Fábricas, abatedouros, gasômetros, conventos, torres de água e estações ferroviárias são alguns exemplos de estruturas que podem ter permanecido no tecido urbano das cidades com o passar dos anos, ainda que tenham perdido seu uso original. A reutilização de uma edificação preexistente para novos usos é o que ficou conhecido como reuso adaptativo - do inglês adaptive reuse. Ainda que não tenha sido uma concepção contemporânea, a prática vem sendo muito adotada nos últimos anos como estratégia para lidar com os espaços de forma mais econômica, sustentável, prática e eficiente.
Podemos inicialmente apreender o conceito de revitalização como uma prática projetual ou um processo socioespacial liderado estrategicamente por determinados grupos associados ao planejamento urbano contemporâneo. A estruturação da cidade contemporânea depende, de acordo com Meyer (2000), de grandes projetos urbanos estratégicos. O valor estratégico de tais projetos está subordinado, segundo a autora, à sua capacidade de provocar transformações significativas no espaço metropolitano, aumentando seu poder de atratividade e influência. Mais do que simplesmente melhorias urbanas pontuais e específicas, o planejamento urbano contemporâneo se revela, na intencionalidade de seus defensores, como um instrumento capaz de promover a agregação do território metropolitano e de organizar os fluxos que evitam a dispersão funcional e espacial.
No Centro Histórico de Olinda (PE), a arquitetura furta formas e cores da natureza: os furos dos cobogós nas varandas lembram folhas leves e frutos redondos; os portões de gradil espiralam com um quê de galho retorcido de flor. Há também cor de terra e de céu no chão: quintais, cozinhas e salas de casas coloniais são ladrilhadas em marrom e azul.
Fachada da Residência Família Justos, no Centro de Ponta Grossa, construída em 1950 por Miguel Juliano. Foto: Google Maps/Reprodução
O Conselho Municipal de Patrimônio Cultural de Ponta Grossa negou o pedido de tombamento de duas das últimas casas modernistas preservadas da cidade. Os imóveis são a Residência Família Correia de Sá, de 1948, projetada por João Vilanova Artigas, e a Residência Família Justus, de 1950, concebida pelo arquiteto goiano Miguel Juliano, que ganhou destaque nacional pelas obras de cunho público.
Um dos principais cartões-postais de Belo Horizonte, a Igreja da Pampulha, projetada por Oscar Niemeyer, recebeu um minucioso trabalho de restauro e será reaberta ao público hoje, dia 4 de outubro. O edifício estava fechado desde junho do ano passado, quando se iniciou a intervenção nas infiltrações, incluindo um complexo trabalho de substituição do forro de madeira da nave central, além de manutenções gerais, como a limpeza e recuperação do revestimento externo das pastilhas cerâmicas, repintura da capela e recuperação dos passeios da calçada portuguesa.
Estádio do Pacaembu. Foto: Wally Gobetz, via Flickr. Licença CC BY-NC-ND 2.0
A Prefeitura de São Paulo assinou nesta segunda-feira, 16 de setembro, a concessão do estádio do Pacaembu ao consórcio Patrimônio SP, formado pelas empresas Progen, de engenharia, e Savona, fundo de investimentos. O estádio passará por reformas e deverá permanecer fechado ao público pelos próximos dois anos.
Quem já frequentou a praia do Rio se Janeiro certamente viu vendedores oferecendo queijo coalho ou camarão grelhados, chá mate e biscoito Globo, lanches clássicos da orla carioca. Em São Paulo, feiras servem caldo de cana e pastel frito, adaptação local de um prato trazido originalmente pelos chineses e popularizado pelos japoneses. Em Minas, o pão de queijo e o pastel, também de queijo. Em Salvador, impossível não mencionar o acarajé (com ou sem pimenta), inclusive declarado como bem cultural imaterial pelo IPHAN. A capital baiana também já conta com um Guia de Comida de Rua próprio, tamanha a diversidade encontrada na cidade.
