A Semana Growarq é um evento dedicado a arquitetos, engenheiros, designers e estudantes que queiram revolucionar a sua forma de projetar, através de uma metodologia que alia dois softwares: o Revit e o Lumion. Ela acontece dos dias 27 a 30 de junho, às 19 horas, e totalmente online.
Os renders, enquanto composições capazes de comunicar o aspecto tridimensional de um projeto a partir de um suporte bidimensional — isto é, a imagem — permitem uma noção prévia do que a obra arquitetônica ainda virá a ser. Mas, ao contrário do que muitas vezes se imagina, a renderização não é sinônimo de uma representação realista da arquitetura.
Por se tratar de uma ferramenta de comunicação projetual, um render pode assumir diferentes estilos a depender não apenas do projeto em questão, mas também do público a quem é direcionado e, além de tudo, da identidade do arquiteto, arquiteta ou escritório de arquitetura responsável pela obra.
Em 1792, o presidente dos Estados Unidos da época, George Washington, organizou um concurso para projetar a casa presidencial. A proposta do arquiteto James Hoban foi a vencedora, uma mansão neoclássica que hoje conhecemos como Casa Branca, ficando gravada no imaginário coletivo dos Estados Unidos.
O podcast desta semana trata de um assunto que dá “muito pano pra manga”, como diz a sabedoria popular. Para arquitetas e arquitetos, a representação de um projeto, além de uma forma de expressão artística, envolve o domínio de uma série de ferramentas que precisam traduzir graficamente as informações viabilizadoras de uma ideia do edifício. A história da representação em arquitetura, neste sentido, se confunde com a própria história do projeto, e é sempre objeto de reflexão e evolução em nosso campo.
O que é um render? Apenas uma imagem para ganhar concursos e clientes? Ou é uma ferramenta eficaz para o desenvolvimento de um edifício?
Perguntamos a nossos leitores quais são os limites da renderização no desenho arquitetônico, e a quantidade de respostas foi imensa. Depois de ler e compilar todos os comentários recebidos de profissionais da construção, estudantes e pessoas interessadas em arquitetura, há um grande consenso de que devemos pensar não apenas na renderização como um elemento de venda, mas como um elemento chave na verificação do projeto.
Em tempos de grande esforço comercial, onde cada vez mais, ideias em Arquitetura parecem inclinar-se a representação hiperrealista, na tentativa de convencer seus clientes (ou júri, no caso de concursos de arquitetura) de que a futura execução trará tamanha qualidade quanto a fantasia da imagem, os renderings assumem alto grau de importância na apresentação dos projetos.
Por esta perspectiva, é comum que anualmente haja novas atualizações, bem como o surgimento de novos programas especializados em renderizações, ferramentas capazes de atingir resultados tão impressionantes que chegam a confundir as imagens finais com fotografias, cruzando o irreal com a noção de ultra realidade.
Render realizado por Giovanna Bobbetti. Imagem cortesia de CURA
A pergunta pode parecer direta, mas a busca pelas respostas pode apontar para uma série de caminhos mais complexos que contribuem não apenas para o entendimento do público-alvo das renderizações hiper-realistas na arquitetura, mas também para problematizar quais são seus objetivos.
Collage by Matthew Maganga. Image Courtesy of Forbes Massie-Heatherwick Studio
Há pouco mais de 50 anos, em 1970 mais especificamente, um roboticista japonês chamado Masahiro Mori cunhava um importante conceito ou hipótese no campo da estética, robótica e computação gráfica: Uncanny Valley—traduzido para o português como Vale da Estranheza. Naquela época, as renderizações arquitetônicas, ou melhor, colagens e fotomontagens, ainda eram feitas com o emprego de métodos analógicos. Uma década depois, o surgimento dos primeiros computadores pessoais e a popularização dos programas CAD impulsionaram uma ampla adoção de métodos digitais para a elaboração de imagens ilustrativas de projetos de arquitetura. Quase quarenta anos depois, as renderizações arquitetônicas evoluíram a tal ponto que é quase impossível distinguir um render de uma fotografia. Resultado direto do desenvolvimento de novas tecnologias, da utilização de softwares cada vez mais sofisticados e computadores cada dia mais rápidos e eficientes, os limites entre representação e realidade parecem se desmanchar no ar. A sutileza desta suspicaz semelhança, e o desconforto que ela provoca, é a nossa porta de entrada para o misterioso Vale da Estranheza de Mori.
A renderização se tornou uma ferramenta indispensável na maioria dos escritórios de arquitetura. Para compreender como essas imagens podem auxiliar no processo projetual, evoluíram no decorrer do tempo e, principalmente, quais aspectos levar em conta para criar uma representação que se destaque no momento de apresentar sua obra, conversamos com Guilherme Bravin e Marcus Vinicius Damon, que além de serem fundadores do Estúdio Módulo, também coordenam o {CURA}, uma escola livre de arquitetura baseada principalmente na representação arquitetônica.
Frequentes no mundo do design e da arquitetura, as renderizações têm sido usadas como ferramentas que permitem que os espaços sejam visualizados antes de se materializarem, oferecendo, dessa forma, uma visão mais ampla e realista destes. Graças a estas imagens é possível antecipar possíveis erros ainda em etapa de concepção, aspecto que as torna especialmente úteis à rotina de trabalho em projetos de interiores e exteriores.
