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Urbanismo Caribenho: Das Raízes Garífunas à Cidade em Camadas de La Ceiba, Honduras

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Na costa caribenha de Honduras, fica o Vale de Leán, uma estreita faixa costeira delimitada pela Cordilheira Nombre de Dios ao sul e pelo Mar do Caribe ao norte. Durante muito tempo, essa foi a última fronteira: selva densa, pântanos, nenhuma infraestrutura e um difícil acesso ao interior. No entanto, esse cenário começou a mudar com a chegada do povo Garífuna, que se estabeleceu na área entre os rios Danto e Cangrejal, lançando as bases do que viria a ser a cidade de La Ceiba. Um polo urbano no Caribe hondurenho cuja história foi definida por ondas migratórias compostas por populações centro-americanas, afro-caribenhas, europeias e o corporativismo norte-americano. Esses fluxos de várias partes do mundo não apenas contribuíram para o crescimento econômico, mas produziram ativamente a lógica espacial, a identidade e a forma arquitetônica da cidade.

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Cambará Instituto explora bambu como meio para uma arquitetura afro-brasileira baseada em ancestralidade e práticas coletivas

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Uma estrutura de bambu ergue-se como espaço de confluência entre técnica, ancestralidade e prática coletiva. OCO é a primeira obra do Cambará Instituto, organização originada do Projeto Arquitetas Negras, concebida durante uma residência artística no Cerbambu, em Ravena (MG), com apoio do re:arc institute. Ao longo de sete dias de imersão, em julho deste ano, dez arquitetas negras trabalharam ao lado do mestre Lúcio Ventania, explorando o potencial construtivo e simbólico do bambu. O processo culminou na apresentação da obra na 14ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo.

A experiência propôs um reencontro entre práticas arquitetônicas e ciências enraizadas no corpo e na terra. O processo envolveu todas as etapas de produção, da escolha e corte do bambu à cura e montagem, resultando em uma estrutura de seis metros de altura e cinco de diâmetro. O desenho faz referência às xossas do Benin e conta com palhas da costa do país africano em seu topo. A instalação foi ainda "vestida" com 220 mil contas, conhecidas como "lágrimas de Nossa Senhora", confeccionadas por quarenta mulheres idosas em situação de vulnerabilidade social, que vivem na região onde foi realizada a residência artística, fortalecendo vínculos comunitários e econômicos.

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Des-embranquecendo a cidade

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O Podcast “Des-embranquecendo a Cidade” é um lugar inventado a partir do desejo de cinco mulheres negras, residentes em Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, de burlar o distanciamento geográfico, para promover e celebrar o encontro. Emmily Leandro, Gabriela Gaia, Luciana Mayrink, Malu de Barros e Natalia Alves, são a coletiva Terra Preta, que dá forma e voz à esse exercício de criação de um território virtual, partilhado — que é tanto uma aposta política quanto estética -, tornado público agora, pela primeira vez.