Borja Fernández

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Ábalos & Herreros: arquitetura a partir da modéstia e da tecnologia

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Situamo-nos na Madri dos anos 80. Concretamente na Escuela Técnica Superior de Arquitectura de Madrid [E.T.S.A.M.], uma universidade à sombra da de Barcelona, cidade otimista em relação às transformações urbanas. Uma cidade que confiou em seus/suas arquitetos/as, estimulando sua participação na reconstrução da própria identidade. Enquanto isso, a cidade de Madri parecia se ativar a partir de outras perspectivas. Esta estimulava outros setores artísticos, deixando os/as jovens arquitetos/as sem muitas possibilidades para exteriorizar seu entusiasmo compartilhado. Iñaki Ábalos e Juan Herreros pertenciam a essa geração madrilenha. Eles, como tantos/as outros/as, tiveram que esperar e traçar estratégias intelectuais para definir esses novos limites profissionais e territoriais que reconstruiriam a Madri do futuro.

A obra de Ábalos & Herreros não é apenas um exercício virtuoso de superfícies e técnicas construtivas, mas soma a isso o estabelecimento de mesclas, de conexões e relações espaciais. Estabelecer vínculos que façam dialogar todas as peças: o existente com o novo, as pessoas e os objetos, o edifício e a paisagem, etc. Sua arquitetura recolhe o legado da Modernidade para traduzir seus gestos em algo, talvez novo e inovador para um/a observador/a menos atento/a, embora intrinsecamente carregado de toda a experiência tecnológica acumulada durante o século XX. Fazem tudo isso de uma forma ilustrativamente modesta, propondo-se a resolver os problemas de sempre de uma maneira diferente. A sua não é uma arquitetura revolucionária nem radical — entendendo esta última palavra sob o ponto de vista de querer romper com uma totalidade. Não existem origens, mas sim achados em seu caminho. Reconsideram-se tópicos estabelecidos, utilizam-se tecnologias, materiais, gestos e formas que, por razões diversas, continuam armazenados nos arquivos de ideias de muitos/as que ainda não souberam como implementá-los de maneira engenhosa e criativa.

30% dos novos apartamentos em Barcelona deverão ser de habitação social

A Generalitat da Catalunha, que aprovou a modificação do Plano Geral Metropolitano, propôs uma nova medida pela qual 30% das habitações em novos empreendimentos residenciais e grandes reformas de edifícios em Barcelona deverão ser destinadas à habitação social.

Essa mudança na regulamentação é respaldada pela Lei do Direito à Moradia de 2007, que já previa a possibilidade de reservar cotas de habitação de interesse social no tecido urbano. Com base nessa legislação, o conselheiro de Território e Sustentabilidade da Generalitat, Damià Calvet, e a prefeita de Barcelona, Ada Colau, explicaram que a Subcomissão de Urbanismo alterou uma disposição adicional que detalha o período de transição para a aplicação da nova norma.

Estes são os vencedores do projeto de reabilitação do frontão Beti-Jai em Madri

Na última quinta-feira, 22 de novembro, o júri convocado pela Prefeitura de Madri, em parceria com o Colegio Oficial de Arquitectos de Madrid (COAM), anunciou os resultados do concurso de reabilitação do histórico Frontão Beti-Jai de Madri, Espanha.

O concurso abriu inscrições em junho deste ano, recebendo um total de 73 propostas para a intervenção no emblemático edifício. O objetivo era selecionar a melhor proposta que compatibilizasse a preservação dos valores patrimoniais do edifício (declarado Bem de Interesse Cultural) com as soluções técnicas mais adequadas para seus possíveis usos esportivos e culturais.

Confira os resultados a seguir:

O frontão Beti-Jai, um sacrifício arquitetônico em Madri

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Quando se projeta um edifício, um pensamento recorrente costuma ser o de quanto tempo ele durará. Afinal, uma vez concluída a construção do edifício e abertas as suas portas a quem o utiliza, inicia-se a sua vida útil e, pouco a pouco, constrói-se o seu legado. Entra em jogo, então, a questão de como ele será lembrado, de qual será a marca desse edifício em nossas lembranças: memória arquitetônica. E, assim como a memória humana, a arquitetônica é caprichosa. Os edifícios são esquecidos da mesma forma que esquecemos nossas próprias lembranças.

A arquitetura madrilenha faz bom uso da memória. Estilos próprios de sua arquitetura mais histórica continuam de pé hoje e em pleno funcionamento. O neomudéjar, por exemplo, consolidou-se no final do século XIX, e hoje são muitos os exemplos latentes que continuam sendo epicentros da cidade, abrigando usos como hospitais, universidades, colégios, asilos, centros culturais ou museus.

