Fábricas, abatedouros, gasômetros, conventos, torres de água e estações ferroviárias são alguns exemplos de estruturas que podem ter permanecido no tecido urbano das cidades com o passar dos anos, ainda que tenham perdido seu uso original. A reutilização de uma edificação preexistente para novos usos é o que ficou conhecido como reuso adaptativo - do inglês adaptive reuse. Ainda que não tenha sido uma concepção contemporânea, a prática vem sendo muito adotada nos últimos anos como estratégia para lidar com os espaços de forma mais econômica, sustentável, prática e eficiente.
Podemos inicialmente apreender o conceito de revitalização como uma prática projetual ou um processo socioespacial liderado estrategicamente por determinados grupos associados ao planejamento urbano contemporâneo. A estruturação da cidade contemporânea depende, de acordo com Meyer (2000), de grandes projetos urbanos estratégicos. O valor estratégico de tais projetos está subordinado, segundo a autora, à sua capacidade de provocar transformações significativas no espaço metropolitano, aumentando seu poder de atratividade e influência. Mais do que simplesmente melhorias urbanas pontuais e específicas, o planejamento urbano contemporâneo se revela, na intencionalidade de seus defensores, como um instrumento capaz de promover a agregação do território metropolitano e de organizar os fluxos que evitam a dispersão funcional e espacial.
Ao longo da história de um edifício, é possível que este assuma funções diferentes daquela para a qual foi originalmente pensado. É o caso, por exemplo, das casas que viraram museus, seja por terem se tornado ícones da arquitetura, seja porque em algum momento perderam sua função original e passaram por uma renovação para abrigar um espaço expositivo.
Um dos mais influentes designers brasileiros, José Zanine Caldas teria completado seu centenário em abril deste ano. Em homenagem ao legado do designer, a prefeitura de Belmonte, Bahia, planeja inaugurar, em fevereiro do próximo ano, um museu. O projeto será dividido em duas etapas, que compreendem a recuperação do antigo casarão histórico onde Caldas nasceu e, posteriormente, a ampliação das instalações com um projeto de Márcio Kogan.
O primeiro empreendimento da Skidmore, Owings & Merrill em Milão é uma reutilização adaptativa de um edifício dos anos 60, originalmente projetado pelos arquitetos Gio Ponti, Piero Portaluppi e Antonio Fornaroli. O escritório imaginou um desenho que renova a antiga sede da Allianz Milanese enquanto transforma o Complexo Corso Italia em um espaço contemporâneo de escritórios.
No experimento do coletivo Mouraria 53 o funcionamento do espaço, ao contrário do que ocorre normalmente em um projeto arquitetônico, começa antes da conclusão da obra e faz parte do seu desenvolvimento: exposições, apresentações, shows, oficinas e aulas funcionam como uma troca cotidiana na construção da casa. O processo possui um valor excepcional nessa iniciativa, que reúne projetos, materiais, conversas, execuções e sonhos coletivos.
Em Nova Iorque, ativistas e profissionais têm trabalhado por muitos anos para tentar salvar 10 tanques industrias desativados da demolição, propondo o uso alternativo dessas estruturas. Em parceria com o STUDIO V, o escritório de arquitetura e paisagismo Ken Smith Workshop criou uma proposta inventiva que reimagina essas relíquias industriais como um parque do século XXI, uma novidade na definição e configuração tradicional dos espaços públicos.
O Museu de Londres divulgou o projeto de sua nova sede em West Smithfield. Projetada por Stanton Williams, Asif Khan e Julian Harrap Architects, as imagens mostram a transformação de um conjunto de antigos edifícios comerciais em um destino cultural. O projeto celebra o histórico conjunto de edifícios de West Smithfield, criando uma experiência única e memorável para os visitantes.
