Em 1972, Caetano Veloso anuncia na canção Triste Bahia que “o vapor de Cachoeira já não navega mais no mar”. De fato, somos uma geração que desconhece a capacidade náutica de Salvador, uma vez que a maioria não teve a oportunidade de conviver com o cotidiano da cidade portuária. Um breve olhar nos registros realizados por fotógrafos como Marcel Gautherot, Pierre Verger e Lázaro Roberto, entre as décadas de 1950 a 1970, permite verificar que as dinâmicas cotidianas realizadas junto ao mar eram abissalmente diferentes das atuais.
A Copa do Mundo de Futebol é um dos maiores eventos do mundo e envolve torcedores de todas as nacionalidades. Já tendo passado por vários continentes, o evento este ano acontecerá no Qatar, um país da península árabe com uma população de cerca de 2,7 milhões de habitantes, sendo a maioria islâmica. Além deste, outros 31 países disputarão o título de melhor do mundo.
Para além de um evento esportivo, a Copa é também uma oportunidade de observar, conhecer e conviver com outras culturas, principalmente para o país sede. Divididos em 8 diferentes grupos, os primeiros a jogar, do grupo A e B, serão Qatar, Equador, Inglaterra, Irã, Senegal, Países Baixos, Estados Unidos e País de Gales. Veja a seguir alguns exemplos da arquitetura desses países.
A década de 1970 foi uma época sombria para Nova York. Enquanto a economia estava em baixa, as taxas de criminalidade estavam em alta. A imagem pública negativa também afastou os turistas, levando a cidade a uma crise financeira. Para mudar as percepções sobre a Big Apple, o Departamento de Desenvolvimento Econômico do Estado de Nova York procurou a empresa de publicidade Wells Rich Greene para criar uma operação de marketing convidativa. Após 45 anos, a campanha I Love NY resultante permanece fresca nas mentes dos moradores e turistas, renovando com sucesso a marca da cidade de Nova York. Cidades de todo o mundo, como Paris, Amsterdã e Jerusalém, também investiram pesado na construção de marcas atrativas.
Por mais pretensioso que isso possa parecer, podemos afirmar sem medo que o bambu é dos materiais mais promissores para a indústria da construção civil. Neil Thomas, engenheiro diretor do atelier one, afirma que, se projetássemos um material de construção ideal, ele se pareceria muito com o bambu. Isso porque ele cresce muito rapidamente em boa parte do mundo, possui uma seção transversal altamente eficiente e apresenta uma resistência à cargas impressionante. Mas, além do uso estrutural em seu formato bruto, o bambu é um material que permite alto nível de processamento, podendo ser laminado para pisos, utensílios e, como veremos neste artigo, para estruturas de Structural Engineered Bamboo (SEB), que se assemelham muito às de Madeira Engenheirada. Conversamos com Luke D. Schuette, fundador e CEO da ReNüTeq Solutions, LLC, empresa de St. Louis, Missouri, que vem trabalhando com este sistema construtivo.
A maioria dos arquitetos pode se identificar com a sensação de estar mergulhado em uma profunda devoção à arquitetura. O que começa como uma carreira dos sonhos se torna um pesadelo para muitos. Depois de uma formação rigorosa, a experiência de uma carreira tumultuada pode desanimar os profissionais. Postagens no Twitter e no LinkedIn têm debatido amplamente as longas horas de trabalho e os salários díspares, com poucas soluções. Os arquitetos estão constantemente em guerra entre profissão e paixão, uma sobreposição de amor e desespero. Talvez, na raiz desses problemas esteja a definição coloquial do substantivo ‘arquiteto’.
Há cem anos, profissionais de design e arquitetura da Bauhaus e do movimento moderno romperam com o conceito tradicional de habitação, propondo novas formas de construir, distribuir espaços e mobiliá-la. Embora muitas de suas abordagens estéticas e construtivas tenham tido grande impacto e desenvolvimento no campo do design desde então, a sociedade, no entanto, caminhou em um ritmo diferente no que diz respeito à adoção de certos modelos de espaço doméstico para os quais esses movimentos abriram portas. Desde então, a habitação tem estado em constante revisão, reformulação e até experimentação, despertando profundo interesse na maioria dos/as mais importantes profissionais de design e de arquitetura do século XX e, até agora, do século XXI.
