Diferentemente dos edifícios, que são ancorados a fundações e respondem ao clima a partir de uma posição fixa, os iates são projetados para o movimento e a mudança constantes. Os interiores balançam com a embarcação, a iluminação muda a cada minuto, a umidade é uma condição permanente de projeto e cada quilograma influencia no desempenho. Projetar para o mar, portanto, exige de arquitetos/as, arquitetos/as navais, engenheiros/as e designers de interiores a solução de questões que raramente existem na terra: como o espaço pode permanecer sereno enquanto tudo ao seu redor está em movimento?
Projetar um banheiro exige um grande cuidado com os detalhes para que ele se mantenha bonito e organizado. A quantidade de produtos de higiene e cuidados de saúde, normalmente guardados nesse ambiente, exigem não apenas armários funcionais, mas também outras estratégias. Cada vez mais vemos a solução do nicho sendo utilizada para criar um recuo na parede que permite otimizar o espaço disponível e, de brinde, tornar o ambiente mais esteticamente agradável. Por isso, aqui trazemos alguns exemplos de nichos de banheiro e dicas para sua instalação, assim como outros exemplos que vão além das tradicionais saboneteiras.
O banheiro Huussi no pavilhão da Finlândia na Bienal de Arquitetura de Veneza de 2023 descarta resíduos sem água. Fotógrafo: Ugo Carmeni
Embora haja registros de latrinas desde 3.100 a.C., a primeira privada foi criada em 1596 pelo inglês John Harington. Ele fez duas unidades: uma para ele e outra para a rainha Elizabeth 1ª.
A ideia não pegou à época e só em 1775 o escocês Alexander Cumming patenteou a privada moderna, já visando o escoamento num sistema de esgoto. Em 1885, outro inglês, Thomas Twyford criou a primeira privada em porcelana que substituiu as peças de madeira, descritas anteriormente.
Se por um lado os banheiros apresentam certa rigidez quando pensamos no layout e sua disposição espacial, é nos revestimentos de piso e de parede que essa lógica se inverte. Com a grande variedade de modelos e padrões disponíveis no mercado, os revestimentos cerâmicos e porcelanatos são muitas vezes utilizados para dar qualidade e identidade ao espaço. Ao mesmo tempo, a facilidade de acesso aos revestimentos cerâmicos e porcelanatos e também sua facilidade de instalação, acabam por condicionar nossas escolhas, dificultando pensar outras possibilidades de acabamentos para essas áreas.
Ao longo do tempo, o espaço do banheiro no ambiente doméstico tem ganhado cada vez mais relevância. Hoje em dia, ele é concebido como um espaço de bem-estar e saúde onde se pode viver uma experiência que se ajuste às necessidades e demandas específicas de seus usuários. Além das diferentes tecnologias, dos tipos de desenho, ou dos materiais que são aplicados, arquitetos e designers demonstram as múltiplas configurações e disposições que esses espaços podem adotar por meio de seus projetos, desenvolvendo estratégias tanto a nível estético e projetual, quanto técnico e funcional.
Dentro de diversos – senão todos – programas arquitetônicos, existe uma função que é um requisito básico e comum a eles: o banheiro. Não se projeta uma residência, escritório, espaço comercial, teatro, museu, espaços religiosos, parques, escolas, sem ele. Em alguns países, o sanitário público faz parte da infraestrutura urbana, da mesma forma que o são transporte público ou coleta de resíduos. Direito básico da humanidade, ainda que negado para uma parcela considerável da população global, o sanitário acompanha o desenrolar histórico. A modernidade trouxe consigo a separação entre público e privado, e o cômodo passou a ser cada vez mais reservado na sociedade ocidental.
Com molduras e painéis impermeáveis envolventes em qualquer cor para combinar ou contrastar com a decoração, as divisórias de box como a Eterna da Samo são uma ferramenta útil no design do banheiro. Cortesia da imagem de Samo
Já publicamos antes sobre a preferência por chuveiros em vez de banheiras no quesito saneamento. Uma terapia de higiene instantânea, eles são mais rápidos, mais limpos, mais eficientes em termos de energia e usam menos água do que seus irmãos horizontais.
A popularidade dos chuveiros significa que há uma enorme variedade de formas, tamanhos e tipos no mercado. No entanto, o planejamento do banheiro pode ser exaustivo com tantas opções para escolher. Aqui estão seis perguntas simples a fazer ao definir um local para o box perfeito se adequar a qualquer tipo de espaço, estilo de vida ou preferência.
Ter acesso a um banheiro é, acima de tudo, um fator de dignidade. Por mais básico que isso possa parecer, a OMS (Organização Mundial da Saúde) estima que 2 bilhões de pessoas no mundo não possuem instalações de saneamento básico, como banheiros ou latrinas. Também, que o saneamento inadequado causa 432.000 mortes anualmente, principalmente por diarréia, além de ser um agravante para várias doenças tropicais negligenciadas, como vermes intestinais, esquistossomose e tracoma. Em 2010, a ONU (Organização das Nações Unidas) considerou o saneamento como um direito básico, assim como o acesso à água potável.
