O arquipélago catalão está conformado, em quase toda sua extensão, por uma pequena serra que o acompanha crescendo desde a linha da costa, tangente ao mar, formando falésias, até as poucas dúzias de quilômetros que conformam sua máxima expressão.
A própria arquitetura desta porção costeira tende a ser catalogada, recorrentemente, como arquitetura catalã; obviando e contaminando a arquitetura própria de terra, escura, sombria, pesada. Uma arquitetura - a interior - de digestões lentas, de luz de fundo e ar imóvel, que soa diferente.
Ao noroeste, encontramos uma região onde as faias permanecem imóveis e crescem a uma altura inferior a qualquer outra área do país. Onde a luz é mais suave, turva, onde as sombras são mais tênues e mais profundas. Onde chove diferente. Onde se fala diferente. Onde os campos são diferentes. Aqui vivem. Aqui trabalham. Falamos de Olot. Falamos de RCR.
A partir de um interesse comum entre as cidades, a arquitetura e a fotografia, o grupo de pesquisa FORM+ da Universitat Politècnica de Catalunya (UPC) em colaboração com o ArchDaily em espanhol, realizaram neste ano de 2018 um importante acordo editorial, divulgando as pesquisas realizados pelo FORM+ em relação à recente exposição realizada na capital colombiana: Bogotá pelas lentes de 10 fotógrafos
Assim, nossos leitores agora podem conhecer o trabalho de alguns dos precursores da fotografia de arquitetura e da paisagem graças à pesquisa desenvolvida pelos responsáveis pelo projeto: María Pía Fontana (UdG), Miguel Mayorga (UPC) e Margarita Roa (USB, Cali), todos integrantes do grupo FORM+. "A fotografia é uma forma de mediação intelectual e sensível para com o mundo, que abrange a nossa experiência perceptiva e renova a nossa sensibilidade visual: um instrumento que educa o olhar, um recurso da criatividade que ensina a reconhecer o espaço e o entorno construído", explicaram os responsáveis pelo projeto.
A seguir apresentamos os perfis dos 10 fotógrafos incluidos neste pacto editorial:
Em uma pequena faixa de terra entre o rio Emscher e o canal Rhine Herne, na Alemanha, há um ponto de parada cuja aparência colorida desmente seu propósito radical. O projeto engenhoso da estrutura consiste em tubos condutores de dois banheiros e do Emscher (o rio mais poluído da Alemanha) e que convergem em um pequeno jardim comunitário e fonte. O jardim é, na verdade, um pântano artificial que recolhe, trata e limpa a efluência dos sanitários e do rio - tornando potável.
As águas do canal Gowanus, na região do Brooklin, em Nova York, continuam não cheirando bem, embora o problema tenha sido muito pior. São resquícios de anos de poluição industrial e de esgoto não tratado.
O local, que nos séculos 19 e 20 era formado basicamente por fábricas, passou por uma revitalização nos últimos anos com investimento federal (veja aqui). Novas áreas verdes foram instaladas e comércios exclusivamente de serviços chegaram ao bairro. O preço dos imóveis residenciais também foi elevado, o que acabou por expulsar antigos moradores.
Em foi um ano repleto de novidades e é normal que muitas delas tenham passado em branco, mas nós estamos aqui para lembra-los. Em meio à este mar de projetos, prêmios, concursos e eventos, algumas tendências parecer ter se consolidado neste ano de 2018 - tendências que refletem as principais inquietações dos arquitetos e sugerem o caminho que a arquitetura está tomando.
https://www.archdaily.com.br/pt/907952/as-principais-tendencias-arquitetonicas-de-2018Katherine Allen
A mostra dedicada a Mario Merz (Milão, 1925-2003) exibe, pela primeira vez, a maior reunião e interação de iglus vindos de diversas coleções privadas e museus, com o objetivo de destacar a profunda exploração entre a humanidade e a natureza proposta pela Arte Povera – movimento artístico que surgiu na Itália na segunda metade da década de 1960, batizado por Germano Celant (historiador da arte, crítico e diretor artístico da Fondazione Prada desde 1993) –, no qual se destaca o uso de materiais simples e geralmente não industriais que, com o passar do tempo, se deterioram e, consequentemente, transformam a obra de maneira natural.
A Gran Vía de Madri é iluminada por lâmpadas LED ao longo de 1.300 metros graças à intervenção luminosa do Brut Deluxe. A instalação foi encomendada pela prefeitura da cidade e se inspira em nebulosas e galáxias. A mostra, instalada para o Natal deste ano, foi fotografada pelas lentes do Imagen Subliminal
Dedicado a famílias afetadas por desastres naturais e aquelas que vivem em zonas costeiras à espera de alternativas ou mudanças em seu habitat.
