Mario Carpo

NAVEGUE POR TODOS OS PROJETOS DESTE AUTOR

A pandemia mudou tudo — ou assim pensávamos

O texto a seguir foi elaborado em resposta à proposta inicial da série “Post-Pandemic Potentials” da revista The Architect's Newspaper.

Há apenas algumas semanas, enquanto estava em isolamento voluntário em Londres durante o período mais sombrio e difícil da pandemia, eu estava entre as muitas pessoas que viam a catástrofe em andamento como o colapso final da era mecânica — ou, mais precisamente, daquele período da história da revolução industrial que hoje costuma ser chamado de Antropoceno, caracterizado pela produção em massa padronizada, pelo transporte mecânico global e pela queima ilimitada de combustíveis fósseis. Todos pensávamos que o fim do Antropoceno seria provocado, gradualmente, pelo aquecimento global — o que talvez nos desse tempo para mitigar ou neutralizar as consequências das mudanças climáticas e do esgotamento dos recursos naturais. Em vez disso, o fim do ambiente construído pelas máquinas veio de repente, no espaço de duas semanas, não por meio das mudanças climáticas e do aquecimento global, mas sim por meio de uma mutação viral e de uma infecção global. Quando a COVID-19 surgiu e vários confinamentos nacionais entraram em vigor (por volta de meados de março na Europa), toda a infraestrutura do mundo industrial como o conhecíamos parou de repente: os aviões deixaram de voar, as fábricas pararam de produzir, escolas, lojas e escritórios foram esvaziados e abandonados. Mesmo assim, a vida continuou, de alguma forma, para quem não estava infectado, porque a agricultura, a produção artesanal local, a distribuição de alimentos, os serviços essenciais, as telecomunicações e, crucialmente, a internet continuaram funcionando.

A febre dos anos 1970: por que os/as jovens arquitetos/as de hoje estão fascinados/as por tecnologias vintage

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Designers têm demonstrado fixação pela cultura visual que deu origem aos relógios de pulso Casio e ao Superstudio. Mario Carpo investiga os motivos por trás disso.

A era das viagens acabou

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O modernismo sempre quis conciliar duas posturas opostas: por um lado, a arquitetura modernista deveria ser, em teoria, igual em todos os lugares; essa é uma das razões pelas quais o modernismo na arquitetura também foi chamado de Estilo Internacional. Se todos os edifícios modernistas parecem iguais, ao ver um, você viu todos: não há necessidade de viajar mais. No entanto, ao longo do século XX, a cultura e a tecnologia modernistas apoiaram e favoreceram entusiasticamente as viagens. Nos anos 1960, viajamos à Lua, e a aviação civil encolheu o mundo. Na cultura modernista, viajar era algo positivo. Tornava as pessoas que viajavam seres humanos melhores e mais felizes. Era bom aprender línguas estrangeiras e visitar lugares distantes. As viagens no auge do modernismo não eram apenas boas; eram também descoladas. O *jet set* dos anos 1960 era composto pelas pessoas mais descoladas do mundo. Mesmo no final do século XX, a expectativa geral era de que as viagens sem fronteiras e sem interrupções continuariam a se tornar cada vez mais fáceis e frequentes. A maioria das pessoas da minha geração na Europa cresceu aprendendo duas ou mais línguas estrangeiras, e até pouco tempo não era incomum nascer em um país, estudar em outro e encontrar o primeiro emprego em um terceiro. Isso era visto como uma oportunidade, não como uma privação.

Opinião: Um apelo pela história da arquitetura

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Opinião: Um apelo pela história da arquitetura - Image 1 of 4
Cortesia do usuário do Wikimedia Quibik PD. ImagemUma elevação de toda a Acrópole vista do oeste; embora o Partenon domine a cena, ele é, no entanto, apenas parte de uma composição maior. ImagemCortesia do usuário do Wikimedia Quibik (Domínio Público)

Este artigo foi publicado originalmente na Metropolis Magazine como "Opinião: Não podemos continuar ensinando a mesma história da arquitetura de antes."

Estudantes de arquitetura da minha geração — os últimos dos baby boomers, que ingressaram na faculdade na Europa ou nas Américas no final dos anos 1970 — tinham ótimos motivos para valorizar a história da arquitetura. Na época, parecia haver um consenso de que o projeto modernista estava fracassando de forma evidente. Monstros do modernismo tardio causavam estragos em cidades e territórios pelo mundo, e a reação mais imediata e instintiva contra o que muitos viam como uma catástrofe em andamento era tentar resgatar tudo o que o alto modernismo do século XX havia expulsado da cultura do projeto: a começar pela história. Desenhei meu primeiro capitel dórico, por volta de 1979, em um estúdio de projeto, e não em uma aula de história (e meu tutor imediatamente mandou que eu o raspasse, o que fiz).

Esqueça o "Pós-Digital": Por que a inovação tecnológica na arquitetura está apenas começando

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Este artigo foi publicado originalmente pela Metropolis Magazine como "O pós-digital será ainda mais digital, afirma Mario Carpo."

Apresentações ou lançamentos de livros são relíquias de um passado distante. Há quem argumente que o mesmo se aplica aos próprios livros impressos; contudo, ainda lemos e escrevemos livros, não importa em qual formato, ao passo que não vejo muitos motivos para continuar a apresentá-los em livrarias físicas ou espaços semelhantes. Amigos do mercado editorial me dizem que um único tweet, ou uma hashtag de sucesso no Instagram, pode vender mais exemplares do que um evento de lançamento—e com certeza a um custo menor. Além disso, um dos aspectos mais intrigantes dos lançamentos de livros é que, tradicionalmente—e lembro-me de que já era assim quando eu era estudante—, uma parcela significativa do público presente tende a ser visceral e vocalmente hostil ao tema da obra apresentada. Por que leitores e leitoras que não gostam de um livro por uma simples questão de princípio dedicariam seu tempo a lê-lo na íntegra para depois descarregar sua fúria contra o/a autor/a, eu não saberia dizer; seja como for, tendo publicado no outono passado um livro intitulado The Second Digital Turn: Design Beyond Intelligence, tive inúmeras oportunidades, ao longo dos últimos meses, de colher um vasto repertório de clichês tecnofóbicos. Entre eles, destaca-se, pela sua total excentricidade, a objeção de que a inovação digital já teria esgotado seu ciclo: tendo se adaptado e adotado novas ferramentas e tecnologias, arquitetos e arquitetas teriam seguido em frente, finalmente livres para retornar às coisas que realmente lhes importam (quaisquer que sejam).