
O que a cultura da colcha de retalhos e puxadinhos tem a ver com a queda da ciclovia Tim Maia e o Regime Diferenciado de Contratação (RDC)?

O que a cultura da colcha de retalhos e puxadinhos tem a ver com a queda da ciclovia Tim Maia e o Regime Diferenciado de Contratação (RDC)?

Faz mais de 20 anos que em Cuba é possível combinar os percursos feitos de bicicleta e de ônibus. Este tipo de intermodalidade é possibilitado por uma invenção local: os Ciclobuses [ciclo-ônibus].
Trata-se de ônibus sem os assentos adaptados para ciclistas e motociclistas. Similares a muitos outros veículos que circulam no país, os ciclobuses são o resultado de modificações realizadas no início dos anos 90 para atender às necessidades de transporte dos habitantes.


Texto por Mariana Morais e Bruno Avila
Mulheres segregadas em vagões de metrôs exclusivos; locais coletivos que reprimem a necessária amamentação; dominação masculina nos espaços públicos. Uma sociedade excludente produzirá cidades excludentes. Quem nunca ouviu que “rua não é lugar de menina”? As conquistas do espaço das mulheres na nossa sociedade podem ser recentes, mas a necessidade de melhorar o modo como as cidades as acolhem é urgente.

Hoje será inaugurado mais um edifício assinado por Álvaro Siza Vieira, o Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso, em Chaves, Portugal. Para celebrar sua inauguração, Fernando Guerra (Últimas reportagens) compartilhou conosco uma incrível série de fotografias que realizou durante a sessão de fotos para esta obra.
Saiba mais sobre o museu e veja todas as fotos, a seguir.

As pequenas histórias e práticas arquitetônicas típicas a cada povoado da província de Buenos Aires são resgatadas por Juan Viel, que registra com sua câmera as atmosferas e particularidades desses lugares.
A variedade de registros e a atenção do fotógrafo são um convite à reflexão sobre o patrimônio material arquitetônico dos pequenos povoados e sobre o lugar onde habitamos.

Konstantin Melnikov (03 de agosto de 1890 - 28 de novembro de 1974) desempenhou um papel fundamental na formação da arquitetura soviética a partir de meados dos anos vinte até os anos trinta, apesar de ser independente dos construtivistas que dominaram a arquitetura da época. Além de seu renomado pavilhão para a URSS na Exposition des Arts Decoratifs, em Paris (1925), Melnikov era famoso em Moscou pela construção dos clubes de trabalhadores, por sua própria casa e pelas suas garagens de ônibus.
Com esta recente série de fotos, o fotógrafo Denis Esakov (que agora está à procura de uma editora para produzir um livro de fotografias com o conjunto completo de quase 600 imagens) criou uma oportunidade única para explorar - tanto dentro como fora - todos os 12 projetos de Melnikov que moldaram a arquitetura de Moscou durante a era soviética.

Junto a uma diminuição da densidade populacional, a região metropolitana de Buenos Aires tem gerado uma expansão sem precedentes de sua superfície urbana. Essas circunstâncias tem tornado extremamente custosos e pouco eficientes a dotação de equipamentos e infraestruturas públicas.

Este artigo foi originalmente publicado na Metropolis Magazine como “Dystopia in the Sky."
Para arquitetos, se eu posso generalizar toda uma comunidade profissional, existem poucos novelistas louvados como J.G. Ballard. Borges ou Calvino possuem sua significante porcentagem de admiradores, emprestando um adjetivo usado para descrever edifícios, Ballard é o mais icônico das figuras literárias - especialmente para os fãs de concreto. Tendo testemunhado a guerra enquanto criança, recebido treinamento em medicina, e posteriormente escrevendo a partir de um subúrbio de classe média, Ballard escreveu textos sobre a vida urbana que continuam a ser visceralmente desconfortantes.
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Uma das características pela qual a década de 10 do século XXI será lembrada é a da inclusão quase que irrestrita dos dispositivos móbiles (celulares, tablets e outros) na vida e no cotidiano das pessoas de qualquer classe social, salvo em raras partes do mundo. Como símbolo gerador de maior impacto nos tempos de hiper conectividade, podemos destacar os aparelhos da categoria “smartphone”, que por meio da internet remota, nos faz acessível a qualquer conteúdo ou plataforma online, inclusive esses mesmos aparelhos hiper conectados nos proporciona outro experiência já indelével de nossos tempos, as interações sociais virtuais por meio de redes sociais.

