
A busca por reflexões sobre a cidade contemporânea invariavelmente esbarra nas limitações colocadas pelos métodos do Movimento Moderno. As ciências clássicas e seus métodos deterministas, que orientaram — e ainda orientam — o urbanismo desse tempo, descrevem os fenômenos do mundo por meio de relações fortes de causalidade e, consequentemente, os define em leis universais redutoras, que excluem contradições e incertezas. O resultado frequente dessas perspectivas é um mundo idealizado e mecanicista, que nega as complexidades da natureza real de fenômenos, como por exemplo, as cidades.
O italiano Bernardo Secchi enfatizava sua preocupação com a simplificação do funcionamento urbano promovida pelo Movimento Moderno, apontando a necessidade de construir um novo olhar sobre a cidade contemporânea [1]. Isso significa superar a imagem da cidade-máquina e do planejamento controlador, que desviaram por muito tempo o debate sobre questões críticas essenciais do urbanismo. A ilusão de um controle completo sobre a morfologia urbana e suas dinâmicas resultou em uma percepção equivocada de estabilidade e funcionalidade promovida por zoneamentos e hipercodificações.
Contra essas limitações, vemos o surgimento de alternativas metodológicas não definidas por modelos simplificadores, mas que reconhecem o caráter evolutivo do mundo, ao invés de idealizar ordem e equilíbrio, e consideram a possibilidade de dinâmicas complexas e não-lineares, imprevisíveis. Aponta-se aqui, particularmente, modelos conceituais construídos a partir de abordagens sistêmicas e do campo conhecido como complexidade.