As encostas são como um manto que nos rodeia, mas de uma forma tendenciosa. A neblina de Lima esconde esse esquecimento. Falar em habitar as encostas ainda pode ser sinônimo de não-habitável por conta das más condições em que se encontram tantas casas vulneráveis pertencentes aos 70% da autoconstrução da cidade. No entanto, as encostas, devido à sua condição geográfica, oferecem qualidades habitáveis que devemos reconhecer e repensar, a fim de nos colocarmos sabiamente no território, e assim reabitar com novos ares. Nem todas as casas auto-construídas são "sem conhecimento", algumas delas têm suas próprias lições. Outras, em sua maioria, não. A verdade é que ainda é uma área a ser explorada.
Em um artigo recente no New York Times, a escritora Allison Arieff propõe a recorrente pergunta que a comunidade da arquitetura insiste em se fazer: "Onde estão todas as arquitetas?". Não se tratando mais de uma disparidade de gênero na formação acadêmica, a persistência de um número reduzido de mulheres em cargos de liderança e direção em escritórios simplesmente não condiz com a realidade. Ela argumenta que, talvez ainda mais importante do que as estatísticas, o real problema resida na própria definição de sucesso.
É a época das festas de fim de ano, e com isso recebemos as saudações criativas de arquitetos, instituições, fotógrafos e colaboradores em todo o mundo. Veja nossos favoritos a seguir - ou confira os melhores cartões enviados por leitores.
A cidade de Lima e o rio Rímac parecem em conflito, embora este a atravesse (e nutra) de leste a oeste. Por isso, destacamos o uso do termo “amizade” como um valor agregado para abordar este tema. Uma forma de compreender essa relação com a solidez e a integralidade que ela deveria ter. É o que propõe o projeto que apresentamos aqui, o qual resgatamos de nossos arquivos para trazer a público. Com o início do verão, a proximidade do fenômeno El Niño e o consequente aumento na vazão do rio Rímac, torna-se inevitável recordar os desastres causados pelos huaycos (deslizamentos de terra) há um ano. Pouco ou nada foi feito diante dessa ausência de relação da cidade com o rio; portanto, vale a pena refrescar a memória.
Por meio da Empresa de Desarrollo Urbano (EDU) e da Sociedad Colombiana de Arquitectos (SCA), Medellín lançou em novembro passado uma chamada internacional para projetar um espaço de memória e reflexão sobre o período entre 1983 e 1994 no demolido Edifício Mónaco, local que foi a residência do narcotraficante Pablo Escobar.
Nesta ocasião, apresentamos a proposta do Taller Síntesis, que propõe uma nova forma de contar a história a partir do espaço, convidando à reflexão sobre o passado e homenageando as vidas das vítimas do narcotráfico. Segundo os/as autores/as da proposta, "com o tempo, esta edificação se tornou um destino turístico para os visitantes que chegam a Medellín desejando conhecer a história do protagonista de programas que não refletem fielmente a realidade dessa época de narcotráfico".
Os seres humanos são “máquinas de ver”. Exceto no caso de quem não possui essa condição, os olhos são o nosso maior produtor de informação. Posteriormente, o cérebro de cada pessoa interpreta essas imagens conforme o caso… Não se deve confundir o "olhar" com o ato de "ver" algo. O olhar, uma resposta automática e passiva, deve se converter no ato de ver, de processar todos esses bits de informação em algo concreto, tangível. Sherlock Holmes observava o lóbulo de uma orelha a fim de deduzir um parentesco; Proust, a bainha de um vestido ou a nuca para compreender profundamente uma mulher… Onde se oculta o signo? Como saber, em uma imagem, seja ela verbal, visual ou sonora, qual é a parte significante e qual é o fundo neutro e vazio, o ruído que se deve descartar?
Nossos olhos são responsáveis por captar e absorver essa informação; nosso cérebro, por tratá-la e traduzi-la; mas é a fotografia, mais especificamente a nossa câmera, que consegue retê-la, congelando-a sob a forma de foto, para que, uma vez que nossos olhos tenham deixado de olhar, comecem a ver. Como dizia Le Corbusier, de forma simples, “é preciso ver o que se olha”.
O Museu Castagnino consolidou-se, desde meados do século XX, como um dos mais importantes espaços culturais da nação argentina. A histórica obra do escritório de arquitetura Hernández Larguía-Newton (1937) foi construída em um entorno privilegiado, interpretado como a porta de entrada para a cidade — situação que será ainda mais enfatizada com a nova intervenção.
Localizado a 2.600 metros acima do nível do mar, encontra-se o chamado “pulmão verde” da cidade de Bogotá. Trata-se do Parque Central Simón Bolívar, reconhecido por ser o mais importante e de maior dimensão da capital colombiana. Este espaço, voltado ao lazer, esporte e desenvolvimento de atividades culturais, está localizado na localidade de Barrios Unidos, facilitando o acesso para a maioria dos moradores e turistas. Em um dia como hoje, 15 de dezembro de 1991, ocorria sua inauguração oficial.
