Dentre as muitas marcas deixadas pela arquiteta Lina Bo Bardi na arquitetura brasileira está o uso da cor vermelha como elemento de destaque em suas obras. Seja trazendo leveza e vividez à dureza do concreto paulistano do Sesc Pompeia ou aquecendo a alvura do Solar do Unhão da Bahia, o vermelho transcendeu o status meramente visual e estético para tornar-se uma característica distintiva da arquiteta ítalo-brasileira, tecendo conexões entre muitas de suas obras.
Em um momento marcado por desafios ambientais e uma crescente demanda por autenticidade e diversidade cultural, os arquitetos estão recorrendo cada vez mais aos sistemas de conhecimento indígena não apenas como fontes de inspiração, mas como soluções viáveis para se adaptar e responder aos desafios locais e globais. Como guardiãs tradicionais da terra, as comunidades indígenas possuem uma compreensão profunda de seus ecossistemas, materiais disponíveis localmente, normas culturais e restrições sociais. Esse conhecimento é valioso para a arquitetura contemporânea, podendo ajudá-la a se adaptar tanto às pessoas quanto aos seus ambientes.
As práticas vernaculares e indígenas estão surgindo como base para a reimaginação arquitetônica, dando informações sobre disposições espaciais, escolha de materiais e técnicas de construção, ao mesmo tempo em que permite a integração da inovação e da expressão contemporânea. Essa cuidadosa combinação de tradição e modernidade pode ter um impacto significativo em termos de sustentabilidade, pois arquitetos que adotam a abordagem indígena para aproveitar os recursos disponíveis podem não apenas criar estruturas enraizadas em seu contexto, mas também minimizar o impacto ecológico da construção. Além disso, colaborar diretamente com as comunidades indígenas leva a projetos que priorizam a participação comunitária, a sensibilidade cultural e ao desenvolvimento sustentável.
As culturas das sociedades africanas estão intrinsecamente ligadas à cor. Em tecidos, roupas, produtos, esculturas e na arquitetura, diversas sociedades exploram cores ricas e vibrantes, expressivas e alegres. Com diferentes tons, matizes, contrastes, motivos e ornamentos, as cores são abraçadas como uma linguagem não falada, uma paleta para contar histórias e um senso de identidade cultural. Embora o uso da cor nas sociedades africanas possa parecer decorativo ao olhar ocidental, ele é extremamente simbólico, e traz profundo sentido de história. Comunidades usam as cores por meio de ornamentos e motivos, expressando-se com padrões religiosos e culturais nas fachadas para contar histórias familiares e coletivas.
Das construções vernaculares às tendências de interiores contemporâneas, os tons terrosos ajudam a criar ambientes acolhedores, orgânicos e harmoniosos, utilizando uma variedade de tons que lembram a terra, o barro, a areia, a pedra e outros elementos naturais. Assim, carregam em si uma sensação de conexão com a natureza. Essas cores podem ser encontradas em diversos materiais de construção, pinturas ou revestimentos, e permitem a criação de um jogo de texturas ímpar. A seguir, veja alguns projetos que podem servir de inspiração para pensar essas composições.
O uso do concreto pigmentado na arquitetura latino-americana está crescendo e influenciando a expressão arquitetônica contemporânea. Isso pode ser visto em construções recentes que vão desde o Centro de Inovação INES, projetado por Pezo von Ellrichshausen no Chile, até o Centro Cultural Comunitário Teotitlán del Valle, da PRODUCTORA, no México.
Por muitos anos, geralmente abordado em tons de antecipação e excitação, ouvimos dizer que a impressão 3D revolucionará a indústria da arquitetura como a conhecemos. Mas se pararmos por um momento, refletir sobre o presente e olhar para o passado, fica evidente que a tecnologia há muito tempo vem remodelando o campo, passando por profundas transformações e introduzindo novas eras de design, construção e criatividade espacial. Operando como um processo de fabricação aditivo de camada por camada, a impressão 3D usa modelos digitais para criar objetos tridimensionais personalizados com um nível notável de precisão e eficiência, economizando tempo, gerando resíduos zero, reduzindo custos de mão-de-obra e criando oportunidades para protótipos rápidos e design iterativo. Ele permite que os arquitetos explorem oportunidades criativas e recuperem a autonomia, projetando elementos complexos e não padronizados dentro de um processo industrial e customizado em massa.
O primeiro ônibus a ganhar módulos solares está rodando na cidade alemã Hof, no nordeste da Baviera. Foto: Sono Motors
A empresa alemã Sono Motors tornou-se mundialmente conhecida ao desenvolver o Sion, automóvel elétrico movido a energia solar. Entretanto, por falta de financiamento para apoiar a produção pré-série, o projeto foi encerrado em fevereiro deste ano e o foco agora é atuar na adaptação e integração de sua tecnologia solar patenteada em veículos de terceiros.