https://www.archdaily.com.br/pt/1134962/scenes-from-the-near-future-uma-exposicao-que-explora-o-futuro-das-casasArchDaily Team
O EUROPARC, coletivo de design pan-europeu, foi anunciado como vencedor do concurso internacional para reformar o Edifício Paul Henri SPAAK em Bruxelas, na Bélgica. O edifício do Parlamento da União Europeia tem muitas deficiências, mas os vencedores do concurso reconhecem que sua demolição e substituição podem não ser a solução mais responsável ou sustentável. O edifício existente é, portanto, reimaginado e adaptado para melhor atender às necessidades e à identidade da UE. O EUROPARC é constituído por cinco estúdios de arquitetura de cinco países europeus: JDS Architects (Dinamarca/Bélgica), Coldefy (França), CRA-Carlo Ratti Associati (Itália), NL Architects (Holanda) e Ensamble Studio (Espanha), com o apoio das empresas de engenharia UTIL (Bélgica) e Ramboll (Dinamarca).
Imagine que você tem agendada uma visita à uma edificação muito importante para a história da arquitetura, uma obra-referência para todos os entusiastas do meio. Você provavelmente se equiparia com uma câmera fotográfica ou um bom celular, em alguns casos, levaria lápis, caderno e até uma trena para registrar curiosamente todos os seus aspectos.
Hoje em dia, entretanto, esse não é único meio pelo qual podemos “visitar” uma edificação de importância histórica ou, pelo menos, é o que alguns pesquisadores estão se esforçando em mostrar. Além de todas as facetas assumidas pelo metaverso, está sendo explorado também o seu papel na preservação histórica da arquitetura e da cultura de determinados locais, gerando materiais disponíveis para diferentes gerações.
Quatro equipes foram selecionadas como finalistas no concurso para projetar a expansão do campus do Portland Museum of Art, localizado em Portland, no Maine. As equipes finalistas são lideradas por Adjaye Associates, Lever Architecture, MVRDV e Toshiko Mori Architect + Johnston Marklee + Preston Scott Cohen. O projeto prevê uma expansão de aproximadamente 5.570 metros quadrados (60.000 pés quadrados) em uma estrutura de seis ou sete pavimentos, planejada para acomodar o aumento no número de visitantes e um acervo artístico em constante crescimento. O museu abriu uma consulta para receber a opinião do público sobre as propostas, que estarão em exibição no PMA até o dia 11 de dezembro.
Blair Kamin deixou o cargo de crítico de arquitetura do Chicago Tribune em janeiro de 2021, após quase 30 anos na função. Ele recebeu o Prêmio Pulitzer em 1999 pelo conjunto de sua obra, com destaque para uma série sobre a orla de Chicago, incluindo uma reportagem que documentou a disparidade racial e de classe entre as frentes de lago norte e sul da cidade. Anteriormente, ele publicou duas coletâneas de seu trabalho: Why Architecture Matters (2001) e Terror and Wonder (2010), ambos pela University of Chicago Press. Sua terceira coletânea, Who is the City For? Architecture, Equity, and the Public Realm in Chicago, foi lançada na semana passada. Recentemente, conversei com Kamin sobre o novo livro, o estado de Chicago no pós-pandemia e a necessidade de uma crítica de arquitetura mais presente na grande mídia. Amanhã publicarei a segunda parte da nossa conversa, na qual o crítico defende a necessidade de redefinir a expressão “equidade no design”.
Foram anunciados os vencedores da XXVIII Bienal Colombiana de Arquitetura e Urbanismo (BCAU 2022) em cada uma das nove categorias do prêmio: Projeto Arquitetônico, Arquitetura de Interiores e Efêmera, Projeto Urbano e Paisagismo, Divulgação, Habitat Social, Intervenção no Patrimônio, Pesquisa, Teoria e Crítica, Planejamento Urbano e Regional, e, por fim, Habitação Unifamiliar, Bifamiliar e Trifamiliar.
“A compreensão precede a ação.” Esse é o lema do Urban Observatory, uma instalação interativa e aplicativo da web criados pelo fundador do TED, Richard Saul Wurman, que compilou uma ampla gama de dados urbanos para mais de 150 cidades, permitindo aos usuários comparar várias características dessas urbes – da densidade populacional aos limites de velocidade do tráfego – lado a lado. O Urban Observatory foi criado pela primeira vez em 2013, um ano marcante para notícias sobre big data urbano; mais tarde naquele mesmo ano, Waag ganhou as manchetes com seu mapa interativo visualizando a idade de cada edifício nos Países Baixos. O surgimento de tais plataformas permitiu que as pessoas vissem o mundo ao seu redor desde novas perspectivas.
