ganhando espaço também nos mercados de consumo, à medida que uma das maiores marcas mundiais de design e tecnologia entra nesse ramo.
Uma das principais razões para a imensa expectativa em torno da incursão da Apple no hardware de RA/RV é a decisão de posicioná-lo como "computação espacial". Ao utilizar a complexidade da realidade aumentada para aprimorar um setor familiar ao consumidor - a computação pessoal - a marca sediada em Cupertino simplificou toda a experiência, ampliando sua compreensão e apelo.
Com a ascensão das casas compactas e das cidades densas, fomos forçados a abrir mão de uma quantidade significativa de espaço de armazenamento. Ironicamente, nossos hábitos de consumo não mudaram e, com poucos metros quadrados à disposição, arquitetos/as e designers tiveram que desenvolver soluções de armazenamento eficientes para aproveitar ao máximo o espaço limitado. Por outro lado, para quem tem a sorte de ocupar um espaço amplo e desobstruído com um orçamento generoso, as possibilidades de design são infinitas. Neste artigo, analisamos como profissionais da arquitetura e do design encontraram maneiras criativas de guardar pertences em espaços com diferentes funções, escalas e restrições espaciais, variando de armários completamente invisíveis a peças centrais escultóricas.