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Alimentar a Terra: O que comemos construiu o mundo que habitamos

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Existe uma forma convencional de contar a história da arquitetura e da alimentação. Ela começa com a decisão humana de cultivar, armazenar, distribuir e consumir, e termina com o edifício que essa decisão produziu. Nessa versão dos fatos, o alimento é o pretexto e a arquitetura é a resposta.

Mas e se a história for diferente? E se o tomate tivesse construído Almería? E se o bacalhau tivesse redesenhado o Atlântico Norte? E se a soja estiver, neste exato momento, construindo um porto em Santos e, ao mesmo tempo, devastando uma floresta no Cerrado, sem que o/a arquiteto/a simplesmente tenha sido avisado/a? Trata-se da descrição de processos já concluídos, ou em andamento avançado, que produziram algumas das paisagens contemporâneas de maior impacto espacial. Grande parte do ambiente construído é moldada pelas pressões, metabolismos e ambições territoriais daquilo que comemos. Nisso, a arquitetura costuma ser menos um projeto e mais uma consequência — e a disciplina tem contado sua própria história pelo lado errado.

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Arquitetura, ecossistemas e bacalhau: entrevista com André Tavares

O que um bacalhau pode oferecer à arquitetura? Ou melhor, que lições sobre meio ambiente e assentamentos humanos podemos aprender com a história da pesca? É esta improvável questão que está por trás do livro Arquitetura do Bacalhau, de André Tavares e Diego Inglez de Souza, publicado pela Dafne Editora e recentemente lançado no Brasil.

Na entrevista a seguir, conversamos com Tavares sobre as infraestruturas ligadas à pesca do bacalhau e sua relação com o território, o trabalho e a produção arquitetônica. A partir de uma abordagem original — que conecta arquitetura, ecologia, fisiologia dos peixes e história industrial —, os autores propõem uma leitura do espaço construído ancorada nos ecossistemas que o sustentam. Longe de ser um olhar nostálgico sobre o passado, a pesquisa aponta para a urgência de repensar a arquitetura no contexto das transformações ambientais em curso, evidenciando como as construções humanas moldam e são moldadas pelos ecossistemas naturais marinhos.

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Fazendas flutuantes podem ser uma alternativa para alimentar futuras populações

Acione um comando no seu celular e vá para o chuveiro; desça a escada 15 minutos depois e terá uma caneca de café esperando por você. Este é um ritual que não é mais uma fantasia para muitas pessoas. O crescimento da Internet das Coisas permitiu-nos controlar ações com o simples tocar em uma tela. Até agora, a escala destes processos é limitada a dispositivos pessoais: qualquer coisa entre passar café pela manhã a ligar o carro. Mas e se pudéssemos cultivar alimento para milhares de pessoas com um simples botão? Este é o objetivo do projeto Smart Floating Farms [Fazendas Flutuantes Inteligentes], desenvolvido pelo Forward Thinking Architecture.

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Abrigo para Pescar - ‘Noun.1 Unavailability’ / Gartnerfuglen Arkitekter

© Astrid Rohde Wang and Olav Lunde Arneberg