
Governos municipais transformam edifícios industriais em hubs de construção circular em Nova York, Londres e Bruxelas

Na última semana de agosto, o governo da cidade de Nova York anunciou um novo projeto para o MADE Bush Terminal, em Sunset Park, Brooklyn. A iniciativa consiste na transformação de um antigo edifício industrial em um centro de recuperação, armazenamento, triagem e redistribuição de materiais de construção durante um programa piloto de um ano. A proposta acompanha uma onda de centros de construção circular semelhantes lançados ou anunciados recentemente na Europa: um galpão adaptado em Bruxelas, a conversão de uma área industrial nas Royal Docks, no leste de Londres, e uma rede transfronteiriça apoiada pela CirCoFin que abrange Munique, Copenhague, Lisboa e Escócia. Cada um desses projetos reaproveita edifícios e infraestruturas industriais para apoiar o reuso de materiais de construção.
O direito à ingenuidade: como a arquitetura transformou a inocência em um posicionamento

Desde a crise de 2008, um conjunto disperso de pequenos escritórios (nenhum com mais de quinze anos de existência e nenhum grande o suficiente para precisar de um manifesto no sentido tradicional) chegou, de forma independente, a alguma versão de uma mesma recusa: a de parecer assertivo demais, cedo demais, em uma disciplina que havia passado a década anterior vendendo a autoconfiança como acabamento. É provável que esses escritórios resistam a ser classificados sob um único rótulo, mas a própria coincidência reside no fato de que exercer a arquitetura após 2008 fez com que a inocência parecesse a única postura que valia a pena tentar.
Pelo menos a partir de 2019, o Fala passou a divulgar uma descrição de si mesmo em duas palavras, repetida textualmente em dezenas de veículos de arquitetura: um "escritório de arquitetura ingênuo" (naïve architecture practice). Sem notas de rodapé, sem ironia, apenas um escritório, fundado em 2013, que construiu uma década de casas, casas de passarinho e encomendas institucionais com base em um termo que a arquitetura passara um século tentando superar. A questão que a frase levanta não é se os edifícios são bons (pois geralmente são), mas sim o que significa para um escritório escolher a inocência como posicionamento público. Onde termina a pós-ironia e começa o marketing?
La Balance Clinic / Only Human
Aranya Wuling Mountain - Refeitório Sean / llLab.
Passarela Mirante Kay Kay de Monkul / Gonzalo Verdugo + Carlos Seguel Arquitectos

-
Arquitetos: Carlos Seguel Arquitectos, Gonzalo Verdugo
- Área: 1110 m²
- Ano: 2026
Reforma Casa de Vila na Lapa / Estudio Piloti Arquitetura

-
Arquitetos: Estudio Piloti Arquitetura
- Área: 170 m²
- Ano: 2024
-
Fabricantes: Donizete Ferreira, Granitel, Granitorre, Pedras Coimbra, Reka Iluminação, +1
Casa MDL / Estudio Maria Strada

-
Arquitetos: Estudio Maria Strada
- Área: 420 m²
- Ano: 2024
-
Fabricantes: Forti Aberturas
Casa na David Melgueiro / Aurora Arquitectos

-
Arquitetos: Aurora Arquitectos
- Área: 200 m²
- Ano: 2026
-
Fabricantes: Branca Lisboa, João Lopes Iluminação
Gradient House and Studio / Observation Studio

-
Arquitetos: Observation Studio
- Área: 3600 ft²
- Ano: 2021
Curious House / FORVM
Desenterrando o solo: arquitetura e a política do petróleo

