No início dos anos 2000, uma linha ferroviária abandonada em Manhattan estava em deterioração — a lembrança de uma época em que trens de carga cruzavam a cidade. Para a maioria dos cidadãos, o local estava fadado à demolição. No entanto, um grupo de moradores/as visionários/as enxergou uma oportunidade nesse espaço negligenciado e defendeu sua transformação em uma área verde pública para a comunidade. O sucesso do projeto acabou desencadeando o "Efeito High Line", inspirando outras cidades norte-americanas a resgatarem infraestruturas obsoletas em antigas ferrovias, rodovias e áreas industriais.
Cores, materiais, iluminação e texturas são os pilares fundamentais que moldam a atmosfera e o tom de um espaço interno. Esses elementos devem trabalhar em harmonia para criar ambientes que influenciam profundamente a maneira como nos sentimos e interagimos com o espaço ao nosso redor. De residências serenas e tranquilas a escritórios dinâmicos ou espaços de hospitalidade acolhedores, as tendências de design evoluíram para atender às necessidades específicas de cada contexto, ao mesmo tempo em que o mercado oferece uma infinidade de combinações de produtos.
Nos últimos anos, essas tendências passaram por uma transformação significativa, com um foco crescente na flexibilidade, no design biofílico e na sustentabilidade. Essas três abordagens estão redefinindo a maneira como os espaços são projetados—não apenas em termos estéticos, mas também no que diz respeito à funcionalidade, ao bem-estar e ao impacto ambiental. Dominar a interação entre esses elementos tornou-se essencial para criar espaços que se alinhem com propósito e funcionalidade, oferecendo experiências imersivas e significativas para seu público-alvo.
Diana - Coleção Arcadia. Imagem cortesia de Glamora
As culturas grega e romana lançaram as bases da civilização moderna, deixando um legado duradouro na filosofia, na literatura, na matemática e na arte. Ainda que suas contribuições nessas áreas sejam significativas, por vezes elas acabam sendo negligenciadas. No entanto, em disciplinas como a escultura e a arquitetura, sua influência permanece praticamente inalterada, profundamente enraizada nos ideais clássicos de beleza. Isso se exemplifica em obras canônicas como o Partenon, o Panteão Romano e o Discóbolo, que continuam a cativar por sua proporção, simetria e riqueza de detalhes. Assim, não surpreende que o classicismo greco-romano continue relevante graças à sua atemporalidade estética, revitalizado ao longo de diferentes épocas, do neoclassicismo a propostas contemporâneas.
Nesse contexto moderno, a mitologia greco-romana, os contos épicos e os conceitos arquitetônicos clássicos inspiram um novo olhar sobre a estética dos interiores. Adotando uma abordagem vanguardista do neoclassicismo, uma nova onda de design de interiores utiliza traços marcantes para definir figuras e detalhes, como pilastras e capitéis, ecoando as sinópias dos afrescos históricos. Esses projetos transformam a monumentalidade em atmosferas acolhedoras e elegantes. Ao mesclar referências históricas e contemporâneas, oferecem soluções figurativas inovadoras que criam espaços poeticamente cenográficos. A coleção Arcadia exemplifica essa abordagem, destacando-se como um tributo ao classicismo e apresentando uma narrativa visual única por meio de seus revestimentos de parede.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140366/interiores-modernos-com-um-toque-historico-revestimentos-de-parede-figurativos-para-espacos-cenograficosEnrique Tovar
Propostas de destaque. Imagem cortesia de Buildner
A Buildner tem o prazer de anunciar os resultados da segunda edição anual do seu Architect's Chair Competition, que recebeu excelentes propostas de todo o mundo. À medida que a série de concursos ganha força e gera mais interesse, a Buildner anuncia com entusiasmo o lançamento do concurso Architect's Chair Edition 3, com prazo de inscrição até 15 de janeiro de 2025. A Buildner também publicou seu primeiro livro sobre o tema, destacando as principais ideias e os projetos de destaque de edições passadas.
CityMakers, a comunidade global de profissionais de arquitetura que aprendem com cidades exemplares e seus idealizadores, está trabalhando em parceria com o ArchDaily para publicar uma série de artigos sobre Barcelona, Medellín e Roterdã. Os textos são de autoria de arquitetos/as, urbanistas e/ou estrategistas por trás dos projetos que transformaram essas três cidades e que são estudados nas "Schools of Cities" e nos "Documentary Courses" promovidos pela CityMakers. Nesta ocasião, Jaume Barnada, coordenador do premiado projeto de Abrigos Climáticos nas escolas de Barcelona e palestrante no "Schools of Cities", apresenta seu artigo "Barcelona: o espaço público como sinônimo de adaptação da cidade construída".
