
A relação entre o ser humano e a máquina é, há muito tempo, complexa e cheia de nuances, especialmente para artesãos e artesãs contemporâneos. Embora as máquinas sejam frequentemente vistas como ferramentas capazes de aumentar a produtividade, a comparação entre as mãos humanas e a eficiência mecânica pode ser enganosa. Com sua capacidade de realizar tarefas de forma precisa e incansável, as máquinas podem acabar ofuscando as qualidades únicas que definem o fazer artesanal humano.
Diferentemente das máquinas, os seres humanos são inerentemente imperfeitos, e é justamente essa imperfeição que fomenta a criatividade e a autoexpressão. Ao repetir uma tarefa manualmente, as pessoas o fazem seguindo um ritmo, guiadas por uma consciência e uma compreensão que transcendem a mera repetição mecânica. Esse ritmo não é apenas um padrão físico, mas sim o reflexo da unidade entre mente, mão e olhar—uma conexão que as máquinas são incapazes de replicar. O ato de fazer, com todas as suas sutis variações e imperfeições, é o que confere significado e valor ao trabalho humano.
O Roboceramic é um projeto de pesquisa e crítica que explora o uso de máquinas na indústria da construção. O trabalho foi desenvolvido junto a estudantes da disciplina de Aplicações Digitais Avançadas da Universidad La Salle, na Cidade do México, em colaboração com a Novaceramic, empresa local com mais de 30 anos de experiência em produtos cerâmicos estruturais para a construção civil. Para este projeto, a equipe de design utilizou o tijolo modelo King (com dimensões de 24,45 x 6,03 x 6,67 cm) para erguer uma coluna. Metade da estrutura foi construída manualmente, evidenciando os desafios desse processo, enquanto a outra metade foi montada de forma robótica para explorar e compreender as potencialidades dos métodos automatizados.





