Brasília, Distrito Federal, Brasil. Created by @benjaminrgrant, source imagery: @digitalglobe
Em 1972 foi criada a Convenção do Patrimônio Mundial da Unesco, que vincula os conceitos de patrimônio cultural e natural da humanidade e estabelece uma série de procedimentos envolvidos na sua conservação e preservação. A partir do entendimento de que os sítios e monumentos estão sujeitos à ação do tempo e à eventual deterioração ou desaparecimento, a organização determina que aqueles de valor universal excepcional merecem uma proteção especial contra as ameaças às quais estão submetidos. Assim, o trabalho de identificação, proteção, conservação e valorização dos sítios incluídos na lista visa salvaguardar e transmitir às gerações futuras o patrimônio cultural e natural da humanidade.
A Bienal de Artes Islâmicas reimagina o Terminal Hajj Ocidental no Aeroporto King Abdulaziz em Jeddah, na Arábia Saudita, como um espaço cultural para criar uma jornada evocativa de exploração do patrimônio islâmico. O terminal, projetado por Skidmore, Owings & Merrill e vencedor do Prêmio Aga Khan de 1983, será ampliado e complementado para servir de cenário ao evento. Com a colaboração de mais de 60 artistas de mais de 20 países, a bienal busca se tornar uma plataforma para explorar e refletir a diversidade da experiência muçulmana em todo o mundo. Sob o tema Awwal Bait, ou "A Primeira Casa", o evento entrelaça obras encomendadas com artefatos históricos nunca antes exibidos para transmitir uma perspectiva holística das artes islâmicas. A Bienal, que tem curadoria de Sumayya Vally e realiza sua edição inaugural, ficará aberta de janeiro a abril de 2023.
“Se eu dissesse que Brasília é bonita, veriam imediatamente que gostei da cidade. Mas se digo que Brasília é a imagem de minha insônia, veem nisso uma acusação; mas a minha insônia não é bonita nem feia — minha insônia sou eu, é vivida, é o meu espanto.” — Clarice Lispector
Em 2020, Brasília completou 60 anos. O aniversário quase me escapou, mas, em tempos de isolamento, lembrei-me das caminhadas que tive oportunidade de fazer por lá no ano passado e que me despertaram para o belo, o não belo, e também para o “não óbvio” da famosa cidade modernista. Dito isso, compartilho aqui o meu espanto ao percorrer a pé a cidade-máquina.
“É o jogo de três escalas que vai caracterizar e dar sentido a Brasília... a escala residencial ou quotidiana... a dita escala monumental, em que o homem adquire dimensão coletiva; a expressão urbanística desse novo conceito de nobreza... Finalmente a escala gregária, onde as dimensões e o espaço são deliberadamente reduzidos e concentrados a fim de criar clima propício ao agrupamento... Poderemos ainda acrescentar mais uma quarta escala, a escala bucólica das áreas abertas destinadas a fins-de-semana lacustres ou campestres”. - Lucio Costa em entrevista ao Jornal do Brasil, 8 de novembro 1961.
A fotógrafa Joana França compartilhou uma impressionante série de fotografias aéreas da capital nacional dividida em quatro subséries, cada qual apresentando uma escala de Brasília: residencial, monumental, gregária e bucólica. Veja cada uma delas, a seguir.
Congresso Nacional. Foto de Mario Duran-Ortiz, via Flickr. Licença CC BY-SA 2.0
A partir do século XIX, com sua Revolução Industrial e emergência dos novos tempos da máquina, a crescente população e as demandas pelo espaço urbano cada vez mais pungentes, na Europa, emergem as primeiras reflexões sobre a cidade e, mais do que isso, inicia-se o processo de estruturação disciplinar do urbanismo como teoria e prática inerentes ao novo momento histórico que se consolidava, e que teria seu produto, em relação às cidades, como apanágio do século XX. Dentro dessa lógica disciplinar que se configurava a partir de uma demanda social, ou muitas vezes, uma demanda política vinculada a pretensões militaristas de ordem e controle urbano, o século XX foi palco de todo o desenrolar dessa sociedade industrial, que tinha a cidade como seu horizonte.
