
Muito se fala hoje em dia sobre a importância dos processos colaborativos de projeto que envolvem a criação conjunta, afirmando um contexto no qual há cada vez menos espaço para trabalhos individuais e muito mais para a lógica do coletivo, da cocriação. Sendo assim, a ideia da obra criada única e exclusivamente pelo arquiteto já é entendida como uma distorção da realidade complexa que circunda a concepção de um projeto, extrapolando o corpo técnico para agregar também a comunidade e seus usuários.
Esse espírito de colaboração é, sem dúvidas, uma das grandes diretrizes do novo século, um momento no qual é preciso somar forças para reverter as mudanças climáticas e lidar com os problemas gerados, principalmente, pela exploração exacerbada dos recursos naturais. Nesse sentido, a colaboração tem atingindo um outro patamar que inclui a relação não somente entre nós, humanos, mas entre espécies diferentes. É possível perceber um certo “retorno à natureza” em nossas atitudes que permite estarmos atentos ao que nos envolve, nos inspirando a buscar soluções simples e inteligentes para nossas inovações espaciais. Essa colaboração interespécies pode parecer ainda um tanto quanto utópica, mas tem se mostrado um caminho interessante para gerar projetos resilientes que resgatam e reconhecem o valor da vida não humana.
Na história da civilização, a ideia de progresso sempre esteve entrelaçada com a disseminação de técnicas de alienação que transformam humanos e outros seres em recursos. Essas técnicas têm segregado as espécies e obscurecendo a sobrevivência colaborativa. Tendo em vista tal questão, muitos esforços estão sendo feitos para que o antropocentrismo seja abandonado rumo a uma cultura longe do contexto humano-animal. Um mundo "biocêntrico" centrado na multiplicidade de espécies e construído pelas relações colaborativas, baseado mais na interdependência e menos na exploração.




