Utilizando um inovador método de esvaziamento de concreto em moldes leves de tecido, os arquitetos do Orkidstudio - junto a StructureMode - se associaram com um grupo de mulheres Khmer em Sihanoukville, Camboja, para reconstruir um centro comunitário no coração urbano da cidade.
A técnica foi desenvolvida e provada meses antes pelos engenheiros do StructureMode, combinando provas físicas e a análise computacional através do software Oasys GSA Suite, com o qual foram capazes de predizer o estiramento requerido do tecido para logo derramar o concreto em seu interior. Para completar o processo em conjunto, as mulheres alfaiates e os construtores puderam compreender a sequência da construção da cofragem através de croquis tridimensionais, assim o projeto foi concluído em apenas oito semanas.
O concreto sempre possuiu uma estreita relação com a terra; como material preferido para a criação das fundações dos edifícios, um dos seus usos mais comuns é efetivamente como o substituto mais viável para a terra. No século XX, a capacidade do concreto de transformar nossa interação com o solo foi levada a outro nível. Na medida que tanto arquitetos como engenheiros exploravam as oportunidades que oferece a combinação do concreto armado e da mentalidade modernista, foram feitas várias tentativas de substituir a terra de uma maneira mais dramática: através da criação de uma nova base, separada do chão. O exemplo mais difundido entre estes foi a autopista elevada que surgiu em todo o mundo, e a mais relevante para os arquitetos, as "ruas no céu", baseados em obras como a Robin Hood Gardens de Alison e Peter Smithson.Newcastle oferece um exemplo de cidade sobre esta teoria, iniciando um ambicioso plano para tornar-se a "Brasília do Norte" por meio da criação de uma rede elevada de passagens de pedestres totalmente separada dos automóveis. O projeto foi abandonado na década de 70 e estas ideias foram implementadas apenas em pequenas partes.
Depois da dramática queda do modernismo na década de 70 e 80, o projeto de reinterpretar o solo com concreto foi, em grande medida, esquecido. Claro que os arquitetos ainda utilizaram o concreto nos seus desenhos, mas estavam felizes com a relação puramente tradicional com a terra: seus edifícios era entes discretos que estavam assentados sobre a terra, e nada mais. Entretanto, este material explorado em profundidade no livro de 2001 de Stan Allen e Marc McQuade: Landform Building: Architecture's New Terrain, nos últimos anos demostrou que os arquitetos estão dispostos a trabalhar, uma vez mais, o solo com novas e emocionantes formas. Nos anos posteriores à publicação do Landform Building, esta tendencia se intensificou, como demostram os seguintes três projetos.
O estúdio DITTEL | ARCHITEKTEN GmbH desenvolveu a Pop Up Box, um espaço comercial flexível localizado em um shopping center na cidade de Stuttgart, Alemanha. Com seu desenho cúbico, a caixa serve como uma área de mostruário adaptável e auto-contida, onde os vendedores podem mover três ou quatro peças para criar seu próprio espaço de vendas.
Talvez o único material no mercado conhecido por sua "sede", o concreto ultra poroso está sendo considerado o futuro da gestão hídrica urbana. O novo material ganhou popularidade devido a um vídeo viral que mostra uma vaga de estacionamento comum absorvendo uma quantidade incomum de água. Muita gente ficou impressionada ao assistir 4 mil litros de água desaparecerem em uma superfície aparentemente sólida de concreto em menos de 60 segundos. 1,2 milhão de visualizações depois, o vídeo iniciou um debate acerca da viabilidade e possibilidades de uso do material.
O concreto ultra poroso está ganhando credibilidade devido a extensas pesquisas conduzidas por arquitetos e engenheiros de todo o mundo. Conhecida por seu clima chuvoso, uso ousado de materiais inovadores e arquitetura nada conservadora, não é surpresa que a cidade de Roterdã, Países Baixos, tenha iniciado testes com este concreto de absorção.
Foram divulgadas as imagens do primeiro projeto de Eduardo Souto de Moura nos EUA. Concebido para substituir um posto de gasolina na 2715 Pennsylvanian Avenue NW, em Washington DC, o edifício de cinco pavimentos de tijolo e concreto contará com um restaurante no térreo, oito apartamentos de aproximadamente 190m² com balcões, uma academia e um grande apartamento de cobertura.
Segundo o BizJournals, a proposta está sendo chamada pela EastBanc Inc. como a nova "entrada de Georgetown". O arquiteto português escolheu o tijolo avermelhado "porque parece o mais apropriado para esta parte da cidade."
Esta semana o Arquivo destaca dez projetos imperdíveis que utilizam o concreto aparente.
O concreto como material estrutural, robusto e escultórico, é capaz de integrar diversos espaços e volumes num caráter único. Quando o concreto é aparente, é ele que define a qualidade plástica, material e tectônica de um projeto, sem a necessidade de um revestimento superficial.
Na seleção buscamos não focar em grandes clássicos já conhecidos, mas sim em mostrar a versatilidade que o material apresenta perante o programa e partido de cada projeto. Veja os projetos escolhidos, a seguir.
