Uma casa provavelmente da década de 50, com varal próximo ao tanque de três bocas, banheiro de azulejos grandes cobertos de tapetes e cozinha cheia de comida. Uma casa de uma família de classe média em Barretos, no interior do estado de São Paulo. Uma casa que figura como protagonista na narrativa proposta pelo trabalho "Maria, José e menino" da fotógrafa paulistana Marina Schiesari.
O que acontece quando a cidade repleta de sensores adquire a capacidade de ver – quase como se tivesse olhos? Antes da Bienal de Urbanismo\Arquitetura de Shenzhen de 2019 (UABB), intitulada "Urban Interactions", o ArchDaily está colaborando com a curadoria da seção "Eyes of the City" para propor uma discussão sobre como as novas tecnologias — e, em particular, a Inteligência Artificial — podem impactar a arquitetura e a vida urbana. Aquivocê pode ler o texto curatorial da seção “Eyes of the City”, escrito por Carlo Ratti, Politecnico di Torino e SCUT. Caso tenha interesse em participar da exposição na UABB 2019, envie sua proposta para a convocatória aberta da seção “Eyes of the City” até 31 de maio de 2019: www.eyesofthecity.net
O desenvolvimento urbano intensificou o avanço de uma paisagem nacional de produção de energia – um território que poderia ser chamado de ‘rede de infraestrutura de extração’. Essa paisagem existe fora do campo de visão comum, ofuscada por uma complexa distribuição de bancos de dados corporativos, governamentais e ambientais. A cidade se beneficia dessa rede energética, ao mesmo tempo em que desvia o olhar das consequências sociais e ambientais do fluxo de energia que corre dos territórios de extração rumo às metrópoles.
“O prédio mais verde é aquele que já está construído.” (Carl Elefante, FAIA)
A população urbana mundial dobrará até 2050, e as cidades precisam encontrar formas sustentáveis de acomodar esse movimento de massa. Muitas vezes vemos projetos sendo construídos o mais rápido possível para apoiar o crescimento. No entanto, o crescimento rápido geralmente leva a cidades e prédios sem originalidade.
Uma solução mais inteligente e sustentável é aumentar a densidade dos centros existentes, bem como recuperar as estruturas existentes através de reformas e reaproveitamentos. Mas transformar algo antigo em algo novo é um processo desafiador - requer uma visão ousada e um compromisso rigoroso com o projeto.
A apresentação visual de um projeto, pela qual os arquitetos são responsáveis, deve efetivamente comunicar a organização dos elementos materiais do projeto. Este processo criativo essencial permite aos envolvidos identificar e mesmo modificar aspectos e componentes chave do edifício durante todas as fases da sua concepção.
Devido aos desafios inerentes à seleção de materiais e outras questões práticas, o desenvolvimento do que exatamente será construído tende a ser relegado até o final do processo de projeto. Mas uma compreensão profunda dos pequenos detalhes é um dos aspectos mais interessantes e importantes dos melhores projetos arquitetônicos.
Em nossa busca pelos exemplos recentes mais notáveis de representações de detalhes construtivos, compilamos uma série de dez desenhos que mostram diferentes estilos e abordagens.
Passado, Presente, Futuro é um projeto de entrevistas do Itinerant Office, que possibilita aos arquitetos aclamados compartilharem suas perspectivas sobre o mundo em constante evolução da arquitetura. Cada entrevista é dividida em três segmentos de vídeo: Passado, Presente e Futuro, nos quais os entrevistados discutem seus pensamentos e experiências de arquitetura através de cada uma dessas lentes. O primeiro episódio do projeto contou com a participação de 11 arquitetos da Itália e Países Baixos, já o segundo episódio é composto por entrevistas com 13 arquitetos da Espanha, Portugal, França e Bélgica.