Redecorar o Salão Oval, ou Gabinete Presidencial dos Estados Unidos, não é apenas uma declaração do gosto do presidente, mas, como qualquer espaço, revela princípios que vão muito além do visual; é uma declaração de poder. É neste local que o presidente se reúne com dignitários internacionais e saúda as câmeras para compartilhar mensagens de grande importância, razão pela qual ele (ou, um dia, ela) não quer que pareça que seu antecessor ainda manda naquele lugar.
Se alguém tentasse te vender uma casa virtual, qual seria a sua primeira reação? Isso mesmo—uma casa virtual, um arquivo digital de uma casa. Você compraria uma casa que jamais poderia habitar pela simples razão de que esta casa jamais seria construída? Apenas uma imagem, um vídeo que você poderia assistir quantas vezes quiser. É disso que se trata quando falamos da comercialização de arquitetura digital NFT, a sigla para Tokens Não Fungíveis—um conceito que parece ter tomado o mundo de assalto da noite para o dia. Caso você tenha dormido no ponto, esta é a infinitésima ‘grande discussão’ do momento no mundo da arquitetura. Em uma profissão que procura constantemente redefinir o seu significado, a chegada dos NFTs promete grandes mudanças para o futuro da arquitetura, sendo a transformação de ambientes virtuais em mercadoria a mais grave delas.
Quantas vezes nos prendemos a uma imagem ou vídeo renderizado, nossos olhos incrédulos, incapazes de decifrar se aquilo que vemos é real ou apenas uma simulação virtual. Da mesma forma, não é raro ter que convencer amigos ou familiares que não têm relação com a arquitetura que um edifício ainda não existe concretamente e não passa de uma imagem confeccionada para uma propaganda. Não há mais limites para as visualizações hiperrealistas criadas por computador – elas estão cada vez mais enraizadas no mundo dos nossos desejos. É certo que estas imagens artificiais estabelecem novos padrões, mas seriam estes posteriormente atendidos pela arquitetura?
Queremos abrir a discussão e oferecer aos nossos leitores a possibilidade de expressar abertamente suas opiniões e experiências sobre o assunto. Se todos tivéssemos consciência de que a grande maioria do mercado contemporâneo da arquitetura se baseia em representações que simulam apenas a realidade visual, deixando de fora inúmeros aspectos da arquitetura, mudaríamos o modo de apresentar nossos projetos? Os futuros moradores ou usuários exigiriam outras informações complementares?
No exercício da arquitetura, os profissionais constantemente devem lidar com o desafio de representar um projeto de forma clara e compreensível antes de ser construído, tornando o espaço de alguma forma visível para um público muitas vezes não especializado na área. A renderização é um dos modos mais difundidos de representação tridimensional entre os arquitetos por apresentar o projeto de forma considerada “mais próxima da realidade”. A realidade, por sua vez, inclui a presença de pessoas e os modos de habitar os espaços – representados por meio de escalas humanas, que devem estar em consonância com a imagem que se pretende transmitir e o entendimento da arquitetura, do local em que está inserida e da forma como é habitada.
Com a popularização da realidade virtual e realidade aumentada, novas formas de explorar as representações de arquitetura se abrem para profissionais e estudantes. Imersão em modelos tridimensionais digitais são cada vez mais comuns, seja através da tela do comuptador, smartphone ou óculos de VR. De encontro a esta realidade, que até alguns anos atrás parecia futurista demais, a plataforma online Tour Fácildisponibilizou um plugin gratuito que permite exportar imagens em 360° do SketchUp que podem ser visualizadas em realidade virtual ou aumentada.
Se você vem criando visualizações arquitetônicas por meio do Lumion, os tutoriais a seguir (em inglês) poderão te ajudar bastante. Esses tutoriais maximizarão sua produção e ensinarão dicas práticas e técnicas fáceis de usar.
Aprenda como adicionar objetos, usar luzes, modificar materiais e também criar imagens panorâmicas e em 360 °, vídeos e muito mais.
Videos
Screenshot - Tutorial de Desenho Interior Pós-Digital. Imagem via Show It Better
Se você pretende melhorar suas representações de arquitetura através de pós-produção no Photoshop, o canal do YouTube do Show It Better pode ser útil. Os tutoriais disponíveis apresentam técnicas e dicas de ferramentas para usar o software em toda sua capacidade.
Reunimos, a seguir, alguns exemplos de tutoriais que abordam representações axonométricas, plantas, cortes, fachadas, diagramas e estilo "pós-digital".
Melhore suas habilidades de representação com estes tutoriais.
Se quer um render rápido, economize em tamanho dos modelos complementares de cena, no tamanho das texturas e nas fontes de luz. Aprenda bem a usar o seu software de render, conheça-o profundamente e, finalmente, construa suas cenas de acordo com a necessidade de recursos. De nada vale usar o maior, mais detalhado e o melhor em todos os casos, isso só vai deixar você frustrado com o seu computador e seu software de render, sofrendo na manipulação do modelo e sempre aspirando o último modelo de processador e placa de vídeo, mais memória, e mais dinheiro para atualizar tudo isso! E o pior, sem a menor necessidade.
Se possível, use um renderizador por GPU de sua preferência, como o Thea Render for Sketchup, utilizado nos exemplos desse artigo.
Veja, a seguir, alguns conselhos para tornar suas renderizações mais rápidas e eficientes: