O projeto para o então denominado Ministério da Educação e Saúde Pública foi elaborado no decorrer do ano de 1936 pela equipe integrada pelos arquitetos Oscar Niemeyer, Affonso Reidy, Jorge Moreira, Carlos Leão e Ernani Vasconcelos, sob coordenação de Lucio Costa. A pedido do então Ministro Gustavo Capanema e com orientação de Le Corbusier, a equipe de jovens modernistas brasileiros ficou incumbida de dar identidade nacional ao edifício que viria a se tornar um dos maiores ícones de nossa arquitetura, em frontal oposição à estética dominante. A não contratação do projeto original, vencedor do concurso público realizado para este fim, é apenas uma parte desta incrível história.
Casa Curutchet em La Plata, Argentina. Foto: Wikimedia.org, licença CC
Neste episódio do Arquicast, a conversa é sobre um filme que, apesar de ambientado no único projeto de Le Corbusier efetivamente construído em toda a América Latina, tem toda sua trama centrada em um elemento arquitetônico, digamos, quase secundário, do ponto de vista compositivo da obra: o muro da divisa dos fundos. Estamos falando do premiado filme argentino O Homem ao Lado. As relações de vizinhança e a própria arquitetura servem de ponto de partida para os diretores falarem de temas espinhosos como direito de propriedade, desigualdade social, cultura e intolerância.
A humanidade como a conhecemos hoje é resultado de séculos e mais séculos de fenômenos naturais e migratórios complexos responsáveis por forjar a aparência geográfica e humana do planeta no qual habitamos. Humanos são seres sensoriais, e como tais, se relacionam com o mundo através de suas experiências vividas, mas, além disso, há outra forma pela qual podemos compreender o mundo no qual vivemos, isto é, através da uma representação bidimensional inventada pelo homem—os mapas. A cartografia, muitas vezes, é utilizada para delinear fronteiras e estabelecer limites, e desta forma têm sido utilizada historicamente como uma ferramenta de opressão e segregação.
A Associação Cap Moderne anunciou que a restauração da casa modernista E-1027 de Eileen Gray — junto com outros projetos da região, como a Cabanon, as Unités de Camping e o restaurante l'Etoile de Mer de Le Corbusier — foi concluída e a villa está agora aberta a visitantes. O local está listado como Patrimônio Mundial da UNESCO e é considerado um dos lugares imperdíveis a serem descobertos na região, recebendo mais de 10.000 visitantes por ano.
Às vezes, os projetos mais influentes da arquitetura permanecem sem construção. Sua marca no mundo é maior que a pegada física do edifício, apesar de nunca ter sido construído. É o caso da Casa Errazuriz, projetada em 1930 por Le Corbusier para um diplomata chileno na Argentina. A casa foi projetada para as montanhas de Zapallar no Chile, com vista para o Oceano Pacífico. A principal característica do projeto é o telhado irregular em forma de borboleta, que buscava fazer referência aos picos e cristas do terreno circundante. A estrutura seria o primeiro caso de um telhado borboleta, que se tornaria um modelo das casas do pós-guerra na Califórnia. Este vídeo explora a Casa Errazuriz, sua história, seu projeto e nos leva a um passeio virtual de sua reconstrução digital.
Mansão de Fim de Semana em La Celle-Saint-Cloud, projetada por Le Corbusier. Imagem via Fondation Le Corbusier
O presente texto analisa alguns aspectos das primeiras obras de Oscar Niemeyer e os compara com projetos de Le Corbusier, salientando como o aprendizado do mestre suíço foi essencial para o desenvolvimento da metodologia de projeto e poética do jovem brasileiro. Ressalta-se a assimilação, por parte de Niemeyer, das ideias e princípios de Le Corbusier, e a adaptação de tais princípios ao clima, cultura e geografia do Brasil.
O texto — que deriva da pesquisa Poesía y técnica, la herencia arquitectónica de Oscar Niemeyer, no curso de desenvolvimento no âmbito das pesquisas em história, crítica e projeto da Universidad Nacional de Colombia, em Medellín — analisa alguns aspectos das primeiras obras de Oscar Niemeyer e compara-os aos temas arquitetônicos de Le Corbusier.