"O edifício mais verde é aquele que já está construído." (Carl Elefante, FAIA)
A população urbana mundial duplicará até 2050, e as cidades precisam encontrar formas sustentáveis de acomodar esse movimento de massa. As obras de arquitetura são construídas de maneira cada vez mais rápida para responder a tempo às demandas desse crescimento acelerado. Muitas vezes, essa velocidade gera edifícios sem personalidade, resultando em cidades totalmente genéricas.
A fachada ventilada é uma solução construtiva perimetral que considera um duplo fechamento distanciado um do outro por meio de uma estrutura de suporte, gerando uma câmara de ar que permite a sua ventilação. Esta operação cria o chamado efeito chaminé, que ativa as correntes de ar por convecção, melhorando o isolamento acústico e térmico do edifício e aumentando sua eficiência energética.
Devido à sua natureza e fabricação de prensagem laminada, o porcelanato de 3,5 mm é uma excelente escolha para revestimentos de fachadas ventiladas. Sua alta resistência às intempéries, estabilidade dimensional e leveza reduzem os requisitos da estrutura de suporte. Pesa 3 vezes menos que um porcelanato tradicional e permite grandes formatos, até 3,6 metros, reduzindo o número de juntas. Também oferece alta estabilidade de cor, resistência a impactos e baixa manutenção ao longo do tempo.
Carnaval em Olinda, PE. Foto: Ralph Fernandes, via Flickr de Circuito Fora do Eixo; licença CC BY-SA
Cultura popular constitui um conceito impreciso, que se presta a definições diversas. Para apreender os traços que caracterizam as diversas acepções de cultura popular, é preciso acompanhar a dinâmica da transformação dessa expressão ao longo dos estudos voltados para esse campo.
O artista italiano Federico Babina compartilhou conosco sua mais recente série de ilustrações. "Planimal" explora uma ligação entre a arquitetura e o mundo natural, traduzindo diferentes animais em plantas arquitetônicas. Babina reimagina os espaços arquitetônicos como “objetos narrativos que nos abrigam e conduzem em um fantástico labirinto de uma realidade onírica; arquiteturas imaginadas como esculturas zoomórficas."
Casas, museus e igrejas são representados como leões rugindo, cobras rastejantes e baleias no mar, com espaços dinâmicos compostos por curvas e retas, sólidos e vazios, sons e silêncios, luzes e sombras.
Na pesquisa apresentada para em 2014, Eduardo Gurian começa a introdução colocando as seguintes perguntas: "A grandiosidade de uma obra de arquitetura poderia ser definida apenas pelo gesto genial e a capacidade de síntese de seu autor? Ou deveríamos levar em conta a utilidade e a capacidade dela em atender as necessidades para a qual foi designada? Ou até mesmo ouvir quem realmente usufrui do espaço e contestar sua satisfação?". Com essas questões colocadas, o pesquisador analisa a evolução dos usos e ocupação da Marquise do Parque Ibirapuera, projetada por Oscar Niemeyer. A dissertação de mestrado teve como orientadora a Profa. Dra. Helena Aparecida Ayoub Silva no programa de pós-graduação da FAUUSP. Veja abaixo o resumo enviado pelo autor.
https://www.archdaily.com.br/pt/916187/marquise-do-ibirapuera-suporte-ao-uso-indeterminadoPedro Vada
O Festival Internacional de Arquitetura e Desenho de Logroño, na Espanha, se caracteriza pela realização de uma série de intervenções efêmeras espalhadas pela cidade. Para esta última edição do Concéntrico, como é chamado o festival, foram realizados dezesseis pavilhões que buscam explorar as potencialidades dos espaços urbanas desta pequena cidade medieval espanhola.
Projeto com Rodapé e Guarnição 3454 Pátina Branca - Santa Luzia. Image Cortesia de Santa Luzia
Em pleno século XXI qualquer solução sustentável deve ser exaltada! Neste post serão abordadas soluções arquitetônicas que utilizam o isopor reciclado como matéria-prima de acabamentos decorativos (resistentes à água) e como preenchimento de paredes de EPS, com diversas vantagens que vão desde isolamento termoacústico até economia com os custos da obra.