As cidades são espaços densos e construídos nos quais a pavimentação se impôs de forma eficiente sobre o solo natural. Cidades como Barcelona têm quase 75% de seu solo pavimentado e impermeável. Sem dúvida, trata-se de um excesso a ser revertido em um momento de emergência climática, no qual devemos nos reconectar com a natureza. Oriol Bohigas [1] nos dizia que a boa urbanização havia pavimentado as praças das cidades mediterrâneas e que ninguém queria viver em um lamaçal. Certamente ele tinha razão. Além disso, ele nos ensinou que o verde e, consequentemente, o solo natural deveriam ter dimensão e, sobretudo, uma inserção urbana. Praças são praças e parques são parques, e cada espaço demanda um tipo de projeto. Hoje em dia, com a frequente confusão conceitual na urbanização dos espaços públicos, deparamo-nos com projetos que acabam por descaracterizar o modelo.
Em cidades densamente povoadas, a demanda por mais espaço habitável impulsionou uma tendência crescente de ampliações residenciais. Diante das oportunidades limitadas para novas construções e do desejo de preservar a malha urbana histórica, proprietários(as) buscam cada vez mais maneiras inovadoras de expandir suas casas. As ampliações oferecem uma solução prática para as necessidades modernas, permitindo que os(as) residentes permaneçam em bairros familiares e mantenham seus laços com a comunidade.
Existem diversas abordagens para essas reformas. As ampliações residenciais assumem várias formas, desde cômodos isolados com funções específicas próximos à casa principal até volumes diretamente conectados à estrutura original. Essas ampliações podem ser construídas no térreo ou aproveitar o espaço vertical por meio de acréscimos de pavimentos sobre a edificação existente.
No sul da França, a 40 minutos de carro a leste de Montpellier, encontra-se a singular cidade balneária de La Grande Motte. Nomeada em homenagem a uma duna de areia próxima, a cidade caracteriza-se por blocos de apartamentos futuristas em formato de pirâmide e com variados relevos, adornados por uma vegetação diversa que inclui pinheiros, plátanos, oliveiras, choupos e ciprestes. Os/as artistas Charly Broyez e Laurent Kronental descrevem esse caráter único como "uma visão de conto de fadas de uma terra que emerge dos territórios inexplorados da nossa psique, carregada de memórias, imagens, sons, cores, história". Por meio de suas imagens minuciosas, eles revelam a arquitetura singular da cidade.
Muitas das principais cidades dos Estados Unidos estão lidando com grandes edifícios industriais em desuso. Essas edificações possuem relevância histórica e arquitetônica e, frequentemente, são protegidas por leis de preservação. Diante disso, profissionais de arquitetura enfrentam o desafio e a responsabilidade de adaptar esses edifícios às funcionalidades contemporâneas. A opção por evitar a demolição reflete uma abordagem sustentável na construção civil e destaca a importância de valorizar o patrimônio edificado.
A habitação estudantil passou por uma transformação notável ao longo do último século. Outrora vista como uma necessidade utilitária, limitada a fornecer abrigo e comodidades básicas para estudantes, essa tipologia arquitetônica evoluiu para atender a demandas sociais, culturais e urbanas cada vez mais complexas. A partir da abordagem modernista de Le Corbusier na Cité Universitaire em Paris, a moradia estudantil passou a refletir tendências mais amplas da arquitetura, do urbanismo e das transformações sociais.
Hoje, esses edifícios precisam atender a uma população altamente diversa e transitória, lidando com as pressões de acessibilidade econômica, densidade e com os novos padrões de vida dos jovens adultos. Diante da rápida urbanização e da crescente mobilidade estudantil, as universidades enfrentam agora o desafio de projetar habitações que não sejam apenas funcionais, mas também adaptáveis a diferentes contextos culturais e sociais. Isso tem levado a soluções mais flexíveis e inovadoras, que promovem tanto a privacidade quanto a vida em comunidade.
Nicolás Valencia conversa esta semana no podcast TERRAZA com a arquiteta estadunidense-venezuelana Elisa Silva sobre seu livro "Puro Espaço: Transformações do Espaço Público em Assentamentos Espontâneos da América Latina" (Actar Publishers), uma análise de uma série de intervenções no espaço público em comunidades do México, Colômbia, Venezuela, Brasil, Argentina, Peru e Chile.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140357/elisa-silva-o-assentamento-espontaneo-nao-precisa-ser-integrado-porque-ja-faz-parte-da-cidadeArchDaily Team
Dois métodos principais de construção são comumente identificados na arquitetura e no design: a construção sólida versus a construção oca. Esses métodos variam significativamente entre diferentes culturas e regiões, especificamente no que diz respeito aos sistemas de divisórias internas, mesmo quando parecem intercambiáveis. Cada um possui suas próprias práticas consolidadas, influenciadas por materiais locais, preferências da mão de obra, condições climáticas e tradições culturais. Quando arquitetos/as e designers se concentram apenas em seu contexto local, é fácil ignorar premissas construtivas mais amplas, o que limita a flexibilidade e a metodologia projetual. Isso levanta uma questão importante: como essas duas abordagens construtivas se diferenciam?