Nos últimos vinte anos, o mundo nunca esteve tão conectado. Na transição do século, a digitalidade parece ter invado as camadas analógicas e redefinido padrões, estilos de vida, interações e a maneira como nos conectamos e utilizamos os espaços. Essa redefinição social é fortemente atribuída à chamada Geração Z, ou seja, o grupo de pessoas definido por aqueles nascidos na transição do século XX ao XXI, entre as décadas de 1990 e 2010. Mas você conhece as características deste grupo?
Inaugurado em agosto de 2017 e recordista em visitações, o Sesc 24 de Maio, penúltima unidade da rede inaugurada – sucedido pelo Sesc Avenida Paulista –, foi projetado por Paulo Mendes da Rocha em parceria com o escritório MMBB Arquitetos - que interviram em uma antiga loja de departamentos, remodelando seus espaços internos a partir da estrutura existente e criando uma nova estrutura central que suporta a piscina na cobertura do edifício.
Para celebrar as constantes inovações da cidade em termos de arranha-céus imponentes, Orbitz ilustrou 20 dos exemplares mais icônicos da arquitetura de grande altura de Chicago.
Veja a seguir o conteúdo republicado da lista da Orbitz, acompanhado por uma linha do tempo interativa dos edifícios mais altos de Chicago.
Croqui para o Concurso Tabacalera Gijón. Imagem cortesia de Rogelio Ruiz Fernández
Colaborador ativo do ArchDaily, o arquiteto e doutor Rogelio Ruiz Fernández consolidou-se como um grande entusiasta do cinema, da arquitetura, das cidades e das paisagens. Ele expressa seu amor pelas artes visuais, pela arquitetura e pela cultura por meio de seus desenhos. Nesses momentos, registra viagens, seus locais favoritos e ideias projetuais que, mais tarde, se transformarão em obras de arquitetura.
A seguir, Ruiz Fernández explica seu processo criativo e a importância do croqui em seu trabalho.
As artistas colombianas Carolina Caycedo e Gala Porras-Kim chegam ao solo dos Estados Unidos com duas intervenções artísticas por meio de realidade aumentada. Os projetos buscam transmitir problemáticas sociais, econômicas e meio ambientais com obras em realidade aumentada.
Trata-se do projeto “Defining line” (Definindo a linha), o qual combina as vantagens e o alcance da tecnologia ao propor um aplicativo móvel que, de forma gratuita, consegue ser democrático e aproximar-se virtualmente as pessoas das obras de arte.
Ao percorrer as ruas de Bogotá, é inevitável sentir-se envolvido pela mistura de correntes artísticas em cada quadra. As diferentes construções que refletem a história, o passar do tempo e a sobrevivência de casas e edifícios diante das iminentes transformações espaciais da cidade constroem uma espécie de palimpsesto arquitetônico, no qual algumas estruturas são reutilizadas, ou os espaços são renovados, mas a marca de sua história prevalece.
Justamente o bairro Niza Antigua foi uma das áreas declaradas patrimônio cultural: projetado pelo arquiteto Willy Drews, nos anos 1960 sua localização — na época distante do setor financeiro e comercial de Bogotá — provocou uma série de mudanças no estilo de vida de seus moradores e moradoras, ao mesmo tempo em que a ausência de grades e a proximidade entre as casas incentivaram o senso de comunidade entre a vizinhança.
Embora pareçam ambientes opostos, as cidades se assemelham muito às florestas tropicais. Ao nível do solo, o mundo é úmido, escuro e repleto de predadores. Para quem busca ar fresco, sol e privacidade, resta apenas uma direção: para cima.
Assim, na selva urbana, é natural criar uma "copa" na forma de arquitetura de cobertura. A popularidade das áreas de convivência e lazer em coberturas de projetos residenciais, comerciais, hoteleiros e até hospitalares mostra que é exatamente isso o que está acontecendo.
Cortesía de Pasto Arquitectos & Carballo- Errasti Arquitectos
Em 9 de julho de 2018, foi lançado o Concurso Nacional de Ideias para a Cidade Judicial de San Juan. Oobjetivo era gerar ideias para a sua concretização edilícia, respondendo ao crescimento exponencial das estruturas institucionais nos últimos anos e à proliferação de suas dependências, processo que veio acompanhado de dispersão, precisamente por não haver um espaço único capaz de integrá-las.
A seguir, apresentamos os três projetos vencedores:
Construir a própria casa. Este talvez seja um dos grandes desejos de muitas pessoas — não apenas de arquitetos e arquitetas, mas de qualquer um que queira ver materializada a imagem de sua casa dos sonhos. Outros, no entanto, encaram esse desejo sob a perspectiva do legado: frases como “esta casa foi construída pelo meu bisavô” são o leitmotiv que os move. Preservar a própria memória em forma de construção.
Contudo, é preciso lembrar os inconvenientes de ser o próprio promotor, de não depender do trabalho de nenhuma imobiliária. Um caminho árduo. É por isso que muitas pessoas abandonam esse sonho para evitar complicações, acabando por optar pela compra de um apartamento ou de uma casa.