Com o surgimento do Google Earth e outras ferramentas GIS, além das plataformas como envelope.city ou simulações ambientais baseadas em modelos de cidades gêmeas digitais, o big data urbano passou discretamente a sustentar uma ampla gama de ferramentas usadas por profissionais que moldam nossas cidades, com a quantidade de dados coletados e a influência que eles têm sobre a tomada de decisões se expandindo enormemente. No entanto, esses avanços geralmente acontecem a portas fechadas e em espaços antidemocráticos. Quanto tempo devemos esperar por um software que tenha toda a facilidade de uso, acessibilidade e apelo dessas plataformas mais antigas, mas que forneça ao cidadão comum as ferramentas para moldar sua cidade? Em outras palavras, se “a compreensão precede a ação”, então por que, depois de quase uma década, não vemos aplicativos baseados em big data que incentivam o público a realmente fazer algo?
Banco no exterior dos Tribunais Reais de Justiça, Londres. Imagem cortesia de James Furzer
A arquitetura hostil pode estar com os dias contados no Brasil. Foi aprovado pela Câmara de Deputados um projeto de lei que proíbe o Poder Público de utilizar qualquer material, equipamento ou técnica construtiva que afaste ou dificulte o acesso das pessoas ao espaço público. O PL 488/21, batizado de Lei Padre Júlio Lancelotti, segue para a sanção do atual presidente Jair Bolsonaro (PL).
https://www.archdaily.com.br/pt/992728/lei-padre-julio-lancelotti-que-proibe-a-arquitetura-hostil-e-aprovada-pela-camaraArchDaily Team
Museo Nacional de Perú (MUNA) /Autores: María Alexia León Angell, Lucho Antonio Marcial Kuehne. Image Cortesía de CAP Consejo Nacional y CAP Regional Cusco
Após um hiato de quatro anos devido à pandemia, a Bienal de Arquitetura Peruana retomou suas atividades sob a organização do Colégio de Arquitetos do Peru (CAP), com sede na região de Cusco. O evento, realizado em outubro, abordou a temática “Construindo o Patrimônio do Futuro”, com foco na responsabilidade social do/a arquiteto/a em relação ao legado que está sendo construído para as futuras gerações.
Ocupa Tu Barrio Pamplona. Image Cortesía de Ocupa Tu Calle
Cynthia Shimabukuro é uma incansável arquiteta e ativista pelo espaço público no Peru. Em conjunto com a equipe do Ocupa Tu Calle, ela vem realizando diversas iniciativas para impulsionar o debate e a intervenção no espectro público, buscando a consolidação, em diversas frentes, do nosso direito à cidade. Cynthia nos transmite o ímpeto e o valor do cotidiano e da cidadania, bem como do trabalho com a comunidade e dos processos coletivos. Nesse sentido, nesta entrevista, ela nos conta sobre os projetos recentes do Ocupa Tu Calle, bem como o trabalho desenvolvido a partir do 'Pacto de Municípios pelos Espaços Públicos' em diversas cidades peruanas como Arequipa, Ilo, Jaén, Lima e Piura.
https://www.archdaily.com.br/pt/1135101/cynthia-shimabukuro-sobre-o-espaco-publico-no-peru-sigamos-reivindicando-nosso-direito-a-cidadeDiego Vivas
Os animais em geral medem distâncias e peso para sua sobrevivência, mas foi a necessidade humana de se comunicar para viver em sociedade que resultou na criação da linguagem, e posteriormente, nos padrões de pesos e medidas. Seja para se deslocar, para porcionar alimento, fazer ferramentas ou calcular peso de objetos e animais, os padrões de aferição surgem dessa necessidade que estava presente já nas atividades humanas na era da pedra lascada e nos acompanha desde então. Se hoje em dia grande parte da população mundial faz uso de metros, centímetros e decímetros para aferir distâncias e medidas, sua padronização vem não apenas da necessidade de estabelecer comparações que permitissem comércio entre povos, mas também de disputas políticas e sociais.
