Após ler e compilar todas as mensagens recebidas, tanto de profissionais da construção civil quanto de estudantes e pessoas interessadas em arquitetura, chegou a hora de apresentar os principais posicionamentos. Agradecemos imensamente por suas opiniões!
A conversão de templos religiosos desativados por meio de programas culturais constitui uma das estratégias de reuso adaptativo mais instigantes no planejamento urbano contemporâneo. Essa compatibilidade funcional parece decorrer das características específicas das próprias igrejas: suas naves centrais oferecem plantas livres de grande escala e cortes monumentais que acomodam facilmente as exigências volumétricas de museus, teatros ou centros comunitários. Além disso, as propriedades acústicas inerentes aos seus tetos abobadados, combinadas com uma iluminação natural intencional filtrada por vitrais ou cúpulas, criam as condições espaciais para atividades que vão das artes cênicas à exibição de artefatos culturais. Ao assumirem um papel público e cultural, esses edifícios não apenas evitam a demolição ou o abandono físico, mas também preservam seu status de marcos urbanos e de identidade no tecido da cidade, revitalizando seu entorno imediato sem descaracterizar seu significado histórico.
O ArchDaily China completa 11 anos este ano. O design fundamentado na cultura e no território chineses tornou-se parte essencial do intercâmbio global de arquitetura, consolidando-se como um tema de grande relevância no cenário internacional de desenvolvimento da arquitetura e do design. O ArchDaily China leva informações e consultoria global de arquitetura e design para leitores/as chineses/as, além de apresentar a arquitetura e o design da China para o mundo. Mantemos firme nossa intenção original de ser uma plataforma aberta que beneficia o público, tornando o setor de arquitetura e design mais inclusivo e igualitário.
Este ano, renovamos o convite ao público leitor chinês, com a expectativa de que todos/as possam participar da seleção do Prêmio Obra do Ano 2026 na China. Por meio de uma votação imparcial e descentralizada, cada participante atua como membro do júri, selecionando os projetos de arquitetura e design chineses mais representativos para a comunidade global. Nas próximas três semanas, o processo de seleção será dividido em duas etapas. Na primeira fase, a votação contemplará 455 projetos publicados no último ano, e os 15 mais indicados passarão para a lista de finalistas. Na segunda fase, esses 15 projetos de destaque serão votados novamente para definir o grande vencedor, o segundo e o terceiro colocados do ano.
O Prêmio Obra do Ano 2026 na China é apresentado por Dornbracht, marca reconhecida por seus designs inovadores para arquitetura, presentes internacionalmente em cozinhas e banheiros.
Antes da virada digital, a memória da arquitetura era predominantemente tangível. Vivia no peso dos desenhos, na pátina das maquetes e na espessura dos livros. Preservar a arquitetura significava preservar seus vestígios — os documentos, esboços e fotografias por meio dos quais os edifícios podiam ser lembrados muito depois de sua forma material ter se alterado ou desaparecido. O arquivo de arquitetura moderno, tal como se desenvolveu no século XX, era ao mesmo tempo um refúgio e um dispositivo de legitimação. Instituições como o Canadian Centre for Architecture, a Casa da Arquitectura ou o Deutsches Architekturmuseum foram erguidas sobre a convicção de que preservar a arquitetura era o mesmo que preservar seus documentos.
No entanto, esses arquivos não se limitavam a armazenar conhecimento. Eles determinavam o que era considerado arquitetura, quem pertencia ao seu cânone e como a história seria contada. Arquivar é editar o passado — decidir o que entra, o que é omitido e como será interpretado. O arquivo, teorizado por Michel Foucault e, posteriormente, por Jacques Derrida, nunca é neutro; é um instrumento de poder, um espaço que seleciona e exclui. Na arquitetura, essas dinâmicas são especialmente evidentes, pois registram o visível ao mesmo tempo em que silenciam o que escapa às suas categorias. O ato de colecionar sempre foi, implicitamente, um ato de julgamento.
Shenzhen é a primeira Zona Econômica Especial (ZEE) da China, servindo como uma janela para a Reforma e Abertura do país e como uma cidade de imigrantes em ascensão. A cidade evoluiu para uma metrópole internacional influente e moderna, criando a mundialmente famosa "Velocidade de Shenzhen" e conquistando a reputação de "Cidade do Design". O projeto arquitetônico se destaca como a expressão mais intuitiva do espírito de integração e inovação de Shenzhen. Ao longo da última década (2015-2025), o desenvolvimento da arquitetura urbana em Shenzhen integrou-se estreitamente ao seu caráter urbano aberto e inclusivo, às suas vantagens ecológicas de estar situada entre as montanhas e o mar, e ao espírito local de fundir a cultura tradicional com a tecnologia inovadora, revelando o charme singular e a forte vitalidade de Shenzhen sob múltiplas dimensões.
A livraria contemporânea é um espaço paradoxal. É comercial, mas raramente comercializada; pública, mas frequentemente de propriedade privada; de escala reduzida, mas de impacto abrangente. À medida que tipologias arquitetônicas adjacentes evoluem sob as pressões do consumo digital, da precariedade econômica e da mudança de hábitos sociais, a livraria não encolheu, mas se adaptou ao século XXI. Não se trata de um local para trocas literárias privadas ou institucionais, mas de um híbrido espacial que acolhe o ritual, o descanso, a performance e a socialização.