Zofia Chomötowska, esforço de remoção de escombros no local do Blank Palace na Praça do Teatro, 1945. Imagem cortesia do Museu de Varsóvia
A exposição "Warsaw 1945-1949: Rising from Rubble" ocorreu este ano no Museu de Varsóvia, explorando o processo de reconstrução da cidade que ocorreu após a Segunda Guerra Mundial. Neste período, toda a estrutura urbana, arquitetura, status social e econômico de Varsóvia tiveram de ser reconstruídos do zero. Com curadoria de Adam Przywara, a exposição "ofereceu uma nova perspectiva sobre o mito da reconstrução pós-guerra da capital polonesa e uma das páginas mais interessantes de sua história".
Uma das coisas que mais me chamam a atenção quando visito grandes cidades em outros países, sejam elas capitais europeias ou vizinhas aqui da América do Sul, é a ocupação dos espaços públicos pelas pessoas.
E não me refiro apenas a parques ou praças. Seja em Buenos Aires, Santiago, Paris ou Amsterdã, por exemplo, ao menos nos dias de sol, quase qualquer gramado é ocupado pelas pessoas, por crianças correndo e brincando, amigos fazendo piquenique, jovens lendo estirados ao sol.
https://www.archdaily.com.br/pt/1005804/em-sao-paulo-a-praca-e-nossaVitor Meira França
O objetivo do concurso é selecionar um projeto de requalificação urbana para a área do entorno do Mercado Municipal Paulistano, que atualmente abrange uma série de funções além do comércio, transformando-se em um polo turístico central da cidade.
O concurso busca duas abordagens complementares: um plano estratégico de intervenções que abranja uma área acessível a pé em até 15 minutos, com o Mercado como centro, e um conjunto de intervenções físicas para melhorar o espaço dentro de um perímetro mais amplo de doze quarteirões, enfrentando desafios urbanos centrais da área, como a relação com o rio Tamanduateí e o ramal ferroviário.
O escritório Solss Arquitetura foi premiado com o primeiro lugar no concurso nacional Iconicidades, promovido pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul e lançado em abril deste ano. A iniciativa buscava selecionar as melhores propostas de transformação de espaços públicos em locais de estímulo à economia criativa nas cidades de Pelotas, Rio Grande, Santa Maria, Cachoeirinha e São Leopoldo.
A firma venceu o concurso em São Leopoldo, que tinha como objetivo escolher o melhor projeto de requalificação para a Casa da Feitoria e o Museu do Imigrante, preparando o espaço para as comemorações dos 200 anos da imigração alemã no Brasil. Conheça o projeto a seguir:
https://www.archdaily.com.br/pt/1006321/solss-arquitetura-vence-concurso-de-requalificacao-da-casa-da-feitoria-e-museu-do-imigrante-em-sao-leopoldoArchDaily Team
Arranha-céus são símbolos icônicos de modernização urbana e avanços tecnológicos em toda a América do Norte. Com efeito, essas estruturas são consideradas um sinal de prosperidade econômica, densidade urbana e da ambição humana. Em grandes cidades em todo o sub-continente, eles dão forma para o horizonte e identidade a essas metrópoles. Cidades como Nova York, Toronto e Miami mostram poder por meio desses projetos de ponta, que vão além de sua estatura física.
De maneira geral, arranha-céus são caracterizados por sua altura notável e pioneirismo na engenharia. Eles utilizam materiais como aço, vidro e concreto, e servem como espaços multifuncionais, que vão desde moradia até hotéis e escritórios. Arquitetos de todo o mundo ampliam os limites da criatividade arquitetônica, do design, da sustentabilidade e da funcionalidade ao construir esses edifícios. As estruturas permitem que os arquitetos maximizem o uso da terra de novas maneiras em áreas urbanas densamente povoadas.
O episódio 75 do Betoneira contou com a presença de Otavio Zarvos, fundador da imobiliária Idea!Zarvos, de São Paulo. Na entrevista, ele contou sobre seu primeiro projeto construído no bairro Vila Madalena, e como atraiu outros investidores, comprou alguns imóveis no entorno e iniciou o que viria a ser uma das imobiliárias mais conhecidas da cidade. Sua experiência como administrador o ajudou a planejar e fazer as contas necessárias para o empreendimento dar certo.
