
O modernismo sempre quis conciliar duas posturas opostas: por um lado, a arquitetura modernista deveria ser, em teoria, igual em todos os lugares; essa é uma das razões pelas quais o modernismo na arquitetura também foi chamado de Estilo Internacional. Se todos os edifícios modernistas parecem iguais, ao ver um, você viu todos: não há necessidade de viajar mais. No entanto, ao longo do século XX, a cultura e a tecnologia modernistas apoiaram e favoreceram entusiasticamente as viagens. Nos anos 1960, viajamos à Lua, e a aviação civil encolheu o mundo. Na cultura modernista, viajar era algo positivo. Tornava as pessoas que viajavam seres humanos melhores e mais felizes. Era bom aprender línguas estrangeiras e visitar lugares distantes. As viagens no auge do modernismo não eram apenas boas; eram também descoladas. O *jet set* dos anos 1960 era composto pelas pessoas mais descoladas do mundo. Mesmo no final do século XX, a expectativa geral era de que as viagens sem fronteiras e sem interrupções continuariam a se tornar cada vez mais fáceis e frequentes. A maioria das pessoas da minha geração na Europa cresceu aprendendo duas ou mais línguas estrangeiras, e até pouco tempo não era incomum nascer em um país, estudar em outro e encontrar o primeiro emprego em um terceiro. Isso era visto como uma oportunidade, não como uma privação.
Mas isso acabou. Os tempos mudaram e a maré virou. Inverta a tendência acima e volte à estaca zero — ou talvez ainda mais atrás. Viajar hoje é visto com desdém; não é mais descolado. Se você diz que viaja — não importa o motivo: pessoal ou profissional, turismo ou trabalho —, as pessoas "descoladas" olham para você com desdém. Algumas pessoas extremamente descoladas podem até deixar de falar com você. Se você viaja para ganhar a vida, é visto como um fracasso. Se viaja para conhecer lugares ou para aprender, você é visto como um inimigo do planeta.





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