O fracasso empresarial pode ser uma boa notícia para o meio ambiente, uma vez que, ao invés de concentrar-se em veículos individuais, o modelo de negócios foi transformado para atender a uma ampla gama de veículos, incluindo ônibus, caminhões e veículos refrigerados.
Olá! Boas-vindas à segunda Supporters Newsletter, criada exclusivamente para você. Dedicamos esta segunda edição ao conceito de Teoria e Prática. Com a participação de Fabian Dejtiar, editor-chefe do ArchDaily em espanhol, vamos nos aprofundar na discussão sobre as interações entre pesquisa e prática e como o conteúdo do ArchDaily incorpora ambos os campos. Além disso, oferecemos aos nossos Supporters um curso gratuito de Revit Flow, informações sobre oportunidades de trabalho no BIG e nossas recomendações de ferramentas digitais.
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Cidade de Valparaíso, Quinta Região, Chile. 21 de maio de 2017. Imagem via Shutterstock / MARCELODLT
Este ano foram apresentados novos projetos que geram mudanças importantes nas opções de mobilidade para os habitantes do Chile. Entre eles estão a inclusão das novas Linhas do Metrô de Santiago e o novo anteprojeto de teleférico que pretende ligar Valparaíso a Placilla de Peñuelas.
No centro da cidade de Lugano, na Suíça, o arquiteto Mario Botta projetou uma nova solução habitacional sobre as fundações do antigo Cinema Teatro Cittadella. Feita por Paul Clemence, esta série de fotos exibe o novo conjunto nessa cidade rica em passado artístico e cultural. O complexo residencial está localizado próximo à antiga basílica do Sagrado Coração de Lugano, situada em uma área tranquila, afastada do tráfego da cidade.
Mitologias de origem, mitos fundadores e lendas de criação nos proporcionam uma maneira de vislumbrar e imaginar o passado distante de maneira metafórica, poética e cativante. Os mitos de origem mais antigos nos ajudam a compreender como acreditava-se terem surgido um povo ou um lugar (como o universo). Os antropólogos descrevem esses mitos como mitos de criação ou mitos "cosmogônicos". Eles podem explicar como o mundo veio a existir. Por exemplo, povos nativos da América do Norte, como os Cherokee, Ojibwe e Astecas, compartilham um mito de origem no qual a terra foi inicialmente criada sobre um grande oceano. Um dos mitos de origem ocidentais mais comuns é a criação de Adão e Eva. No entanto, histórias fundadoras existem para todas as sociedades, costumes históricos e lugares. Lembre do mito dos irmãos Rômulo e Remo, amamentados por uma loba enquanto bebês para mais tarde fundar a cidade de Roma.
Um Centro de Reabilitação de Dependentes Químicos na região da Cracolândia em São Paulo. Este foi o tema do primeiro concurso de projeto organizado pelo Labideias, aberto a estudantes e recém-formados em arquitetura e urbanismo com até dois anos de formação.
A arquitetura pode desempenhar um papel crítico ao questionar as possibilidades existentes. Ela pode ser uma voz que busca propor, através do espaço construído, abordagens mais humanizadas, criativas e inclusivas. Com essa tese, a organização convidou os participantes a desenvolverem uma proposta que atendesse às necessidades de uma população marginalizada e cada vez mais perseguida. Conheça, a seguir, os vencedores e menções honrosas do #001 Concurso Labideias.
A importância da conservação dos recursos naturais por meio de habitações e infraestrutura sustentáveis está cada vez mais presente, levando o universo da arquitetura, do design e da construção a tomar consciência dessas necessidades diante da constante redução de recursos e do aumento da população mundial.
Ao compreender os problemas atuais que as cidades enfrentam, e como resposta aos desafios ambientais e requisitos técnicos do setor, o desenvolvimento de materiais inovadores, soluções aprimoradas e de alta resistência e durabilidade torna-se parte essencial do desafio na construção de edifícios e infraestrutura.
Aproveitando o poder da fabricação sem moldes por meio da impressão 3D robótica em grande escala, o ETH Zürich e a FenX AG investigaram o uso de espumas minerais livres de cimento feitas a partir de resíduos reciclados. O objetivo é construir sistemas de paredes monolíticos, leves e com isolamento térmico integrado, minimizando o uso de materiais, a demanda de mão de obra e os custos associados.
A Bienal de Arquitetura de Chicago divulgou uma programação dividida em etapas para sua quinta edição, CAB 5: This is a Rehearsal(Isso é um Ensaio). A inauguração oficial do evento acontecerá em 21 de setembro, com instalações pontuais por diferentes locais da cidade, e em primeiro de novembro serão abertas as mostras no Chicago Cultural Center e na Graham Foundation. A curadoria do CAB 5 está a cargo do coletivo Floating Museum, um grupo de artistas, designers, poetas e educadores focados em construir conexões entre arte, comunidade, arquitetura, infraestrutura e instituições públicas.