Concentrando-se principalmente nos sistemas internos, as distinções entre a construção sólida e a oca decorrem, em grande parte, da disponibilidade de materiais e das preferências da mão de obra. Por exemplo, nos Estados Unidos e no Japão, paredes estruturadas em montantes (studs), tanto de madeira quanto de metal, são frequentemente utilizadas para divisórias. Por outro lado, o tijolo continua sendo o material predominante para paredes divisórias em regiões como Hong Kong e o sul da China. Por que construímos de maneiras tão distintas, e quais são as vantagens e os desafios de cada metodologia construtiva?
Resistindo a um contexto adverso e contornando suas restrições, surge o Grupo Finca, um coletivo que investiga a prática da arquitetura a partir de uma dimensão artística e pedagógica em Havana, Cuba. Dada a complexidade da situação política e social do país, a arquitetura informal é prática comum: a escassez de recursos, a dificuldade para obter materiais, os altos custos e a falta de mão de obra qualificada, entre outros, são alguns dos desafios enfrentados por profissionais independentes de arquitetura. Além da ausência de um marco legal regulatório que permita trabalhar em condições formais — tanto no mercado de trabalho quanto na aquisição de materiais e insumos —, a construção da arquitetura contemporânea em Cuba vê-se relegada a processos independentes que consigam, de alguma forma, superar esses obstáculos.
A arte e a arquitetura passam por uma série de processos interpretativos anteriores à sua criação que envolvem o reconhecimento de uma capacidade de maravilhamento, experimentação, comunicação e imaginação. Compartilhando sensibilidades e buscas criativas, são capazes de modificar a vivência do mundo em resposta a um coletivo de ideias que, por vezes, desenham, pintam e escrevem sobre temáticas relacionadas à relação com a natureza, ao papel da sociedade no ambiente construído, aos sentidos que os espaços transmitem, entre outros.
A grande maioria dos/as profissionais que conheci ao longo dos anos busca recém-formados/as bem preparados/as, prontos/as para serem produtivos/as desde o primeiro dia de trabalho. No entanto, o ensino de arquitetura precisa ir muito além disso. Michael Monti — que nos últimos 20 anos atuou como diretor executivo da Association of Collegiate Schools of Architecture (ACSA), entidade que representa 5.000 docentes de arquitetura e mais de 30.000 estudantes — enfatiza que o ensino de arquitetura deve se apoiar em uma base sólida de valores compartilhados e ética. Somente assim, segundo ele, os/as egressos/as poderão contribuir de forma significativa para o que define como uma "vida civilizada", promovendo a dignidade, a liberdade, a saúde e o bem-estar das pessoas que interagem diariamente com a arquitetura.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140371/as-escolas-de-arquitetura-sao-responsaveis-por-educar-o-estudante-como-um-todo-em-conversa-com-michael-montiMichael J. Crosbie
Nesse contexto, a adoção dos estilos neogóticos do século XIX e dos estilos neoclássicos do início do século XX tornou-se popular. Hoje, muitos desses edifícios permanecem como marcos proeminentes em todo o país e se tornaram partes integrantes das paisagens urbanas. Esta seleção explora como a arquitetura canadense integra elementos tradicionais a materiais modernos, como vidro e aço. Esses esforços preservam o significado histórico dos edifícios ao mesmo tempo em que os adaptam para atender às demandas funcionais da vida moderna.
O The Second Studio (antigo The Midnight Charette) é um podcast sem filtros sobre design, arquitetura e o cotidiano. Apresentado pelo arquiteto David Lee e pela arquiteta Marina Bourderonnet, o programa traz diferentes profissionais do campo criativo em conversas espontâneas que abrem espaço para reflexões profundas e debates pessoais.
Diversos temas são abordados com honestidade e humor: alguns episódios trazem entrevistas, enquanto outros oferecem dicas para colegas designers, análises de edifícios e outros projetos, ou explorações descontraídas sobre o cotidiano e o design. O The Second Studio também está disponível no iTunes, Spotify e YouTube.
