
Cerca de um mês antes de lançar seu oitavo álbum, Ye, em junho, Kanye West voltou a ser assunto no meio arquitetônico com o inesperado e misterioso anúncio de que pretende contratar arquitetos/as e designers industriais para integrar um escritório de arquitetura vinculado à sua marca, a Yeezy. Fã declarado e admirador da arquitetura contemporânea, os projetos de moda e design de Kanye têm sido um de seus principais focos desde que o prodígio da produção musical começou a lançar seus próprios álbuns de rap. Suas ambições na área têm sido um elemento interessante na relação entre a arquitetura e a cultura rap — uma conexão que começa a ganhar contornos mais nítidos por meio de iniciativas como os Hip Hop Architecture Camps, organizados pelo Urban Arts Collective de Michael Ford, e pelas pesquisas de Sekou Cooke. Arquitetura e rap vêm influenciando-se mutuamente de maneiras que apenas agora começamos a perceber, manifestando-se inclusive de forma consciente e deliberada quando artistas do rap incluem referências a grandes nomes da arquitetura em suas rimas.

Embora o público do hip-hop talvez não reconheça esses nomes com a mesma facilidade que identifica grifes como Gucci ou Prada, o fato de rappers mencionarem profissionais da arquitetura reflete uma evolução interessante na relação entre a disciplina e a cultura pop. No fluxo acelerado das letras de rap, referências diretas costumam ser simplificadas e abstraídas para representar um conceito único. Assim, ao citar um/a arquiteto/a, a intenção costuma ser simbolizar o prestígio de um gênio criativo consagrado ou tratar a obra de um/a designer específico/a como um item de luxo exclusivo e praticamente inalcançável, equiparável a marcas de alta costura e carros superesportivos.
