Quando consideramos algo comestível, compreendemos sua capacidade de ser comido, consumido ou ingerido, independentemente de seu sabor. Se a nossa relação contemporânea com o ambiente construído refletisse esse processo, no que se tornariam as cidades e os ambientes construídos?
A Era da Digitalização começou há quase 40 anos com a ascensão da tecnologia da informação. Com ela, vieram mudanças profundas na maneira como os seres humanos interagem e as indústrias operam — exceto, contudo, no campo da educação. Por muito tempo, apesar das tecnologias em constante evolução ao nosso redor, o aprendizado em sala de aula permaneceu o mesmo. O/A professor/a se posicionava diante dos/as estudantes, transmitindo conhecimento por meio de métodos convencionais de leitura, oratória e desenhos na lousa. Essa também tem sido a realidade do ensino de arquitetura até o momento. No entanto, os tempos estão mudando. Os/As estudantes de hoje cresceram cercados/as por tecnologias digitais e, por isso, podem se beneficiar de novos métodos de aprendizado, como a gamificação, para desafiar seus intelectos.
Muitos concordam com Roman Mars, do 99% Invisible, quando ele diz que "tendemos a não notar as coisas bem desenhadas" — mas muitos também concordam que o design costuma ser considerado algo para poucos. Por isso, devemos nos perguntar o que é verdadeiramente democrático na questão do design — e, a partir daí, podemos ajudar a definir e a contribuir com nossa visão para uma sociedade mais justa.
Sob a perspectiva do design e da arquitetura, podemos analisar a democratização do design sob diferentes ângulos: debatendo desde como incluir soluções para as necessidades cotidianas até como projetar de maneira inclusiva. Na base de tudo isso está a busca por respostas para melhorar a acessibilidade e a habitabilidade em nossas vidas.
Afinal, é possível que o design seja para todas as pessoas? E, se for assim, como alcançamos isso? Perguntamos a vocês, nossos leitores e leitoras, por meio de uma chamada aberta, e, após ler uma quantidade imensa de comentários recebidos, tanto de profissionais da construção civil quanto de estudantes e pessoas interessadas em arquitetura, foi uma surpresa encontrar pontos em comum: não apenas todos nós vivenciamos o design de forma direta ou indireta, mas também precisamos dele para romper estereótipos e paradigmas. Leia alguns dos comentários a seguir.
O Europa Minimal Frame, um novo sistema arquitetônico de alumínio, foi desenvolvido pelo Departamento de P&D da empresa como um sistema de correr de alto desempenho, com ênfase na funcionalidade, no design e na estética. Recentemente premiado com o Red Dot Award: Product Design 2022 na categoria de Elementos de Design de Interiores, o sistema de alumínio Minimal Frame e sua inovação, funcionalidade e longevidade oferecem diversos benefícios para projetos que aspiram a um minimalismo capaz de aliar simplicidade estética e luxo.
O A’ Design Award nasceu "do desejo de destacar os melhores designs e produtos bem projetados". Trata-se de um prêmio internacional cujo objetivo é proporcionar a designers, arquitetos/as e inovadores/as de todas as áreas do design uma plataforma para apresentar seus trabalhos e produtos a um público global. A edição deste ano já está aberta para inscrições antecipadas; os/as profissionais podem registrar seus projetos aqui.
O acesso à moradia adequada é um direito humano. Contudo, diante do aumento drástico dos preços, de rendimentos que não crescem proporcionalmente e de políticas públicas ineficazes, a falta de lares seguros e acessíveis alimenta uma constante crise habitacional global. Na realidade, constatou-se que 90% de 200 cidades pesquisadas foram consideradas inacessíveis para se viver, com o impacto da COVID-19 apenas agravando a situação e forçando grande parte da população mundial a se submeter a condições de vida precárias. Espera-se que esse cenário se agrave ainda mais em um futuro próximo; até 2025, o Banco Mundial estima que 1,6 bilhão de pessoas serão afetadas pela escassez de moradias.
À medida que as empresas despertam para suas responsabilidades sociais e ambientais e definem novas metas rumo à circularidade absoluta, todo o léxico do design e da fabricação de mobiliário se transforma. Enquanto busca zerar seu impacto no equilíbrio ecológico do planeta, a indústria mobiliza um verdadeiro exército de "erres": da reutilização e ressignificação à reciclagem e ao reparo, passando pela remanufatura, reposição e, cada vez mais, pelo aluguel.
https://www.archdaily.com.br/pt/1134681/haworth-retrabalhar-reparar-reciclar-reutilizarEmma Moore
99+Imaginaris foi um convite a renomados/as arquitetos/as de diversas partes do mundo para especular sobre o futuro de Barcelona. No contexto do Festival Model, os/as curadores/as Eva Franch i Gilabert e Josep Maria Montaner, juntamente com o projeto, coordenação e montagem expográfica da Fundación Enric Miralles, deram origem a uma ampla série de esboços, ideias, visões e modelos: de uma Barcelona comestível de Areti Markopoulou a uma Barcelona com pontos de inflexão de Zaida Muxí.