Enric Miralles ou como acessar os edifícios

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A maioria dos/as arquitetos/as costuma começar a explicação de seus projetos apontando o local por onde se entra neles. "Entra-se por aqui", costumam dizer. Como se, antes de entrar, nada tivesse acontecido ou nada existisse. Como se a vida do/a usuário/a, ou a do próprio edifício, começasse naquele lugar que muitos pensam separar o exterior do interior. Uma estranha concepção do tempo.

Enric Miralles fazia uma observação interessante sobre isso: não se trata de entrar, mas de acessar; algo que depois também será marginalizado. Devemos supor que, na arquitetura, acessar quer dizer: “entrar em um lugar ou passar para ele”, como o dicionário explica. No entanto, também encontramos outras interpretações mais interessantes, como “ter acesso a uma situação, condição ou grau superior; chegar a alcançá-lo”, que fazem com que o ato de acessar se revista de significados e de tempo.

Madri habitável: Arturo, o algoritmo projetado pelos cidadãos

O urbanismo, assim como qualquer outra doutrina ou ciência, busca o estudo empírico do planejamento e da ordenação das cidades e do território. Não apenas enfrenta os desafios de propor uma mobilidade ágil, projetar um tecido residencial acessível, disponibilizar áreas para as atividades econômicas ou resolver com eficiência o impacto energético e ambiental de tudo isso, mas também busca fazê-lo de modo que as cidades resultantes sejam o mais habitáveis possível. 

Arturo, em homenagem a Arturo Soria, é o nome de um algoritmo treinado por cidadãos e cidadãs e projetado para determinar quais variáveis urbanísticas tornam nossas cidades mais habitáveis. Assim como o próprio Arturo Soria, que já deixava clara sua preocupação com a habitabilidade em intervenções como a *Ciudad Lineal*, o algoritmo tem como objetivo transformar a habitabilidade em mais um parâmetro, em um dado objetivo. Para isso, necessita da opinião de milhares de pessoas para construir uma ideia precisa do que é a habitabilidade.

Espanha revoga o 'Imposto do Sol' para impulsionar o autoconsumo energético

O polêmico “imposto do sol”, medida implantada há alguns anos pelo governo espanhol, deixa de existir no cenário local graças ao novo Real Decreto-Lei 15/2018 de transição energética aprovado pelo Conselho de Ministros, em um contexto no qual a Espanha está longe de cumprir as metas estabelecidas pela União Europeia para o setor.

Entre outras medidas, o referido Real Decreto estabelece o direito ao autoconsumo de energia elétrica sem encargos; reconhece o direito ao consumo compartilhado (por várias pessoas usuárias utilizando uma mesma instalação); simplifica os trâmites administrativos; prevê a moderação das tarifas de energia elétrica; e estabelece medidas para incentivar os veículos elétricos.

Hans Scharoun: arquitetura, espaço e imaginação

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A vertente historicamente expressionista na arquitetura nasce após o desastre humano e social herdado da Primeira Guerra Mundial. Uma guerra enlameada, fétida, de ínfimo valor humano, que espalhou seus estragos por toda a Europa, parte da Ásia e EUA. No entanto, o território mais funestamente desolado foi, sem dúvida, o alemão, onde ela não apenas deixou uma crise econômica e de infraestrutura, mas também perturbou o pensamento de toda uma sociedade. Uma grande depressão emocional. Por essa razão, a luz do expressionismo era tão necessária. A cor, o retorno à natureza, a crueza da reta ao lado da delicadeza da curva, as arestas vivas, texturas, jogos formais... Uma nova linguagem. Uma nova dialética para expressar o olhar sobre o mundo.

Hans Scharoun [1893-1972] bebeu dessa linguagem. Ele, junto a muitos de seus contemporâneos —Mies, Taut, Mendelsohn ou o próprio Häring— formou-se no clima expressionista vivido na Alemanha do pós-guerra, sob a direção de Poelzig e sua Escola de Breslau. Esse expressionismo surge pela primeira vez em uma série de aquarelas que ele enviou para a “Gläserne Kette” (“Corrente de Cristal”), a famosa correspondência entre arquitetos/as e artistas da Alemanha da época. Idealizada originalmente por Bruno Taut, essa correspondência servia como meio de comunicação entre os membros do grupo. Nas cartas, libertos dos limites da viabilidade, os membros descreviam suas visões de uma sociedade ideal e de uma arquitetura benéfica.

Sáenz de Oiza: uma volta de bicicleta

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O renomado arquiteto espanhol Sáenz de Oiza [1918 - 2000] era um ciclista fervoroso. Como ele próprio confessava, sua vida mudou completamente após se mudar com a família de Navarra para Madri para iniciar seus estudos na Escola Técnica Superior de Arquitetura de Madri [E.T.S.A.M.], em meio a uma Espanha em efervescência política e social após o estopim da guerra civil em 1936. Com a morte de seu pai em 1938, coube a ele, de certa forma, o sustento da família. Essas lembranças e as dificuldades emocionais e financeiras de seus primeiros anos fizeram com que, após seu posterior sucesso como arquiteto, ele gastasse parte do patrimônio acumulado em caprichos materiais dos quais não pôde desfrutar na juventude: carros de luxo ou bicicletas, as quais gostava de colecionar.

