Por décadas, a história da arquitetura brasileira coroou figuras masculinas como seus grandes representantes, porém, nos últimos anos, podemos observar o crescente número de trabalhos que se dispuseram a identificar as figuras femininas neste campo. “Onde estão as mulheres na história da arquitetura no Brasil?” foi, e ainda é, uma das questões que mais ouvimos como profissionais de história da arquitetura e do urbanismo. Muitas vezes a reposta se volta para os nomes de Lina Bo Bardi e Carmen Portinho, referências fundamentais, mas, ainda assim, podemos nos perguntar quais outras tantas personagens construíram suas trajetórias nesta área?
Cortesia de UN-Habitat and Global Utmaning/ Edited by ArchDaily
O ambiente construído destinado a todos, na verdade ainda não chega a ser imaginado por todos. No ano passado, no Dia Internacional da Mulher, afirmamos que “a batalha pela equidade está longe de acabar”. Este ano, o ArchDaily está virando a mesa e buscando orientação de nosso público, além do conteúdo normal que publicamos, destacando mulheres arquitetas e tópicos relacionados a gênero. Valorizamos muito as opiniões de nossos leitores e agora, mais do que nunca, estamos buscando sua opinião, para alcançar âmbitos mais amplos e lançar luz sobre figuras femininas desconhecidas no cenário internacional.
Na sua opinião, quais são as arquitetas que faltam na nossa plataforma? Ajude-nos a destacar as mulheres envolvidas no ambiente construído e nomear as principais personagens femininas de todo o mundo, para que possamos ajustar as narrativas, apresentar seus trabalhos e compartilhar conhecimentos e ferramentas para um mundo mais inclusivo. Essas mulheres podem pertencer a qualquer época da história: de jovens forças em ascensão a indivíduos ou empresas estabelecidas, a figuras que fizeram parte da história da arquitetura. Elas também podem ter diversas formações profissionais, desde arquitetas, urbanistas, designers, até construtoras e tomadoras de decisão; todos os perfis envolvidos na formação do ambiente que nos cerca são elegíveis.
Pouco menos de dois anos após o início de uma pandemia global, a inclusão na profissão de arquiteto infelizmente ainda é um tema limitado. Uma pesquisa de 2020 do Architects' Journal do Reino Unido revelou uma quantidade preocupante de obstáculos para arquitetos negros naquele país. Nos Estados Unidos, por sua vez, profissionais negros renomados, como Mabel O. Wilson, do Studio &, questionaram a natureza eurocêntrica de uma grande quantidade de estudos arquitetônicos.
O MAXXI Museum está celebrando a presença das mulheres na arquitetura em uma nova exposição que mostra o papel transformador das arquitetas na evolução da profissão ao longo do último século. Com curadoria de Pippo Ciorra, Elena Motisi, Elena Tinacci, e com exposição desenhada por Matilde Cassani, "Good News. Women in Architecture" une em quatro seções temáticas a história das mulheres na arquitetura através do trabalho de profissionais contemporâneas e as vozes de jovens coletivos, contando as histórias de mais de oitenta arquitetas.
Num mundo fisicamente cada vez mais conectado, mas socialmente incrivelmente desigual e fragmentado, qual deveria ser a contribuição de arquitetas e arquitetos na busca por cidades e comunidades mais igualitárias, desenvolvidas e humanas? Segundo os autores desse livro, objeto de nossa conversa neste episódio, a nossa atuação deve assumir, necessariamente, a sua dimensão política.
O CAU/RJ prorrogou as inscrições do edital da Premiação CAU+Mulheres. Agora, as arquitetas e urbanistas podem inscrever seus projetos até o dia 26 de novembro.
Em sua segunda edição, o prêmio CAU+Mulheres é uma das formas de o Conselho promover diálogos e dar visibilidade às profissionais arquitetas e urbanistas nas múltiplas áreas de trabalho em que atuam. A premiação é composta por cinco categorias: Projeto Arquitetônico; Projeto de Arquitetura de Interiores; Projeto Urbanístico; Projetos de Arquitetura para Situações de Emergências; e Estudos Teóricos (teses, dissertações, livros e publicações).
