
Quando os primeiros raios de sol atingem a superfície da cidade sueca de Jukkasjärvi, no momento em que o inverno dá lugar a primavera, este hotel de gelo começa a derreter. São quinhentas toneladas de água que escorrem rumo ao Rio Torne. O que antes eram paredes, pisos e tetos, agora são gotas de água em busca do seu curso natural. Nessa cena que acontece todos os anos desde 1989, tudo é contradição. A solidez e a longevidade da construção, a efemeridade e a transitoriedade da escultura de gelo.
No final da década de 80, nessa cidade localizada a 200 km do Círculo Polar Ártico, Yngve Bergqvist, fundador do Icehotel, inspirou-se na tradição japonesa de esculpir gelo e convidou dois profissionais da área para um workshop. Durante o inverno, foi construído um iglu com 60 metros quadrados, o qual recebeu o nome de ARTic Hall e servia como galeria de arte. Nos anos seguintes, além das exposições artísticas, o espaço acomodava também eventos religiosos e projeção de filmes. Uma noite, um grupo de convidados perguntou se poderia passar a noite no ARTic Hall e, equipados com cobertores feitos com pele de rena e sacos de dormir, adoraram a experiência. Nascia assim a ideia do hotel de gelo.









