Historicamente, a Costa do Marfim é um país considerado inovador, e de alguns anos pra cá, é uma das nações da África Ocidental que tem se comprometido a desenvolver uma nova linguagem arquitetônica. Localizada entre a Gana e a Libéria, a Costa do Marfim abriga uma enorme variedade de edifícios icônicos de arquitetura modernista. Antes da colonização francesa, a Costa do Marfim fazia parte de Gyaaman, dominada pelo Império Kong e Baoulé. Ao longo dos últimos anos, os mais importantes projetos de arquitetura desenvolvidos no país procuram reinterpretar as suas referencias históricas para criar um novo modelo para o futuro.
O escritório de sul-africano de arquitetura theMAAK acaba de inaugurar uma instalação de arte pública desenvolvida durante o último workshop Design & Make realizado anualmente pelo escritório na Cidade do Cabo. Chamada de Follies in the Veld (FITV), a oficina aberta promovida pelo theMAAK busca aproximar profissionais da indústria da arquitetura e a comunidade em geral, desenvolvendo projetos coletivos e inclusivos para determinados espaços da cidade. Neste ano de 2019, os participantes construíram uma grande 'folie', ou instalação de arte pública, exclusivamente com materiais reciclados.
Durante o último mês de setembro, esgotaram-se todas as entradas para o show do músico Afrobeat nigeriano Wizkid no Royal Albert Hall, em Londres. Wizkid junta-se a uma crescente lista de ilustres músicos africanos que já se apresentaram na prestigiada casa de shows londrina, como Selif Kaita, Youssou Ndour, Miriam Makeba entre outros. Este importante evento serve para reafirmar o renascimento cultural pelo qual todo o continente africano está passando, marcando ainda a crescente influência da música africana no cenário global, assim como do cinema, da moda, da gastronomia e das artes em geral.
Infelizmente, a arquitetura africana vernacular, especialmente na África subsaariana, não tem se beneficiado desse renascimento cultural. Muito pelo contrário, ao longo dos últimos anos ela tem sido amplamente ignorada. Apesar de sua eminente influência durante a era pré-colonial, a arquitetura vernacular africana pouco evoluiu desde então, se limitando às tradicionais choupanas de paredes de barro e cobertura de palha; e por esta razão ela tem sido desdenhada pela população, freqüentemente associada à escassez e a insuficiência. Conseqüentemente, a negligência da arquitetura popular africana resultou na exiguidade de seus artesãos experientes, conhecedores da arte da construção tradicional. Atualmente, restam poucas esperanças de um possível avivamento de um dos mais tradicionais estilos de arquitetura do nosso planeta.
Localizada na região dos Grandes Lagos da África centro-oriental, a Ruanda pode ser considerada um novo país, um exemplo de renascimento cultural, social e econômico depois de sofrer com décadas de guerras civis e miséria. No início dos anos noventa, um genocídio que matou cerca de oitocentas mil pessoas, chamou a atenção do mundo todo, comovendo a comunidade internacional. Mais de duas décadas após o fim da guerra civil no país, a Ruanda renasceu. A reconstrução do território e o recente desenvolvimento econômico e social viu nascer uma nova forma de arquitetura no país, profundamente enraizada na cultura local e intimamente conectada com o seu povo. Brotando da terra com o esforço de uma população unida e independente, a nova arquitetura ruandese se transformou em um catalisador da recente transformação do país. Reformas econômicas e estruturais colaboraram com a transformação do ambiente construído que, por sua vez, estão moldando o desenvolvimento da arquitetura contemporânea em todo o país.
Archstorming está colaborando neste novo concurso com His Hands On Africa ("HHOA"), uma organização sem fins lucrativos nascida em 2016 que deseja solucionar a falta de serviços odontológicos nos países do terceiro mundo. O local escolhido é Ruanda, um pequeno país no coração da África.
A ideia de margem implica na existência de um centro. Assim, tudo aquilo que não faz parte da centralidade é considerado externo, periférico. A divisão entre centro/margem, ou centro/periferia alcança não só a esfera arquitetônica, mas também a política, social e regional. Portanto, ao se falar de práticas profissionais nas margens da arquitetura, se fala também de práticas num campo multidisciplinar, pois consistem mais em uma busca pelo entendimento das questões a serem trabalhadas e menos em uma busca por responder a determinadas questões. Em culturas ou contextos marcados por descontinuidades e interrupções historiográficas, existe um esforço para definir a identidade, passando por um processo de auto-conhecimento e descobrimento para, por fim, chegar à elaboração de projetos para responder a demandas específicas. Por isso, a pesquisa e divulgação de conhecimentos, além de métodos alternativos de produção arquitetônica, são etapas importantes nesse processo.