Historicamente, após o declínio da Igreja Católica e a crescente diminuição no número de fiéis em várias regiões da Europa e América do Norte, os custos de manutenção dos espaços sagrados levaram ao eventual abandono de igrejas, santuários e mosteiros - frequentemente obras de grande valor histórico e arquitetônico.
Isso abre uma nova oportunidade para profissionais da arquitetura resgatarem e recontextualizarem o patrimônio histórico representado por estes edifícios. A seguir, apresentamos 15 exemplos de reuso adaptativo em igrejas antigas que foram transformadas em hotéis, casas, museus, bibliotecas e outros espaços culturais.
José Luis Fernández del Amo (1914-1995) inscreve-se no panorama da arquitetura espanhola do pós-guerra com projetos e obras distanciados da aura acadêmica. Seus trabalhos circulam como mensagens clandestinas que revelam caminhos, insinuam verdades, apoiam vontades e desaparecem em meio a uma multidão repleta de interesses diversos. Em sua figura, como na de muitas pessoas de sua geração, há a circunstância de ter que iniciar sua biografia profissional em meio aos conflitos de uma decepção e de uma mudança de atitude espiritual perante a vida. Decepção diante da crueldade dilacerante de uma guerra civil que provoca, em quem a sofre, uma transformação interna frente ao drama desencadeado por tais conflitos.
O dia 3 de maio é uma festividade que se origina na Invenção da Santa Cruz, Cruz de Maio ou também Festa das Cruzes, cujas origens remontam ao rito romano para celebrar o culto à Cruz de Cristo. Esta comemoração evoluiu ao longo do tempo, sendo adotada em cidades do México, Chile, Espanha, Equador, El Salvador, Guatemala, Paraguai, Peru, Trinidad e Tobago, Argentina, Colômbia e Venezuela, onde parte da celebração consiste em decorar com flores, realizar procissões e danças.
Antes das redes sociais surgirem, edifícios eram publicados em revistas, editados e refinados segundo as preferências dos arquitetos que os projetaram. Hoje, as revistas foram ofuscadas por novas plataformas muito mais influentes e que não estão no controle dos arquitetos. A comunicação digital transformou o modo como as pessoas veem e interagem com a arquitetura, oferecendo aos profissionais novos pontos de vista sobre como projetar seus edifícios.
A PLANE—SITE, uma agência global dedicada a estudos relacionados aos espaços sociais e cultura urbana, produziu um vídeo que analisa o impacto das redes sociais nos escritórios de arquitetura. Intitulado Building Images, o vídeo mostra as opiniões de profissionais do OMA/AMO e UNStudio, dois escritórios com abordagens muito distintas em relação às redes sociais, que explicam como estas novas plataformas os têm ajudado a compreender seus projetos de modos nunca antes possíveis.
Como temos visto ao longo da história da arquitetura, as instalações efêmeras e os pavilhões são elementos fundamentais para retratar um momento específico da disciplina e das manifestações sociais de forma quase imediata. Se é verdade que alguns pavilhões se mostraram tão relevantes que romperam com sua condição efêmera para permanecer definitivamente e se tornar uma expressão exemplar de algum momento da história — como o Pavilhão Alemão de Barcelona, projetado por Ludwig Mies van der Rohe e Lilly Reich como pavilhão da Alemanha para a Exposição Internacional de Barcelona realizada em Montjuïc —, outros tantos ficam documentados em fotografias, desenhos e experiências para serem reescritos em projetos futuros.
A construção sustentável sempre fez parte do DNA do escritório, embora, há pouco mais de dez anos, o Lake|Flato tenha criado um estúdio interno voltado especificamente para a gestão de paisagem e recursos.