O catálogo da exposição resultante é um arquivo diverso de manifestos desenhados — um documento que nos permite analisar e debater sobre os próximos modos possíveis de habitar a cidade. Apresentamos a seguir o texto curatorial de 99+Imaginaris, junto a cada uma das visões dos/as autores/as.
A coprodução tem a capacidade de potencializar processos e atores, bem como de se aproximar de espaços e sistemas que tradicionalmente foram invisibilizados pelas políticas públicas urbanas e pelas agendas arquitetônicas convencionais. Em uma conjuntura de insegurança alimentar, agravada pela pandemia e pelo pós-pandemia, o projeto ‘KNOW - Conhecimento em ação para la igualdade urbana’, por meio de uma metodologia participativa e de uma articulação horizontal entre os agentes envolvidos, busca consolidar a criação de uma rede de cuidados que supere as lacunas multidimensionais para além da insegurança alimentar. Dois projetos-piloto foram desenvolvidos no distrito de San Juan de Lurigancho; as áreas de intervenção foram identificadas em decorrência das carências de infraestrutura para o funcionamento das cozinhas comunitárias, uma situação recorrente em outras periferias de Lima.
https://www.archdaily.com.br/pt/1135146/conhecimento-em-acao-para-a-igualdade-urbana-praticas-comunitarias-para-a-seguranca-alimentar-em-san-juan-de-luriganchoBelen Desmaison, Lia Elier y Diego Vivas
Em um mundo no qual nossa compreensão sobre o que define o luxo passa por uma profunda transformação, o MDF — outrora um humilde material de construção — ganha um novo protagonismo. No campo específico do design e da arquitetura, o que hoje se considera luxuoso não é tanto o recurso raro e brilhante, mas sim aquilo que é produzido de forma consciente e sustentável. Esse luxo não se define por quilates ou brilho, mas por circularidade, durabilidade e adaptabilidade. Nas mãos certas, o que é simples pode se tornar nobre.
https://www.archdaily.com.br/pt/1135295/mobiliario-e-elementos-fixos-esculturais-a-nova-geracao-de-produtos-em-mdfEmma Moore
A arquitetura sempre desempenhou um papel fundamental em exposições. Museus, exibições e mostras não são apenas ofertas culturais, mas são definidos pelo espaço, por um itinerário expositivo capaz de surpreender e fascinar o/a visitante, que é atraído/a para uma experiência ativa e inspiradora.
Para uma exposição, a arquitetura é tão fundamental quanto as obras de arte, coleções, artefatos e seus conteúdos. O curso “Architecture for Exhibition” foi criado sob essas premissas: seu objetivo é capacitar profissionais de design que sejam capazes de materializar diversas experiências artísticas e museológicas, potencializando a narrativa dinâmica por trás de cada proposta cultural. Os/as estudantes adquirirão novas habilidades em expografia e ingressarão em um ambiente altamente prestigioso — a cultura —, que hoje registra uma demanda crescente por parte dos clientes mais críticos e exclusivos.
Felizmente, a arquitetura tem o poder de resolver inúmeros problemas do mundo moderno e da forma como nele vivemos, e existem caminhos infinitos para isso. Contudo, nem toda arquitetura é eficaz em apresentar soluções e, ao mesmo tempo, demonstrar sensibilidade e provocar reflexões. Com um portfólio que se consolida a cada ano, o SO–IL, escritório de arquitetura sediado em Nova York, vem provando que os edifícios podem, de fato, alcançar esse objetivo e ir muito além.
Nas décadas de 1960 e 1970, surgiu uma série de críticas à cidade moderna. A crítica contundente de Jane Jacobs àqueles que pretendiam reestruturar a cidade de Nova York foi a que teve impacto mais imediato, enfraquecendo o domínio de Robert Moses e de seus seguidores, mas outras obras exerceram uma influência mais ampla sobre arquitetos/as e urbanistas atuantes. Como observador das cidades da região da Baía de São Francisco, perguntei-me se os livros desse período poderiam lançar luz sobre as questões atuais do adensamento em contextos urbanos.
https://www.archdaily.com.br/pt/1134534/como-os-criticos-de-outrora-pensavam-a-densidade-urbanaJohn J. Parman
JULIA GUARINO FICHTER, Primer arquitecta recibida en Uruguay, Revista Mundo Uruguayo Nº2049 (31/07/1958), pág.6 (ejemplar del IHA). Tomado para Nómada Uy. Image Cortesía de Medios Audiovisuales FADU - UdelaR
Nascida em 17 de julho de 1897, Julia Guarino Fiechter tornou-se a primeira mulher a obter o título de arquiteta no território uruguaio, por volta de 1923. Embora fosse natural de Éboli, na província de Salerno, Itália, cresceu e desenvolveu toda a sua vida profissional no Uruguai após se formar na Faculdade de Arquitetura da Universidade da República, atuando também como desenhista e professora.
