O anexo de dez pavimentos projetado por Herzog & de Meuron para o Tate Modern em Londres, aberto oficialmente ao público na semana passada, é o mais recente de uma série de ambiciosos projetos realizados pela renomada galeria. Localizado acima dosTanks, primeiras galerias dedicadas à arte performática e instalações de vídeo do mundo, a forma piramidal do edifício proporciona 60% a mais de espaços expositivos para a instituição. Dois dias antes da inauguração, o fotógrafo Laurian Ghinitoiu registrou uma série de imagens do tão aguardado edifício.
Como parte da cobertura do ArchDaily Brasil na Bienal de Veneza 2016, apresentamos uma série de artigos escritos pelos curadores das exposições e instalações à mostra no evento.
A arquitetura lida não só com a forma. Trabalha com dados e fluxos de materiais, organização de recursos, mobilização de capacidades; e organiza não só coisas estáticas, mas também é um projeto de processos. Seria ótimo entender a arquitetura como um agente com o qual comunicar processos de espaços materiais ao público de forma coerente. A arquitetura tem excelentes ferramentas para apresentar e explicar construções em cortes e plantas, mapas e os arquitetos são capazes de processar fluxos bastante complexos de informação.
Como fundador do "do tank" Elemental, o arquiteto chileno Alejandro Aravena (nascido no dia 22 de junho de 1967) talvez seja o arquiteto mais socialmente engajado a receber o Prêmio Pritzker recentemente. Distanciando-se de uma abordagem puramente estética, Aravena explica: "não achamos que somos artistas. Arquitetos gostam de construir coisas que são únicas. Mas se algo é único, ele não pode ser replicado, então, em termos de servir muitas pessoas em muitos lugares, o valor é próximo a zero."[1] Para Aravena, o principal objetivo do arquiteto é melhorar o modo de vida das pessoas ao abordar tanto as necessidades sociais e desejos humanos, como as questões políticas, econômicas e ambientais.
Jack Self é arquiteto e escritor. Foi curador do Pavilhão britânico com Finn Williams e Shumi Bose. Home Economics foi comissionado pelo British Council.
Como parte da cobertura do ArchDaily Brasil na Bienal de Veneza 2016, apresentamos uma série de artigos escritos pelos curadores das exposições e instalações à mostra no evento.
Cortesia de Consejo Nacional de la Cultura y las Artes
Como parte da cobertura do ArchDaily Brasil na Bienal de Veneza 2016, apresentamos uma série de artigos escritos pelos curadores das exposições e instalações à mostra no evento.
O Pavilhão Chileno apresenta os esforços de uma geração de jovens arquitetos que conceberam, projetaram e construíram obras de arquitetura, enquanto também organizaram seus aspectos financeiros e contratuais, como parte dos requisitos para a obtenção do grau profissional de arquitetos. Todos têm em comum que pertencem à região do Vale Central do Chile, onde têm retornado após a sua formação acadêmica para contribuir com suas comunidades, criando projetos de arquitetura que se conectam a um conjunto de locais onde os campesinos da região e suas famílias possam viver e trabalhar.
Como diretor da Bienal de Veneza 2016, Alejandro Aravena procurou mudar as bases da arquitetura. Ao invés de um olhar introspectivo das deficiências da profissão, como Rem Koolhaas fez em 2014, o chileno, ganhador do Prêmio Pritzker deste ano, nos pede para olhar na direção oposta — para as vastas áreas do horizonte construído, que tradicionalmente ficam além da alçada da profissão: favelas urbanas, megacidades sem natureza, zonas de conflito, portos comprometidos ambientalmente, aldeias rurais distantes.
"Acreditamos que o avanço da arquitetura não é um objetivo em si, mas um meio para melhorar a qualidade de vida das pessoas", afirma Aravena na introdução ao evento. Em outras palavras, a sua Bienal não questiona o que a arquitetura deve ser, ainda que falhe, mas sim o que poderia fazer, mas muitas vezes esquece.
O Pavilhão Vara, de Pezo von Ellrichshausen para a Bienal de Veneza 2016, é descrito pelos arquitetos como "uma série de exteriores dentro de outros exteriores". Quebrando esse mistério, o que emerge é um complexo labiríntico de círculos - dez deles - formados com aço, cimento e gesso pintados, que coletivamente criam uma série de paredes, mas sem teto, formando assim um pavilhão que é aberto aos elementos de cima. O título do pavilhão, "Vara", que conta com 324 m², refere-se a uma unidade espanhola de medição, imprecisa e obsoleta, utilizada durante a conquista do país na América para rastrear e medir cidades. Cada um dos círculos do Pavilhão Vara é um diâmetro da unidade, variando de 2 a 11.