Este artigo faz parte de "Thresholds", uma edição especial impressa do jornal Cobe Notes x ArchDaily.
Sob o solo reside um material que moldou silenciosamente a arquitetura do mundo moderno. O petróleo raramente é debatido no discurso arquitetônico; no entanto, a extração, a circulação e o consumo do óleo reorganizaram profundamente a lógica espacial dos territórios. Oleodutos, refinarias, plataformas de perfuração, portos, rodovias e complexos petroquímicos formam uma vasta paisagem infraestrutural que sustenta a vida contemporânea, compondo uma arquitetura dispersa da energia.
Ao longo dos séculos XX e XXI, o petróleo tornou-se a base material da sociedade industrial. Ele abasteceu os transportes, moveu fábricas e sustentou o crescimento de cidades cuja organização espacial dependia de fluxos contínuos de energia. No entanto, as infraestruturas que viabilizam esses fluxos raramente se tornam objetos de investigação arquitetônica. A atenção permanece voltada majoritariamente para a forma, a tipologia ou a densidade urbana, enquanto os sistemas materiais que sustentam esses ambientes costumam ficar à margem da disciplina.
Centro de Serviços Públicos Jacques Prévert / HEMAA Architectes

-
Arquitetos: HEMAA Architectes
- Área: 2474 m²
- Ano: 2026
Assembleia Geral da ONU vota pela promoção da projeção Equal Earth para mapas-múndi mais precisos

A Assembleia Geral das Nações Unidas votou para promover o uso de projeções de mapas-múndi que representam com maior precisão as dimensões relativas dos continentes. A resolução foi apresentada durante uma sessão na sede da ONU em Nova York no dia 4 de setembro e recebeu 164 votos a favor, com um voto contra e seis abstenções. Proposta pelo Togo, a resolução incentiva governos, instituições de ensino, organizações internacionais e empresas de tecnologia a utilizarem projeções de área equivalente sempre que a escala geográfica for relevante. A resolução não substitui ou proíbe formalmente o uso da projeção de Mercator, amplamente utilizada desde o século XVI. Em vez disso, defende um maior uso de projeções que preservem a área relativa das massas terrestres e incentiva a conscientização sobre as limitações de se representar a superfície curva da Terra em um mapa bidimensional. A projeção Equal Earth, de 2018, é apontada como um exemplo de mapa que representa a escala dos continentes de forma mais precisa.
Centro de Saúde Rosenthal / kit
Pavilhão da Alemanha examina a coexistência e a democracia por meio de "CONVIVERE" na Bienal de Arquitetura de Veneza de 2027

O Ministério Federal da Habitação, Desenvolvimento Urbano e Construção da Alemanha nomeou o escritório Kawahara Krause Architects, juntamente com Andres Lepik e Olga Cobuscean, para a curadoria do Pavilhão Alemão na 20ª Exposição Internacional de Arquitetura — La Biennale di Venezia 2027. A exposição, intitulada "CONVIVERE — A Repertoire of Living Together", direciona a atenção do público para os espaços intermediários da habitação: o limiar, a escadaria, o pátio e o espaço em frente à porta. O argumento curatorial parte de um diagnóstico sobre o crescente isolamento social, a polarização política e a crescente pressão para construir mais e mais rápido na atualidade. A partir disso, utiliza esses espaços — onde a coexistência cotidiana se inicia — para questionar de que maneira a arquitetura pode contribuir para as bases da democracia.
Uma casa, muitos climas: quando o design de estufas entra no lar

Uma estufa é uma edificação projetada para criar um clima dentro de outro. Ao controlar a luz solar, o calor e a ventilação por meio de sua envoltória, ela produz condições distintas daquelas do exterior. Tradicionalmente, esse ambiente controlado era projetado em função das plantas. Na habitação, esse mesmo princípio é cada vez mais empregado para conformar espaços para pessoas.
Trazer a construção de estufas para o âmbito residencial oferece muito mais do que um fechamento adicional. Essa estratégia permite criar espaços abrigados sem a necessidade de climatizá-los como os cômodos internos convencionais, capturar o calor solar quando oportuno, proporcionar ventilação quando as temperaturas se elevam e prolongar os períodos do ano em que determinadas áreas da casa permanecem confortáveis para o uso.


