Em nosso contexto atual de crise ecológica, aquecimento global, perda de biodiversidade, crescimento da população humana e expansão urbana, precisamos repensar a forma como construímos e vivemos em nossa cidade. Temos observado as consequências de um planejamento e construção urbana descontrolados, movidos apenas por uma visão capitalista e produtivista da cidade, empacotando o máximo de humanos possível nas construções mais baratas disponíveis, sem considerar o impacto em nosso planeta, em nossos semelhantes animais e plantas habitantes e nosso próprio bem-estar. As selvas de concreto que construímos no século passado provaram estar destruindo nosso clima (aquecimento global, ilhas de calor), nossos ecossistemas (perda de biodiversidade e redução da população de animais e plantas) e nossa economia (as indústrias de alimentos e produtos foram deslocadas para longe, substituídas apenas pela indústria de serviços e pela geração de grande quantidade de resíduos na cidade).
https://www.archdaily.com.br/pt/993861/repensando-as-relacoes-das-cidades-com-a-natureza-robos-agricultores-urbanosAlexandre Dubor and Cristian Rizzuti
As propostas de empreendimentos urbanos na Disney World vêm de tempos antigos. Um dos últimos projetos visionários de Walt Disney foi o Experimental Prototype Community of Tomorrow (EPCOT), um centro para empresas americanas e para a vida urbana. Disney defendia que os problemas das cidades eram as questões mais críticas para a sociedade e planejou uma cidade que pudesse se desenvolver de forma controlada, na contramão da expansão que os EUA tiveram durante a primeira metade do século passado. Depois de sua morte, em 1966, o conceito "EPCOT" foi abandonado porque a empresa não estava certa sobre a viabilidade de operar uma cidade. Cinquenta e cinco anos depois, após uma pesquisa minuciosa, o Walt Disney World escolheu para isso a Michaels Organization por sua experiência na construção e administração de comunidades habitacionais alcançáveis.
Em uma era de globalização sem precedentes, nossas cadeias de abastecimento de alimentos – as instituições e mecanismos envolvidos na produção e distribuição de suprimentos – tornaram-se mais longas. Tanto que dificilmente são percebidas como cadeias ou sistemas. Elas foram integrados em nossas vidas e em nossas cidades e transformaram nossas relações com a comida. E, no entanto, essas longas cadeias de abastecimento de alimentos estão envolvidas em alguns dos nossos problemas globais mais prementes, desde a segurança alimentar e o desperdício até a biodiversidade e as mudanças climáticas. Essas cadeias de abastecimento chegaram ao seu estado atual, sua extensão atual, ao longo de décadas, ou talvez séculos, por meio de todos os tipos de processos políticos, sociais, culturais e econômicos, e carregam consigo uma série de fardos: relações vagas entre produtor e consumidor, e uma série de externalidades ambientais negativas, entre muitas outras.
Primer Premio. Image Cortesía de Mariano Gonzalez Moreno
Em comemoração ao Ano Internacional do Vidro, a empresa VASA (Vidriería Argentina SA) decidiu encarregar a Sociedad Central de Arquitectos (SCA) da organização, realização e difusão de um concurso nacional de anteprojetos para a construção de um Pavilhão Urbano. Com o patrocínio da Federación Argentina de Entidades de Arquitectos (FADEA), propôs-se formular um Pavilhão Urbano VASA que utilize o vidro como material predominante e esteja posicionado em um espaço público verde, seja urbano ou ribeirinho, na Cidade Autônoma de Buenos Aires (CABA).
Com o fim de mais um ano, a equipe do ArchDaily reúne os destaques da arquitetura em uma série de retrospectivas que buscam resgatar o conteúdo apresentado no período que se encerra. Como parte deste esforço, nossa equipe de projetos se volta para uma das categorias mais populares entre os leitores, a arquitetura residencial, com o objetivo de reunir aqueles que representam o melhor de uma vasta produção arquitetônica mundial a partir do olhar da nossa audiência.
Centro Comercial Tagh Behesht em Teerã, Irã. Imagem cortesia de Rvad Architecture and Design Studio
A seleção desta semana de Melhores Projetos de Arquitetura Não Construída destaca espaços de escritórios enviados pela comunidade do ArchDaily. De uma emissora de TV no Vietnã a um centro comercial inspirado em bazares no Irã, esta seleção de projetos não construídos demonstra como arquitetos/as estruturam espaços corporativos para servirem de modelo para ambientes de trabalho sustentáveis, inovadores e voltados para o futuro.
