No País dos Arquitectos é um podcast criado por Sara Nunes, responsável também pela produtora de filmes de arquitetura Building Pictures, que tem como objetivo conhecer os profissionais, os projetos e as histórias por trás da arquitetura portuguesa contemporânea de referência. Com pouco mais de 10 milhões de habitantes, Portugal é um país muito instigante em relação a este campo profissional, e sua produção arquitetônica não faz jus à escala populacional ou territorial.
CRA - Carlo Ratti Associati e o arquiteto Italo Rota desenvolveram um projeto para transformar um complexo hospitalar do século XVIII em Modena, na Itália, em um polo multidisciplinar de cultura e inovação. O projeto para o novo centro, chamado AGO Modena Fabbriche Culturali, inclui uma cobertura cinética inspirada em origami projetada em colaboração com o engenheiro e artista Chuck Hoberman. O equipamento cobrirá um pátio triangular no centro do complexo. O plano de restauração também busca melhorar a flexibilidade para que a estrutura possa se adaptar facilmente às mudanças futuras de configuração do espaço.
Como disse a arquiteta e curadora da Bienal de Veneza de 2023, Leslie Lokko, "após dois dos anos mais difíceis de que se tem memória, nós arquitetos temos uma oportunidade única de mostrar ao mundo o que fazemos de melhor: propor ideias ambiciosas e criativas que nos ajudam a imaginar juntos um futuro mais igualitário e otimista".
2023 terá uma série de eventos de arquitetura que tentarão incorporar essas ideias ambiciosas e criativas. Desde a abordagem de Veneza sobre a África como laboratório do futuro até a revisão de 100 anos de Seul, passando por Chicago e sua arte que encontra arquitetura e civismo. A seguir, veja 12 eventos de arquitetura que merecem sua atenção no próximo ano.
Programa de compartilhamento de bicicletas em Las Vegas. Imagem via RTC
Nos últimos anos, os sistemas de compartilhamento de bicicletas experimentaram um renascimento potencializado pela pandemia que ocasionou um duro declínio de outras formas de transporte coletivo. Embora o número de ciclistas tenha parado de subir, uma vez que diversos aspectos da "vida normal" retornaram, muitas pessoas continuam a ver as bicicletas compartilhadas como um meio de transporte viável, atraídas pela facilidade e acessibilidade de ir de um lugar a outro.
Os escritórios Zaha Hadid Architects e Architects 61 revelaram o projeto para o novo Centro de Ciências no Distrito do Lago Jurong, em Singapura. O complexo de 52.460 metros quadrados visa tornar a ciência, a tecnologia, a engenharia e a matemática (STEM) mais acessíveis por meio de equipamentos especializados, programas educacionais e experiências interativas. A inauguração do edifício está prevista para 2027, que coincide com o 50º aniversário do Centro de Ciências e se alinha com o Singapore Green Plan 2030.
Rock | Roll / Germane Barnes. Imagem Cortesia do Miami Design District
Diferenciada por sua qualidade, profundidade e diversidade, a Design Miami 2022 foi concluída, dando aos colecionadores e aos visitante do mundo inteiro o melhor em arte e design contemporâneo e emergente. Começando no final de novembro e indo até a primeira semana de dezembro, o evento ocorreu em paralelo ao anual Art Basel Miami Beach. A feira internacional de arte apresentou desde instalações interativas a exposições de arte promissoras e obras-primas do século XX, incluindo Daniel Arsham, Andrés Reisinger, e Stefano Boeri. Também durante este evento, o MetaMundo apresentou os Top 50 Criadores do Metaverso - uma coleção selecionada a dedo de alguns dos melhores artistas 3D do mundo.
Para esta edição, o Miami Design District premiou o arquiteto e designer de Miami, Germane Barnes, e encomendou uma instalação multifacetada que honra a cultura poli étnica da cidade. Com outras instalações arquitetônicas relevantes durante a Miami Art Week, a seleção a seguir inclui obras de Leandro Erlich no Perez Art Museum Miami e Pilar Zeta.