Quilombo Cangume, Itaóca (2004). Foto: Luis Eduardo Tavares, foto tirada no projeto Cinevale em Movimento 2004. Via Flickr. Licença CC BY-SA 2.0
A Constituição Federal de 1988, ao trazer em dois de seus artigos termos associados aos quilombos, abriu portas para a apropriação dessa categoria pelos movimentos sociais camponeses mobilizados e organizados em torno do fator étnico. Processo esse não previsto pelos legisladores, que tratavam a categoria quilombo a partir de uma perspectiva passadista, baseada mais em uma abordagem arqueológica e exotizante do patrimônio cultural associado a outras matrizes culturais que não a luso-brasileira.
Habitações irregulares no Largo da Igreja do Rosário Acervo Pessoal Arquiteto André Pina. Image Cortesia de Escola da Cidade
Entre 1985 e 1989, a cidade de Olinda-PE foi palco do Piloto de um programa federal que seria desenvolvido em outras 48 cidades do Brasil. Entre outras coisas, este programa procurava viabilizar habitação social em núcleos construídos e garantir através da permanência de moradores tradicionais a memória e os modos de vida locais. Ainda pouco difundido na história do patrimônio cultural e das políticas de habitação social no Brasil, este plano aponta caminhos para a gestão de territórios a partir das práticas sociais e culturais de seus habitantes.
Patrimônio Imaterial é um conceito adotado em muitos países e fóruns internacionais como complementar ao conceito de patrimônio material na formulação e condução de políticas de proteção e salvaguarda dos patrimônios culturais, sob a perspectiva antropológica e relativista de cultura. Usa-se, também, patrimônio intangível como termo sinônimo para designar as referências simbólicas dos processos e dinâmicas socioculturais de invenção, transmissão e prática contínua de tradições fundamentais para as identidades de grupos, segmentos sociais, comunidades, povos e nações.
Ponte Hercílio Luz. Image Cortesia de Prefeitura Municipal de Florianópolis / Divulgação
A Prefeitura Municipal de Florianópolis e o Governo do Estado de Santa Catarina pretendem inaugurar até o final do ano a primeira fase do projeto de requalificação urbanística da famosa Ponte Hercílio Luz e seus arredores. Chamado Ponte Viva: Hercílio Luz Para as Pessoas, o projeto compreende não apenas a restruturação do emblemático cartão postal como infraestrutura viária, mas também seu uso para outras finalidades, como esporte, lazer e cultura.
Local é o primeiro sítio misto do Brasil, reconhecido por cultura e natureza. Image Cortesia de Iphan
O Brasil acaba de receber mais um título de Patrimônio Mundial. Paraty e Ilha Grande (RJ) foram reconhecidos nesta sexta-feira, 05 de julho, pelo Comitê da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), durante reunião em Baku, Azerbaijão. Agora, são 22 bens brasileiros na lista de sítios de excepcional valor universal.
Rio de Janeiro. Fotografia de Sandeepa and Chetan, via Flickr. Licença CC BY-NC-ND 2.0
Muito recentemente, no Brasil, a paisagem cultural apareceu como uma nova categoria para a preservação do patrimônio cultural. Compreender os seus significados pressupõe, de um lado, evocar a experiência de preservação em duas diferentes esferas, tanto a das instituições internacionais, como aquela que se desenvolveu no Brasil. Por outro lado, a compreensão demanda igualmente chamar atenção para os conteúdos específicos da origem acadêmica do conceito paisagem cultural.
Lugares são espaços físicos imbuídos de significação cultural, aos quais são atribuídos valores. No Brasil, o termo se integrou definitivamente ao vocabulário patrimonial em 2000, a partir do Decreto nº 3.551 – no qual foram instituídos os quatro Livros de Registro, dentre eles, o dos Lugares – e da aplicação do Inventário Nacional de Referências Culturais. Nesse quadro, Lugar é, portanto, uma categoria de classificação de bens culturais.
Reconhecendo os bons projetos na área patrimonial, a quarta edição do Prêmio Europeu de Intervenção ao Patrimônio Arquitetônico AADIPA anunciou 15 trabalhos selecionados na categoria A (Intervenção no patrimônio construído) e 10 na categoria B (Espaços ao ar livre).
No dia 13 de junho, no marco da IV Bienal Internacional de Intervenção no Patrimônio Arquitetônico, conferência organizada pela direção com o apoio do COAC, da AADIPA e da Generalitat de Catalunya, serão conhecidos os finalistas e o vencedor das categorias do prêmio.