Apesar do aumento do número de mulheres estudando arquitetura, a quantidade de delas atuando na profissão continua a diminuir no Reino Unido. Embora este não seja o caso de muitas outras partes do mundo - por exemplo a África do Sul, que apresenta mais arquitetas que arquitetos - o Reino Unido ainda busca uma solução para equalizar este saldo. Jane Duncan, fundadora do Jane Duncan Architects, pondera a questão perguntando: "Por que há tantas mulheres deixando a arquitetura, e como podemos reverter esta tendência?" Leia aqui o artigo de Duncan no The Guardian.
"As mulheres são os fantasmas da arquitetura moderna, sempre presentes, cruciais, mas estranhamente invisíveis", escreveu a historiadora Beatriz Colomina em "With, Or Without You", ensaio do catálogo de 2010 do museu de Arte Moderna: Modern Women. "A arquitetura é altamente colaborativa, mais como a cinematografia do que a arte visual, por exemplo. Mas ao contrário dos filmes, isto é raramente reconhecido".
Colomina prossegue, registrando a história das mulheres esquecidas do modernismo, reconhecidas, quando muito, por ter trabalhado "com" Mies van der Rohe, Le Corbusier, Alvar Aalto, ou Charles Eames. Para se colocar no lugar de Lilly Reich, Charlotte Perriand, e Aino Aalto, simplesmente assista o casal Eames no Home Show em 1956, quando Ray é apresentada indignamente como a "mulher hábil por trás de Charles", que entra após ele gracejar com a apresentadora Arlene Francis.
Neste semestre, esses fantasmas voltaram para nos assombrar: Arielle Assouline-Lichten, estudante da Faculdade de Design de Harvard, divulgou trechos de uma entrevista com Denise Scott Brown no qual ela menciona a própria omissão do Prêmio Pritzker do parceiro Robert Venturi em 1991. "Me devem não um Prêmio Pritzker, mas sim uma cerimônia de inclusão no Pritzker", Scott Brown diz. "Saudemos a noção de trabalho colaborativo".
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https://www.archdaily.com.br/pt/01-134611/porque-a-arquitetura-tem-que-ouvir-suas-mulheres-esquecidasAlexandra Lange
O Prêmio Pritzker finalmente divulgou um comunicado oficial em resposta ao pedido dos estudantes de Harvard Arielle Assouline-Lichten e Caroline James,propondo que Denise Scott Brown receba de forma retroativa o Prêmio Pritzker de Arquitetura de 1991, que foi concedido somente ao seu marido Robert Venturi.
Lord Palumbo, que está à frente deste prêmio, respondeu que essa ação seria impossível dada a forma em que o júri do Pritzker delibera: "O júri do Pritzker, ao longo dos anos, é composto de pessoas diferentes, cada qual faz o seu melhor para encontrar os candidatos mais qualificados. Um júri atual não pode reabrir o processo, ou questionar o trabalho de um júri anterior."
A carta sugere que Scott Brown é, no entanto, uma candidata que ainda poderia receber um próximo Prêmio Pritzker, além disso, agradece a Assouline-Lichten e James por " chamar a nossa atenção diretamente sobre um problema mais geral, ou seja, o de garantir um lugar justo e igual para as mulheres na profissão. Entregar esta garantia é, naturalmente, uma obrigação adotado por todas as partes da profissão, das escolas que podem incentivar os alunos a ingressar na profissão, assim como os escritórios que devem fomentar a capacidade das mulheres para desenvolverem seu potencial como arquitetos.Acreditamos que o papel especial que o júri do Prêmio Pritzker deve cumprir neste aspecto é ter em mente o fato de que certas recomendações e discussões em relação ao projeto arquitetônico geralmente são um reflexo de tempos e lugares determinados, os quais podem refletir preconceitos culturais que minimizam o papel das mulheres no processo criativo. Quando isso acontece, nós devemos e faremos com que o assunto seja tratado com toda a consideração que merece."
A petição para que Denise Scott Brown seja reconhecida retroativamente como laureada do Prêmio Pritzker de 1991, em conjunto com Robert Venturi, ultrapassou 12 mil assinaturas. Dentre os partidários estão os laureados com o mesmo prêmio Zaha Hadid, Rem Koolhaas e o próprio marido e sócio há mais de 40 anos de Scott Brown, Robert Venturi. O sucesso desta campanha, iniciada por duas jovens mulheres da Escola de Design de Harvard, vai além da luta pelo reconhecimento de Denise Scott Brown – trata-se de uma campanha para se repensar a difícil e freqüentemente injusta posição da mulher na arquitetura.
Durante um discurso no almoço de AJ Mulheres na Arquitetura em Londres na semana passada, Denise Scott Brown, ícone pós-moderno, exigiu ser reconhecida retrospectivamente por seu papel na premiação de Robert Venturi pelo Pritzker Prize de 1991, descrevendo a incapacidade do Pritzker em reconhecer seu envolvimento como algo "muito triste".
Embora no momento da concessão do Prêmio, Brown tinha co-parceria com o escritório Venturi Scott Brown and Associates por mais de 22 anos e tenha desempenhado um papel fundamental na evolução da teoria arquitetônica e do design juntamente com Venturi por mais de 30 anos, assim como foi co-autora do livro transformador da década de 1970, Aprendendo com Las Vegas, seu papel de "esposa" parece ter superado o papel de sócia igualitária quando o juri do Pritzker escolheu homenagear somente seu marido, Venturi.
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Texto por Vanessa Quirk via Archdaily. Tradução Archdaily Brasil.
Hoje, homenageando o Dia Internacional da mulher, queremos destacar uma das questões mais marcantes do campo da arquitetura: a falta de arquitetas. Existem diversos artigos sobre como pode ser explicado a disparidade entre os gêneros na arquitetura - os fatos e os números que revelam esta diferença extraordinária presente em nossa profissão (por exemplo, no Reino Unido, apenas 21% dos arquitetos são mulheres e recebem salários aproximadamente 25% menores do que seus colegas homens) - porém, ainda se discute pouco sobre como essa diferença pode ser superada.
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