Cidades são espaços apaixonantes e desafiadores. Ao mesmo tempo em que são territórios de troca e encontro, apresentam problemas que podem parecer sem solução. O episódio 58 do Betoneira conversou com o urbanista Mauro Calliari sobre as possibilidades das cidades, levando em conta a complexidade do cenário pós-pandemia.
O primeiro ponto abordado por Callliari foi o próprio conceito de cidade. Segundo ele, sua definição exata é um dos debates centrais do urbanismo, pois existem muitos modos de encarar a questão. Uma cidade costuma ser um lugar razoavelmente grande, denso e diverso. Cidades pressupõem uma certa aglomeração de pessoas, de atividades comerciais e de outras atividades necessárias à manutenção da vida.
A palavra comensalidade refere-se ao ato de comer junto, dividindo uma refeição. Muito mais que uma mera função de necessidade humana essencial, sentar-se à mesa é uma prática de comunhão e trocas. Um artigo de Cody C. Delistraty compila alguns estudos sobre a importância de alimentar-se em conjunto: alunos que não comem regularmente com os pais faltam mais à escola; crianças que não jantam diariamente com a família tendem a ser mais obesos e jovens em famílias sem essa tradição acabam tendo mais problemas com drogas e álcool, além de desempenho acadêmico mais fraco. Evidentemente que todas estas questões levantadas são complexas e não devem ser reduzidas a somente um fator. Mas ter um local adequado para fazer as refeições, livre de muitas distrações, é um bom ponto de partida para ao menos um momento focado na conversa e alimentação. Estamos falando das mesas de jantar. Revisamos aqui alguns projetos para classificar as formas mais comuns de se implantar estes importantes mobiliários.
Vontade Indômita (The Fountainhead em inglês), de 1949, baseado no romance A Nascente da escritora russa naturalizada nos Estados Unidos Ayn Rand, retrata a jornada de um jovem arquiteto vanguardista que se encontra dentro de um debate arquitetônico entre a “criação” e a industrialização da profissão. O romance de 1943 apresenta o Objetivismo de Rand, filosofia à qual se ateve por grande parte da carreira e que define o ser humano como um ser heróico, cuja atividade mais nobre é a realização produtiva, mesmo se só for alcançada através de renúncias e auto sacrifício.
https://www.archdaily.com.br/pt/993639/alegoria-e-arquitetura-moderna-uma-analise-do-filme-vontade-indomitaBruna Bonfim e Nara Albiero
Preparamos uma lista abrangente com 125 livros de arquitetura e temas relacionados que consideramos interessantes para ampliar seus conhecimentos sobre a disciplina.
Buscamos títulos de diferentes partes do mundo com o objetivo de apresentar visões que dizem respeito a contextos culturais distintos. De compilações de ensaios e teorias sobre o crescimento das cidades a romances que flertam com a arquitetura e séries de ilustrações e gravuras.
Veja, a seguir, nossas sugestões acompanhadas por uma breve descrição.
https://www.archdaily.com.br/pt/901773/os-116-melhores-livros-de-arquitetura-para-profissionais-e-estudantesArchDaily Team
Chegamos ao final de 2022 e é hora de rever os marcos mais importantes do ano no ArchDaily. Desta vez, apresentamos as dez fotos mais curtidas no Instagram do ArchDaily internacional.
https://www.archdaily.com.br/pt/994083/as-fotos-mais-curtidas-no-instagram-do-at-archdaily-em-2022ArchDaily Team
A Casa da Música da Hungria é um dos maiores investimentos culturais da União Europeia. Projetado pelo escritório Sou Fujimoto Architects, o edifício está se tornando um polo para os habitantes da cidade e visitantes de todo o mundo que desejam assistir a concertos, visitar a exposição ou gravar música em seus estúdios abertos.