Em termos de desenvolvimento urbano, a escolha entre demolição e reutilização adaptativa tem implicações de longo alcance. Dos debates em torno da importância cultural e histórica da estrutura, ao impacto ambiental do processo de demolição e reconstrução em comparação com o custo de preservação e adaptação, a questão das demolições tem levado a comunidade arquitetônica a se unir e pedir por estratégias mais responsáveis na esperança de redescobrir o valor das estruturas existentes. Este artigo reúne algumas histórias de edifícios ameaçados de demolição e os processos que levaram ao seu resgate.
Em agosto, o Colegio de Arquitectos de Chile comemorou seus 81 anos na Sede Nacional, em Santiago. Para celebrar este aniversário, foi realizada a cerimônia de entrega dos Prêmios CA 2023.
Nosso dia a dia envolve comunicação constante com a cidade. À medida que percorremos diferentes espaços, fazemos perguntas como “Onde estou agora?”, “Para onde vou?”, “O que procuro?”, “Para que serve este edifício?”. Embora os encontros nestes espaços possam parecer intuitivos, o design gráfico ambiental (EGD) fornece as respostas para estas perguntas, servindo como uma interface importante entre nós e o ambiente construído. Envolve o design de elementos gráficos que se fundem com projetos arquitetônicos, paisagísticos, urbanos e de interiores para tornar os espaços mais informativos, fáceis de navegar e memoráveis. O EDG consiste em três elementos principais: texto, forma e cor. Texto e formas normalmente transmitem as informações gráficas, mas as cores as projetam, amplificam e ajudam a comunicá-las na cidade. Nas experiências espaciais, percebemos primeiro as cores, uma vez que nossos sentidos registram principalmente sensações visuais. Portanto, o uso estratégico da cor é fundamental para que os gráficos ambientais proporcionem uma experiência completa de imagens de identidade, senso de lugar e conexão emocional.
Os equipamentos turísticos constituem um programa arquitetônico significativo, pois não apenas oferecem comodidades essenciais para os viajantes, mas também sintetizam a essência cultural de um destino. Resorts e hotéis experimentam com ideias de conforto e lazer, restaurantes aproximam as pessoas da culinária local, ao passo que vinícolas fundem artesanato, tradição e modernidade. Os centros de visitantes são outra instalação comumente oferecida, servindo como portas de entrada para a exploração de uma cidade. Além de apresentarem programas flexíveis, essas intervenções arquitetônicas geralmente buscam se relacionar e se harmonizar com o contexto local para enriquecer a narrativa do espaço e criar uma experiência memorável para cada visitante.
A seleção de melhores projetos não construídos desta semana destaca propostas enviadas pela comunidade do ArchDaily que apresentam diversas comodidades voltadas para turistas, desde adegas, restaurantes especializados e centros de visitantes até áreas de acampamento isoladas nas montanhas ou luxuosos hotéis de spa nas regiões áridas do Oriente Médio. Com projetos de escritórios de arquitetura emergentes e consagrados, como Melike Altınışık Architects, Lockhart Krause Architects, MUA e OMBI Innovation Lab, a seleção abrange uma ampla gama de programas e escalas, revelando propostas que repensam os equipamentos turísticos convencionais ao mesmo tempo em que estabelecem uma conexão profunda com o entorno e o contexto cultural.
Arquitetos e designers muitas vezes procuram maneiras de fazer com que as fachadas e superfícies internas dos edifícios se destaquem em meio a outros edifícios. Mas, às vezes, uma singela mudança pode ter um grande impacto quando você dá um passo para trás e compreende o todo. Ao empregar um padrão ilusório, como pixels pontilhados, pontos de meio-tom ou alterações sutis, mas intencionais, na posição ou orientação dos materiais, as superfícies planas podem ser transformadas em formas curvas e mutáveis.
Os padrões de meio-tom, por exemplo, funcionam reduzindo uma superfície sólida colorida em pontos de tamanho decrescente. Esses pontos são diminuídos até desaparecerem e o resultado é uma superfície plana com um gradiente que imita as sombras ou realces de uma curva tridimensional. Enquanto isso, o pontilhado é o processo de suavizar vários tons da mesma cor misturando-os. O efeito permite que os arquitetos, em uma escala grande o suficiente, criem imagens curvas e com profundidade, usando apenas uma única cor ou ainda possibilita a criação de uma cor intermediária ilusória.
Embora a maioria das cidades do mundo busque implementar meios de transporte mais sustentáveis e ecologicamente corretos, estimulando novos hábitos de mobilidade urbana em seus habitantes, o uso do automóvel ainda persiste, ocupando grandes áreas de estacionamento nos centros urbanos. Encontrar uma maneira de integrar esses usos, oferecer novos espaços para a população e tirar proveito de suas instalações para fins ecológicos, produtivos, entre outros, é o desafio de muitos profissionais da arquitetura e do urbanismo.