Quando falamos de produção social, tratamos dos processos em que os líderes das comunidades são adultos que representam e tomam as decisões por sua comunidade; mas deixamos de fora as crianças que também se apropriam e vivem em seus espaços. Quem têm imaginação e criatividade ilimitadas, que criam cenários em Marte em uma quadra de basquete. Quem têm as melhores corridas de carros na areia espalhada de seu quintal. Meninos e meninas que, por diferentes circunstâncias familiares ou econômicas, não podem escrever uma carta, mas conseguem dizer o que sentem e querem nas entrelinhas.
Rem Koolhaas, co-fundador do Office for Metropolitan Architecture (OMA), ganhador do Prêmio Pritzker em 2000 e um dos mais proeminentes teóricos do urbanismo hoje em dia, foi um dos primeiros a questionar o fenômeno dos arranha-céus e sua influência na transformação da cidade. Particularmente intrigado com a região do Golfo Pérsico e as ambições urbanas desta área, em 2009, durante a 9ª edição da Bienal de Sharjah, fez uma palestra sobre o potencial de reinventar a urbanização nos Emirados Árabes Unidos.
Por ocasião do jubileu de ouro dos Emirados Árabes Unidos, marcando 50 anos desde que foram fundados em 1971, 50U, publicado pela Archis, explora os diferentes desenvolvimentos no Golfo, esta região que "testemunhou a transformação de uma cidade parcialmente nômade, parcialmente baseada na comunidade em uma sociedade metropolitana globalmente ativa”. Depois de Al Manakh, em 2007, seguido em 2010 por Al Manakh Cont’d, 50U conta a história dos Emirados Árabes Unidos por meio de 50 retratos de pessoas, plantas e lugares. O livro também compartilha um trecho da palestra de Koolhaas em 2009 que reflete sobre as condições contemporâneas, focando especificamente em sua leitura de Dubai, seu envolvimento arquitetônico e suas previsões urbanas futuras.
Visitamos o “país dogon” no Mali (paralelo 15°N) em 2008 para observar como a arquitetura vernácula “dogon” (Patrimônio da UNESCO) alcançou a contraforma das vivências. Buscávamos a coerência entre sociedade e habitar com a arquitetura e o urbanismo em outra dimensão e em outra cultura.
Você moraria em uma casa construída em uma fábrica? A evolução tecnológica no projeto e produção arquitetônica está trazendo mudanças inegáveis na maneira como pensamos e construímos a arquitetura. A possibilidade de materializar uma casa através de um sistema de peças fabricadas industrialmente em uma área fora do canteiro final da obra abriu a porta para muitos arquitetos investigarem e experimentarem novos materiais e tecnologias alimentados pela fabricação digital.
A Era da Digitalização começou há quase 40 anos com a ascensão da tecnologia da informação. Com ela, vieram mudanças profundas na maneira como os seres humanos interagem e as indústrias operam — exceto, contudo, no campo da educação. Por muito tempo, apesar das tecnologias em constante evolução ao nosso redor, o aprendizado em sala de aula permaneceu o mesmo. O/A professor/a se posicionava diante dos/as estudantes, transmitindo conhecimento por meio de métodos convencionais de leitura, oratória e desenhos na lousa. Essa também tem sido a realidade do ensino de arquitetura até o momento. No entanto, os tempos estão mudando. Os/As estudantes de hoje cresceram cercados/as por tecnologias digitais e, por isso, podem se beneficiar de novos métodos de aprendizado, como a gamificação, para desafiar seus intelectos.
Heatherwick Studio, em colaboração com a The Woolbeding Charity e o National Trust, revelaram seu mais recente projeto: uma estufa cinética e o Jardim da Rota da Seda (Silk Route Garden), situados no limite de Woolbeding Gardens, uma propriedade histórica em West Sussex. A estrutura que se abre serve como ponto focal de um novo jardim que destaca como a antiga Rota da Seda influenciou os jardins ingleses atuais. O projeto apresenta dez “sépalas” de aço com uma fachada de vidro e alumínio que, ao se abrirem, criam um espaço de 141 m² em formato de coroa.