A medida que os ambientes urbanos se tornam cada vez mais densos, é preciso aproveitar ao máximo cada centímetro quadrado de área disponível. Pensando nisso, arquitetos e arquitetas do mundo todo recentemente descobriram o enorme potencial das coberturas existentes dos edifícios urbanos, na maioria das vezes, espaços subutilizados e de difícil acesso. Além do mais, coberturas e telhados chegam a somar juntas até 25% da área de superfície total disponível em uma cidade. Podendo ser utilizadas tanto como áreas verdes e cultiváveis quanto como espaços públicos e acessíveis, estes jardins suspensos estão sendo pouco a pouco incorporados à infraestutura urbana de várias cidades ao redor do mundo. Neste contexto, este artigo procura analisar em profundidade o real potencial desta estratégia para a criação de uma nova camada de espaços públicos acessíveis em cidades densamente ocupadas.
Uma maquete de Corbusier é a única imagem que me traz à mente a ideia de um suicídio imediato. - Ivan Chtcheglov
Apesar de suas brincadeiras, os situacionistas podem estar certos, afinal. A angústia dos estudantes de arquitetura pode não ser resultado de um trabalho excessivo no estúdio, mas sim da repetição infinita dos ideais modernistas que continuam a ser ensinados. Em seu manifesto Vers une Architecture (Por uma arquitetura), Le Corbusier defende a adoção da arquitetura moderna como a solução para as crises globais do século XX, de uma forma que agora parece bastante limitadora.
Fabricado entre 1924 e 1928, o Avions Voisin C7 apresentava uma construção inovadora para a época. O uso intenso de vidro, uma carroceria de alumínio e os ângulos agudos remetiam às formas de uma aeronave. Este era o automóvel que Le Corbusier gostava de estacionar em frente às suas obras – para o arquiteto, o automóvel era a tradução definitiva da modernidade e da técnica combinadas em um único objeto. Ele acreditava firmemente que a arquitetura tinha muitas lições a aprender com a máquina.
Com 3 marchas e 30 cavalos de força, dificilmente alguém utilizaria esse carro atualmente, e a indústria automobilística já sofreu inúmeras inovações desde a época. A arquitetura de Corbusier, no entanto, não parece tão datada aos olhos: são os automóveis registrados junto a um edifício recém construído que mais evidenciam o quão antiga é a foto. Localizar subsídios que denunciem o período da fotografia é um método eficiente, e para a arquitetura isso é ainda mais evidente. Seja um eletrodoméstico, um monitor de computador ou um detalhe específico, há elementos que tornam esse trabalho mais fácil.
Em 1926, Le Corbusier formula os cinco pontos que se tornariam os fundamentos para a arquitetura moderna. Concretizados em 1929 no emblemático projeto da Villa Savoye, os atributos apresentados por Corbusier — pilotis, planta livre, fachada livre, janelas em fita e terraço jardim — foram muito explorados na produção arquitetônica modernista e até hoje estão presentes nos mais variados projetos de arquitetura contemporâneos.
Os cinco pontos se tornaram uma espécie de diretriz para a “nova arquitetura”, como anunciava Corbusier. Com o passar das décadas, as novas tecnologias, materiais e necessidades da sociedade continuaram e continuam a atualizar aquelas soluções arquitetônicas prenunciadas há quase um século como rumos para uma nova arquitetura.
No âmbito da arquitetura, grande parte do século XX é marcada por uma produção que se lê, de modo geral, como moderna. As bases que configuram essa produção têm sido, há pelo menos seis décadas, objeto de discussão, reunindo opiniões divergentes sobre a verdadeira intenção por trás da gestalt moderna.
Famosa por seu plano urbano e edifícios cívicos, Chandigarh representa um fragmento icônico da arquitetura modernista. Este centro econômico e administrativo foi concebido para mostrar ao mundo o progresso da recém-independente Índia dos anos 50.
City Dreamers é um documentário do cineasta Joseph Hillel que destaca a cidade de amanhã em constante mudança e a vida e obra de quatro mulheres arquitetas que reconsideraram o ambiente urbano. Phyllis Lambert, Denise Scott Brown, Cornelia Hahn Oberlander e Blanche Lemco van Ginkel são pioneiras inspiradoras que observaram e moldaram a cidade de hoje e de amanhã.