O novo centro de outdoor living NOA na Bélgica oferece inspiração ilimitada para a concepção de projetos criativos para áreas externas, graças à colaboração de 24 marcas de alto padrão de outdoor living. Assista ao vídeo para saber mais.
A história da memorável cortina que dá vida ao DAAily bar no Swiss Corner durante a Semana de Design de Milão vai muito além de seus padrões coloridos e naturais. Conforme explicou o artista de origem suíça Douglas Mandry, criador da obra em colaboração com a Bally e a Christian Fischbacher, durante sua Live Talk junto à instalação no DAAily bar, "Meu trabalho é movido pelas transformações globais que enfrentamos, abordando questões de mudança climática e consciência ambiental por meio de elementos visíveis."
O slow living é uma tendência inspirada pelo crescente interesse em atenção plena (mindfulness) e sustentabilidade — e por nossa crescente necessidade cultural de escapar dos efeitos negativos do ritmo acelerado da vida digital e do consumo excessivo. No entanto, de que forma exatamente o design de nossos espaços internos e externos pode interpretar essa tendência e nos ajudar a desacelerar?
The Second Studio (antigamente conhecido como The Midnight Charette) é um podcast explícito sobre design, arquitetura e o cotidiano. Apresentado pelo arquiteto David Lee e pela arquiteta Marina Bourderonnet, o programa traz diferentes profissionais criativos em conversas sem roteiro que abrem espaço para reflexões profundas e discussões pessoais.
Uma variedade de temas é abordada com honestidade e humor: alguns episódios são entrevistas, enquanto outros trazem dicas para colegas designers, análises de edifícios e outros projetos, ou explorações informais sobre a vida cotidiana e o design. The Second Studio também está disponível no iTunes, Spotify, e YouTube.
Esta semana, David e Marina conversam com Jonathan Feldman, arquiteto, sócio-fundador e CEO do Feldman Architecture, para discutir sua transição da astronomia e do inglês antes de estudar arquitetura; a captação de novos clientes; o início e a evolução de seu escritório; ideias fundamentais para a implementação de um design sustentável; e muito mais.
https://www.archdaily.com.br/pt/1134167/podcast-the-second-studio-entrevista-com-jonathan-feldmanThe Second Studio Podcast
Os fungos estão em quase todos os lugares — no ar que respiramos, no solo em que pisamos, na nossa alimentação e, sim, eles também vivem dentro de nós.
Doreen Adengo, arquiteta ugandense e pioneira, faleceu em 22 de julho deste ano, após lutar contra uma longa doença. Ela fundou o Adengo Architecture, um escritório sediado em sua cidade natal, Kampala. Como designer que estudou nos Estados Unidos, trabalhou em escritórios em Nova York, Washington e Londres, e lecionava na Uganda Martyrs University, seu legado é nada menos que extraordinário. Trata-se de um legado que abrange disciplinas e geografias — mas também profundamente enraizado no contexto da África, de Uganda e de Kampala.
A arquitetura de hangares é uma tipologia relativamente recente. Desde que os irmãos Wright guardaram e consertaram sua aeronave em um hangar de madeira construído em 1902, projetistas e construtores/as vêm repensando o potencial dessas estruturas. Para além dos aeroportos e terminais propriamente ditos, os hangares se diferenciam por serem projetados especificamente para abrigar aeronaves ou veículos aeroespaciais. Hoje, como essa tipologia pode ser desafiada e reinventada?
O arquiteto Félix Candela – de nacionalidades espanhola e mexicana – é um dos arquitetos do século XX mais reconhecidos mundialmente por construir uma trajetória que explorou o concreto armado por meio de diferentes experimentos que resultaram nas famosas cascas, elementos estruturais e de design que sustentam muitas de suas obras, tais como o Pavilhão de Raios Cósmicos na UNAM, Cidade do México (1951); a Capela de Palmira em Cuernavaca (1958); o Restaurante Los Manantiales, Xochimilco (1958); e o Palácio dos Esportes para os Jogos Olímpicos de 1968 na Cidade do México.
Bergerheide / Iglesias Leenders Bylois Architects. Imagem cortesia de Vectorworks
O escritório de arquitetura Iglesias Leenders Bylois Architects (ILB Architects) começou a incorporar o uso de Modelagem de Informação da Construção (BIM). O maior defensor da metodologia é o arquiteto Meindert Leenders, que acredita que todo escritório de arquitetura deveria trabalhar com BIM:
“Não precisa ser um projeto grande. Pegue um caso real, defina algumas metas alcançáveis e tente desenvolvê-las em BIM." O ILB escolheu o 'Bergerheide' como projeto-piloto: uma proposta que consiste em três vilas urbanas em formato de parque, projetadas em colaboração com a construtora Dethier. As regras de colaboração foram claramente estabelecidas pelo diretor do projeto, Vlaanderen Bouwt vzw, proporcionando à equipe de arquitetura uma estrutura sólida para experimentar com o BIM.