A cidade de Roterdã selecionou os escritórios Powerhouse Company, Atelier Oslo e Lundhagem para renovar e ampliar a Biblioteca Central da cidade, um edifício emblemático do início dos anos 1980 projetado por Van den Broek & Bakema. O novo projeto adota o conceito de reuso radical para transformar a edificação da década de 1980 em uma biblioteca contemporânea, plenamente adaptada às necessidades do público atual. A equipe combina a experiência da Powerhouse Company, da Atelier Oslo e da Lundhagem, sendo que estes dois últimos escritórios foram premiados em 2021 com o prêmio Public Library of the Year pelo projeto da biblioteca Deichman de Oslo. A previsão é que as obras comecem em 2025 e sejam concluídas até o final de 2028, ano que marca o 45º aniversário do edifício.
Zaha Hadid Architects (ZHA) foi nomeado o vencedor de um concurso internacional para projetar o Jinghe New City Culture & Art Center na província de Shaanxi, China. O projeto faz parte da Jinghe New City, uma área que cresce como um centro de ciências e tecnologia com novos institutos de pesquisa científica que são movidos pela consciência ambiental. A arquitetura combina com a paisagem circundante, ecoando os vales esculpidos pelo rio Jinghe através das montanhas e paisagens da província de Shaanxi.
Os seres humanos se esforçam muito para fazer o inexplicável ser entendido. A nossa espiritualidade torna-se religião. A justiça torna-se lei. E o que nos encanta torna-se a estética, e a estética se reduz ao “estilo” nas artes plásticas e na arquitetura. A descrição, depois a definição, da estética nos permite julgar e, com sorte, controlar o que nos emociona: "Os estilos podem mudar, os detalhes podem ir e vir, mas as amplas exigências do julgamento estético são permanentes". — Roger Scruton
Mas o prazer instantâneo que às vezes sentimos quando ouvimos, provamos, pensamos ou vemos partes de nossa experiência é irracional em sua apreensão. Tentamos criar valor em nossos resultados, definindo-os além da experiência — isso é estética.
A varanda é um espaço aberto protegido por uma cobertura que ao constituir um prolongamento da edificação, possui como principal característica criar uma transição entre os espaços exterior e interior. Muito comum em diversas casas brasileiras, se tornou um lugar fundamental de encontro, como tal característica é buscada pelos mais distintos programas, buscamos por exemplos de arquiteturas voltadas para o setor cultural e de serviços nos quais espaços avarandados foram concebidos.
https://www.archdaily.com.br/pt/963128/transicao-entre-exterior-e-interior-15-varandas-em-diferentes-programas-e-tipologiasArchDaily Team
Agravada pela pandemia, a crise habitacional tornou-se um fenômeno global. O aumento dos preços, a falta de acesso e as políticas habitacionais deficientes traduziram-se em maior escassez e condições de precariedade. O caso do Chile não é exceção. Inclusive, de acordo com os últimos relatórios emitidos pela Câmara Chilena da Construção (CChC), existem “mais de 700 mil famílias com problemas de coabitação involuntária e moradias irrecuperáveis, somando-se às 81 mil famílias que vivem em acampamentos”.
As periferias constituem um dos campos de ação preferidos de quem trabalha com arquitetura social em contextos de "primeiro mundo". Em 2020, um grupo de estudantes do curso de Architecture for Humanity da YAcademy — a renomada escola internacional de arquitetura localizada em Bolonha, na Itália — teve a oportunidade de trabalhar com Michele De Lucchi para levar arte, beleza e qualidade às cinzentas periferias de Milão.