A equipe editorial do ArchDaily entrou em contato com o Projeto Liget Budapeste pela primeira vez no verão de 2021, quando teve a oportunidade de realizar uma impressionante visita à obra da Casa da Música da Hungria. Estávamos entre os poucos convidados selecionados que puderam acompanhar de perto as fases de acabamento de um dos principais projetos da cidade, localizado em seu parque de 200 anos de história. Incorporadores e construtores corriam contra o tempo para compensar os atrasos causados pela pandemia — um desafio que certamente superaram, visto que o projeto foi concluído em menos de seis anos, abrindo suas portas ao público em dezembro de 2021.
Todos os anos, o ArchDaily apresenta milhares de novos projetos que compõem a maior biblioteca on-line de arquitetura do mundo. Nossa equipe de curadores analisa, pesquisa e se encarrega de explorar algumas das obras arquitetônicas mais inovadoras e relevantes do mundo. Assim como os projetos apresentados no primeiro livro do ArchDaily, nosso objetivo é abrir nossa plataforma e destacar (O que é) boa arquitetura. Para isso, nos debruçamos sobre intervenções de todos os tamanhos e formas, que refletem características sustentáveis, consciência local, avanço tecnológico e conforto e bem-estar. A lista dos 100 melhores projetos do ArchDaily, em particular, combina todos estes fatores com os dados que obtemos da nossa audiência, a partir dos projetos em que os leitores estão mais interessados.
https://www.archdaily.com.br/pt/994111/os-melhores-projetos-de-arquitetura-de-2022ArchDaily Team
Em mais um episódio de entrevista, o Arquicast conversa com o fundador do escritório Sotero Arquitetos, o arquiteto Adriano Mascarenhas, formado na Universidade Federal da Bahia com trabalhos bastante diversificados em escala e programas. Com sua sede às margens da Baía de Todos os Santos, a equipe adota uma postura investigativa na sua prática projetual, e vem conquistando diversos prêmios nacionais, com publicações das suas obras no Brasil e no exterior.
O escritório de arquitetura Tres Birds, com sede em Denver, anunciou que a construção do edifício de madeira mais alto da cidade está planejada para começar em julho de 2023. O edifício de 12 andares chamado “Return to Form” estará localizado no River North Arts District. Seu sistema estrutural utiliza madeira maciça e uma nova tecnologia que utiliza árvores de pequeno diâmetro de florestas manejadas de forma sustentável. Por meio do plantio contínuo e da colheita responsável, essas florestas estão se tornando uma fonte de materiais de construção renováveis e de baixo impacto. A estrutura de madeira maciça é composta por painéis laminados colados entre si. Isso fornece não apenas força e estabilidade, mas também resistência ao fogo.
2022 foi um ano agitado que, novamente, resultou em uma cobertura diversificada no ArchDaily, desde a especulação acerca dos materiais de construção do futuro até a análise do papel narrativo que a arquitetura desempenha na literatura. Uma seleção de artigos do ano que passou foi reunida abaixo, organizada em quatro tópicos.
figura 1. Taller Intervenciones Domésticas Profesores: Germán Valenzuela, Felipe Miño Proyecto estudiante Nicolás Acuña (Imagen cortesía del Autor). Image Cortesía de Revista rita_
Este artíco de Carmen Espegel foi publicado originalmente na edição nº 16 da revista rita com o título "Alegato pedagógico en Talca". A seguir, apresenta-se uma reflexão sobre a particular forma de ensino de Projetos na Escola de Arquitetura da Universidade de Talca (Chile), onde o território, o material e o social se unem em um pensamento e em uma ação construtiva realizada por estudantes em suas próprias casas, com o objetivo de reformular o habitar de modo crítico.
O concurso “Espaços Públicos na Cidade da Esperança” em José Carlos Mariátegui - San Juan de Lurigancho, anunciou seus vencedores. A iniciativa é promovida pelo Instituto de Desenvolvimento Urbano CENCA em parceria com o Ocupa tu Calle, realizada no âmbito do projeto “Promover processos de transformação social e ambiental sustentáveis, justos e participativos nas encostas de San Juan de Lurigancho, Lima, Peru”, liderado pelo CENCA e apoiado pelo Ministério da Alemanha e pela proposta estratégica institucional “Cidade da Esperança”.
https://www.archdaily.com.br/pt/1138069/2-projetos-de-espacos-publicos-na-ciudad-de-la-esperanza-em-san-juan-de-lurigancho-limaDiego Vivas