Com mais de 80% de sua população vivendo em centros urbanos e uma densidade nacional que supera 500 pessoas por quilômetro quadrado — chegando a mais de 15.000 em Seul —, a Coreia do Sul enfrenta uma disputa acirrada por terras aproveitáveis. Diante disso, a arquitetura contemporânea sul-coreana oferece exemplos contundentes de intervenções de uso misto que lidam com lotes urbanos estreitos para articular engajamento público e utilidade de alta eficiência. Ao sobrepor verticalmente programas distintos, integrando centros de arte pública, sedes corporativas e polos comerciais a funções residenciais e outras atividades, esses empreendimentos multifacetados transformam restrições espaciais em interfaces urbanas dinâmicas.
O conceito de museu historicamente suscita reflexões sobre identidade, representação e estruturas institucionais. Atualmente, os museus são concebidos como espaços cada vez mais complexos, que combinam áreas de exposição com outras funções culturais e educativas, estimulando o engajamento cívico, a experimentação artística e a responsabilidade arquivística. Ao longo deste ano, inúmeros projetos de museus foram anunciados e avançaram em várias regiões do mundo, com cronogramas de conclusão que se estendem, em sua maioria, de 2026 a 2030. A essa variedade soma-se a ampla gama de conceitos desenvolvidos no campo das ideias, propostas e especulações. É nesse território que se insere esta seleção de projetos enviados pela comunidade de leitores do ArchDaily: propostas cujos desenhos expandem os limites da nossa imaginação.
Cada vez mais raramente o patrimônio em interiores resume-se a uma questão de mera preservação. Com mais frequência, ele se manifesta como fricção: o encontro entre o que um edifício já é — a lógica de sua planta, suas cicatrizes, suas inconsistências estruturais — e o que a vida contemporânea dele exige.
Alguns dos projetos mais potentes da atualidade não são aqueles que "restauram" um interior de volta a um momento específico, nem os que apagam o passado sob uma nova pele homogênea. São, antes, aqueles que encenam uma relação entre o antigo e o novo — permitindo que o contraste vá além do mero relato histórico, e fazendo do embate uma ferramenta pragmática de viabilidade construtiva, orçamentária e de execução.
Permanecer temporariamente em um local ao ar livre, instalar-se de maneira provisória, assentar-se em um campo. As definições do verbo acampar presentes nos dicionários indicam duas características fundamentais para a prática: natureza e temporalidade. Na arquitetura, as tendas materializam essas qualidades configurando uma tipologia que atravessa séculos e culturas sendo, sobretudo, associada a precariedade e fragilidade.
Diante dessa constatação comum, no início dos anos 2000 surgiu a palavra glamping como uma junção entre camping e glamour, sugerindo aliar a prática do acampamento com comodidades luxuosas. No entanto, apesar da popularização, a ideia está longe de ser original. Nem sempre o ato de acampar foi entendido como o oposto do luxo.
Alguns materiais mudam a história da arquitetura a partir do momento que começam a ser empregados. Os primeiros materiais usados na construção certamente o fizeram: barro, pedra, madeira. A possibilidade de construir pode ser considerada a origem da disciplina. Com o desenvolvimento tecnológico, as técnicas também se apuraram e, no século XIX, a industrialização disseminou o uso de outros materiais, alterando e ampliando a possibilidade construtiva: ferro e vidro.
O Congresso Mundial da UIA deste ano aconteceu em Durban, África do Sul, e contou com a participação de muitos escritórios respeitados. Representando a Coreia do Sul estavam Kang Jun Lee e Yung A Kim do Studio Origin, cujo pavilhão destacava a cidade de Seul. Criado para anunciar a cidade como sede do Congresso Mundial de 2017, o projeto cuidadosamente concebido oferecia espaço para diversos expositores promocionais. Veja a seguir os detalhes da estrutura.
As Autoridades de Busan Port (BPA) selecionaram o Consórcio SYNWHAcomo vencedor do concurso internacional para o empreendimento Busan North Port, na Coreia do Sul. A proposta vencedora é um "Pier Interativo" que pretende transformar o porto original em um centro cultural que celebra a união de montanhas, rio e mar, ao passo que cria conexões dinâmicas entre a cidade de Busan e sua costa.
Atualmente a Coréia apresenta um exemplo extremos de polarização pós-guerra: dois sistemas políticos e econômicos opostos, constantemente apresentados em contraste/conflito pela mídia global, que ainda mantém uma relação estreita e complicada. O papel da arquitetura nessa polarização foi instrumental. A Coréia do Norte buscou representar as aspirações de uma nova nação comunista num contexto devastado após a guerra - a tabula rasa a partir da qual as adaptações do modernismo poderiam surgir. Na Coréia do Sul, o rápido crescimento econômico alimentou uma forma de modernização que representava os ideais de um mundo globalizado.
Estas distintas absorções da modernidade, e a relação entre estas duas nações vizinhas, estão representadas no Pavilhão da Coréia através de uma exposição chamada Crow’s Eye View, vencedora do Leão de Ouro na Bienal de Veneza 2014. A densa exposição, com curadoria de Minsuk Cho juntamente com Hyungmin Pai e Changmo Ahn, utilizou cada canto do pavilhão para representar o tema. Os curadores convidaram um grupo multidisciplinar de arquitetos, urbanistas, poetas, escritores, artistas, fotógrafos, cineastas, curadores e colecionadores a demonstrar (graças às suas disponibilidades, já que cooperações oficiais com instituições da Coréia do Norte se provaram impossíveis) as interseções e divisões arquitetônicas entre as Coréias do Norte e do Sul.
Reconhecida pelo júri como "pesquisa em ação", Crow’s Eye View proporcionou uma adição valiosa a um discurso que vem sendo predominantemente efetivado por narrativas ocidentais. E é precisamente isso que, segundo rumores, fazem deste o pavilhão favorito de Koolhaas.