Há mais de três décadas, o escritório Lake|Flato Architects, de San Antonio, vem promovendo a causa do regionalismo crítico no sul do Texas. Os sócios fundadores, David Lake e Ted Flato, conheceram-se no escritório de O’Neil Ford, um dos pioneiros do modernismo no Texas, cujo trabalho unia inovação estrutural a tradições construtivas locais. Ao fundarem a própria prática em 1984, Lake e Flato levaram esse preceito consigo, desenvolvendo uma série de casas de campo que atraíram a atenção por sua fusão refinada de modos de vida contemporâneos, materiais nativos e vernáculo agroindustrial.
O brutalismo é uma corrente da arquitetura que se desenvolveu em diferentes partes do mundo, sempre levando em consideração algumas particularidades locais, embora compartilhando de alguns preceitos comuns como, por exemplo, o uso de materiais sem revestimento e o transparecimento do trabalho necessário para erguer as obras. O debate acerca do brutalismo é ainda intenso em diversas regiões, reunindo argumentos a favor e contra sua preservação.
Enquanto muitos enxergam a arquitetura brutalista como "feia” ou “incompleta”, Arhan Vohra, um estudante de apenas 17 anos, lançou o Brutal Delhi, uma plataforma que reúne suas fotografias de edifícios brutalistas de Nova Delhi, Índia.
A conversa com o renomado arquiteto e artista Zvi Hecker (nascido em 1931) ocorreu após Crusaders Come and Go, sua exposição na Galerie Nordenhake, em Berlim (junho-julho de 2017). Na primeira parte, Hecker apresenta sua crítica histórica à virada modernista na arquitetura e seus efeitos no planejamento urbano. Ele aponta a tensão entre uma abordagem urbanística e outra focada no impacto do edifício individual. Na segunda parte, Hecker aborda a noção do estilo do/a arquiteto/a e posiciona seu trabalho em oposição ou distanciamento em relação ao esforço de cultivar uma assinatura estilística. Na última parte, Hecker discorre sobre um motivo recorrente em seu trabalho, o tema do livro aberto como símbolo, conceito e referência formal dinâmica.
Ao longo de sua consagrada carreira, o laureado com o PritzkerTadao Ando conseguiu despertar os sentidos de quem adentra suas estruturas. Não foram apenas as formas de seus edifícios que lhe garantiram prestígio; a manipulação de luz e sombra e a sensação imediata de sacralidade que suas obras impõem são o que de fato o consagrou como um dos arquitetos mais renomados do mundo.
Para apresentar os trabalhos recentes de Ando e celebrar sua parceria de longa data com o arquiteto, a Oris House of Architecture publicou uma monografia intitulada Transcending Oppositions, que celebra suas obras e sua relação com a cultura contemporânea do Japão. Ao julgar este livro pela capa, o leitor terá uma ideia clara do que esperar, já que a monografia traduz a arquitetura de Tadao Ando em cada detalhe impresso.
Instituto de Previsión Social (Soto & Rivarola. 1959). Maqueta en corte: Diana Aguilar, Maxi Billerbeck, Christian Navotka, Florencia Calvo y Bruno Lefalle.. Image Cortesía de Elías Barczuk
Frequentemente consideramos o patrimônio como um conjunto de bens passíveis de apreço que uma pessoa ou um grupo delas adquire por herança. Embora às vezes nos sintamos completamente identificados com seu significado e com o legado que nos é concedido, são inúmeras as ocasiões em que desperdiçamos suas potencialidades.
No mês passado, a Diretoria Nacional do Colégio de Arquitetos do Chile anunciou Miguel Lawner como vencedor do Prêmio Nacional de Arquitetura 2019, maior honraria que um/a arquiteto/a pode receber naquele país. A entrevista a seguir, realizada em 2015, não apenas explora em detalhes a sua trajetória, mas também reflete vários de seus pensamentos sobre a esfera política.