Este vídeo é parte de uma parceria entre o ArchDaily e o fotógrafo espanhol Jesús Granada. O acervo de imagens de Granada da Bienal podem ser obtidas em seu site, aqui. A cobertura completa da Bienal de Veneza 2016 pode ser vista aqui.
Em uma entrevista conduzida por Jesús Granada, os curadores do Pavilhão Espanhol da Bienal de Veneza 2016, Iñaqui Carnicero e Carlos Quintáns, discutem o seu raciocínio e intenções para o projeto do Pavilhão que recebeu o Leão de Ouro. Intitulado "Unfinished", Quintans descreve a influência do projeto como "a detecção da realidade, mostrada através de fotografias, do que aconteceu (na Espanha), após a bolha habitacional, em primeiro lugar o boom imobiliário e depois a crise, e como nós podemos oferecer soluções graças aos muitos arquitetos talentosos dos muitos projetos que foram realizados na Espanha e foram parcialmente obscurecidos. "O pavilhão responde ao chamado do diretor Alejandro Aravena para pavilhões nacionais que identifiquem as respostas nacionais para dilemas de arquitetura que poderiam ser as soluções para outros lugares que enfrentam problemas semelhantes.
"REBOOT, 2 lecciones de arquitectura" é o conceito central que representa o Pavilhão do Uruguai na Bienal de Veneza 2016. Inaugurado em 26 de maio, o espaço centra-se na arquitetura informal que é erguida por aqueles que "não tem mais ferramentas para a construção de seu espaço vital do que seus próprios corpos e seu instinto de sobrevivência". Edifícios que, seguindo a equipe responsável, funcionam como um depósito de sentido para a arquitetura que fazemos hoje em dia.
Esta semana foi apresentado ao público o 17° Serpentine Gallery Pavilion. Com sua "parede expandida" de 13 metros de altura composta por tubos de fibra de vidro, o pavilhão tem uma presença imponente no Hyde Park e se localiza ao lado da Serpentine Gallery. Segundo Bjarke Ingles em seu memorial de projeto, o pavilhão trata dos efeitos visuais de diferentes ângulos - passando de um retângulo transparente quando visto de frente a uma escultura curvilínea quando visto de lado.
Com tanta riqueza visual, o projeto oferece muitas opções para ser explorado através da fotografia - sendo assim, o fotógrafo Laurian Ghinitoiu esteve presente na inauguração do projeto para investigar os efeitos visuais causados pelo pavilhão. Ele também registrou em fotografias as Summer Houses, projetadas por Kunlé Adeyemi do NLÉ, Barkow Leibinger, Yona Friedman e Asif Khan. Veja as fotografias a seguir.
Como parte da cobertura do ArchDaily Brasil na Bienal de Veneza 2016, apresentamos uma série de artigos escritos pelos curadores das exposições e instalações à mostra no evento.
Das dezenas de artigos sobre arquitetura e urbanismo que contribuí para o Jornal Korea Joongang Daily, foi o intitulado de "The FAR Game" que recebeu a maior resposta dos leitores. Enquanto que a FAR (Floor Area Ratio "Taxa de Área de Piso") aparenta ser um jargão técnico dos profissionais, parece que quase todos os coreanos sabem o que é, ou já ouviram falar sobre isso. Se você digitar yong-jeong-nyul (용적률, a palavra coreana para FAR) em motores de busca coreanos, um fluxo interminável de notícias, artigos e comentários aparecerão. A palavra fala do apetite para espaços de vida em um ambiente hiper-denso, bem como o desejo por qualquer meio possível, seja por planejamento e táticas adequadas ou através de truques e obscurecimento. Ela toca tanto os ricos como os pobres, como eles gerem suas vidas juntos e em torno do tecido urbano. Ao ler esse artigo, onde eu havia afirmado que, sem dúvidas, é a FAR que impulsiona o caráter arquitetônico das cidades coreanas, um renomado pesquisador urbano me disse que eu havia acertado em cheio.
https://www.archdaily.com.br/pt/789215/why-the-far-floor-area-ratio-game-pavilhao-da-coreia-na-bienal-de-veneza-2016Sung Hong KIM
O Museu Solomon R. Guggenheim de Nova Iorque, inaugurado em 1959, causou controvérsias por ser "menos um museu que um monumento" de Frank Lloyd Wright. Embora Wright pretendesse exibir as pinturas nas paredes internas, a concavidade das superfícies tornou isso impossível. Em vez disso, então, o átrio central se tornou um lugar de procissão onde o espaço é revelado através do movimento. A rampa contínua que se volta para o átrio permite a interação das pessoas em diferentes níveis.