O Movimento Moderno teve um papel inquestionável na renovação dos ideais arquitetônicos, aportando uma nova atitude frente ao entendimento dos modos de habitar, da técnica e da estética, marcando profundas mudanças na percepção geral do mundo. Em relação à Argentina, apesar de ser complexa a localização periódica da produção arquitetônica moderna, é possível mencionar alguns dos arquitetos que começaram, a partir dos anos 20, a vincular-se com estas ideias. As contribuições intelectuais e de criação arquitetônica de Alejandro Virasoro, Alberto Prebisch, Ernesto Vautier, Fermín Beretervide, Wladimiro Acosta, Alejo Martinez, Antonio e Carlos Vilar, Juan Kurchan, Jorge Ferrari Hardoy, Antonio Bonet, Abel López Chas, Eduardo Catalano, Eduardo Sacriste e Amancio Williams, entre outros, incluiram, em muitos casos, abordagens originais associadas a novos modos de pensar, manifestando uma arquitetura resultante da análise das condições locais e regionais de seus cidadãos.
O domínio da arquitetura sempre esteve dividido entre o cosmos artístico e o racional. Durante nossos anos de estudo em arquitetura, raramente nos é oferecida uma metodologia específica com a qual podemos desenvolver um projeto, gerando diversos resultados e métodos diferentes. No entanto, para descobrirmos o método que melhor funciona para nós, precisamos entender o modo de pensar e projetar dos grandes pioneiros que influenciaram a arquitetura antes de nós.
Le Corbusier, Mies van der Rohe, Frank Lloyd Wright e Louis Kahn são quatro dos arquitetos mais influentes da história. A seguir, descubra o processo criativo desses quatro mestres da arquitetura moderna e por que seus projetos e métodos ainda seguem relevantes.
O que é beleza? Alguns anos atrás, um grupo de pesquisadores internacionais procurou desvendar os mistérios da beleza humana. Eles usaram tecnologia computacional de última geração, totalmente imparcial, e um enorme conjunto de dados para estabelecer, de uma vez por todas, porque rostos particulares são percebidos como bonitos e se a beleza existe independentemente de origem étnica, social e cultural; em outras palavras, se ela pode ser calculada matematicamente. Os cientistas introduziram em um poderoso computador inúmeras fotos de rostos de todo o mundo, cada um descrito por entrevistados como particularmente bonito. A informação resultante, eles acreditavam, poderia ser usada para gerar um rosto que seria reconhecido por qualquer ser humano como possuidor de uma beleza absoluta. Mas o que o computador finalmente cuspiu foi um retrato de um rosto comum, nem bonito nem feio, desprovido de vida e caráter, deixando os espectadores pasmos. Os dados acumulados criaram não uma beleza supra-humana, mas uma média estatisticamente correta.
Phillips Exeter Academy Library by Louis I. Kahn (1972). Published in Manual of Section by Paul Lewis, Marc Tsurumaki, and David J. Lewis published by Princeton Architectural Press (2016). Image Courtesy of LTL Architects
Para Paul Lewis, Marc Tsurumaki e David J. Lewis, o corte "é muitas vezes entendido como um tipo simplificado de desenho, produzido no final do processo de concepção para descrever condições estruturais e materiais para a etapa da construção."
Esta é uma definição muito familiar para a maioria das pessoas que estudam ou trabalham com a arquitetura. Muitas vezes pensamos primeiramente na planta baixa, pois nos permite abraçar as expectativas programáticas de um projeto e fornecer um resumo das várias funções necessárias. Na idade moderna, programas de software de modelagem digital oferecem cada vez mais possibilidades quando se trata de criar objetos tridimensionais complexos, tornando o corte uma reflexão ainda mais tardia.
Com o seuManual of Section(Manual do Corte) lançado em 2016, os três sócios fundadores do LTL architects apresentam o corte como uma ferramenta essencial no projeto arquitetônico, e vamos admitir isso, essa leitura pode fazer você mudar de ideia sobre o tema. Para os co-autores, "pensar e projetar o corte requer a construção de um discurso sobre ele, reconhecendo-o como um local de intervenção." Talvez, na verdade, precisamos entender as capacidades dos desenhos em corte tanto para usá-los de forma mais eficiente, quanto para desfrutar ao fazê-los.
Teve a pior banca possível? Falhou nas provas finais? Não se preocupe! Antes de cair em sua cama e chorar até dormir, veja essa lista de nove célebres arquitetos que compartilhem uma característica em comum. Você pode pensar que um diploma de arquitetura brilhante é um requisito para ser um arquiteto de sucesso; por que mais você estaria há tantos anos na escola de arquitetura? Bem, embora o título de "arquiteto" possa ser protegido em muitos países, isso não significa que você não pode projetar arquitetura incrível - como demonstrado por esses nove arquitetos, que jogaram as convenções fora e tomaram a estrada menos percorrida para a fama.