Historicamente, após o declínio da Igreja Católica e a crescente diminuição no número de fiéis em várias regiões da Europa e América do Norte, os custos de manutenção dos espaços sagrados levaram ao eventual abandono de igrejas, santuários e mosteiros - frequentemente obras de grande valor histórico e arquitetônico.
Isso abre uma nova oportunidade para profissionais da arquitetura resgatarem e recontextualizarem o patrimônio histórico representado por estes edifícios. A seguir, apresentamos 15 exemplos de reuso adaptativo em igrejas antigas que foram transformadas em hotéis, casas, museus, bibliotecas e outros espaços culturais.
A proposta do concurso era criar um Jardim de Infância que pudesse atender o maior número possível de crianças, com idades entre 2 e 5 anos, em um bairro carente de Santa Cruz de La Sierra, Bolívia, a partir de uma iniciativa beneficente promovida pelo Teto e Archsharing.
Com a mudança da indústria no último século, seja em termos de forma, localização ou tipo, os espaços de produção espalhados pelo mundo ocidental foram reaproveitados. Não há dúvidas ao ver essas estruturas. As grandes janelas, tetos altos e plantas otimizadas para o trabalho fabril agora marcam os espaços da “indústria criativa”. Pense na renovação do Tate Modern (de uma antiga central elétrica) realizada pelo escritório Herzog + de Meuron, ou na recente transformação colaborativa de um pátio de locomotivas em biblioteca nos Países Baixos.
https://www.archdaily.com.br/pt/912297/frac-dunkerque-do-lacaton-and-vassal-e-um-eco-historico-em-forma-e-conceitoKatherine Allen
A renomada casa de leilões Sotheby's divulgou o projeto de expansão de sua sede em Nova Iorque, concebido pelo OMA e Shohei Shigematsu. A proposta inclui novas e amplas galerias de exposições para belas artes, objetos preciosos e artigos de luxo. Com 40 galerias de variadas dimensões, divididas em quatro pavimentos, o novo projeto aumenta em quase 50% a área total da sede, que passará a ter 8.300 metros quadrados.
Nove galerias são destinadas a vendas privadas para pequenos objetos dedicados, como relógios e jóias. Três espaços de pé-direito duplo serão reservados a exibições, juntamente com um espaço de 50 metros de comprimento para coleções completas, segundo o The New York Times.
O MVRDV apresentou o projeto de um novo edifício de uso misto, desenvolvido em uma área pós-industrial na cidade de Kiel, na Alemanha. A proposta que contará com um total de 65.000 metros quadrados, foi concebida através de um sistema amplamente flexível, permitindo que o edifício se adapte às demandas futuras com o passar do tempo.
Apelidado de “KoolKiel”, a proposta do MVRDV incorpora um grande edifício térreo existente, anteriormente utilizado como depósito e posteriormente como gráfica, aonde foram impressos os famosos quadrinhos alemães Werner durante a década de 1980. A proposta atual, de transformar o local em um novo hub para indústrias e mídias criativas, influenciou decisivamente os arquitetos do MVRDV, o que os levou a criar um edifício dinâmico e divertido ao mesmo tempo que incorporam parte da história do lugar e do edifício existente.
Meio século depois que a nova casa do subúrbio era o sonho de muitos jovens americanos, propriedades reformadas estão ganhando popularidade. Essa tendência se estende para além da América do Norte, com renovações estimulantes de estruturas existentes surgindo em todo o mundo, da Bélgica ao Quênia e à China. A atração por essa tipologia provavelmente está em sua multiplicidade; as renovações são novas e antigas, históricas e voltadas para o futuro, generativas e sustentáveis.
Em nenhum lugar esta tendência é mais visível e popular do que na habitação, onde a transformação é muitas vezes liderada pelos próprios proprietários. Vagamente agrupados sob termos como "fixer-upper" e "reutilização adaptativa", esses projetos começam apenas com os esqueletos estruturais e a história do edifício. Na escala pessoal, a renovação / reforma é uma oportunidade de trazer uma parte de si para sua casa - mas esses pequenos projetos juntos têm o potencial de reverter uma crise imobiliária?
