A Semana Growarq é um evento dedicado a arquitetos, engenheiros, designers e estudantes que queiram revolucionar a sua forma de projetar, através de uma metodologia que alia dois softwares: o Revit e o Lumion. Ela acontece dos dias 27 a 30 de junho, às 19 horas, e totalmente online.
O podcast desta semana trata de um assunto que dá “muito pano pra manga”, como diz a sabedoria popular. Para arquitetas e arquitetos, a representação de um projeto, além de uma forma de expressão artística, envolve o domínio de uma série de ferramentas que precisam traduzir graficamente as informações viabilizadoras de uma ideia do edifício. A história da representação em arquitetura, neste sentido, se confunde com a própria história do projeto, e é sempre objeto de reflexão e evolução em nosso campo.
Em tempos de grande esforço comercial, onde cada vez mais, ideias em Arquitetura parecem inclinar-se a representação hiperrealista, na tentativa de convencer seus clientes (ou júri, no caso de concursos de arquitetura) de que a futura execução trará tamanha qualidade quanto a fantasia da imagem, os renderings assumem alto grau de importância na apresentação dos projetos.
Por esta perspectiva, é comum que anualmente haja novas atualizações, bem como o surgimento de novos programas especializados em renderizações, ferramentas capazes de atingir resultados tão impressionantes que chegam a confundir as imagens finais com fotografias, cruzando o irreal com a noção de ultra realidade.
Collage by Matthew Maganga. Image Courtesy of Forbes Massie-Heatherwick Studio
Há pouco mais de 50 anos, em 1970 mais especificamente, um roboticista japonês chamado Masahiro Mori cunhava um importante conceito ou hipótese no campo da estética, robótica e computação gráfica: Uncanny Valley—traduzido para o português como Vale da Estranheza. Naquela época, as renderizações arquitetônicas, ou melhor, colagens e fotomontagens, ainda eram feitas com o emprego de métodos analógicos. Uma década depois, o surgimento dos primeiros computadores pessoais e a popularização dos programas CAD impulsionaram uma ampla adoção de métodos digitais para a elaboração de imagens ilustrativas de projetos de arquitetura. Quase quarenta anos depois, as renderizações arquitetônicas evoluíram a tal ponto que é quase impossível distinguir um render de uma fotografia. Resultado direto do desenvolvimento de novas tecnologias, da utilização de softwares cada vez mais sofisticados e computadores cada dia mais rápidos e eficientes, os limites entre representação e realidade parecem se desmanchar no ar. A sutileza desta suspicaz semelhança, e o desconforto que ela provoca, é a nossa porta de entrada para o misterioso Vale da Estranheza de Mori.
Frequentes no mundo do design e da arquitetura, as renderizações têm sido usadas como ferramentas que permitem que os espaços sejam visualizados antes de se materializarem, oferecendo, dessa forma, uma visão mais ampla e realista destes. Graças a estas imagens é possível antecipar possíveis erros ainda em etapa de concepção, aspecto que as torna especialmente úteis à rotina de trabalho em projetos de interiores e exteriores.
Redecorar o Salão Oval, ou Gabinete Presidencial dos Estados Unidos, não é apenas uma declaração do gosto do presidente, mas, como qualquer espaço, revela princípios que vão muito além do visual; é uma declaração de poder. É neste local que o presidente se reúne com dignitários internacionais e saúda as câmeras para compartilhar mensagens de grande importância, razão pela qual ele (ou, um dia, ela) não quer que pareça que seu antecessor ainda manda naquele lugar.
Se alguém tentasse te vender uma casa virtual, qual seria a sua primeira reação? Isso mesmo—uma casa virtual, um arquivo digital de uma casa. Você compraria uma casa que jamais poderia habitar pela simples razão de que esta casa jamais seria construída? Apenas uma imagem, um vídeo que você poderia assistir quantas vezes quiser. É disso que se trata quando falamos da comercialização de arquitetura digital NFT, a sigla para Tokens Não Fungíveis—um conceito que parece ter tomado o mundo de assalto da noite para o dia. Caso você tenha dormido no ponto, esta é a infinitésima ‘grande discussão’ do momento no mundo da arquitetura. Em uma profissão que procura constantemente redefinir o seu significado, a chegada dos NFTs promete grandes mudanças para o futuro da arquitetura, sendo a transformação de ambientes virtuais em mercadoria a mais grave delas.