La casa de Jajja. Uganda, 2020. Image Cortesía de Huevo de Pato
Este artigo é uma colaboração doColectivo RE e foi publicado originalmente em 02 de agosto de 2020, na segunda edição de Huevo de Pato, uma publicação que tem por objetivo compartilhar reflexões e experiências como estratégia para a democratização do saber e do fazer.
O Prêmio Europeu de Intervenção no Patrimônio Arquitetônico (AHI), organizado pelo Colégio de Arquitetos da Catalunha (COAC) e pela Associação de Arquitetos para a Defesa da Intervenção no Patrimônio Arquitetônico (AADIPA), acaba de anunciar os vencedores da sua última edição, em ocasião da Bienal Internacional de Intervenção no Patrimônio Arquitetônico de 2021.
O projeto “Appropriating the grid”, de Irene Roca, nasce das ruínas contemporâneas de nossos processos de construção atuais. A exploração dos resíduos gerados e das complexidades jurídicas da sua eliminação despertou na arquiteta um sentido de urgência e criatividade, resultando numa recolha que molda e reformula os resíduos da construção em objetos versáteis de design de interiores.
https://www.archdaily.com.br/pt/964002/os-materiais-estao-sendo-produzidos-de-acordo-com-uma-demanda-ficticia-uma-conversa-com-irene-rocaDaniela Porto
O casal Alison (22 de junho de 1928 - 16 de agosto de 1993) e Peter Smithson (18 de setembro de 1923 - 3 de março de 2003) formaram uma parceria que conduziu o brutalismo britânico durante a segunda metade do século XX. Começando com um vocabulário de modernismo despojado, a dupla foi uma das primeiras a questionar e desafiar as abordagens modernistas de design e planejamento urbano. Em vez disso, eles ajudaram a evoluir o estilo para o que se tornou o Brutalismo, tornando-se defensores da abordagem "ruas no céu" para a habitação.
Charles (17 de junho de 1097) e Ray Eames (15 de dezembro de 1912) são conhecidos por sua colaboração pessoal e artística e por seus projetos de mobiliário inovadores que ajudaram a definir o modernismo. Seu estúdio desenvolveu uma grande variedade de trabalhos, de projetos expográficos ao desenho de móveis, casas, monumentos e até mesmo brinquedos. Juntos, desenvolveram novos processos de produção para tirar proveito dos materiais e tecnologias da época, buscando produzir objetos cotidianos de alta qualidade a um custo acessível. Muitos de seus projetos de mobiliário são considerados clássicos contemporâneos, particularmente a Eames Lounge e as Shell Chairs, ao passo que a Casa Eames é tida como uma obra seminal da arquitetura moderna.
https://www.archdaily.com.br/pt/768737/em-foco-charles-e-ray-eamesArchDaily Team
Alvar Aalto e Elissa Aalto em 1956. Via Wikimedia Commons, sob licença CC BY-SA 4.0
Se a carreira de uma mulher na arquitetura já enfrenta mais obstáculos que a de um homem, como têm comprovado estudos e pesquisas em todo o mundo, as disparidades ficam ainda mais óbvias quando se trata de parcerias que envolvem ambos os gêneros. Na história da disciplina é possível encontrar uma série de exemplos de parcerias em escritórios ou projetos específicos que evidenciam as discrepâncias nos reconhecimentos obtidos pelos trabalhos, que se revelam em premiações, honrarias, citações e salários.
Muitas destas parcerias tratam-se de casais que, como em qualquer relação de sociedade, projetam e tomam decisões de trabalho de forma conjunta. Mas, no caso particular dos casais heterossexuais de arquitetos, o papel de "esposa" parece ter prevalecido sobre aquele de colaboradora, arquiteta ou sócia igualitária em muitas ocasiões.