É muito comum, nos dias de hoje, sentir-se extenuado pela enorme quantidade de informações que consumimos, tanto consciente quanto inconscientemente. No mundo da arquitetura não é diferente, é preciso dedicar-se para acompanhar o feed diário do ArchDaily e por isso mesmo, entendemos que nem sempre é possível estar a par daquilo que é notícia no mundo. Mas isto que à primeira vista parece ser uma infinita linha de produção arquitetônica, não necessariamente vem ao encontro das mais recentes preocupações em nossa disciplina, aquelas voltadas à economia e compartilhamento de recursos.
Esta reflexão generosa, à respeito de como e para quem estamos construído nossos edifícios e cidades, encontrava-se oculta em meio a produção massiva que definiu a arquitetura durante o século XX, mas algo estava nascendo, mesmo que em estado embrionário - algo que está se tornando cada dia mais evidente nos dias de hoje. Cada vez mais, arquitetos estão incorporando processos e estratégias de sustentabilidade e/ ou reuso adaptativo. Os mais tradicionais prêmios e reconhecimentos do mundo da arquitetura estão operando uma efetiva mudança de direção em nossa disciplina, chamando à atenção não mais apenas aos mesmos grandes nomes, mas também para pequenos escritórios de arquitetura espalhados pelo mundo, aqueles que têm nos apresentado uma nova maneira de pensar e conceber a arquitetura.
O estereótipo do arquiteto foi por muito tempo o da obsessão pelo ego e pela novidade. Praticamente um sinônimo de egocentrismo e originalidade. Por outro lado, atualmente estamos testemunhando uma mudança de rumo à partir da prática de milhares e milhares de jovens profissionais. Os projetos que foram notícia nesta última semana nos ensinam a repensar a arquitetura à partir da redução e da reutilização, transformando a maneira como concebemos à arquitetura no século XXI.
https://www.archdaily.com.br/pt/906653/destaques-da-semana-reduzir-reutilizar-repensarKatherine Allen
É sempre muito delicado intervir em edificações históricas. Na arquitetura, seja por operações de restauro ou de requalificação espacial, projetos de intervenção são muitas vezes necessários para dar uma “vida nova” a edificações abandonadas ou descaracterizadas, alterando ou qualificando seu uso.
Junto ao desafio de preservar as construções já existentes, tentando não modificar bruscamente o desenho original das mesmas, há ainda o desafio por implantar edifícios ou elementos anexo capazes de atender as necessidades intrínsecas de cada caso, de forma a não “ferir” e/ou descaracterizar as edificações originais.
Um avião que derrapou na pista de decolagem na cidade de Trabzon, Turquia, no início desse mês (sem deixar feridos), poderá ser transformado em uma biblioteca pública.
Cinco dias após o avião ser retirado do penhasco, o prefeito de Trabzon, Orhan Fevzi Gümrükçüoğlu, abordou o gerente geral da companhia aérea envolvida no incidente, Pegasus Airlines, para perguntar se a empresa poderia doar o avião à cidade com a condição de que ele fosse usado como um espaço de biblioteca.
O Royal Institute of British Architects, juntamente com o Conselho Municipal de Lancashire, divulgou cinco propostas que buscam transformar a antiga Estação de Ônibus de Preston em um novo espaço público e centro da juventude. Cada projeto foi selecionado entre 100 propostas enviadas através de um concurso internacional de ideias que tinha como objetivo preservar a natureza brutalista do histórico edifício.
O aguardado plano de £13 milhões é um grande passo, considerando-se que a estação dos anos 1960, agora protegida pelo patrimônio histórico, quase foi demolida recentemente. Os esforços de reuso adaptativo são o resultado de uma bem sucedida campanha internacional que garantiu a continuidade da icônica estrutura.