
O laureado com o Prêmio Pritzker Tadao Ando afirma que, se existe uma busca constante em sua obra, esta é pela luz. A maestria com que o arquiteto manipula a iluminação permite que os/as visitantes experimentem transformações sutis ao longo de seu percurso. Em alguns momentos, as paredes aguardam serenamente o instante de revelar reflexos; em outros, a luz refletida pela água projeta-se sobre as superfícies da edificação, conferindo-lhes vida. Ao fundir o vocabulário da arquitetura tradicional japonesa com o modernismo, Ando deu uma contribuição fundamental ao regionalismo crítico. Suas obras respeitam o contexto de cada terreno, vinculando o conceito de identidade local ao espaço, aos materiais e à luz, o que se evidencia em projetos como a Igreja da Luz, a Casa Koshino e o Templo da Água Hompukuji. A luz difusa que atravessa as divisórias de papel shoji no Japão encontra uma interpretação muito distinta em outras culturas — como, por exemplo, no feixe de sol que despenca do óculo na cúpula do antigo Panteão de Roma. A rica imaginação de Ando resulta em sequências espaciais de luz e sombra, claramente expressas em seu projeto para a Fundação de Arte Contemporânea Pinault.
