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Casa Malaparte. Foto de Cornelli2010, via VisualHunt / CC BY-NC
A Casa Malaparte, construída em 1938 pelo arquiteto racionalista Adalberto Libera, em Punta Massullo na Ilha de Capri, Itália, é considerada um dos exemplos mais icônicos da arquitetura moderna italiana. A residência, um bloco retangular vermelho recortado por uma escadaria na cobertura, está construída em um penhasco, 32 metros acima do Golfo de Salerno. Encontra-se completamente isolada da civilização, acessível apenas de barco ou a pé.
No município de Bazoches-sur-Guyonnes, a cerca de 40 quilômetros a sudoeste de Paris, encontra-se uma das mais importantes casas particulares desenhadas por Alvar Aalto: a Maison Louis Carré. O cliente, Louis Carré, era um negociante de arte francês proeminente que também tinha muito interesse em arquitetura. Ele desejava uma casa que fosse capaz de acomodar muitos convidados para exibições de arte, mas que também incorporasse um componente privado. Encomendou a Aalto para projetar sua casa em 1956, e Louis Carré e sua esposa, Olga, mudaram-se para sua nova casa três anos mais tarde.
Casa Diego Rivera e Frida Kahlo. Via: Wikimedia, licença CC BY-SA 3.0
As casas gêmeas de Diego Rivera e Frida Kahlo, atual sede do Museu Casa Estúdio, foram encomendadas em 1931 para o jovem arquiteto e amigo da família, Juan O'Gorman. Esta importante obra foi uma das primeiras construções funcionalistas da América Latina, incorporando o estilo orgânico mexicano de maneira muito natural. O conjunto abrange uma casa para Frida e outra para Diego, com um estúdio em cada uma delas.
O fotógrafo de arquitetura Guilherme Pucci compartilhou conosco uma série de imagens da Igreja Ascensão do Senhor no Centro Administrativo da Bahia, projetada por João Filgueiras Lima, o Lelé. Concluído em 1975, este clássico da arquitetura brasileira revela a sensibilidade de Lelé ao projetar, seja pela escolha do local onde se implantou a edificação, integrando-se à topografia, pela qualidade dos materiais empregados – concreto, vidro, madeira e pedra –, ou, ainda, pela tensão criada por sombra e luz no interior da igreja.
Gottfried Böhm é um arquiteto alemão que recebeu o Prêmio Pritzker no ano de 1986. Seu pai, Dominikus Böhm e seu avô Alois Böhm foram arquitetos, assim como três de seus filhos, entre eles, Peter Böhm. Poucos sabem que ele construiu duas obras no Brasil, em Brusque e Blumenau, duas cidades com enorme influência alemã na cultura. O fotógrafo Ronaldo Azambuja compartilhou conosco o ensaio da Igreja Matriz São Luiz Gonzaga, em Brusque. O texto foi escrito por Angelina Wittmann, arquiteta e pesquisadora.
O período compreendido pelo século XX foi palco de mudanças que vão desde o surgimento e consolidação da arquitetura moderna à difusão de críticas e teorias ao movimento tão diversas quanto a produção arquitetônica do mesmo período. A expressão e experimentação de arquitetos refletiram em interiores que hoje consideramos “clássicos”, devido à relevância que tiveram para o debate e produção das décadas seguintes.
No período de formação e prática da arquitetura, nos deparamos com inúmeros exemplos de obras que, pelos mais variados motivos, marcaram a história da disciplina. Tais exemplos se tornam grandes referências no repertório de um arquiteto, influenciando sua maneira de ver e projetar arquitetura. No entanto, a compreensão de um lugar é incompleta sem a sua experiência presencial e por isso, durante viagens, buscamos conhecer obras icônicas no intuito de aprofundar nosso repertório.
Porém, nem sempre essas obras são facilmente acessíveis ou próximas aos roteiros pré-estabelecidos, o que pode resultar em verdadeiras peregrinações para conhecê-las.
A tensão entre a modernidade e a tradição é o traço mais marcante da obra de Hans Broos, o que fica evidente nos projetos para a Cia Hering, onde edifícios ecléticos são confrontados com construções em concreto aparente, numa simbiose de tempos históricos.
Nisso consiste a radical contemporaneidade do seu trabalho: Broos entende o contemporâneo como a convivência de épocas distintas, que se encontram num mesmo momento, conformando o maravilhoso emaranhado de que é feito o tempo, como dizia Lina Bo.
O fotógrafo especializado em arquitetura Guilherme Pucci compartilhou conosco seu ensaio da garagem de barcos que integra o complexo Santa Paula Iate Clube, projetada pelo arquiteto João Batista Vilanova Artigas no início da década de 1960 e fechada em meados de 1980. Atualmente, o edifício, um dos ícones da arquitetura moderna paulistana, localizado na beira da Represa Guarapiranga, na Zona Sul da cidade de São Paulo, encontra-se em estado de mal conservação e abandono.
Quais são as condições e fatores que fazem com que uma obra de arquitetura se transforme em um ícone, um clássico? E o que isso tudo tem a ver com a construção da memória coletiva do lugar? Primeiramente, uma obra de arquitetura icônica deve ser capaz de despertar a admiração por suas características e formas únicas. O nascimento de um ícone da arquitetura tem a ver com uma série de fatores históricos, e principalmente em como ela ecoa o espírito de seu tempo. Ainda assim, algumas destas obras perecem e desaparecem prematuramente, passando a habitar um outro território: o território mítico da memória. La ‘Pagoda’ de Miguel Fisac, é um destes ícones míticos da arquitetura, o qual começou a ser construído em 1965 e foi demolido - em um evento carregado de teatralidade e dramas sociais - em poucos dias durante o mês de julho de 1999, trinta e poucos anos depois.
Carinhosamente apelidado de La ‘Pagoda’ pelos madrilenhos, evidenciando sua semelhança com as construções asiáticas, o icônico edifício de Fisac nunca foi uma obra unânime entre a comunidade de arquitetos. Ao longo de sua construção, auge e declínio, o Edifício de Laboratórios JORBA passou por uma centena de episódios e eventos trágicos: denúncias movidas por instituições religiosas, negligência por parte de seus administradores, especulação imobiliária, ciúmes profissionais e uma comunidade incapaz de compreender e apreciar a qualidade de uma obra de arquitetura que, nos dias de hoje, é vista como um mito ou mártir; vítima de uma injusta demolição.
Clássico dos Clássicos por sua representação arquitetônica na imaginação dos peruanos, por ser um lugar onde se jogam os clássicos ou icônicos resultados, como a classificação da Copa do Mundo depois de tantos anos; este edifício é também, e acima de tudo, um clássico da arquitetura moderna peruana. O que esta apresentação pretende é ir desde o mais visível e familiar até os dias de hoje, para compreendê-lo em sua estrutura e projeto originais.
A construção do Terminal Rodoviário Rita Maria, projeto ganhador de concurso nacional de arquitetura, remonta ao final dos anos 1970, período de execução do Aterro da Baía Sul na Ilha de Santa Catarina, em Florianópolis. O aterro, que recebeu projeto paisagístico de Roberto Burle Marx, foi parte de estratégia, à época, de renovação do sistema viário da cidade.
https://www.archdaily.com.br/pt/909014/classicos-da-arquitetura-terminal-rodoviario-rita-maria-enrique-brena-nadotti-e-yamandu-carlevaroLuiz Eduardo Fontoura Teixeira, Guilherme Freitas Grad e Ulisses Munarim