Alphabet of light por BIG x Artemide. Imagem cortesia de Artemide
Após dois anos de adiamentos e cancelamentos, a Semana de Design de Milão deste ano reuniu milhares de designers, artistas e artesãos/ãs para expor suas habilidades e apresentar diferentes soluções para o futuro da fabricação, do design de interiores, dos materiais e do meio ambiente. Como em todos os anos, arquitetos/as de renome também participaram do evento, utilizando produtos, peças de mobiliário e instalações para compartilhar suas perspectivas profissionais e responder a algumas das principais questões da prática, mostrando como a disciplina pode contribuir para a melhoria do meio ambiente e da sociedade como um todo.
Com foco na sustentabilidade e na consciência ambiental em relação à produção de mobiliário, as contribuições da arquitetura no Salone del Mobile deste ano apresentaram abordagens inovadoras de design “inclusivo”.
As contribuições da arquitetura deste ano, que estiveram em exibição pelas ruas movimentadas de Milão, pelo distrito de design de Brera e seu jardim botânico, pela Alcova, pela BASE e por outros espaços culturais, destacaram a sustentabilidade e a consciência ambiental na produção de mobiliário, temas centrais desta edição da Semana de Design de Milão.
A The School of Architecture, fundada por Frank Lloyd Wright como Taliesin Fellowship em 1932, está passando por transformações significativas. Dois anos após se separar da Frank Lloyd Wright Foundation, a TSOA estabeleceu-se em Arcosanti, uma comunidade experimental no deserto do Arizona, de propriedade e operada pela The Cosanti Foundation. Em consonância com os valores da instituição, o programa em Arcosanti busca proporcionar a estudantes uma formação contemporânea em projeto baseada no aprendizado imersivo, experimental e prático. O currículo oferece diplomas de Master of Architecture credenciados pelo NAAB de 2 e mais de 3 anos, além de um Master of Science em Design-Build de 1,5 ano.
HeartFelt® Multipanel. Imagem cortesia de Hunter Douglas Architectural
Conhecido como a “quinta parede”, o forro é a superfície superior interna que define o limite de um ambiente. Ao contrário da decoração, do papel de parede, do mobiliário e de outros elementos que definem a atmosfera de um espaço, ele raramente é destacado como um componente crucial de projeto, o que costuma resultar naquele clássico tom branco liso que continua sendo a norma na maioria dos ambientes internos. No entanto, os forros podem desempenhar múltiplos papéis em qualquer projeto de arquitetura. Por exemplo, eles proporcionam conforto, atuam como superfícies de proteção para outras instalações prediais, ocultam elementos estruturais e adicionam camadas de textura, movimento e cor. Além disso, permitem o fechamento ou a separação de espaços e contribuem para a difusão sonora, reduzindo, consequentemente, a transmissão de ruídos entre os ambientes.
A estética visual das últimas décadas pode ser definida como projetar com os princípios do “nada”. Seja por meio de arte, estilo de vida, moda, design industrial ou de interiores, há uma suposta necessidade de manter as coisas no mínimo, promovendo a tendência globalmente amada e altamente criticada do minimalismo. Minimalismo é essa noção de reduzir algo a seus elementos necessários, mas quem está decidindo o que é necessário e quem está decidindo o que é demais? Com essas questões em mente, combinadas com mudanças radicais no consumismo e na maneira como as pessoas vivem nos últimos anos, as tendências atuais mostraram que o minimalismo veio para ficar, mas não sem uma reviravolta.
Atualmente, metade da população mundial vive em cidades, segundo os últimos relatórios da ONU-Habitat, e as previsões mostram que esse número deve aumentar para dois terços da população até 2050. Essa realidade intensifica exponencialmente os desafios urbanísticos, tornando mais evidente do que nunca a necessidade de transformação de nossas cidades. Anualmente, a estimativa da população mundial avalia o crescimento das cidades e o número de moradores que vivem em áreas metropolitanas para que as tendências globais sejam analisadas. Em 2022, a lista dos 20 países mais populosos manteve-se semelhante à edição de 2021, com ligeira alteração em números e posições. Tóquio manteve o status de maior cidade do mundo, com 37 milhões de habitantes, enquanto Delhi e Xangai seguiram em segunda e terceira posições.