Outra lembrança curiosa do arquiteto remete ao momento em que, após disputar uma corrida espontânea com um ciclista desconhecido no trajeto de volta de La Granja a Madri, o outro lhe perguntou na altura de Puerta de Hierro: “Escuta... Em que equipe você corre?”. Acabou-se descobrindo que o oponente misterioso era ninguém menos que Federico Ezquerra, um lendário ciclista basco. Aquele deve ter sido um momento muito gratificante para ele.

Quando se quer traduzir uma ideia volátil, o desenho é indispensável

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A arquitetura não ilustra nem imita ideias nascidas da filosofia, da literatura, da pintura ou de qualquer outra forma de representação artística; mas, sim, constitui um modo de pensamento por direito próprio: o pensamento arquitetônico. Esse modo de discorrer, de fazer, necessita de suas próprias ferramentas como único meio para traduzir todas essas ideias em algo concreto, em algo real, capaz de se comunicar por si mesmo. Uma dessas ferramentas, talvez a mais indispensável, é o desenho.

O futuro dos Países Baixos: o método pôlder como solução

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Quando falamos de cidades como Amsterdã, inevitavelmente nos lembramos daquela rede de canais, de ruas entremeadas por água. E a água é, de certa forma, um dos desafios mais célebres enfrentados por essa cidade. Com 60% de seu território abaixo do nível do mar, as mudanças climáticas (e a consequente elevação do nível dos mares e rios) são uma questão de sobrevivência não apenas para ela, mas para todo o país.

Analise como a malha viária da sua cidade se expande com este mapa interativo

As cidades são realidades informes e mutáveis, que se expandem de forma caprichosa, movidas por tendências sociourbanas e socioeconômicas. Mas será que é possível prever quais são essas tendências de crescimento? Apresentamos uma ferramenta que permite analisar a estrutura viária e calcular qual porcentagem de vias está disposta em uma determinada orientação em relação ao norte. 

‘Bizarre Columns’: a desconstrução da coluna, por ENORME Studio

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Coluna [Sust. f. do lat. columna] Elemento de suporte vertical e alongado, generalmente de seção circular, que serve para decorar e dar suporte a outros elementos estruturais. 

Carlo Scarpa, o arquiteto da água

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Desde a sua mais tenra idade, Carlo Scarpa, aquele que se tornaria um dos mais importantes arquitetos italianos de todos os tempos, tinha muito presente o elemento fundamental que descreveria e fundamentaria sua obra muitos anos depois: a água. Enquanto brincava e se divertia por entre aquele emaranhado de vielas e canais, Scarpa vivenciava todo um universo de informações, especialmente a riqueza de estímulos que sua cidade natal o oferecia. Sua enorme sensibilidade para com o espaço è fruto dos estímulos que lhe proporcionava Veneza, sua mais bela inspiração. Sua devoção pelo simples, pelo despretensioso, exatamente o contrário da exuberância, do cenográfico e ostensivo, vai sendo construída pouco a pouco; a arte, o espaço e a história estavam presentes em suas leituras, em sua viagem em direção ao conhecimento.

Carlo Scarpa desenvolveu sua arquitetura à partir de sua extraordinaria cultura visual e de seu respeito pela tradição; percorrendo as evidências do passado e reinterpretando-as à sua manera, transformando-as em espaço arquitetônico onde todas as peças são unidades independentes mas bem orquestradas, uma narrativa espacial que, como ele mesmo dizia, poderia ser interpretada como uma música. Utilizava toda sua sabedoria e sensibilidade para se posicionar em relação ao passado, às preexistências. Mergulhando na história e interpretando o passado, construía suas obras de modo que valorizassem o contexto onde estavam inseridas. 

RCR Arquitectes: território, paisagem e vida como um único relato imanente

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O arquipélago catalão está conformado, em quase toda sua extensão, por uma pequena serra que o acompanha crescendo desde a linha da costa, tangente ao mar, formando falésias, até as poucas dúzias de quilômetros que conformam sua máxima expressão.

A própria arquitetura desta porção costeira tende a ser catalogada, recorrentemente, como arquitetura catalã; obviando e contaminando a arquitetura própria de terra, escura, sombria, pesada. Uma arquitetura - a interior - de digestões lentas, de luz de fundo e ar imóvel, que soa diferente.

Ao noroeste, encontramos uma região onde as faias permanecem imóveis e crescem a uma altura inferior a qualquer outra área do país. Onde a luz é mais suave, turva, onde as sombras são mais tênues e mais profundas. Onde chove diferente. Onde se fala diferente. Onde os campos são diferentes. Aqui vivem. Aqui trabalham. Falamos de Olot. Falamos de RCR.