Pensar a marcenaria em áreas molhadas é uma das partes fundamentais do projeto de interiores. No caso dos banheiros, além de criar espaços para armazenamento de produtos de higiene pessoal ou toalhas, a marcenaria pode servir como elemento que compõe o espaço ao trazer diferentes possibilidades de decoração ou, ainda, esconder tubulações.
Pesquisas recentes revelaram qual a frequência média de banhos diários em alguns países no mundo. Enquanto nos latino-americanos, liderados por Brasil, México e Colômbia, as pessoas tomam de 8 a 12 banhos por semana, na grande maioria dos países litados a média fica em torno de 6 a 8. O banho, ao longo da história da humanidade, envolve tanto aspectos de saúde como religiosos, espirituais e até sociais.
O paisagismo de interiores acontece das mais variadas formas, afinal, trazer o verde para os ambientes internos tem demonstrado diversos fatores benéficos para a qualidade do espaço e seus usuários. Salas e escritórios normalmente possuem um espaço dedicado para as plantas, mas isso nem sempre acontece com os banheiros. Por isso, elencamos alguns modos de levar a vegetação para este espaço muitas vezes subestimado.
Estação Fairview Park Comfort, Staten Island. Imagem via NYC Parks, projeto de Sage e Coombe Architects
No campo do design, muitas vezes falamos em garantir que haja espaços públicos suficientes para atender a uma comunidade. Discutimos a necessidade de parques públicos para que as pessoas tenham acesso a espaços ao ar livre. Pensamos no transporte público e em como nossa dependência cada vez menor de carros ajudará a garantir um planeta mais saudável. Mas e quanto aos espaços públicos que nos faltam? O que acontece quando não temos banheiros públicos suficientes?
Embora o design e o layout dos banheiros que usamos atualmente seja milenar, ainda assim eles são considerados um dos cômodos mais difíceis de projetar e reformar. Existem muitas regras a serem seguidas durante os primeiros estágios do planejamento de um banheiro, especialmente porque envolve “pré-planejamento” e associação de encanamento, circuitos elétricos, conexões em cantos e áreas pequenas de piso. Vamos explorar os fundamentos do encanamento e onde alocar cada acessório para otimizar o layout do banheiro, facilitando seu projeto “faça você mesmo” de reforma ou criando o espaço do zero.
Ao longo dos anos, os projetos de interiores têm evoluído de acordo com as necessidades que vão se apresentando, mas sobretudo experimenta a partir das possibilidades de experiências que pode evocar no usuário. Nos últimos dois anos, testemunhamos uma mudança radical e um interesse especial por este assunto, pois a pandemia nos obrigou a prestar mais atenção à configuração dos espaços que habitamos. Isso consequentemente desencadeou projetos muito mais holísticos que procuram abordar o bem-estar do usuário, combinando cores, experiências sensoriais, tecnologia e elementos naturais que promovem a saúde.
“Criar uma cidade equitativa implica em que cada cidadão tenha suas necessidades atendidas”, diz a arquiteta Wanda Dalla Costa em um momento em que as metrópoles passam por muitas mudanças. Arquitetos e o público começaram a reconhecer o design de espaços públicos orientado para o gênero. Em todo o mundo, historicamente, as áreas urbanas têm sido um local de discriminação e perigo para a comunidade LGBTQ+. Por outro lado, a questão de gênero pode ser evidenciada em zonas públicas que promovam a visibilidade e interação entre as pessoas. Um árduo desafio recai sobre arquitetos e planejadores: projetar ambientes justos e espaços equitativos.
Béton brut ou "concreto bruto" é um material naturalmente poroso que oferece muitas vantagens para o projeto e a construção de um banheiro. Como material impermeável e resistente à pressão, é fácil de limpar, não se deteriora, previne o fungo do banheiro e possui uma baixa manutenção. Atraente e funcional, o concreto é versátil tanto para mobiliário no local como para o revestimento de parede, pisos e até pisos de áreas molhadas. Além disso, devido à sua massa térmica, o concreto é um excelente material para aquecimento de piso.
https://www.archdaily.com.br/pt/915413/banheiros-de-concreto-aparente-brutalismo-no-espaco-intimoMartita Vial della Maggiora
Sem incluir uma banheira e sem a necessidade de portas, telas ou cortinas, os chuveiros sem box ou desníveis - também chamados de walk-in - permitem aumentar visualmente o espaço ao projetar banheiros, dando a eles uma imagem limpa e reduzida ao essencial.
No entanto, algumas precauções devem ser tomadas para seu desenho. A coisa mais importante: o chuveiro não pode ser completamente aberto, mesmo que pareça à primeira vista. A maioria dos projetos incorpora um vidro temperado que evita que a água "salte" para fora do espaço do banheiro, fechando sutilmente o espaço. Quando essa divisão transparente não possui marcos, é menos provável a aparência de fungos devido ao acúmulo de água e umidade.