A locomoção em algumas cidades pelo mundo é mais simples de compreender, assim como achar um endereço sem o GPS não se torna uma tarefa tão difícil, mesmo para quem visita um lugar pela primeira vez. O desenho dos municípios ajuda a explicar essa sensação que determinadas localidades transmitem. Espaços urbanos projetados em grelha (ou grid, do original em inglês), como Barcelona (Espanha), Nova York, Chicago e Phoenix (EUA) e Toronto (Canadá), por exemplo, no qual as vias se cruzam formando ângulos retos — compondo um mapa parecido com uma grade — facilitam a orientação dos indivíduos e otimizam a utilização dos ambientes.
Ao estudar e viajar por cidades do mundo inteiro, uma das cenas urbanas mais marcantes que vi foi uma praça em Tóquio cheia de crianças uniformizadas, brincando durante seu intervalo escolar. A praça tinha apenas uma cerca baixa, mas pessoas diversas (como eu) podiam se misturar e interagir em meio às crianças. A independência infantil no Japão é mundialmente conhecida e foi recentemente retratada na série “Old Enough” do Netflix, onde crianças com menos de 6 anos fazem tarefas fora de casa, sozinhas, sem os pais. Para um morador de Tóquio talvez sejam cenas corriqueiras, mas para alguém com outro referencial urbano, é imediata a pergunta “como isso é possível?”, tão distante é da realidade da maior parte das nossas grandes cidades.
Eco Parque Tebet / SIURA Studio. Imagem cortesia de SIURA Studio
Em mais um episódio sobre qualidade de vida e conexão com a natureza, o Arquicast explora um tema que se tornou ainda mais relevante nos últimos tempos: as áreas livres públicas nas cidades, com foco nos preciosos espaços verdes e revitalizantes, os parques e praças urbanas. Em um mundo cada vez mais urbano, a busca por lugares de conexão com a natureza se tornou essencial. A discussão é enriquecida por dois convidados especiais: Luciana Jesus, arquiteta urbanista e líder do grupo de pesquisa Paisagem Urbana e Inclusão da Universidade de Vila Velha, e Klaus Chaves Alberto, doutor em urbanismo e pesquisador no campo da saúde, bem-estar e qualidade de vida da Universidade Federal de Juiz de Fora.
A Atrium Ljungberg divulgou recentemente o Stockholm Wood City, o maior projeto de construção urbana em madeira do mundo — uma tentativa de demonstrar a preocupação sueca com a sustentabilidade. Do outro lado do mundo, o Projeto Tamango da Tallwood Architects é um exemplo dos desafios e oportunidades da construção em madeira no Chile e poderá ser o primeiro edifício de 12 pavimentos feito com estrutura de madeira pré-fabricada na América Latina.
No projeto de espaços abertos, considero que um dos conceitos mais importantes — e mais difíceis de serem explicados — é o de conformação de espaços abertos “positivos”. Até onde pude apurar, essa denominação foi dada por Alexander et al (1977) no “Linguagem de Padrões” e continua sendo utilizada por outros autores (ver, por exemplo, CARMONA et al, 2003), apesar de não ser um termo amplamente adotado.
Sharjah, o fascinante território nos Emirados Árabes Unidos, é um polo cultural que mescla tradição com modernidade contemporânea. Situada na costa arábica, a cidade é conhecida por seu compromisso em preservar sua rica história, promover as artes e a cultura, e proporcionar uma plataforma para atividades criativas e intelectuais. Entre 11 de novembro deste ano a 10 de março de 2024, a cidade receberá a Trienal de Arquitetura de Sharjah, com o tema A Beleza da Impermanência: Uma Arquitetura de Adaptabilidade. A Trienal tem curadoria de Tosin Oshinowo, explorando soluções de design inovadoras emergindo de condições de escassez no Sul Global.
Com uma conexão profundamente enraizada em sua herança cultural, o emirado abriga uma variedade de museus que apresentam uma jornada por várias épocas, desde a civilização islâmica até estilos de vida tradicionais. Agora um ponto de destaque para designers emergentes, a cidade assumiu um papel de liderança como patrona das belas artes. Na cidade contemporânea, as atrações são projetadas por diversos arquitetos, como Foster + Partners, Zaha Hadid Architects, 51-1 Arquitectos e Hopkins Architects. Além dessa cena cultural emergente, a antiga Sharjah permanece como a memória viva da tradição histórica, com antigas arquiteturas convertiras em programas contemporâneos.