Mesquita Comunitária Bioclimática, Indonésia, RAD + ar. Imagem cortesia de Abdullatif Alfozan Award for Mosque Architecture
O júri internacional do 4º ciclo (2020-2023) do Prêmio Abdullatif Alfozan para Arquitetura de Mesquitas realizou sua segunda e última reunião no Kuwait entre os dias 11 e 13 de novembro de 2022. O encontro foi presidido pelo arquiteto Rasem Badran (Arábia Saudita e Jordânia) e contou com a participação de todos os jurados: o arquiteto Emre Arolat (Turquia), o arquiteto Kashif Chowdhury (Bangladesh), o artista Ahmad Mostapha (Reino Unido) e o sociólogo Sari Hanafi (França).
O escritório HKS, com sede em Austin, anunciou o projeto da Wilson Tower, um arranha-céu de 315 metros de altura na capital do Texas, que contará com 80 andares, 450 unidades, terraços ao ar livre e jardins. A torre será realizada em colaboração com o Britt Design Group e a Wilson Capital, com previsão de início das obras no verão americano de 2023. Após a conclusão, o edifício se tornará a torre residencial mais alta dos EUA fora de Nova York.
Os ruídos –especialmente aqueles que não podemos controlar– afetam profundamente tanto a saúde física quanto a mental. Sejam provenientes da rua, da vizinhança do andar de cima ou do cômodo ao lado, pesquisas sugerem que eles podem aumentar o estresse, reduzir a produtividade, interferir na comunicação e contribuir para o desenvolvimento de problemas como a hipertensão arterial. Em última análise, a qualidade acústica define a experiência de uso e (literalmente) dá o tom para o restante do interior. A má notícia é que a maioria dos materiais de construção convencionais utilizados hoje na arquitetura moderna –concreto, vidro, alvenaria– possui superfícies extremamente duras e propriedades acústicas limitadas, o que faz o som reverberar várias vezes e força as pessoas a elevarem a voz para se fazerem entender. Somado ao crescimento da densidade urbana e à adoção de layouts de uso misto nos projetos, tudo isso resulta em ambientes de vida e trabalho cada vez mais barulhentos, desconfortáveis e dispersivos.
Living Breakwaters, Staten Island, Nova York. Imagem cortesia de SCRAPE
“A supertempestade Sandy em 2012 foi um alerta para Nova York e fez a cidade perceber que precisava se preparar melhor para as mudanças climáticas”, disse Adrian Smith, vice-presidente da ASLA e líder da equipe de projetos de capital de Staten Island com a NYC Parks. Devido às tempestades de Sandy, “várias pessoas em Staten Island morreram e milhões foram perdidos em danos materiais”.
No 10º aniversário de Sandy, Smith, junto com Pippa Brashear, diretora da SCAPE, e Donna Walcavage, diretora da Stantec, explicaram como projetar com a natureza pode levar a comunidades costeiras mais resilientes. Durante a Semana do Clima de Nova York, elas conduziram centenas de pessoas por dois projetos on-line interconectados no extremo sudoeste da ilha: Living Breakwaters e seu companheiro em terra — o Tottenville Shoreline Protection Project.
Ao aliar sofisticação estética e baixa manutenção, a superfície sólida Solid Surface da Corian® Design auxilia profissionais de arquitetura e design a criarem espaços saudáveis com total tranquilidade. O designboom e o ArchDaily deram continuidade à sua série de webinars em três partes com a fabricante de materiais, desta vez para explorar o futuro dos espaços de saúde. Especialistas de destaque em arquitetura e design, incluindo representantes da Studio Fluid, Operamed e NOAS Sweden, participaram da conversa – assista acima.
Fundada em 1541 pelo conquistador espanhol Pedro de Valdivia sobre assentamentos indígenas no vale do rio Mapocho, Santiago é a capital e a cidade mais populosa do Chile. Este centro urbano sul-americano é contido pela Cordilheira dos Andes a leste e pela Cordilheira da Costa a oeste, além de contar com 26 cerros islas, seus morros, espalhados por toda a cidade. Alguns desses cerros islas foram transformados em parques urbanos, como Santa Lucía e San Cristóbal, enquanto Chena, Calán e Renca estão em processo de expansão.
O Estudio Reynals, sediado em Mendoza, na Argentina, surgiu em 2018, fundado por Laia e Cristina Reynals, duas profissionais da arquitetura e do design, sócias e irmãs.