O fotógrafo Laurian Ghinitoiu situa as pessoas no centro de suas fotografias, o que talvez explique como, nesta série fotográfica do Museu Guggenheim em homenagem ao 149° ano de nascimento de Wright, ele tenha conseguido capturar a essência e vitalidade do museu. Ao passo que algumas imagens retratam o átrio do museu como um lugar de passagem, contemplação e socialização, outras mostram a crescente influência da fotografia e auto-representação na experiência dos visitantes. Algumas fotografias mostram ainda o edifício inserido em seu contexto urbano, com pessoas envolvidas em suas atividades diárias.
Há uma enorme intensidade de informações, conhecimentos e ideias na Bienal de Arquitetura em Veneza este ano, intitulada Reporting From the Front. Com todos os editores executivos e editores-chefe do ArchDaily Inglês, Espanhol e Português reunidos em Veneza para a abertura - além do co-fundador David Basulto e do editor James Taylor-Foster, curadores do Pavilhão Nórdico -selecionamos este ano doze das nossas exposições favoritas que devem ser visitadas.
https://www.archdaily.com.br/pt/789128/12-coisas-que-voce-precisa-de-ver-na-bienal-de-veneza-2016AD Editorial Team
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O Pavilhão da Romênia na 15ª Exposição Internacional de Arquitetura - La Biennale di Venezia apresenta “Selfie Automaton”, uma exposição de Tiberiu Bucșa, Gál Orsolya, Stathis Markopoulos, Adrian Aramă, Oana Matei, Andrei Durloi. A mostra consiste em 7 autômatos mecânicos, com 42 marionetes - 37 humanas e 5 criaturas. Três dos autômatos serão localizados no Pavilhão da Romênia no Giardini, outros três na Nova Galeria do Instituto Romeno de Cultura e Pesquisa Humanística, e um deles será nômade e vagará pelas ruas de Veneza.
Como parte da cobertura do ArchDaily Brasil na Bienal de Veneza 2016, apresentamos uma série de artigos escritos pelos curadores das exposições e instalações à mostra no evento.
Como resposta ao desafio lançado pelo curador geral da XV Bienal de Arquitetura de Veneza, Alejandro Aravena - "Reporting from the Front” -, Portugal apresenta um pavilhão “site-específic”, construído numa frente urbana que se encontra em plena regeneração física e social, dentro da cidade de Veneza, e mais especificamente na ilha de Giudecca: o Campo di Marte. Na verdade, a ideia de instalar o pavilhão português in situ despoletou a conclusão do projeto de regeneração do Campo di Marte, proposto pelo arquiteto Álvaro Siza, há 30 anos. Após a “ocupação” deste local em construção, a exposição dará lugar a um habitat arquitetônico destinado aos residentes da Giudecca.
https://www.archdaily.com.br/pt/788494/neighbourhood-where-alvaro-meets-aldo-pavilhao-de-portugal-na-bienal-de-veneza-2016Nuno Grande e Roberto Cremascoli
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Após o colapso da União Soviética, e ainda mais após o 11 de setembro e a "guerra contra o terror que seguiu os atentados, o clima de guerra se instaurou nas cidades.
Ao passo que as guerras do século XX foram travadas, em geral, entre nações e por causa de soberania territorial e disputa de fronteiras, as guerras do século XXI são internas e sem fronteiras. Elas são travadas entre grandes coalizões internacionais e redes insurgentes.
Na escala de 1:1 bilhão, o mapa geológico do mundo revela escalas planetárias das operações da maior nação extrativista de recursos, cuja política externa é suportada a partir de patrimônios como colônia, como confederação, país, e agora, como império de recursos globais. No seu poder divino, legal, para separar os direitos de superfícies dos direitos de exploração mineral, o domínio real do governo – a Coroa – exerce suprema autoridade sobre 95% de seu território tornando-o o maior proprietário de terras do mundo. Não surpreendentemente, seu brasão, seu estado democrático, constituição e até mesmo a aparência do edifício do parlamento aparentam ser praticamente os mesmos, compartilhando o mesmo Chefe de Estado, a Rainha Elizabeth II. Como a última monarquia restante nas Américas, o Canadá é invenção da Rainha Victoria II, a mulher mais poderosa da história, que expandiu o Império Britânico a uma magnitude sem precedentes no final do século 19.
Pavilhão brasileiro em Veneza tem méritos, mas ignora momento histórico do país.
No momento que um muro dividindo a Esplanada dos Ministérios em Brasília se tornou o símbolo de um país segregado, o tema do pavilhão brasileiro na Bienal de Veneza de Arquitetura em 2016 dificilmente poderia ser mais paradoxal: “Juntos”.