Operar em entornos urbanos faz com que, na maioria dos casos, precisemos tomar decisões a respeito das preexistências materiais. O aumento na densidade das cidades afetou diretamente na porcentagem de espaço livre remanescente para desenvolver construções novas e independentes, dando lugar a debates a respeito de qual posição devemos tomar frente ao patrimônio edificado que ficou obsoleto - por detrimento ou incapacidade de satisfazer as necessidades funcionais da população contemporânea. Em situações em que os edifícios estão demasiado deteriorados ou os novos projetos estão longe das possibilidades espaciais que um edifício antigo pode oferecer, preservando apenas a fachada - como um envelope exterior, quase como um elemento epidérmico - pode ser apresentado como uma solução parcial que permite preservar, em parte, o caráter urbano de uma obra se esta tiver algum valor público ou cultural. A controvérsia surge, evidentemente, da falta de relação ou de ligação entre o interior -transformado - e o exterior -preservado.
Considera-se que o principal foco de disseminação — e provavelmente a fonte — do novo tipo de coronavírus COVID-19, detectado em dezembro de 2019, foi o mercado de frutos do mar de Wuhan, na China. A partir dos/as trabalhadores/as e comerciantes do local, o vírus começou a se espalhar, afetando em um primeiro momento a população local e, posteriormente, mais de 200 territórios e países em todo o mundo. Atualmente, três meses após a declaração da OMS que caracterizou a doença como uma pandemia, os mercados populares atacadistas e varejistas entraram na mira por serem potenciais pontos de contágio. Como é possível garantir o acesso a alimentos para a população sem que isso represente um risco para distribuidores/as, comerciantes e compradores/as?
Edificio los Eucaliptus. Captura extraída del modelo digital. Image Cortesía de Arquitectura Moderna 360º / @arquitecturamoderna360
Recentemente, a virtualidade tornou-se um recurso crucial para acompanhar estudantes e usuários/as de todo o mundo nos tempos atuais. Cursos, capacitações e livros souberam migrar para o formato digital para permitir a continuidade das atividades formativas, educativas e de lazer. Diante dessa realidade, o projeto Arquitectura Moderna 360 criou um banco de dados on-line de acesso livre, a modo de catálogo ou diário digital, reunindo diversos modelos tridimensionais, fotografias panorâmicas em 360° e realidade virtual (VR) de obras representativas do Movimento Moderno na Argentina. Assim, permite que pessoas de qualquer parte do planeta possam mergulhar nos espaços internos de edifícios icônicos que desempenham um papel relevante na história da arquitetura do país.
Mapas sonoros é um projeto do Archivo Usted no está aquí que registra de maneira não tradicional as cidades e povoados do território latino-americano. Constituindo um “mapa de mapas”, o site reúne mais de 40 páginas independentes com arquivos sonoros de países como Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, México, Peru e Uruguai, formando um grande diário de bordo de documentos de áudio georreferenciados que oferecem uma maneira alternativa de cartografar e compreender a América Latina.
Em cidades densas, onde os lotes são geralmente definidos por empenas adjacentes, a proximidade de outros edifícios representa um grande desafio quando se trata de projetar espaços de qualidade que incorporem recursos como luz natural ou ventilação cruzada.
No entanto, essa condição pode não ser a única limitação: a natureza múltipla e mutável da cidade, em alguns casos, pode levar ao surgimento de lotes atípicos – originados de glebas subdivididas que resultam em porções muito estreitas de terra. A limitação espacial exige grandes esforços para solucionar o programa de forma eficiente e satisfatória.
Em tempos de isolamento social, a CNM (Comissão Nacional de Monumentos, de Lugares e de Bens Históricos do Ministério da Cultura da Nação) oferece um curso online gratuito para descobrir e conhecer os grandes tesouros do patrimônio arquitetônico argentino, passando por diferentes épocas, estilos e regiões. As aulas serão ministradas por renomados(as) especialistas em cada um dos temas e abrangerão um amplo panorama que vai desde a Cueva de las Manos, na Província de Santa Cruz, até edifícios modernos em todo o país.
Com suas falésias e penhascos rochosos, a costa do Peru é uma paisagem peculiar em permanente transformação devido à erosão causada pelas marés e ventos. Nesse território hostil, projetar uma arquitetura integrada à paisagem não é tarefa fácil. De volumes embutidos nas encostas até casas que incorporam formações minerais em seus espaços interiores, os projetos que enfrentam esse desafio nos permitem refletir sobre como é possível estabelecer uma relação com o ambiente natural, diluindo ou acentuando os limites entre arquitetura e paisagem.
Com a intenção de abrir espaços de reflexão sobre as perspectivas do setor cultural no contexto atual, quatro museus e instituições da Argentina – o Museo Nacional de Bellas Artes, o Museo de Arte Moderno de Buenos Aires, o MALBA e a PROA – reúnem-se para organizar, em conjunto, um ciclo de encontros virtuais com destacados representantes culturais da América Latina e do mundo hispanofalante.
Cortesía de Consejo Superior de los Colegios de Arquitectos de España
Com sua proposta “1878-1880”, o escritório espanhol de arquitetura GVG, uma equipe multidisciplinar liderada por Daniel Galar Irurre, Josecho Vélaz Ballesteros e Javier Gil Ayesa, consagrou-se vencedor do concurso de projetos para a reabilitação da antiga Estação Madrid-Delicias, sede do Museu Ferroviário de Madri desde 1983
Se bem que a previsão e prevenção de problemas e danos são fatores cada vez mais relevantes na hora de projetar nossos edifícios, espaços e cidades, determinadas situações extraordinárias ainda escapam ao nosso controle, demandando respostas arquitetônicas imediatas e urgentes, capazes de oferecer abrigo e qualidade de vida às comunidades afetadas por desastres naturais e conflitos das mais variadas ordens, soluções que – nos casos mais extremos – podem ser a única chance de sobrevivência para muitas pessoas.