Cape Town, South Africa. Image Courtesy of Shutterstock
Em um discurso sobre o futuro das cidades, alguém poderia ser perdoado por limitar seu escopo geográfico às inovações na Europa, nos Estados Unidos e, cada vez mais, na China e no Sudeste Asiático. Afinal, Shenzhen está prestes a sediar mais uma vez a única Bienal do mundo dedicada exclusivamente à urbanização, enquanto a arquitetura inteligente e responsiva se manifesta em visões de cidades como Toronto e Londres e gigantes da tecnologia como Microsoft e Siemens. No entanto, apesar de nossa preocupação com os problemas e as oportunidades da urbanização no 'Norte Global' e as inovações arquitetônicas que ele anuncia, há mérito em expandir nossos horizontes - e não apenas em direção a Marte. Até o final do século, nenhuma das maiores 20 cidades do mundo estará na China, Europa ou nas Américas. Enquanto isso, a África receberá 13 das 20, incluindo as 3 primeiras.
https://www.archdaily.com.br/pt/927993/porque-a-africa-e-o-futuro-das-megacidadesNiall Patrick Walsh
A segunda era das máquinas, violência baseada em gênero, sul global, cidades em desenvolvimento, infraestrutura precária, influxo, digitalização, sustentabilidade, afro-futurismo? Continuamos ouvindo as palavras da moda repetidas vezes, mas o que tudo isso significa? Como essas noções se cruzam espacialmente em resposta às necessidades do desenvolvimento das cidades? As cidades são como ecossistemas, coletivamente dependentes do ambiente circundante. Quanto maiores e mais complexas elas se tornam, maiores são as pressões e repercussões, a saber: crescimento populacional, expansão urbana e escassez de recursos físicos.
https://www.archdaily.com.br/pt/926362/urbanismo-afro-futurista-de-wakanda-um-ecossistema-de-estruturas-bim-para-nomades-urbanosKhensani de Klerk, Solange Mbanefo
A história e a arquitetura de Burkina Faso são duas coisas profundamente vinculadas à paisagem natural deste pequeno país da África Ocidental. Geograficamente, Burkina Faso ocupa um extenso planalto com savanas e algumas florestas esparsas. Mais de dois terços da população ainda vive em comunidades rurais e, como tal, a arquitetura contemporânea burquinense é o produto da engenhosidade do seu povo, desenvolvida através da apropriação de sistemas construtivos e materiais locais ao longo do tempo.
OUTROS BAIRROS, uma iniciativa integrada no PRRA – Programa de Reabilitação, Requalificação e Acessibilidades e realizada na cidade do Mindelo, Cabo Verde, teve como objetivo elaborar um teste metodológico para a reabilitação de um assentamento precário.
O escritório Stefano Boeri Architetti divulgou sua proposta para as primeiras florestas verticais na África, localizadas na capital do Egito, Cairo. Os três edifícios experimentais, compostos por um hotel e duas torres residenciais, farão parte do novo plano administrativo da cidade, atualmente em construção no sudeste da capital.
Foram anunciados os vencedores do Concurso Kaira Loo, dedicado ao projeto de um Pavilhão da Paz a ser construído na cidade de Sedhiou, no sul do Senegal. O objetivo da competição era criar uma estrutura simbólicapara servir de memorial às vítimas das guerras africana e sensibilizar a comunidade local e internacional, criando um espaço comemorativo e educacional que respeitasse o meio ambiente e as tradições locais.
https://www.archdaily.com.br/pt/918882/conheca-os-vencedores-do-concurso-para-o-pavilhao-da-paz-do-senegalNiall Patrick Walsh
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Droneports. Cortesia de Jonathan Ledgard e Norman Foster
Um novo vídeo da AERIAL FUTURES explora o potencial dos aeroportos de drone na África Oriental e no hemisfério sul do globo. A Fundação Norman Foster foi um dos primeiros grupos a propor a criação de uma rede de droneports para fornecer suprimentos médicos e outras necessidades a regiões africanas de difícil acesso devido à falta de estradas ou outras infraestruturas. O projeto busca construir estes aeroportos de drone em pequenas cidades na África e em outras economias emergentes até 2030.
Maior projeto público de Ruanda, o Aeroporto Internacional de Bugesera está prestes a se tornar o primeiro edifício verde certificado na região. Altamente eficiência em termos energéticos, a ponto de ser independente da rede pública de fornecimento, o projeto contará com um terminal de passageiros de 30 mil metros quadrados, 22 balcões de check-in, dez portões e seis pontes de embarque. Financiado por uma parceria público-privada, o projeto tem custo estimado em US$ 414 milhões.
Alárò City. Imagem Cortesia de Skidmore, Owings & Merrill
A Skidmore, Owings & Merrill acaba de dar início as obras do masterplan desenvolvido para a cidade de Alárò, um projeto urbano que pretende integrar uma enorme área urbanizada à leste de Lagos, a maior cidade da Nigéria. O distrito modelo de uso misto contará com uma nova porta de entrada para a cidade de Lagos, um novo distrito comercial internacional, um novo porto e ainda um novo aeroporto. Desenvolvido por encomenda do governo local de Lagos e em parceria com a maior empresa de construção da África, a Rendeavour, o projeto foi concebido para impulsionar o investimento de capital estrangeiro na região além de criar um novo centro econômico e cultural para a África Ocidental.