Comparando os resultados com a edição de 2021, a única queda que pode ser observada no top 20, envolve ambas as cidades japonesas, Tóquio e Osaka. O restante da lista teve, em média, um crescimento de 1,8% no total de pessoas residentes em regiões metropolitanas. De fato, as cidades africanas Kinshasa, na República Democrática do Congo, e Lagos, na Nigéria, reuniram as taxas mais altas, com um aumento de residentes de 4,39% e 3,54%, respectivamente, em 1 ano. A maior cidade do continente americano ainda é São Paulo no Brasil, seguida de perto pela Cidade do México e Buenos Aires. Na Europa, Istambul é a mais populosa, com mais de 14,5 milhões de habitantes.
De acordo com a estética que se busca conferir a um espaço, a economia dos materiais ou mesmo sua manutenção a longo prazo, existem diversos tipos de forros capazes de atender às necessidades técnicas e funcionais dos projetos de arquitetura. Independentemente de seu método de fabricação, seja ele industrializado ou artesanal, os forros (também chamados de falsos tetos) representam um elemento construtivo que constitui o acabamento ou revestimento interno das coberturas.
A estética ocidental baseia-se na análise matemática da estrutura formal de um objeto, usando leis clássicas de beleza, como equilíbrio, simetria e a proporção áurea. A estética oriental difere nisso, pois enfatiza a experiência intuitiva, como o espaço em branco na pintura tradicional chinesa, através da comunicação emocional com o imaginário para produzir uma certa concepção. O contraste entre a realidade e o vazio permite que a imaginação e os sentimentos do espectador floresçam.
Com a chegada do inverno e das temperaturas mais baixas muitas vezes nos vemos em um esforço para transformar nossas casas em espaços mais aconchegantes para suportar as baixas temperaturas. Veja a seguir algumas ideias de como trazer aconchego para a casa durante o frio.
Logo que um bebê começa a se movimentar pela casa, a família adapta esse ambiente para garantir proteção e as melhores condições para o desenvolvimento do filho. Conforme a criança cresce, novas adequações são feitas, sempre tendo como objetivo tornar o lar um local acolhedor, seguro e estimulante. Na cidade, as ruas, praças e parques são uma extensão da casa. E, como na casa, esses espaços públicos devem acolher e proteger as crianças, estimular o seu desenvolvimento e, ao mesmo tempo, convidá-las a experimentar a cidade.
https://www.archdaily.com.br/pt/982803/como-qualificar-espacos-publicos-para-a-infancia-experiencias-e-aprendizados-em-sao-pauloPaula Manoela dos Santos, Ariadne Samios, Larissa Oliveira e Fernando Corrêa
A teoria da seleção natural de Charles Darwin buscava explicar a origem e a sobrevivência das espécies no Planeta. Em suma, aponta que o organismo mais apto sobrevive e pode reproduzir-se, perpetuando as variações úteis a cada espécie em determinado local. A adaptação é, portanto, uma característica que favorece a sobrevivência dos indivíduos em um contexto. No mundo da construção poderíamos traçar alguns paralelos. Seria a adaptação uma qualidade realmente importante para acrescer a vida útil e a eficiência de uma edificação ao longo do tempo, considerando as mudanças e demandas da sociedade, bem como as tecnologias e os estilos de vida?
No campo do projeto e da construção, a questão de gênero é um ponto de conflito: quem tem a possibilidade de construir? Quais são as alternativas para nós profissionais da arquitetura? Estas são as perguntas que o Taller General busca (re)pensar. Foi a partir dessas questões que surgiu Femingas, uma jornada de construção participativa com uma perspectiva de gênero. Estas se manifestam como uma alternativa à construção de "mingas", jornadas de trabalho conjunto entre os membros de uma comunidade para alcançar um bem comum.