Neste post, originalmente publicado na Metropolis, Vanessa Quirk, que já trabalhou no ArchDaily como diretora editorial, explora as expectativas do cliente e como o arquiteto Nicholas Grimshaw lidou com elas - em ambas as concepções: edifício ou livro.
Não é comum um cliente afirmar que seu objetivo é "construir um edifício indeterminado", mas foi assim que Max De Pree, o filho do fundador da Herman Miller, D.J. De Pree, expressou os seus anseios para a nova fábrica da empresa, em 1975. Seguindo as ideais de designers como Charles e Ray Eames e Alexander Girard, De Pree compilou uma longa lista de diretrizes filosóficas para o projeto, as quais ele reuniu e nomeou com o lacônico título: "Uma Declaração de Expectativas".
O jovem arquiteto Nicholas Grimshaw, que foi escolhido por De Pree para o projeto, foi imensamente inspirado pela "Declaração", particularmente, pela ênfase na longevidade e na flexibilidade que a fábrica deveria apresentar; sua integração ao contexto (da cidade de Bath, na Inglaterra), e a necessidade do edifício proporcionar um aumento do potencial de seus funcionários. Na resposta de Grimshaw à lista, ele afirmou: "Muitas dessas ideias - como a flexibilidade e a não-monumentalidade - dizem respeito ao bem-estar dos usuários, o que vai de acordo com a abordagem que estamos construindo desde a fundação de nosso escritório, há dez anos. Nós sentimos, particularmente, que nenhum edifício novo deve se impor aos ocupantes, mas, ao contrário, deve funcionar como uma ferramenta em suas mãos."
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Para muitos, pode parecer que os objetivos de Alejandro Aravena com a Bienal de Veneza de 2016 - como ele descreve, "entender quais ferramentas de projeto são necessárias para subverter as forças que privilegiam o ganho individual sobre o benefício coletivo"—são irrepreensíveis. Apesar destes objetivos, um grande número de comentadores surgiram, levados pelo talvez mais fervoroso Patrik Schumacher, criticando a Biennale. Neste artigo, originalmente publicado no site do The Architecture Foundation como "Holier than thou," Phineas Harper responde a estas críticas.
A virada mais surpreendente da Bienal de Veneza deste ano não foi a exposição em si, mas a reação de seus críticos. Poucas horas após sua inauguração, a internet estava repleta de murmúrios depreciativos sobre a exposição: "até que vale a pena," "moralizante," "mais santo que você," "careta," "sinalizador de virtudes," entre outros. Arquitetos ativos no Twitter não se impressionaram.
Mas o que exatamente eles estão odiando tanto? A Biennale exibiu princialmente algumas práticas que enxergaram o sofrimento no mundo e, através de seu trabalho, de alguma forma ou de outra, buscam diminuir isso. Como uma proposta tão cheia de compaixão gerou uma reação tão mesquinha?

Antes de começar a projetar, o mais importante é entender como a cozinha será utilizada. Este é o enfoque básico que qualquer arquiteto deve ter, ou seja, compreender que a cozinha é um local que precisa ser muito bem planejado, levando em consideração que este espaço possui fluxos e distintas áreas de trabalho. Isso precisa ser levado em conta desde o início do projeto.
Mas além do estilo ou do desenho requerido pelo cliente, é importante definir certa modulação que permita otimizar seu rendimento e assim minimizar os custos de fabricação de seus diferentes elementos. Deste modo, as medidas de todos os componentes de uma cozinha devem ser entendidas e interiorizadas antes que o espaço que os abrigará seja definido.