Ao longo de seus mais de 75 anos de história, o Instituto de Arquitetos do Brasil – Departamento São Paulo (IABsp) constituiu e armazenou um importante acervo documental, composto por atas de reuniões, relatórios técnicos, publicações periódicas e bibliográficas, fotografias, gravações audiovisuais e obras de arte, conjunto que registra diferentes atividades da instituição e da classe profissional da arquitetura e do urbanismo paulistas.
25 escritórios, práticas, profissionais autônomos e startups de 5 continentes e 18 países foram selecionados pela iniciativa Novas Práticas 2023, a mais recente edição da pesquisa anual do ArchDaily, realizada desde 2020, que busca lançar luz sobre aqueles profissionais que estão se destacando na arquitetura em tempos instáveis e de grandes desafios.
A iniciativa buscou não apenas arquitetos, mas também profissionais cuja prática se localiza dentro da definição mais ampla de arquitetura, convidando-os a compartilhar sua missão e visão de futuro. Como resultado, a edição de 2023 reúne arquitetos, paisagistas, pesquisadores, curadores, ativistas, escritores e duas startups inovadoras — a empresa de construção modular U-Build e a Rayon, que se unem à empresa de gerenciamento de construção Monograph, à startup de transição energética Baupal, à plataforma de design on-line CANOA e à empresa de habitação feita com impressão 3D ICON.
Embora nos últimos anos os cabeleireiros e barbeiros tenham começado a incorporar diferentes atividades - uma hibridização programática quase necessária hoje - seria apenas a variação dos espelhos e cadeiras que define as diferentes experiências nesses estabelecimentos?
A complexidade da tarefa projetual está em propor alternativas para abordar não apenas uma configuração espacial eficiente como também a estética dos interiores - o que não é fácil quando se dispõe de poucos metros quadrados e deve-se seguir algumas exigências quanto aos equipamentos.
Entre os projetos publicados em nosso site, compilamos a seguir dez soluções de salões de cabeleireiros e barbearias, acompanhados de seus desenhos.
O escritório Zaha Hadid Architects apresentou às autoridades ucranianas uma proposta de masterplan para a OdesaExpo 2030, a primeira exposição universal realizada na Europa Oriental. O projeto foi concebido visando a sustentabilidade e o legado futuro. Após o evento, os pavilhões centrais deverão ser transformados no primeiro grande centro de exposições da Ucrânia, enquanto que os pavilhões nacionais deverão ser desmontados e redistribuídos como novos edifícios cívicos pelo país.
Elizabeth de Portzamparc, carioca radicada em Paris desde 1969, tem ganhado muitos prêmios na Europa por sua atividade destacada em arquitetura e urbanismo, principalmente à frente de projetos de grande porte, na França e na China – em que constrói bairros inteiros, centros de ciência, museus, e uma monumental torre de 262 metros de altura em Taiwan, entre vários outros. Neste ano de 2022, ela inclui em sua lista de feitos e reconhecimentos o Prêmio de Arquiteto do Ano do IAB-RJ.
Jean Nouvel e OXO Architectes projetam conjunto de uso misto inspirado na forma de uma montanha. Imagem via Compagnie de Phalsbourg
Muito se fala hoje em dia sobre a importância dos processos colaborativos de projeto que envolvem a criação conjunta, afirmando um contexto no qual há cada vez menos espaço para trabalhos individuais e muito mais para a lógica do coletivo, da cocriação. Sendo assim, a ideia da obra criada única e exclusivamente pelo arquiteto já é entendida como uma distorção da realidade complexa que circunda a concepção de um projeto, extrapolando o corpo técnico para agregar também a comunidade e seus usuários.
Kampung Admiralty / Ramboll Studio Dreiseitl and WOHA. Imagem cortesia de WOHA
Um dado muito citado na indústria da arquitetura é que o ambiente construído é responsável por cerca de 40% das emissões globais de carbono. Esse fato preocupante coloca uma imensa responsabilidade sobre os profissionais da construção. A ideia de sustentabilidade na arquitetura surgiu com urgência como uma forma de remediar os danos ambientais. Várias práticas de sustentabilidade não visam mais do que tornar os edifícios “menos ruins”, servindo como medidas inadequadas para a arquitetura atual e do futuro. O problema com a arquitetura sustentável é que ela se resume a "sustentar".