Quantas vezes nos prendemos a uma imagem ou vídeo renderizado, nossos olhos incrédulos, incapazes de decifrar se aquilo que vemos é real ou apenas uma simulação virtual. Da mesma forma, não é raro ter que convencer amigos ou familiares que não têm relação com a arquitetura que um edifício ainda não existe concretamente e não passa de uma imagem confeccionada para uma propaganda. Não há mais limites para as visualizações hiperrealistas criadas por computador – elas estão cada vez mais enraizadas no mundo dos nossos desejos. É certo que estas imagens artificiais estabelecem novos padrões, mas seriam estes posteriormente atendidos pela arquitetura?
Queremos abrir a discussão e oferecer aos nossos leitores a possibilidade de expressar abertamente suas opiniões e experiências sobre o assunto. Se todos tivéssemos consciência de que a grande maioria do mercado contemporâneo da arquitetura se baseia em representações que simulam apenas a realidade visual, deixando de fora inúmeros aspectos da arquitetura, mudaríamos o modo de apresentar nossos projetos? Os futuros moradores ou usuários exigiriam outras informações complementares?
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Screenshot - Tutorial de Desenho Interior Pós-Digital. Imagem via Show It Better
Se você pretende melhorar suas representações de arquitetura através de pós-produção no Photoshop, o canal do YouTube do Show It Better pode ser útil. Os tutoriais disponíveis apresentam técnicas e dicas de ferramentas para usar o software em toda sua capacidade.
Reunimos, a seguir, alguns exemplos de tutoriais que abordam representações axonométricas, plantas, cortes, fachadas, diagramas e estilo "pós-digital".
Melhore suas habilidades de representação com estes tutoriais.
Se quer um render rápido, economize em tamanho dos modelos complementares de cena, no tamanho das texturas e nas fontes de luz. Aprenda bem a usar o seu software de render, conheça-o profundamente e, finalmente, construa suas cenas de acordo com a necessidade de recursos. De nada vale usar o maior, mais detalhado e o melhor em todos os casos, isso só vai deixar você frustrado com o seu computador e seu software de render, sofrendo na manipulação do modelo e sempre aspirando o último modelo de processador e placa de vídeo, mais memória, e mais dinheiro para atualizar tudo isso! E o pior, sem a menor necessidade.
Se possível, use um renderizador por GPU de sua preferência, como o Thea Render for Sketchup, utilizado nos exemplos desse artigo.
Veja, a seguir, alguns conselhos para tornar suas renderizações mais rápidas e eficientes:
Mesmo que a grande maioria das visualizações arquitetônicas adotem estilos semelhantes, isso não significa que você deva seguir a mesma linha. A menos, é claro, que você queira. De todo modo, existem muitos recursos disponíveis para ajudar a criar visualizações em qualquer estilo que você deseja; a seguir, compilamos 13 sites muito úteis que podem lhe ajudar a dar a suas imagens um toque mais humano (ou canino). O número de sites dedicados a representar a diversidade dos 7,6 bilhões de habitantes do mundo está crescendo, o que significa que nossos leitores de todas as partes do globo contam agora com escalas humanas apropriadas e coerentes para povoar suas renderizações. E se você estiver interessado em algo mais dramático do que fotografias de pessoas reais, sites como ARTCUTOUT e cutoutmix oferecem alternativas menos realistas e mais artísticas.
https://www.archdaily.com.br/pt/882099/13-sites-que-disponibilizam-escalas-humanas-gratuitas-de-alta-qualidade-para-suas-renderizacoesAD Editorial Team
Novas imagens da torre 53W53, de Jean Nouvel, foram recentemente divulgadas ao passo que se aproxima o prazo de conclusão da obra de 82 pavimentos, marcado para 2018. Mostrando o novo ícone em sua completude, o render apresenta uma estrutura afilada, marcada por sua qualidade escultural e por três pavimentos do espaço da galeria na base da torre adjacente ao Museu de Arte Moderna.
Um software poderoso como o Photoshop pode transformar uma imagem ou desenho de aparência mediana em um dos itens mais valiosos de um projeto. O truque é aprender a usar alguns dos seus melhores recursos e otimizar seu fluxo de trabalho para obter a máxima eficiência.
Ao longo dos anos, o Photoshop tornou-se a principal ferramenta para qualquer tipo de edição de imagens para os arquitetos. O software tornou-se indispensável graças aos seus versáteis recursos. É uma ferramenta poderosa para ajustar renderizações ou até mesmo criá-las do zero. Alguns dos mais reconhecidos desenvolvedores de imagens dependem fortemente do Photoshop e usam volumetrias bastante cruas feitas em programas 3D como ponto de partida. De renderizações fotorrealistas à edição de fotografias de projetos construídos, o Photoshop pode ser o melhor amigo de um arquiteto.