Há duas importantes questões que dizem respeito à frágil condição atual do campo da Arquitetura. Com muita dificuldade, e reticência, é possível perceber um direcionamento coletivo, dentro da pluralidade individual que o contemporâneo sugere. Uma homogeneidade díspar que encontra semelhança, por exemplo, na dificuldade que a Política moderna tem na distinção prática de esquemas em vigor – como Esquerda e Direita. Ou seja, o cenário anterior dicotômico, mas exposto, substituído por um cenário novo, plural, e funcionalmente convergente.

Nesta série de fotografias, intitulada Stacked, o fotógrafo Malte Brandenburg mostra um olhar atento para os méritos dos projetos habitacionais de Berlim do período do pós-guerra. Registradas sob um céu azul homogêneo, as imagens buscam afastar a carga histórica e social sobre os edifícios, apresentando-os como puras obras de arquitetura.

Para os oitenta anos de Álvaro Siza, em 2013, escrevi um texto para o jornal Público e a Ordem dos Arquitectos de Portugal. Falei no mestre utilizando palavras e expressões como luta corpo a corpo, capacidade de pensamento sincrético, treino de alta competição, intervenções cirúrgicas, serenidade, densidade, silêncio, combates, esforço, paciência, entusiasmo, reserva, prudência e medo, mas, principalmente, alegria.

Texto da Aula Inaugural pronunciada na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP em 1 de março de 1967. Reedição da publicação do Centro de Estudos Brasileiros do Grêmio da FAU-USP, 1975. Compartilhado conosco por Rosa Artigas.

Hoje, 23 de junho de 2016, Vilanova Artigas faria 101 anos e por isso se encerram as homenagens pelo seu centenário, inevitavelmente.

Como fundador do "do tank" Elemental, o arquiteto chileno Alejandro Aravena (nascido no dia 22 de junho de 1967) talvez seja o arquiteto mais socialmente engajado a receber o Prêmio Pritzker recentemente. Distanciando-se de uma abordagem puramente estética, Aravena explica: "não achamos que somos artistas. Arquitetos gostam de construir coisas que são únicas. Mas se algo é único, ele não pode ser replicado, então, em termos de servir muitas pessoas em muitos lugares, o valor é próximo a zero."[1] Para Aravena, o principal objetivo do arquiteto é melhorar o modo de vida das pessoas ao abordar tanto as necessidades sociais e desejos humanos, como as questões políticas, econômicas e ambientais.
Amanda Burden é ex-diretora do Departamento de Planejamento Urbano de Nova Iorque e presidente da Comissão de Planejamento Urbano durante o mandato de Michael Bloomberg, onde trabalhou para promover a recuperação de Lower Manhattan e melhorar o acesso do público à orla do Brooklyn, entre outros importantes projetos que contribuíram para melhorar os espaços públicos de Nova Iorque nos últimos anos.
Nesta TED Talk, Burden explica como os espaços públicos de Nova Iorque, desde pequenos parques até as grandes intervenções realizadas recentemente, que têm como foco os pedestres, têm sido fundamentais para garantir a qualidade de vida das mais de 8 milhões de pessoas que vivem na cidade.
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Como diretor da Bienal de Veneza 2016, Alejandro Aravena procurou mudar as bases da arquitetura. Ao invés de um olhar introspectivo das deficiências da profissão, como Rem Koolhaas fez em 2014, o chileno, ganhador do Prêmio Pritzker deste ano, nos pede para olhar na direção oposta — para as vastas áreas do horizonte construído, que tradicionalmente ficam além da alçada da profissão: favelas urbanas, megacidades sem natureza, zonas de conflito, portos comprometidos ambientalmente, aldeias rurais distantes.
"Acreditamos que o avanço da arquitetura não é um objetivo em si, mas um meio para melhorar a qualidade de vida das pessoas", afirma Aravena na introdução ao evento. Em outras palavras, a sua Bienal não questiona o que a arquitetura deve ser, ainda que falhe, mas sim o que poderia fazer, mas muitas vezes esquece.