Para manter o estado atual do meio ambiente, a comunidade de arquitetura tem trabalhado para meios de produção mais ecológicos. Convencionalmente, um edifício verde emprega características ativas ou passivas como ferramenta de redução e conservação de recursos. A maioria dos projetos sustentáveis vê os edifícios como um recipiente próprio, em vez de partes integradas de seu ecossistema. Com as necessidades atuais do planeta, essa abordagem não é suficiente. Não basta sustentar o ambiente natural, deve-se também restaurar os processos ambientais.
Avenida 9 de Julio em Buenos Aires. Foto de Nestor Barbitta, via Unsplash
Pense na via de uma grande metrópole. É provável que você encontre algumas vielas estreitas, com menos de dez metros de largura, principalmente nas partes mais antigas da cidade. Também encontrará grandes avenidas que ultrapassam os cem metros de largura. Olhando para outras cidades, vemos que essa variedade se repete ao redor do mundo.
No início do século XIX, em uma Paris prestes a ter seu tecido medieval rasgado pelos enormes bulevares de Haussmann, a romancista George Sand se vestia como homem para andar pelas ruas. Segundo seus diários, “de calças e botinas podia voar de uma ponta a outra da cidade, qualquer que fosse o clima, a hora e o local”. Ninguém lhe dava atenção, ninguém adivinhava seu disfarce, ninguém a olhava ou criticava, ela era mais um “átomo perdido naquela imensa multidão”. Graças às vestes masculinas, Sand vivenciou incursões destemidas e percursos solitários, como um verdadeiro flâneur. Experiências que, posteriormente, se tornaram fundamentais para a construção de suas narrativas de sucesso.
A ilustração acima é uma imagem famosa do artista Imperial Boy (帝国少年), que trabalha na indústria dos animes. Às vezes eu afirmo que todo o gênero do solarpunk se inspirou nessa imagem. Isso é um exagero, obviamente — algumas pessoas pensaram muito seriamente sobre os princípios de design do solarpunk —, mas a influência e o apelo do design do Imperial Boy são inegáveis. E outras artes solarpunk, embora muitas vezes adoráveis, tendem a não se parecer imediatamente com o tipo de cidades que você gostaria de construir; ou é uma imagem de uma fazenda de alta tecnologia, ou alguma variação de “coloque uma árvore na lateral de cada prédio”.
Mudanças sistêmicas. Transformação. Transição profunda. Essas expressões são usadas com tanta frequência que correm o risco de se tornarem palavras da moda, tendo seu real significado ofuscado.
Ainda assim, para conter o aumento da temperatura do planeta, conservar a natureza e construir uma economia mais justa capaz de beneficiar a todos, nós de fato precisaremos de uma mudança profunda em todos os aspectos de nossas economias – e a um ritmo e em uma escala nunca vistos até então.
O poliestireno expandido foi descoberto em 1839 em Berlim e tornou-se um material muito utilizado nos aviões da 2ª guerra mundial, por conta de sua densidade extremamente baixa. É isso que o torna um material adequado para isolamento térmico e acústico, frequentemente especificado em construções, mas também amplamente usado em embalagens. Trata-se de um plástico celular rígido, resultado da polimerização do estireno em água, cujo produto final são pérolas de até 3 milímetros de diâmetro, que se expandem. Um ponto negativo é que este material leva mais de 500 anos para se decompor e, neste processo, lixivia produtos químicos nocivos ao meio ambiente. Sua reciclagem é possível, mas é complexa e custosa. Isso quer dizer que a maior parte do isopor produzido até hoje permanece no mundo, ocupando valiosos espaços em aterros sanitários ou, pior ainda, quebrado em minúsculas partes e interferindo na vida dos oceanos. “Decomposition Farm: Stairway” é uma instalação temporária que sugere uma possível solução das questões ambientais relacionadas ao desperdício de construção no campo arquitetônico.