Muitos arquitetos e arquitetas são conscientes da importância de se levar em conta todos os sentidos humanos quando projetam seus espaços e edifícios. Ao abordar a percepção espacial do usuário como o resultado de uma somatória de diferentes sensações, a qual não pode ser reduzida a mera experiência visual do espaço, arquitetas e arquitetos são capazes de projetar edifícios e espaços cada vez mais inclusivos e acessíveis. Felizmente, ao longo das últimas décadas testemunhamos na arquitetura um enorme salto em relação a construção de espaços e edifícios mais acessíveis e acolhedores, principalmente em se tratando de pessoas com algum nível de restrição motora, porém, ainda estamos devendo muito em relação aos usuários com limitações cognitivas ou que passaram por algum tipo de experiência traumática.
A cura de pessoas com traumas não é nada simples e tampouco há um tratamento específico que possa servir à todos os pacientes. Nestes casos, a recuperação é uma longa jornada e que exige muito esforço do indivíduo, de tudo e todos ao seu redor. Muitas vezes, as vítimas de trauma são aconselhadas a passar mais tempo ao ar livre, em contato direto com a natureza. Mas e os espaços interiores? Considerando que atualmente a maioria de nós costuma passar praticamente 90% do tempo em espaços fechados, é imprescindível que a arquitetura destes ambientes de cura também seja concebida para promover a eficácia dos processos terapêuticos. Embora a primeira imagem que nos vem à mente seja um espaço com iluminação e ventilação natural abundante, materiais naturais e cores neutras, será mesmo que estes espaços contribuem para os processos de cura?
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Proposta de projeto: Cenografia para “The Robot Salon”. Imagem cortesia de Gili Ron e Irina Bogdan
Explorando o uso de tecnologias inovadoras em arquitetura e praticando na encruzilhada entre arte e design espacial, Gili Ron e Irina Bogdan imaginaram o projeto Galath3a, uma colaboração mulher-máquina. O empreendimento baseado em pesquisas usa um braço robótico UR5 chamado Gala (abreviação de Galateia), para especular sobre o que é culturalmente considerado "comportamento feminino".
Se você frequentou a escola de arquitetura ou design, provavelmente há algo que você notou sobre seus colegas de classe - a maioria deles eram mulheres. E se você trabalha no mundo da arquitetura ou design há alguns anos, provavelmente há outra coisa que você também percebeu - que há menos mulheres em posições de liderança do que homens. Há uma crise que a arquitetura enfrenta desde que a profissão existe: as mulheres abandonam a arquitetura em grande número. Mas o que está causando isso e quais etapas estão sendo tomadas para garantir que alguns dos melhores profissionais estejam posicionados para se tornarem futuros líderes da indústria?
Com uma abordagem formal e material que se distingue do cenário que encontramos usualmente na arquitetura, Lacaton & Vassal - escritório francês que marca sua influência na contemporaneidade ao ser laureado com o Prêmio Pritzker 2021 - traz uma visão aberta e generosa à arquitetura.
A HerCity é uma plataforma digital, criada pela UN-Habitat em parceira com o Laboratório de Idéias Global Utmaning, voltada à promoção da participação e inclusão de jovens mulheres nos processos de planejamento e desenvolvimento urbano de nossas cidades. Disponibilizando ferramentas que possam contribuir para a construção de cidades mais inclusivas e equitativas e delegando às mulheres um maior poder de decisão, a plataforma foi concebida com o principal objetivo de fornecer as ferramentas necessárias para se garantir o estabelecimento de processos de planejamento e desenvolvimento urbano mais inclusivos e atentos às reais demandas de todos os usuários—sem exceções.
Lançada no Dia Internacional da Mulher, no último dia 08 de Março, o guia para o planejamento e desenho urbano da HerCity é um esforço colaborativo desenvolvido entre a UN-Habitat e o Global Utmaning, um laboratório de ideias independente com sede na Suécia. Recentemente, o ArchDaily teve a oportunidade de bater uma papo com as líderes do grupo por trás desta importante iniciativa, durante o qual pudemos conversar sobre o processo de criação e as estratégias definidas pela nova plataforma HerCity.