Desastres naturais como terremotos, tsunamis, furacões, inundações assim como conflitos armados, disputas territoriais ou outras crises humanitarias de escala mundial – como a atual pandemia de COVID-19 –, demandam uma reação imediata para controlar e evitar o agravamento das suas consequências – ajudando a salvar vidas. A arquitetura de emergência pode ser definida como uma resposta construtiva que faça frente às necessidades humanas mais urgentes, as quais emergem em momentos de crise e situações excepcionais, materializadas em forma de infra-estruturas responsíveis que buscam oferecer soluções imediatas abrangendo desde abrigos para acolher pessoas em situação de emergência até instalações de saúde e atenção médica nas zonas afetadas.
A terra é um elemento que vem sendo utilizado para construir desde tempos imemoráveis. Seu baixo impacto ambiental e a variedade de técnicas existentes para trabalhá-la permitiram a transcendência de seu uso em projetos de arquitetura em todo o mundo. Seja na taipa, em paredes de terra batida, paredes erguidas com sistemas de barro ou estruturas em adobe, diversos projetos contemporâneos reelaboram e reinterpretam estes métodos tradicionais para dar forma a seus espaços.
Buscando somar ideias e reflexões de profissionais, estudantes e colaboradores(as) no marco da emergência sanitária que estamos atravessando em nível local e global, o Colegio de Arquitectos de la Provincia de Santa Fe convocou os arquitetos e arquitetas a contribuírem com ideias de forma coletiva para solucionar os problemas atuais associados à propagação da COVID-19. Dessa forma, a convocatória apresenta-se como um impulso para a criação de um espaço de construção projetual nutrido pelo pensamento disciplinar que busca oferecer respostas diante da atual crise sanitária, reivindicando e repensando o papel dos arquitetos e arquitetas na sociedade.
O surto de coronavírus (COVID-19), que teve início em dezembro de 2019 e foi declarado emergência de saúde pública de importância internacional pela Organização Mundial da Saúde em março, já afetou mais de 212 países e territórios em todo o mundo, superando a marca de 4 milhões de infectados. A gravidade sanitária da situação reside no alto potencial de contágio da doença, o que faz com que, sem uma contenção adequada, um grande número de pessoas necessite de atendimento médico simultaneamente, sobrecarregando os recursos de saúde das regiões mais afetadas.
O primeiro caso confirmado da pandemia de coronavírus na Argentina foi registrado em 3 de março de 2020. Desde então, analisando as metodologias adotadas por países onde a doença havia se propagado anteriormente (como no caso europeu), os governos começaram a tomar medidas preventivas, não apenas para garantir a máxima contenção do vírus, mas também para se preparar para futuras e hipotéticas situações em que o número de contágios excedesse a capacidade de seus sistemas de saúde.
Os protótipos de residências unifamiliares aqui apresentados surgiram da necessidade de validar o sistema construtivo desenvolvido pelo CAUH. Como todos os sistemas pré-fabricados e industrializados que não são considerados sistemas construtivos tradicionais, é necessário passar por um processo de certificações e validações empíricas. Este processo permite adquirir o CAT (Certificado de Aptidão Técnica) fornecido pela Subsecretaria de Habitação da Argentina. Para isso não apenas são feitos testes das partes do sistema, mas também se constrói um protótipo em escala real ou residência tipo que possa passar duas temporadas para que então seja verificado seu desempenho no local.
Por meio do livro “Nuestras Arquitectas. Re-mapeo y nuevas cartografías. Buenos Aires 1”, a Dra. Arq. Inés Moisset e a Esp. Arq. Carolina Quiroga propõem refletir criticamente sobre as contribuições das mulheres na história da arquitetura argentina, com o objetivo de desenvolver novas cartografias sustentadas por abordagens de equidade e inclusão.
Devido ao conhecimento público sobre o vírus COVID-19, o festival anual Open House Rosario não ocorrerá da forma prevista. Seguindo as orientações governamentais de cumprimento do isolamento social preventivo obrigatório, a associação civil sem fins lucrativos OHACHE decidiu transformar a edição de 2020 do evento em um In House, oferecendo visitas virtuais pelos edifícios da cidade de Rosário nos dias 9 e 10 de maio. Graças à boa vontade dos moradores das obras que abririam suas portas nesta edição, pessoas de todo o mundo terão a oportunidade de conhecer suas casas por meio de um vídeo curto e "entrar" nelas por um tempo através das redes sociais e do canal do YouTube do Open House Rosario.
É provável que, como consequência da emergência sanitária da COVID-19, nossa forma de entender o transporte urbano mude. Embora as críticas associadas ao uso de carros movidos a combustíveis fósseis já tivessem grande peso antes da pandemia – principalmente por suas desvantagens em termos de poluição ambiental – e o transporte sustentável já tivesse se posicionado como um tema relevante na agenda urbana, agora, a necessidade de cumprir o distanciamento social para conter a propagação do coronavírus acelerou os debates em torno da mobilidade. Assim, a bicicleta não demorou a surgir como uma alternativa viável para garantir um transporte mais seguro durante a pandemia da COVID-19 em diferentes cidades do mundo.
O tijolo cerâmico é um dos materiais construtivos mais usados na cultura arquitetônica latino-americana. A diversidade e versatilidade da alvenaria deu origem a uma grande variedade de usos e aplicações. Seja por fatores econômicos ou estéticos, o tijolo é muitas vezes usado de forma aparente – sem revestimentos ou acabamentos externos – mostrando grande riqueza associada a suas texturas e tons.