A realidade virtual chegou para ficar. Sem dúvida representa uma contribuição enorme ao projeto de arquitetura. Dentre as inúmeras possibilidades que proporciona aos arquitetos, colaboradores e clientes, podemos citar o ambiente virtual de experimentação, uma ferramenta de desenho que auxilia na tomada decisões.
Para aproveitar o que esta ferramenta tem de melhor, o processo de renderização 360 é fundamental. Neste caso, é imprescindível ter como objetivo principal reproduzir o ambiente real meticulosamente, procurando simular com a maior fidelidade possível o que os olhos humanos observam. Não importa qual o software usado para renderizar, neste artigo mostraremos alguns conselhos e conceitos básicos necessários para obter bons resultados ao produzir imagens panorâmicas tridimensionais com realidade virtual.
https://www.archdaily.com.br/pt/878766/guia-de-renders-360-tudo-o-que-voce-precisa-saberArchDaily Team
Jože Plečnik é frequentemente citado o maior arquiteto da Eslovênia, apesar de ter deixado este mundo há mais de setenta anos. Seu traço, treinado em Viena sob a tutela de Otto Wagner, pode ser visto por todo o país - e especialmente em Ljubljana. Embora Plečnik seja lembrado por seu trabalho de restauração e renovação do Castelo de Praga na década de 1920, o impacto que deixou na capital eslovena é inconfundível.
A cidade é dominada por um castelo medieval localizado no topo de uma colina, e foi neste local carregado de história que Plečnik propôs uma intervenção radical em meados do século XX. Ele queria construir um novo Parlamento esloveno - um equipamento público para abrigar o poder legislativo da República Popular da Eslovênia dentro da segunda Iugoslávia. Com este plano rejeitado pelas autoridades, Plečnik propôs um segundo projeto, conhecido coloquialmente como a "Catedral da Liberdade", construído e animado virtualmente por Kristijan Tavcar (mostrado no vídeo acima).
via Apple Special Event Streaming. 5 de Junho de 2017
Na Apple Worldwide Developers Conference de hoje, a gigante tecnológica anunciou a mais nova série de atualizações de desempenho em sua gama de produtos de softwares e hardwares. Visando desenvolvedores de softwares e outros usuários de alta tecnologia, o evento foi destacado pelo anúncio de significativas melhorias em suas capacidades gráficas e de processamento dos computadores - ou em termos arquitetônicos - os componentes necessários para trabalhar em projetos como criar conteúdo dentro de uma experiência de Realidade Virtual ou renderizações em tempo real.
https://www.archdaily.com.br/pt/872979/processadores-e-placas-de-video-atualizadas-melhoram-o-desempenho-do-imac-para-softwares-de-arquiteturaAD Editorial Team
Algum tempo atrás, mais precisamente na segunda metade dos anos noventa, saber AutoCAD tinha seu charme. Eu mesmo dei meus primeiros passos com a versão 11 em lentos computadores na fria e escura caverna da sala de computação da escola de arquitetura da Católica (do Chile). Era algo mais parecido ao Pong ou a Logo que ao sofisticado desenho que conhecemos hoje.
Como éramos poucos os que sabiam utilizar o programa e eu era rápido com ele, em um dos meus primeiros trabalhos me colocaram para fazer cortes de rua para o plano diretor de um bairro da Região Metropolitana de Santiago, uma atividade mecânica, repetitiva, mais próxima a fabricação de salsichas do que do desenho urbano (line – offset – extend – trim – insert block e pronto). Em uma manhã poderia fazer dezenas de cortes, somente precisava saber a distância entre linhas de fechamento, a largura da calçada, o número de vias e se havia estacionamentos laterais ou canteiro central para definir a forma de quilômetros de vias. Não, não havia tempo, nem dinheiro, nem vontade para pensar em detalhes. Isso seria visto em planejamentos parciais específicos para cada bairro que seriam realizados em um futuro hipotético.
A arquiteta e fotógrafa italiana Francesca Perani decidiu que era hora de abordar a questão dos direitos autorais pouco claros e estereótipos cansados das escalas humanas usadas em renders e fotomontagens. Em seu site cutoutmix, explica que ela e sua "gangue criativa" de designers mulheres estão, "melhorando o mundo dos renders com a ajuda e talento de artistas internacionais". Agora, os usuários podem acessar duas das coleções gratuitamente, que estão sob licença creative commons.