Esta semana, David e Marina, do escritório FAME Architecture & Design, compartilham o que mais gostam na profissão de arquiteto/a. Eles conversam sobre oportunidades de aprendizado contínuo; criar algo do zero; o companheirismo na arquitetura; o processo de construção; a valorização de elementos naturais e daqueles criados pelo ser humano; desenhos técnicos; o momento em que os projetos de arquitetura são concluídos; e muito mais.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140509/the-second-studio-podcast-6-motivos-para-amar-a-arquiteturaThe Second Studio Podcast
Há séculos as maquetes desempenham um papel central no projeto de arquitetura, proporcionando aos/às arquitetos/as uma maneira tangível de explorar ideias, testar conceitos e comunicar sua visão. Do Renascimento ao Modernismo, elas foram fundamentais nos processos de construção e reflexão, oferecendo insights sobre forma, proporção e relações espaciais. Contudo, na era digital de hoje, em que os modelos 3D e a Realidade Virtual (RV) se tornaram ferramentas potentes e eficientes, surge a questão: as maquetes físicas ainda são relevantes na arquitetura contemporânea?
A expansão urbana e o aumento da densidade populacional têm impulsionado uma demanda crescente por áreas externas em apartamentos de vários andares, à medida que os/as moradores/as buscam manter a conexão com a natureza sem sair de casa. Essa tendência reflete os desafios da vida urbana moderna, onde o acesso à natureza é frequentemente limitado e os espaços verdes públicos são cada vez mais escassos. Nesse contexto, elementos como varandas, loggias e jardins de inverno destacam-se como soluções atraentes, oferecendo espaços privados para relaxamento e lazer em meio à agitação da vida na cidade. Além de enriquecer a experiência urbana, esses espaços aumentam a qualidade de vida, proporcionando um refúgio pessoal em meio à paisagem urbana.
Museu do Forno Imperial de Jingdezhen_Vista do foyer abobadado do auditório. Imagem
De 4 a 6 de abril, a conferência internacional FABRICATE 2024será realizada na Royal Danish Academy, em Copenhague. Desde a sua criação em 2011, o FABRICATE consolidou-se como um fórum global para novas e radicais possibilidades na arquitetura, acolhendo milhares de participantes da prática profissional, da indústria e da pesquisa.
Neste terceiro artigo, conversamos com o/a arquiteto/a Zhu Peique é diretor/a fundador/a do Studio Zhu Pei e decano/a da Escola de Arquitetura da Academia Central de Belas Artes de Pequim. O texto é um trecho do futuro livro FABRICATE 2024 e baseia-se em uma entrevista conduzida pelo/a copresidentePhil Ayres entre Zhu Pei e o/a arquiteto/a Cristiano Ceccato, diretor/a da Zaha Hadid Architects. O livro será lançado na noite de abertura da conferência FABRICATE 2024.
Na busca por conservar certos traços arquitetônicos, históricos e culturais das habitações catalãs originais, a renovação de apartamentos é concebida como um meio de conexão entre o passado e o presente através da recuperação e/ou restauração de revestimentos, pisos, esquadrias, fachadas, entre outros. A história da cerâmica na Espanha evoluiu com o passar dos anos, atravessando períodos de florescimento produtivo e também de declínio. No entanto, a linguagem expressiva, a versatilidade e a adaptabilidade dos ladrilhos hidráulicos à tradição e ao futuro destacam-se na espacialidade interna e externa das residências, com sua ampla combinação de cores, texturas e padrões.
Antigas civilizações indianas floresceram às margens dos muitos rios do país, consolidando uma conexão entre a água e a cultura que resiste até hoje. Os rios sempre foram fundamentais para as diversas comunidades da Índia, servindo como recursos essenciais para a vida cotidiana e as práticas espirituais. Historicamente, esses corpos d'água contavam com um forte senso de custódia coletiva, sendo cuidados de forma comunitária pelas populações que deles dependiam. Hoje, a responsabilidade sobre os rios divide-se entre múltiplos agentes, exigindo um esforço conjunto que reconheça sua importância cultural.
Qual é a relação entre a arquitetura e a confeitaria? Que estratégias de design são aplicadas nos interiores contemporâneos de padarias e confeitarias? Embora a arquitetura seja capaz de servir de inspiração para o design de formas e configurações de elementos comestíveis, ela também agrega a técnica do desenho descritivo, a composição arquitetônica e o planejamento por etapas à linguagem gastronômica. Centrando seu pensamento nas pessoas e em suas necessidades, ambas as disciplinas buscam alcançar a precisão, sendo o design de interiores um amplo campo de atuação para explorar o uso de formas, cores, materiais e diversos equipamentos para melhorar as experiências de seus usuários.
Diante do envelhecimento da população mundial, prevê-se uma das transformações sociais mais significativas do século XXI. A concepção de pátios, jardins, terraços e demais áreas verdes em estabelecimentos destinados à terceira idade traz a oportunidade de fomentar o encontro, a participação em diversas atividades coletivas e a consolidação de espaços de reunião, buscando reduzir a solidão entre as pessoas idosas e potencializar o bem-estar e a interação social em contato com a natureza. Como é possível criar ambientes construídos adaptados às pessoas idosas e suas necessidades?