Como parte da cobertura do ArchDaily Brasil na Bienal de Veneza 2016, apresentamos uma série de artigos escritos pelos curadores das exposições e instalações à mostra no evento.
Pessoas vestindo uma enorme cabeça escultural de um unicórnio tornou-se uma das imagens mais surreais a serem vistas na Bienal de Veneza 2016.
Parte da exposição Prospect North no Pavilhão escocês, produzida em conjunto por Lateral North, Dualchas Architects e Soluis, um estúdio de design e visualização de Glasgow, as cabeças de unicórnio, alce e urso polar permitem que você seja imerso numa realidade virtual do mundo do passado, presente e futuro das Highlands.

Este artigo foi originalmente publicado por The Architect's Guide como "The Two Qualities You Need For Architecture Career Success."
Em uma pesquisa publicada na Success Magazine alguns anos atrás, foram apresentadas 20 qualidades de um funcionário ideal, e pediu-se que selecionassem a mais importante.
86% dos executivos seniores selecionaram, dentre tantas outras, duas qualidades como as mais importantes para promoção e para o sucesso da carreira:

Hoje em dia, os principais materiais de construção utilizados na indústria da construção são concreto, aço e madeira. Do ponto de vista da sustentabilidade ecológica, há quatro diferenças importantes entre estes três materiais: em primeiro lugar, a madeira é o único material dentre os três que é renovável; segundo, a madeira precisa apenas de uma pequena quantidade de energia para ser extraída e reciclada em comparação com aço e concreto (mas a implementação de seu potencial não é tão desenvolvida até o momento); em terceiro lugar, a madeira não produz resíduos até o final da sua vida, uma vez que pode ser reutilizada muitas vezes em vários produtos ou ser utilizada como combustível e; quarta, a madeira absorve grandes quantidades de carbono da atmosfera, - uma árvore pode conter uma tonelada de CO2 [1] - e o carbono absorvido permanece incorporado enquanto a madeira estiver sendo utilizada.
Considerando o fato de que 36% das emissões totais de carbono na Europa, durante a última década, vieram da indústria da construção [2], bem como 39% das emissões totais de carbono nos Estados Unidos [3], a materialidade da construção deve ser uma prioridade futura na regulamentação pública como medida contra o aquecimento global. A quantidade de CO2 na atmosfera e o nível de emissões de carbono das grandes economias em todo o mundo são as grandes questões que precisam ser resolvidas com urgência, a fim de evitar maiores catástrofes climáticas, possivelmente mais freqüentes no futuro. O regulamento em vigor em vários países da UE, que incentiva a utilização de materiais renováveis em edifícios, está mostrando a direção que a indústria da construção deve seguir. Se estas medidas forem adotadas em toda a UE e mais - se outros países começarem a seguir esta tendência também - haverá significativamente mais madeira nas cidades.

Muitos avanços tecnológicos mudaram o modo como projetamos nos últimos 150 anos, mas talvez nenhum tenha causado um impacto maior que a invenção do elevador. Antes da invenção da trava de segurança para elevadores de Elisha Otis em 1853, os edifícios raramente superavam os 7 pavimentos. Desde então, as construções vêm alcançando alturas cada vez maiores. Em 2009, o edifício mais alto do mundo, o Burj Khalifa, atingiu a marca de 163 pavimentos (e para acessá-los: elevadores Otis). Em um século e meio que separam esses dois marcos históricos, a tecnologia dos elevadores mudou relativamente pouco -- até agora.