O edifício tem dupla fachada: a oculta e a exposta. A fachada oculta é composta de quatro faces de vidro, tipo cortina, com caixilharia em alumínio. O distanciamento entre montantes é de um metro e trinta e dois centímetros. A fachada exposta é de concreto aparente, composta por sete módulos simétricos de dois metros e sessenta e cinco centímetros de largura e igual altura, no sentido horizontal, e doze módulos idênticos no sentido vertical. Cada face tem dezoito metros e setenta e cinco centímetros de largura e trinta e dois metros de altura, a partir do primeiro pavimento. Os módulos de concreto possuem duas barras diagonais, que resultam em um X inscrito em um quadrado, para o travamento estrutural, conformando uma grelha com o total de oitenta e quatro unidades em cada fachada. Trata-se de quatro planos suspensos com treliças tubulares, distantes sessenta centímetros do plano interno de vidro e sem intersecção nas arestas.
1. A cidade: Santos, em função de sua litorânea, tem a peculiaridade de dispensar ao seu principal clube a necessidade de grandes áreas livres para recreação e esporte, que são normalmente praticados nas praias.
Exibido na Bienal de Design de Boston em 2013, o projeto Helix, do estúdio Matter Design, consiste em uma escada espiral de concreto. Destaca-se seu tamanho - a escada foi construída com a metade do tamanho para responder a questões práticas, como o peso e acesso ao local da mostra - e, sobretudo, os detalhes de seus encaixes. Enquanto os degraus da maior parte das escadas espirais se apoiam tanto no perímetro quanto em uma coluna central, Helix transfere as cargas através dos degraus abaixo até sua base, que, em vez de descarregar o peso no piso, está suspensa por um tirante que a conecta ao teto.
Após nove anos de pesquisas e desenvolvimento, uma equipe da TU Delft apresentou os avanços de um protótipo de concreto que se regenera (Self-healing Concrete) devido à adição de bactérias em sua composição. Estas tem a capacidade de "quebrar" alguns componentes do concreto e recuperar gradualmente pequenas rachaduras e orifícios
A fórmula desenvolvida pela TU Delft vai além de reparar imperfeições meramente estéticas; estas fendas, se não reparadas, podem aumentar e permitir a entrada de água no interior da estrutura, lavando à corrosão do aço e ao comprometimento das qualidades mecânicas da estrutura.
"Acredito que este é um ótimo exemplo de como unir a natureza e a construção em um novo conceito", explicou o professor e pesquisador da TU Delft, Henk Jonkers.
Desde sua criação na primeira metade de século passado, a Lego não apenas se transformou em uma espécie de fetiche para os arquitetos, como também evoluiu para explorar as infinitas possibilidades que se escondem por trás de seu propósito lúdico e didático original.
Já vimos sua utilização em réplicas de clássicos arquitetônicos, intervenções urbanas, jogos virtuais e, inclusive, na construção de elementos arquitetônicos em escala real. Porém, nunca havíamos reconhecido seu potencial como molde. Sua resistência e facilidade de montagem permitem criar formas eficientes e fáceis de manusear, que, ao serem preenchidas com concreto, geram em seu espaço negativo incríveis peças de mobiliários com diferentes texturas.
Assista ao vídeo acima para conhecer esse inovador sistema de fabricação de móveis.
Ao edifício entra-se pelo lado do sol. Uma marquise quadrada cujo lado mede vinte e um metros sombreia o acesso principal e as vias de embarque e desembarque. A fachada frontal noroeste, a mais extensa, e as fachadas laterais sudoeste e nordeste configuram-se como um muro espesso de seção trapezoidal, marcado por reentrâncias, nichos, e pequenas aberturas recuadas. Incorporam recintos de serviço em seu interior de modo a ampliar sua espessura, e assim sua inércia térmica. Formam um U, ou um grampo, que circunda e encerra o interior do edifício.
O edifício caracteriza-se por um volume de concreto aparente com vinte e cinco metros de altura e planta triangular com lado de cinquenta metros de comprimento, sustentado por três pilares que nascem com uma seção trapezoidal e se abrem plasticamente na forma de V para criar dois pontos de apoio. As partes internas dos pilares servem de ligação e suporte para a torre metálica, composta por uma pirâmide de base hexagonal variável e altura de cento e noventa e dois metros, completando os duzentos e dezessete metros totais do projeto.
Obra cujo projeto foi aprovado no mesmo ano do concurso do Plano Piloto de Brasilia, e concluída quando a nova capital se consolidava, a sede do Jockey Club Brasileiro (1956-72) é um curioso contraponto ao Ministério da Educação assinado pelo mesmo autor (e equipe) a duas quadras e uns quinze anos antes (1936-45). Tanto o Ministério quanto o Jockey ocupam toda uma quadra na mesma Esplanada do Castelo. Mas o Ministério abriga uma instituição pública, e constitui uma exceção à legislação dominante, que impõe o quarteirão fechado, construído no perímetro com um ou dois pátio centrais. Com um partido em T, o Ministério resulta num quarteirão quase aberto, singular e por isso mesmo memorável, monumental. Abrigo de instituição privada e necessitada de renda, o Jockey é uma variante do quarteirão fechado padrão, com o pátio central ocupado por uma garagem em altura para 785 carros.
Por Letícia de Oliveira Neves O edifício é composto por dois blocos, um principal e um anexo, que possuem cota única de implantação. A ligação entre os diversos ambientes fechados se dá por pátio e corredores cobertos, tudo organizado embaixo de uma cobertura única, em concreto, que é dividida em módulos e dá suporte estrutural ao conjunto. Dentro do edifício principal há um jardim interno, que ocupa o espaço de dois módulos.