Há muitas razões para que algumas áreas da cidade se deteriorem e outras se dinamizem, incluindo questões econômicas, urbanísticas, sociais e culturais, além da aleatoriedade. Entender essas dinâmicas — e, mais do que isso, minimizar as chances de deterioração e favorecer a dinamização de áreas urbanas é um tema recorrente no urbanismo, uma vez que há o desejo, comum e legítimo, de se viver em ambientes belos, agradáveis e prósperos.
O primeiro ônibus a ganhar módulos solares está rodando na cidade alemã Hof, no nordeste da Baviera. Foto: Sono Motors
A empresa alemã Sono Motors tornou-se mundialmente conhecida ao desenvolver o Sion, automóvel elétrico movido a energia solar. Entretanto, por falta de financiamento para apoiar a produção pré-série, o projeto foi encerrado em fevereiro deste ano e o foco agora é atuar na adaptação e integração de sua tecnologia solar patenteada em veículos de terceiros.
O fracasso empresarial pode ser uma boa notícia para o meio ambiente, uma vez que, ao invés de concentrar-se em veículos individuais, o modelo de negócios foi transformado para atender a uma ampla gama de veículos, incluindo ônibus, caminhões e veículos refrigerados.
A Bienal de Arquitetura de Chicago divulgou uma programação dividida em etapas para sua quinta edição, CAB 5: This is a Rehearsal(Isso é um Ensaio). A inauguração oficial do evento acontecerá em 21 de setembro, com instalações pontuais por diferentes locais da cidade, e em primeiro de novembro serão abertas as mostras no Chicago Cultural Center e na Graham Foundation. A curadoria do CAB 5 está a cargo do coletivo Floating Museum, um grupo de artistas, designers, poetas e educadores focados em construir conexões entre arte, comunidade, arquitetura, infraestrutura e instituições públicas.
Desde o nascimento de nossas cidades, garantimos a proteção dos espaços verdes dentro delas. Civilizações tão antigas quanto os romanos construíram amplos parques no coração da cidade, como o Rus in Urbe — traduzido como Campo na Cidade — ainda hoje referenciado. Para controlar o boom da urbanização em meados do século XX, as políticas de cinturão verde em muitas cidades europeias literalmente cercaram os ambientes naturais ao redor delas, tornando a qualidade do ar e o acesso à natureza parte da vida urbana.
A cidade pós-pandemia, no entanto, é uma nova espécie de conurbação, e estes parques urbanos e cinturões verdes já não são suficientes. À medida que migramos em busca de climas mais verdes e saudáveis, as cidades que abandonamos estão evoluindo e provando que também podem ser verdes, trocando as superfícies menos utilizadas de ruas por parques. Esses quatro projetos na Europa transformaram os espaços urbanos não utilizados de volta aos ambientes verdes naturais e regenerativos que já foram.
A presença e distribuição de espaços verdes nas cidades costuma ocorrer de maneira desigual por seu território, e eles não são acessados e desfrutados por seus cidadãos da mesma forma. A relação entre a vegetação e a concentração de riqueza em áreas urbanas é um fenômeno complexo e multifacetado, e que inclusive pode ser percebido através de imagens aéreas de muitas áreas urbanas, onde a cor verde parece ter maior destaque e concentração nas regiões mais valorizadas economicamente. Essa ligação tem sido objeto de reflexão e debate em todo o mundo, e desempenha um papel significativo na forma como as disparidades socioeconômicas se manifestam espacialmente e afetam a qualidade de vida das populações urbanas, sobretudo as mais vulneráveis.
A divulgação recente dos primeiros resultados do Censo 2022 é fabulosa para qualquer pessoa que acredita no uso de dados para orientar negócios e políticas públicas. O debate sobre eles já começou, e o impacto real será de longo prazo. Da política habitacional à representatividade legislativa, muita coisa pode mudar em função dessa pesquisa. Mas cautela e canja de galinha nunca fizeram mal a ninguém, dizem com razão — apesar de não gostar do segundo.